Fisioterapeuta Nádia Silva transformou experiência de vida sofrida em motivação para aliviar as dores de quem a procura.

Ela é uma sobrevivente social.

Nascida em Belo Horizonte (MG) há 49 anos, a fisioterapeuta Nádia de Queiroz Ferreira Silva cresceu em meio à pobreza e não raras vezes dormiu de estômago vazio.

Sofreu preconceito, muitas vezes foi invisível aos olhos da sociedade e (sabe-se lá como) conseguiu escapar por pouco das drogas e da prostituição – o destino de muitas meninas bonitas e pobres da região onde vivia.

Contrariando todas as previsões, ela manteve a fé e descobriu ainda na adolescência um talento que faria a diferença em sua vida: cuidar do outro.

“Eu precisava disso para não me perder no meio do caminho. Era a forma de eu acreditar que havia amor em algum lugar”,

constata ela, que rompeu com o círculo de pobreza em que vivia, hoje é fisioterapeuta e se dedica a, no dia a dia, aliviar a dor das pessoas.

Nádia era a quinta filha de uma família de nove irmãos.

A mãe cuidava dos filhos e o pai trabalhava no setor gráfico.

O pouco que ganhava era consumido pela bebida e a família morava de forma precária em uma casa cedida pela família, pois sequer tinha condições de pagar o aluguel.

O alcoolismo, a pobreza e a violência faziam parte do cotidiano dos irmãos, que desde bem cedo iam para a rua trabalhar e garantir a subsistência.

Com isso, aos seis, sete anos, a menina já vendia chuchu, picolé ou o que rendesse uns trocados.

Um pouco mais velha, ela e os irmãos ajudavam a carregar material de construção nas obras, pegando volumes de até 50 quilos – um esforço que deixou danos em suas costas até hoje.

“A família não acreditava na gente. Achava que nós seríamos marginais. E a gente também não via caminho”,

recorda a fisioterapeuta.

Com 14 anos, ela trabalhava em uma feira livre, andava mais de uma hora a pé todos os dias para chegar ao serviço, e se ressentia do cansaço.

Um dia falou para um irmão que ia buscar outro trabalho e ele disse que não, ela não podia.

Naquele momento, a adolescente se deu conta de que era o refugo da feira que ela levava todos os domingos para casa que garantia a comida na mesa da família.

Em meio a esse cenário, porém, os irmãos estabeleceram um pacto silencioso de união que selaria o futuro deles:

“A gente só tinha um ao outro. Ou a gente se unia ou morria”, conta Nádia, lembrando que um irmão mais velho, Flávio, um dia virou para ela e falou:

“A gente pode perder tudo na vida, menos a dignidade”.

E essa frase guiou as suas escolhas e a manteve no rumo certo.

 

Perseverança diante das adversidades da vida

 

Em meio a tanta adversidade, os irmãos conseguiram se manter na escola.

Nessa época, Nádia foi fazer o científico (o atual ensino médio) à noite, em uma escola pública.

Com isso, conseguia trabalhar durante o dia.

Como tinha uma avó que precisava de curativos, conseguiu cursar como ouvinte um curso de auxiliar de enfermagem na Cruz Vermelha.

Aquele conhecimento a despertou para o cuidado com o outro.

Logo estava fazendo curativos e trabalhando como cuidadora.

“Todo mundo precisava. Ninguém me pagava”, conta ela, que percebeu que aquilo era muito importante, era uma expressão de amor.

Aos 18 anos, passou no vestibular para Ciências Biológicas em uma faculdade particular, porém não podia pagar pelo curso.

Tentou de novo e passou para psicologia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Fez concurso público para agente de saúde, começou a atuar em um posto.

Todos os dias trabalhava seis horas na Fundação Mendes Pimentel, mais quatro horas no posto de saúde e à noite rumava para a faculdade para estudar. “Almoçar? Esquece…”, sorri ao recordar.

Com isso, conseguiu iniciar a mudança em sua vida.

Aos 24 anos, já formada, casou, mudou para Ipatinga, no interior de Minas Gerais, e continuou a trabalhar, estudar, criar os filhos.

A chegada em Joinville, em 2001, marcou uma nova etapa em sua trajetória.

O marido veio trabalhar em uma multinacional em São Francisco do Sul e ela precisou ajudar os filhos na adaptação à nova cidade, que tinha uma cultura muito diferente da que eles conheciam, em Ipatinga.

Para conhecer essa cultura e conviver com as pessoas, ela fez vestibular de novo e começou uma nova faculdade:

Fisioterapia. Se formou em 2006 e, desde então, se dedica a sua clínica e seus pacientes.

Não raro chega antes das 7 da manhã e sai por volta das 23 horas.

Depois de tanta dificuldade, Nádia hoje se considera, antes de mais nada, uma pessoa feliz.

Ao olhar para trás, ela constata que a sua fé em Deus e a união com os irmãos foram fundamentais na sua vida.

Aliás, seis irmãos conseguiram cursar o ensino superior e dois deles conquistaram dois diplomas.

“Como? Só com ajuda de Deus!”, constata.

 

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1 comentário em “Fisioterapeuta Nádia Silva transformou experiência de vida sofrida em motivação para aliviar as dores de quem a procura.”

  1. Oi, tudo bem?Faz muito tempo que não nós encotremos, mas sigo seus comentários sobre seu trabalho e te admiro muito.Estou nesta busca também, faço parte da enfermagem.Bjos para meu primo que muito admiro também.

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