Fisioterapia é aliada dos esportistas na prevenção de lesões

“O joelho é a articulação mais lesionada em corredores, principalmente os de longa distância”, destaca o fisioterapeuta esportivo Bruno César Ferreira

As lesões são bem comuns em todo tipo de corredor, seja amador ou profissional. E para entender um pouco mais sobre elas e também saber como é possível evitá-las, batemos um papo com o fisioterapeuta esportivo Bruno César Ferreira, do Centro de Alto Rendimento no Esporte ( C.A.R.E ),  que fica na Pituba. Acostumado a atender atletas diariamente, Bruno detalhou como a fisioterapia pode ser uma aliada dos esportistas antes mesmo do aparecimento de eventuais lesões.

Como a fisioterapia esportiva atua especificamente junto aos atletas de corrida?
A fisioterapia esportiva é indispensável para uma melhora na performance e na prevenção de lesões decorrentes do alto impacto que a acontece na corrida. A atuação é primeiramente em uma boa avaliação física e funcional, baseada nas possíveis lesões que acometem esses atletas. E logo após, uma intervenção direta nas possíveis lesões encontradas e na prevenção das possíveis lesões decorrentes da corrida e/ou uma intervenção na prevenção de lesões decorrentes de alguma alteração biomecânica encontrada na avaliação e que pode acometer esse atleta.

Como é esse acompanhamento? Independe das lesões? Foco na prevenção?
O acompanhamento deve ser feito de acordo com a avaliação. Se for encontrada alguma lesão, devem existir alguns encontros semanais para tratar o mais rápido possível. Caso não haja nenhuma lesão ou alterações biomecânicas, deve-se realizar, pelo menos, um encontro semanal para focar e ensinar ao atleta os exercícios de prevenção.

Alguns corredores têm mais predisposição a ter lesões na corrida? Como é possível identificar isso?
Sim.  Algumas alterações biomecânicas ou lesões prévias predispõem o atleta a novas lesões ou a lesões recorrentes, como por exemplo, o atleta que ao correr realiza uma hiperpronação do pé (“roda” o pé para dentro). Isso predispõe a um maior estresse na região da perna, joelho e quadril. Na avaliação dinâmica é possível identificar esses fatores e intervir mais precocemente.

Muito se fala da corrida com relação ao impacto das articulações. O joelho é a articulação mais exigida e lesionada.  Quais são os cuidados que corredores devem ter para evitar lesões?
Sim. O joelho é a articulação mais acometida em corredores. Principalmente os de longa distância. Mas para uma boa prevenção é indispensável um fortalecimento muscular seletivo, que é fortalecer os grupos mais utilizados e os grupos responsáveis pela estabilização articular, além de focar na mobilidade articular para uma boa funcionalidade.

Em relação aos membros superiores. É preciso fortalecê-los para prevenir lesões na corrida?
Sim. Os membros superiores são responsáveis também pela estabilização do tronco durante as passadas. Um fortalecimento específico favorece melhor controle de tronco e previne algumas lesões.

A dor é sempre um indicativo de lesão? Se não, quando ela é natural e quando ela pode indicar algo sério? É preciso zerar 100% a dor para treinar novamente?
Pergunta difícil (risos). A dor é sempre um parâmetro para usarmos como indicativo de que devemos observar o que pode estar acontecendo naquele momento. Existem dores decorrentes do treinamento e que infelizmente é inerente aos atletas de alta performance. Por exemplo as dores musculares após um treino exaustivo com muita sobrecarga. Muitas vezes são microlesões musculares decorrentes do treino e que são necessárias para um melhor condicionamento. No caso de corredores com dor muscular, devemos observar: Dores bilaterais e extensas podem ser indicativo de sobrecarga nos treinos e que normalmente é comum e esperado. Porém se a dor for unilateral e não melhorar em alguns dias (até 72h) ou com o repouso; ou se a dor for pontual e/ou com presença de hematoma, deve-se dar uma atenção maior e procurar um especialista na área. Outra situação seria na presença de dores articulares (joelho, quadril, tornozelo). Essas devem ter uma atenção mais específica e deve sempre procurar um especialista caso não melhore em alguns dias ou piore ao retornar ao treino. O ideal seria parar de treinar para tratar com mais afinco. Porém quando se trata de atletas amadores ou profissionais, esses últimos principalmente, infelizmente devemos reabilitar um pouco mais rápido para não atrapalhar a periodização do treinamento. Isso faz com que, em alguns casos, a volta aos treinos ou às competições, não possam esperar 100% de melhora. Outro ponto importante e ideal é o atleta conhecer seu corpo e saber identificar algumas dores comuns e inerentes ao treinamento. Assim qualquer outra dor que apareça, ele deve procurar um especialista.

Caso eventuais lesões não sejam tratadas, o que pode acontecer, de fato?
Se for uma lesão muscular, pode agravar e levar a uma incapacidade e até a uma rotura total do músculo. Se for uma lesão articular, pode levar a algumas lesões irreversíveis, a exemplo de lesões da cartilagem articular. Por isso é importante tratar todo tipo de lesão.

Para os atletas que treinam corrida, é bastante comum treinos mais longos aos finais de semana. O desgaste é muito grande, já que esses treinos são bem semelhantes ao que o atleta vai fazer na prova. Como a fisioterapia esportiva atua na recuperação?
Após os treinos longos, o corpo do atleta entra em um período de exaustão e faz-se necessária uma intervenção na parte muscular para dar um relaxamento. Isso pode ser feito através da liberação miofascial ( técnica que envolve uma massagem profunda e específica que pode ser feita com as mãos ou com instrumentos ), que visa auxiliar o corpo a eliminar as toxinas mais rapidamente ao mesmo tempo que ajuda na diminuição das tensões, diminuindo a dor e melhorando a mobilidade tecidual (músculo e fáscia). Outras formas de recuperação pós-exercício seria o uso da crioterapia (gelo) por imersão, a compressão pneumática (resfriada ou não) e a recuperação ativa (treinos conhecidos como regenerativo).

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