Fisioterapia pélvica: a técnica praticada por famosas na gravidez

Entre os principais benefícios estão proteger as gestantes contra a dor lombar e pélvica, reduzir em até 4 quatro horas o tempo de trabalho de parto e diminuir o risco de lesão perineal. Entenda.

Não, a fisioterapia pélvica não é uma atividade física e, sim, um tratamento. Mas também não é necessário esperar o surgimento de algum problema para buscar atendimento. Pelo contrário, ela atua como uma prevenção. Já na gravidez, os benefícios vão além, é uma espécie de “preparação do corpo da mulher para a chegada do bebê”.

Em entrevista à CRESCER, as fisioterapeutas Alessandra Sônego e Thalita Freitas, da clínica Athali, em São Paulo, respondem as principais dúvidas sobre a técnica que já foi adotada por diversas famosas durante a gravidez — como Laura Neiva, Bruna Spínola, Thaeme, Camilla Camargo, entre outras.

A fisioterapia pélvica é uma técnica nova?
É relativamente nova, tem dez anos. No entanto, dentro da obstetrícia é mais recente ainda. A fisioterapia pélvica é indicada para todas as gestantes, pois prepara o corpo e a musculatura para que ela que tenha uma melhor experiência no parto, tanto normal quanto cesárea. Isto é, o músculo fica mais funcional, resiste e flexível. Ao longo do tratamento, a gestante vai entender melhor os processos de pré-parto e parto, conhece e controla seu corpo e, assim, terá um melhor domínio da situação.

Quem pode fazer?
Todas as mulheres podem e deveriam fazer. É um ótimo tratamento, por exemplo, para incontinência urinária, fecal, perdas de gases pela vagina e diversas outras disfunções ligadas a musculatura da região pélvica. Na gestação, todas podem fazer, principalmente, as gestantes de alto risco, como hipertensas, com idade avançada, diabates ou gravidez gemelar. Assim que a gestante tiver liberação médica, ela já pode começar a fazer. Porém, recomendamos a partir da 14ª semana, por conta dos riscos potenciais de aborto espontâneo dessa fase.

Quais são os benefícios na gravidez?
São muitos! Dentro da obstetrícia, é um tratamento importante contra as dores, tanto que entra como um recurso de analgesia. Uma musculatura funcional consegue estabilizar a região, protegendo-a da dor lombar ou pélvica, por exemplo. De modo geral, ajuda as mulheres a terem uma gestação mais confortável. Outro benefício, segundo estudos, é diminuir o tempo do trabalho de parto em até 4 horas. A fisioterapia consegue moldar a pelve da mãe de acordo com a cabeça do bebê, assim ele encaixa e desce com mais facilidade. Com isso, também diminui o risco de lesão perineal e impede que o músculo não sofra uma lesão, como a episiotomia, que é o corte no períneo no período expulsivo do parto. Além de melhorar a postura, a percepção corporal, traz relaxamento, ajuda na circulação e reduz o inchaço.

Na prática como são os exercícios?
Primeiro, a gestante passa por uma avaliação, onde identificamos as suas necessidades. Depois disso, os exercícios variam de acordo com a idade gestacional e o perfil de cada pessoa. É um tratamento personalizado. Por exemplo, para alívio da dor, localizamos a falha na postura que está levando àquela dor e a trabalhamos através de exercícios. Já para uma gestante com 39 semanas ou mais, trabalhamos exercícios ou técnicas que podem ajudá-la a entrar em trabalho de parto de uma forma mais espontânea. São exercícios de fortalecimento, alongamento, correção de postura, relaxamento e respiração. Um atendimento por semana, geralmente, é o suficiente para trazer resultados.

No pós-parto, a mulher continua fazendo a fisioterapia?
Em muitos casos, sim, a mulher continua após o parto. Por exemplo, um problema muito frequente após a gestação é a diástase. Conseguimos estabilizar e tratar depois do parto. Estudos mais recentes mostram também que a incontinência urinária está relacionada à gestação. O assoalho pélvico tende a enfraquecer durante a gravidez por causa do efeito de hormônios, além da sobrecarga gerada pelo aumento de pressão abdominal. Esse enfraquecimento pode trazer disfunções como a perda involuntária de urina, que atinge 60% das gestantes, podendo persistir após o parto. O objetivo é deixar o corpo da mulher adequado para que ela possa continuar realizando suas atividades, além de promover uma recuperação mais rápida no pós-parto. Mas o tempo de tratamento vai depender de cada paciente. Geralmente, quanto mais tarde ela começar a fazer na gestação, mais tempo no pós-parto ela continuará fazendo.

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