Fisioterapia e esporte em prol da inclusão social

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (2005), estima-se que, em todo o mundo, 200 milhões de crianças menores de cinco anos de idade estão sob risco de não atingir seu pleno desenvolvimento.

Na infância, o desenvolvimento motor caracteriza-se pela aquisição de habilidades motoras, que possibilita à criança um amplo domínio do seu corpo em diferentes posturas (estáticas e dinâmicas). Além disso, favorece a locomoção pelo ambiente de variadas formas, como andar, correr e saltar, e a manipulação de objetos e instrumentos, tais como receber uma bola, arremessar uma pedra, chutar, escrever e lançar um objeto.

Nesse período de desenvolvimento da criança, há possibilidade do surgimento de dificuldades e comprometimento nos movimentos ou atraso no alcance dos marcos motores, produzindo efeito significativamente negativo no desenvolvimento global, assim como em atividades da vida diária, relações sociais, emotivas, afetivas e no ambiente escolar.

Um elemento importante no desenvolvimento motora da criança é a coordenação motora. Para Kiphard (1976), a coordenação motora é a interação harmoniosa e econômica dos sistemas musculoesquelético, nervoso e sensorial para produzir ações cinéticas precisas e equilibradas.

Diante dessas percepções, na cidade de Aracaju/SE, as fisioterapeutas pós-graduadas em Aprendizagem Motora pela USP (Universidade de São Paulo), Ialy Nogueira e Carinne Mendes, desenvolveram um programa Especializado em Coordenação Motora com o objetivo de promover a inclusão de crianças e adolescentes com dificuldade motora no esporte. O método visa avaliar as áreas da motricidade para identificar precocemente alterações relacionadas ao desenvolvimento motor. Além disso, promove a intervenção através do treinamento de habilidades motoras básicas que são fundamentais para o desenvolvimento global da criança e a base para a aquisição de habilidades motoras especializadas, como por exemplo, o esporte.

Destinado a crianças de 5 a 15 anos, atualmente, o programa, na capital sergipana, tem obtido excelentes resultados. Segundo Ialy Nogueira, coordenadora da Motricity, o grupo é composto por crianças neurotípicas (que não apresentam distúrbios significativos do funcionamento psíquico) e também crianças com transtorno do neurodesenvolvimento (Autismo – TEA e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH).

De acordo com a fisioterapeuta, inicialmente, a criança é submetida a uma avaliação motora para identificar as áreas da motricidade que estão em déficit, como também, se há alteração comportamental e compreensão de comando verbal. “Conforme os resultados apresentados, a criança realizará a intervenção motora individual ou coletiva. Após um período, ela é reavaliada e, apresentando uma melhora satisfatória dos itens mencionados, a criança é direcionada para uma possível inclusão na modalidade esportiva”, explica.

“Precisamos estar conscientes, também, de que a constante e excessiva exposição de crianças aos dispositivos tecnológicos, como tablets e smartphones, são uma das principais causas do afastamento da prática de atividades físicas, que consequentemente afetam o desenvolvimento motor”, reforça.

A Motricity impulsiona pais e responsáveis para que possibilitem o pleno desenvolvimento motor das crianças  através da prática de atividades físicas. Só assim, será possível reverter esse quadro e proporcionarmos um futuro melhor e mais saudável para nossas crianças.

Website: http://www.motricity.com.br

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