Fisioterapeuta “Trabalhe com calma, pubalgia é rebelde”.

Colunista Fernando-Padilha

Nós fisioterapeutas temos, com a cinética, um grande avanço de possibilidades na leitura de um cruzamento de forças em cadeias musculares sobre uma articulação.

No caso da pubalgia, um cisalhamento articular causado por distintas forças onde o umbigo será o ponto neutro.

Pubalgia, esse estranho porém apropriado nome, se refere ao púbis e a algia. Púbis que é a parte anatômica localizada inferior e medianamente na região hipogástrica e algia significa dor.

Muito bem difundida em casos clínicos em atletas, a pubalgia, no entanto, não é tão simples quanto possa parecer.

A começar pela sua causa que, apesar de classificada como traumática com imobilidade ou crônica pelo excesso de mobilidade, ainda precisamos percorrer um longo caminho para a correta compreensão de sua etiologia.

O púbis tem forças que se encontram, como: do reto abdominal, oblíquo externo, oblíquo interno, adutores e grácil.

No caso de uma retroversão pélvica temos em destaque um ísquio e um reto abdominal atuando expressivamente.

Vamos imaginar um jogador de futebol com esta combinação, logo teremos uma retroversão pélvica, umsemiflexo de joelho e a rotação posterior que ocorre em torno da coxo femoral que irá causar um estiramento dos adutores.

Para complementar, um abdominal que irá elevar o púbis e ao mesmo tempo abaixar o tronco causando uma cifose lombar.

Agora, imagine a dinâmica disso tudo quando o atleta precisa chutar a bola em uma partida de futebol, por exemplo,um lance de falta com bola parada.

O apoio ao solo terá a contração do quadríceps, do grácil e do adutor, tentando impedir a elevação do púbis indo contra o reto abdominal fazendo com que ele atue apenas no abaixamento do gradil costal. Já no lado do chute o reto abdominal eleva-se com participação também do oblíquo interno e com a elevação da asa ilíaca.

Automaticamente a repetição dessas atividades em um atleta com estas características irá levar a uma sobrecarga no púbis e a um potencial diagnóstico de pubalgia.

O tratamento irá consistir em alguns parâmetros e treinos ativos e passivos.

Com um alívio de tensão nos isquiotibiais, adutores, psoas e claro dos abdominais.

Porém um tratamento exclusivo de cadeias musculares não trará por si só a solução, também deve ser trabalhado qualquer bloqueio articular identificado.

Além disso, tenham atenção a todas condições viscerais que possam interferir no quadro álgico, ou seja, que alterem cineticamente a pelve.

O trabalho com atletas estão sempre sujeitos a constantes traumas, estresses e conflitos, por isso requer sim uma conciliação com os dias e exigências de treino.

Uma vez um colega me deu um conselho que gostaria de repassar com todos os leitores: “Trabalhe com calma, pubalgia é rebelde”.

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