FISIOTERAPIA EM ONCOLOGIA DURANTE PANDEMIA DE COVID-19

Dra. Samantha Karlla Lopes de Almeida Rizzi (SP)
Fisioterapeuta especialista em Fisioterapia em Oncologia e Fisioterapia em Saúde da Mulher; Doutora e Mestre em Ciências da Saúde pelo Programa de Pós Graduação em Medicina (Ginecologia) da UNIFESP; Coordenadora da Especialização de Fisioterapia em Ginecologia da UNIFESP; Tutora da Fisioterapia da Residência Multiprofissional em Oncologia da UNIFESP; Fisioterapeuta do Hospital Universitário da UNIFESP; Membro da gestão 2017-2021 da Associação Brasileira de Fisioterapia em Oncologia (ABFO).
PALESTRANTE CONFIRMADA

Contextualização: A Fisioterapia é parte essencial do tratamento oncológico. A Fisioterapia em Oncologia é especialidade reconhecida pelo COFFITO desde 2009 (Resolução 264/2009, alterada pela Resolução 390/2011). O fisioterapeuta especialista em Fisioterapia em Oncologia atua em todos os níveis de atenção à saúde, com prevenção, promoção, proteção, rastreamento, educação, intervenção, recuperação e reabilitação do paciente oncológico; em ambientes hospitalar, ambulatorial e domiciliar [1].

Desenvolvimento: No hospital o fisioterapeuta atua em sala de emergência, pronto-socorro, enfermarias, Unidades de Terapia Intensiva e Unidades de Cuidados Paliativos. Estamos vivendo uma situação inédita de pandemia, com restruturação do atendimento hospitalar, de forma que a demanda de pacientes graves possa ser suprida. Cirurgias eletivas têm sido suspensas e pacientes clínicos têm sido orientados a buscar atendimento hospitalar apenas em situações de extrema necessidade. Mas, o tratamento oncológico não pode esperar. Cirurgias oncológicas devem ser mantidas, visando sobrevida e qualidade de vida aos pacientes. Além disso, o paciente oncológico pode precisar de internação, devido condições de piora clínica ou em emergências oncológicas. O paciente em tratamento de câncer também pode estar em risco de contaminação por COVID-19, por estar exposto devido à necessidade frequente de consultas clínicas e/ou procedimentos, por imunossupressão devido o tratamento oncológico, ou por ser portador de dispositivos invasivos. O fisioterapeuta especialista em Oncologia, portanto, também está na linha de frente contra o COVID-19, dando assistência ao paciente oncológico durante todo o processo de internação [2].

A Fisioterapia no paciente oncológico não internado também é essencial para a sobrevida e qualidade de vida do paciente. O fisioterapeuta atua nas iniciativas de prevenção, de promoção de saúde e na reabilitação, sendo parte extremamente importante da equipe interdisciplinar [1]. Neste momento inédito de pandemia, no entanto, todo o sistema de saúde teve que se readaptar; e o fisioterapeuta especialista Fisioterapia em Oncologia deve avaliar caso a caso e direcionar a assistência aos pacientes oncológicos da maneira mais segura possível. A decisão de manter atendimento presencial ou de adaptar para outra forma de assistência é individual, devendo o profissional considerar os riscos e benefícios de sua decisão, lembrando que o paciente não pode ficar ser assistência. Como ainda não atingimos, no Brasil, o pico de contaminação, idealmente, sempre que possível, deve-se evitar por enquanto atendimentos presenciais. [3] O Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional autorizou, em março de 2020, teleconsulta, telemonitoramento e teleconsultoria (Resolução 516/2020). Outra forma de assistência é prescrição de exercícios domiciliares. [4] No entanto, esses tipos de atendimento nem sempre são viáveis e, em alguns casos, atendimentos presenciais são necessários. Nesses casos, todas as precauções de biossegurança devem ser tomadas. Para auxiliar os profissionais na manutenção dos atendimentos de maneira segura, a Associação Brasileira de Fisioterapia em Oncologia (ABFO) publicou uma Nota técnica sobre os atendimentos de Fisioterapia em Oncologia frente à pandemia COVID-19 (https://rbc.inca.gov.br/revista/index.php/revista/article/view/973/600). Para saber mais sobre a ABFO, acesse www.abfo.org.br. Juntos, vamos vencer essa pandemia. [3]

Considerações finais: O fisioterapeuta especialista em Fisioterapia em Oncologia está na linha de frente do combate à pandemia de COVID-19, tanto no atendimento de pacientes oncológicos infectados pelo coronavírus, quanto na manutenção de atendimento a pacientes não infectados, que estão em tratamento local e sistêmico do câncer, além de ser parte essencial das equipes de prevenção do câncer e promoção de saúde. Atendimento integral e de forma segura deve ser prioridade neste período e a ABFO está à disposição para auxiliar associados e especialistas no que for preciso.

Leitura complementar:

  1. Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (BR). Resolução nº 364, de 20 de maio de 2009 [Internet]. Diário Oficial da União, Brasília, DF; 2009 jun 16. Seção I, p. 42. [acesso 2020 abr 05]. Disponível em: https://www.coffito.gov.br/nsite/?p=3127
  2. Marchon RM, Modesto FC, Rodrigues CCL, Souza PL, Plácido TR. Cuidados da Fisioterapia no Paciente Oncológico com Covid-19. Revista Brasileira de Cancerologia 2020; 66(TemaAtual):e-1031
  3. Rizzi SKLA, Cerqueira MTAS, Gomes NO, Baiocchi JMT, Aguiar SS, Bergmann A. Nota Técnica da Associação Brasileira de Fisioterapia em Oncologia sobre os Atendimentos de Fisioterapia em Oncologia frente à Pandemia de Covid-19. Revista Brasileira de Cancerologia 2020; 66(TemaAtual):e-1973
  4. Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (BR). Resolução nº 516, de 20 de março de 2020 [Internet]. Diário Oficial da União, Brasília, DF; 2020 mar 23. Seção I, p. 184. [acesso 2020 abr 05]. Disponível em: https://www.coffito.gov.br/nsite/?p=15825X

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