Fisioterapeuta ficou 25 dias sem trabalhar com uma pequena fratura na perna

Cada buraco nas ruas de Ribeirão tem uma história

Em Ribeirão Preto, difícil é quem não tenha uma história com buracos. “Furei o pneu”. “Minha amiga estragou o fundo do carro”. “Meu médico quase sofreu um acidente”. “Minha cunhada machucou o pé”. “De moto não dá para andar”. Os desgostos se multiplicam, assim como os furos nas ruas da cidade. É impossível andar sem solavancos, de Norte a Sul.

VEJA GALERIA DE FOTOS

Luciana Lemos Barreto que o diga. A fisioterapeuta ficou 25 dias com o pé para cima, com torção e uma pequena fratura. Braços e pernas ficaram totalmente ralados com o tombo, no dia 18 de maio. “Eu estava saindo do trabalho e parei meu carro mais a frente do buraco. Acabei me esquecendo dele”.

Ela se estatelou no chão da rua São José, número 2.540. “A dor era terrível. Doía muito”. Como é autônoma, além do prejuízo físico, teve também o financeiro. Luciana voltou a trabalhar só nesta semana e decidiu registrar um boletim de ocorrência relatando o caso. Pretende entrar com um processo contra a prefeitura.

“Eu sou só mais uma vítima desse descaso. Não vejo mobilização para melhorar. Os buracos estão pela cidade toda causando transtorno”, ela critica. Trabalha há três anos no mesmo lugar e acredita que o buraco esteja ali há mais de dois, sem qualquer providência. “Faz tempo!”. Apesar de conseguir colocar o pé no chão e andar, Luciana precisará de fisioterapia por algumas semanas. “Não estou 100%”.

A técnica de enfermagem Anne Cristina Santos do Nascimento já trocou os pneus do carro duas vezes, por buracos e solavancos. “Sempre precisa de um reparo ou outro e duas vezes precisei comprar pneus novos”.

Ela mora na Vila Virgínia e seu filho estuda no Alto da Boa Vista. Na porta da escola, na avenida Vereador Manir Calil, mais um furo. “É buraco lá e aqui. Cada pneu custa entre R$ 200 e R$ 300”.

No Irajá, entre no cruzamento da rua Abrão Caixe com a avenida Leais Paulista, o buraco celebra “mesversários”. “Faz uns quatro meses que ele está aí”, conta o motoboy Nilton Cezar Prizanteli. O pior, ele diz, é que aos olhos do poder público o grande furo, que faz motoqueiro cair e pneu furar, é invisível.

“O pessoal do tapa-buraco esteve aqui na sexta passada. Taparam um buraco aqui do lado”, ele aponta o recape a menos de 100 metros. “Quando pedimos para consertarem esse também, eles disseram que só reclamando na Prefeitura”, diz.

Meia hora antes de o A Cidade chegar ao local, um pneu esvaziou por ali, conta o comerciante João Carniel. “É gente caindo o dia inteiro”, ele diz, como observador preferencial. A loja de peças fica bem em frente ao desgosto.

Análise>>>Prevenção e análise são soluções

O desgaste do asfalto é soma de fatores. O tráfego, principalmente em vias onde passam ônibus e caminhões, e o tempo são os principais deles. Com o passar do tempo, o asfalto envelhece e fica mais quebradiço. É preciso um processo de reforço, como manutenção preventiva, para evitar o desgaste. O problema é que as prefeituras não fazem manutenção preventiva. Não é um problema só de Ribeirão, mas de todo o Brasil. As prefeituras deixam a deterioração ir até o recapeamento. Como já está muito deteriorado, porém, a camada que está envelhecida vai deteriorar o recape. É um ciclo. A solução é avaliar as áreas em que é possível fazer a manutenção preventiva, retardando o envelhecimento. Nos locais onde é necessário recape, é fundamental uma análise, para que o recapeamento seja forte o suficiente para suportar o tráfego.

José Leomar Fernandes Junior
Professor da USP especialista em asfalto

Prefeitura garante obras e novo recape

A Prefeitura de Ribeirão Preto informou, por meio de assessoria de imprensa, que irá resolver os buracos citados na reportagem até a próxima segunda-feira, com exceção da rua Orunmilá.

A via está passando por obras para a implantação de galerias de águas pluviais no local, a Prefeitura justificou. “Em breve a via deverá receber a fase final de asfaltamento”, diz nota oficial.

A administração informou ainda que há obras de recapeamento em andamento nos bairros Campos Elíseos e Ipiranga. “Por meio do Desenvolve SP, serão investidos R$ 15 milhões de recursos do Governo Estadual e as obras compreenderão 76 quilômetros de 177 ruas e avenidas, de oito bairros da cidade”, informou a Secretaria de Obras em nota.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.