Fisioterapeuta Raquel Castanharo comenta estudo sobre a cadência natural do corredor

Quando pensamos em biomecânica da corrida, um dos assuntos mais falados atualmente é a cadência. A orientação é correr com uma cadência alta, ou seja, dar mais passos por minutos, e assim ter um melhor movimento e desempenho na corrida. Porém, uma pesquisa publicada esse ano no International Journal of Exercise Science questionou esse conceito e mostrou resultados onde a cadência natural do corredor foi tão efetiva quanto uma cadência mais alta em termos de performance.

O estudo inferiu o gasto de energia de corredores iniciantes e profissionais através da medida do consumo de oxigênio. Esse procedimento foi feito enquanto eles corriam com sua cadência natural em um dia, e com uma cadência aumentada em 8% e 16% no dia seguinte. O resultado mostrou que, tanto os iniciantes com os profissionais, tiveram o mesmo gasto de energia em sua cadência natural e na cadência aumentada. Os autores argumentaram que, portanto, não seria necessário intervir na passada do corredor para melhorar seu rendimento.

Será que é realmente necessário mudar a cadência da corrida natural de cada um? (Foto: IStock)Será que é realmente necessário mudar a cadência da corrida natural de cada um? (Foto: IStock)

Será que é realmente necessário mudar a cadência da corrida natural de cada um? (Foto: IStock)

Porém essa não é a palavra final, pois tal pesquisa teve uma limitação importante: os corredores não tiveram um tempo de adaptação à nova cadência, e o gasto de energia não foi medido após o corredor realmente se habituar com o novo movimento.

De qualquer maneira, os resultados dessa pesquisa abrem espaço para uma discussão importante: quando é realmente necessário mudar a cadência e quanto ela deve ser? Será que a sua cadência natural já não é a ideal?

Existe um conceito equivocado de que a melhor cadência seria 180 passos por minuto. Esse número é simplesmente uma média de alguns corredores de elite e não deve ser colocado como meta para todos. A melhor cadência é pessoal para cada um. A ideia é manter uma passada na qual a aterrissagem aconteça próxima ao tronco e que os pés saiam do chão com agilidade. Se o corredor já faz isso em sua cadência natural e se sente desconfortável em uma cadência mais alta, não há necessidade de mudança. A melhor cadência pode já ser aquela que se tem naturalmente.

FONTE: http://globoesporte.globo.com/eu-atleta

*As informações e opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do Globoesporte.com / EuAtleta.com.

Fisioterapeuta formada e mestra em biomecânica da corrida na USP. Realizou pesquisa em biomecânica da coluna na Universidade de Waterloo, Canadá. Trabalha com fisioterapia e avaliação biomecânica em São Paulo e Jundiaí. www.raquelcastanharo.com.br. (Foto: EuAtleta)Fisioterapeuta formada e mestra em biomecânica da corrida na USP. Realizou pesquisa em biomecânica da coluna na Universidade de Waterloo, Canadá. Trabalha com fisioterapia e avaliação biomecânica em São Paulo e Jundiaí. www.raquelcastanharo.com.br. (Foto: EuAtleta)

Fisioterapeuta formada e mestra em biomecânica da corrida na USP. Realizou pesquisa em biomecânica da coluna na Universidade de Waterloo, Canadá. Trabalha com fisioterapia e avaliação biomecânica em São Paulo e Jundiaí. www.raquelcastanharo.com.br. (Foto: EuAtleta)

Se desejar, use os botões abaixo para compartilhar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.