Fisioterapeuta e médico equilibram time e driblam TPM com chocolate

Eduardo Calçada e Flávio Cruz são os únicos homens da delegação brasileira de nado sincronizado em Kazan. Nadadoras encerram Mundial neste sábado

Há quase dois meses, os dois únicos homens da delegação brasileira de nado sincronizado tentam trazer equilíbrio para o time de 16 mulheres (12 nadadoras e 4 integrantes da comissão técnica) que disputaram o Pan de Toronto e, agora, competem no Mundial de esportes aquáticos de Kazan. Na credencial do torneio russo, Flávio Cruz e Eduardo Calçada são identificados oficialmente como médico e fisioterapeuta do Brasil, respectivamente. Na prática, são bem mais do que isso. Os dois, servindo como contraponto da equipe, viram fotógrafos, psicólogos e até fornecedores de chocolates clandestinos em momentos de extrema TPM (Tensão Pré-Menstrual).

– É o nosso alívio. Tem horas que a gente vai para o DM (Departamento Médico) só para ficar desabafando. A gente gosta até de escutar a voz masculina, isso já é bom. É um estresse a voz feminina, aquela gritaria. Então, a gente fica mais tranquila de ter eles. Às vezes, eles nos ajudam também com as técnicas, dão o equilíbrio. Eles fazem o meio de campo – disse a experiente nadadora Lara Teixeira.

Delegação de nado sincronizado do Brasil no Mundia esportes aquaticos (Foto: Reprodução)Delegação de nado sincronizado do Brasil no Mundia esportes aquaticos (Foto: Reprodução)
As meninas do nado sincronizado do Brasil encerram participação no Mundial de esportes aquáticos neste sábado, na final da prova de rotina livre combinada (Combo), a partir das 11h30 (hora de Brasília).

Dede o início de julho, os dois estão fora do Brasil com a delegação brasileira de nado sincronizado. O primeiro destino foi Toronto, no Canadá, onde as meninas disputaram os Jogos Pan-Americanos. Há dez dias, todos estão em Kazan, na Rússia, para o Mundial de esportes aquáticos. Com tanto tempo fora de casa e encarando a pressão de duas grandes competições seguidas, os dois homens acabam virando o ponto de equilíbrio das mulheres nos momentos mais tensos.

– Temos que entender o que elas precisam, entender o lado delas. Às vezes, elas estão mais nervosas, às vezes, querem ficar isoladas no canto. Elas pedem para gente ir para a torcida, pedem para balançar a bandeira. Também ajudamos às vezes porque são muitas mulheres juntas. Aí a gente entra, acalma uma, a calma outra, falamos com as técnicas… A gente tenta fazer um contraponto. Às vezes a gente dá um chocolatinho escondido aqui, conta uma piada ali, e vai levando – disse o fisioterapeuta Eduardo Calçada.

O objetivo principal da dupla é garantir que as meninas estejam sempre 100% dentro da piscina. Os cuidados vão além da parte física. Em Toronto, por exemplo, o grupo ficou abatido com os resultados frustrantes do Pan. O Brasil não conseguiu subir ao pódio em nenhuma prova. Em momentos de extremo estresse, ter a presença de dos dois na equipe acalma as meninas. E, quando só o papo não é o suficiente, é hora de lançar mão do milagroso chocolate.

– A gente tira de letra. Não vou dizer que sou psicólogo, mas, quando elas não vão bem, a gente acaba consolando. Quando vão bem, a gente elogia. Tem horas que a gente tem que elevar o moral delas, isso faz parte também. Para a TPM, a gente dá um remedinho e melhora. Um pouquinho de chocolatinho também, às vezes, alivia a tensão. Esse é o segredo – brincou o médico.

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