Fisioterapeuta dá as dicas para uma corrida perfeita!

Qual a forma mais vantajosa de corrida? E o calçado perfeito? E a cadência ideal? Essas são as dúvidas mais frequentes no di a dia que trazem corredores e pacientes para o consultório. Mas para respondermos a estas questões temos que realmente analisar cada caso separadamente, essa é uma das questões que os estudos nunca chegarão a uma resposta única, pois ela não existe, o que existe são características pessoais e processos adaptativos de mudanças que devem ocorrer em longo prazo.

O fato é que essas características pessoais são soberanas e não se pode brincar com isso. A mudança brusca de um calçado com drop de 12mm (para fazer o cálculo é só subtrair a altura da parte da frente da sola do calçado pela altura do calcanhar do solado) para um minimalista pode ser um risco enorme, já vi muitos corredores adquirirem lesões como Síndrome do Estresse Tibial e Fascite Plantar por causa disso.

Sem dúvida todo sistema se fortalece nesse processo quando feito de forma gradativa, existem no mercado calçados intermediários com 9, 8mm de drop, por exemplo, que cumprem esta função. Como já disse em artigos anteriores, inicialmente é bom diminuir o volume e intensidade de treino, são muitas variáveis e não é bom evoluir em mais de uma por vez (calçado, volume, velocidade, altimetria…). Importante salientar ainda que os calçados com maior amortecimento para o calcanhar foram feitos para pessoas que tenham a característica de entrar com o calcanhar na corrida e sejam pesados. Corredores leves podem usar calçados com sistemas de amortecimento menos avantajados, assim ganharão rendimento, pois quanto menos se absorve impacto, melhor se usa a reação do solo para propulsão.

Observação: importante salientar que nosso sistema é capaz de se adaptar gradativamente com o aumento do impacto, não é porque o sistema está recebendo mais que ele terá mais lesões (lembrem-se que nossos antepassados corriam descalços), quando o sistema está bem equilibrado ele suporta esse aumento e isso depende de dois fatores principalmente, a musculatura se fortalecer, que ocorre primeiro e em seguida uma mudança do trabeculado ósseo, que é a direção das linhas de força que passam pelo nosso osso, este segundo processo é mais demorado e deve ser respeitado principalmente na intenção de mudança de tipo de pisada que abordaremos a seguir.

Quanto à entrada de calcanhar solo ou barefoot (entrar com a ponta do pé), não existe ideal também, o que existe é uma adaptação biomecânica que pode ser orientada por um educador físico ou fisioterapeuta que entenda do assunto, o fato é que o sistema todo se fortalece neste processo, pois ocorre uma mudança na forma de usar os músculos. O corredor barefoot usa mais a musculatura da sola do pé e ao mesmo tempo sobrecarrega mais a panturrilha, mas por outro lado diminui a sobrecarga sobre o quadril e joelho, além disso, sofre somente um pico de estresse na perna neste processo. Enquanto que corredores que entram com o calcanhar sofrem dois picos de estresse por passo.

Veja nesta figura abaixo onde são ressaltadas vantagens e desvantagens de cada tipo entrada.

Vantagens e desvantagens dos tipos de entrada Foto: landher.net

Outra discussão que tenho ouvido muito é sobre aumentar a cadência para aumentar a velocidade e o rendimento, assim teoricamente o corredor fica menos tempo na fase aérea. Da mesma forma neste caso temos que ter em mente que a biomecânica individual é soberana, ao se preocupar em corrigir pequenos detalhes como anteriorizar o centro de gravidade, levantar mais o calcanhar após a propulsão e se preocupar em ter maior estabilidade dos joelhos, quadril e pelve já teremos uma melhora do desempenho naturalmente e a cadência é consequência de tudo isso, sua mudança deve ser a última preocupação do corredor, claro que neste caso estou expressando a minha opinião.

Realmente não existe uma única resposta, mudar a forma de correr só vai mudar as lesões às quais você está mais suscetível. O correto é mudar para melhorar seu desempenho, com muita cautela e gradativamente. Quando o motivo da lesão é uma alteração biomecânica verificada em avaliação fisioterapêutica o corredor deve passar por reaprendizado de cada fase da marcha para que esta biomecânica seja restabelecida.

Claudio Cotter

Graduado em Fisioterapia pela Universidade Cidade de São Paulo UNICID), especialista em RPG. Formação no Método Força Dinâmica e especialista em Fisioterapia Esportiva.
Fisioterapeuta-assistente da Confederação Brasileira Macabi e ex-fisioterapeuta da Seleção Brasileira Feminina de Futebol (CBF).
Atende na CM.2 Fisioterapia, localizada na Av. Cidade Jardim, 114, Jardim Europa – SP. Contato: (11) 2389-8970.

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