Fisioterapeuta Eduardo Retondaro fala sobre os avanços do setor no Brasil

Profissional, que participou da recuperação do Romário em 1998 e do Ronaldo “Fenômeno” em 2000, esteve em Porto Velho onde realizou um seminário

As lesões de jogadores durante o calendário do futebol brasileiro têm influenciado diretamente do resultado dos times.

Em Rondônia, o estadual mal começou e já tem times desfalcado por ter atletas no departamento médico. Entre eles, o Vilhena e Ariquemes que cuidam da reabilitação, com fisioterapia, principalmente, para que eles voltem a campo o mais rápido possível.

Sobre o assunto, o renomado fisioterapeuta Eduardo Retondaro esteve em Porto Velho na última semana para ministrar um seminário, para cerca de 200 pessoas, sobre os os avanços da fisioterapia esportiva e explicou ao GloboEsporte.com algumas das diferenças na reabilitação dos jogadores entre Brasil e Europa local onde trabalha pela equipe do Bordeaux da França.

O profissional também falou sobre o seu maior feito: a recuperação do Ronaldo “Fenômeno” em 2000, quando ele trabalhava na equipe do também renomado Nilton Petrone, seu maior incentivador como fisioterapeuta.

Isso, sem contar o trabalho feito com o craque Romário em 1998, na época em que o centroavante foi cortado da seleção que disputou a Copa do Mundo da França.

BRASIL X EUROPA

Eduardo acredita que uma das melhores características da fisioterapia brasileira é a capacidade de improvisar, somada ao fato de os trabalhos serem feitos manualmente.

Essa criatividade faz com que a tecnologia seja aproveitando os em todos lugares do país.

O meu maior feito foi a reabilitação do Ronaldo, na primeira lesão patelar do jogador
Eduardo Retondaro, fisioterapeuta

– Temos atualização tecnológica e o poder de improvisação.

A nossa tecnologia é de ponta nessa área e o diferencial daqui é que a base da fisioterapia é manual.

Aqui, tem que colocar a mão e imobilizar, lá não.

Na maioria das vezes você coloca as mãos em um aparelho e isso realmente não dá o resultado esperado.

O que precisa ser observado, segundo o Retondaro, é a fase de transmissão. Ou seja, o momento em que ele sai da fisioterapia indo para o preparador físico.

Em parte da Europa isso não acontece e ele ressalta que é importante não pular essa fase para saber se o jogador tem realmente condições de voltar aos gramados.

– A medicina e a fisioterapia esportivas do Brasil já são consideradas como as melhores do mundo. Isso é fato.

Mas mesmo assim eu pensei que fosse encontrar algo razoável na Europa, porque estrutura eles têm.

Os clubes de lá são o sonho de qualquer um, mas nós temos a vantagem do fator improvisação.

Nós conseguimos improvisar com árvores na praia dando treinamento funcional e eles não sabem utilizar isso – disse.

CAUSAS DE LESÕES

Entre os problemas enfrentados no Brasil, Eduardo destacou um velho conhecido dos jogadores brasileiros: o calendário.

O fisioterapeuta disse que a rotina de jogos, somada aos treinamentos, pode ocasionar lesões e ainda fez um alerta em relação aos gramados brasileiros.

– O calendário do Brasil é a grande questão.

Na Europa não tem campeonatos estaduais e no Brasil se acabar, os times pequenos vão à falência.

Aqui, tem o estadual, a Copa do Brasil, o Brasileiro, a Libertadores, e eu não diria pra você que é somente o número de jogos que influencia, mas a qualidade dos gramados. Inclusive, no Fluminense, já tem atleta reclamando de lesão no púbis, porque o piso das Laranjeiras é muito duro, então isso tem que ser revisto – analisou.

RONALDO FENÔMENO E FORMAÇÃO

Eduardo é formado em fisioterapia e especializado na área desportiva e ortopedia.

No Brasil, Eduardo já trabalhou no Fluminense e agora está no Bordeaux da França.

A experiência com o clube brasileiro e com os trabalhos europeus trouxe uma bagagem regada a muito conhecimento de causa e senso crítico sobre o assunto.

– Tive a oportunidade de iniciar a minha carreira com um período de estágio com um dos mestres da fisioterapia esportiva no Brasil que é o Nilton Petrone, conhecido como Filé.

Depois, eu me formei e ele automaticamente me contratou pra equipe dele e dali que surgiu esse boom da fisioterapia esportiva.

Foi na época em que o Nilton atendeu o Romário naquele corte de 1998, e dali começou a subir, depois veio o Ronaldo e tal, e eu fiquei nesse meio.

Hoje, o profissional já é conhecido por seu trabalho, mas mesmo assim, faz questão de lembrar seu maior feito conquistado ainda no período em que trabalhava na equipe do Nilton Petrone.

– Sou formado em fisioterapia e especializado na área desportiva, porque eu estava no lugar certo, na hora certa, após passar para a prova pra entrar na equipe do Nilton.

O meu maior feito foi a reabilitação do Ronaldo, na primeira lesão patelar do jogador.

Aquele trabalho foi o que mais me marcou – destacou.

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