Fisioterapeuta abandona profissão para cuidar da filha que nasceu aos 6 meses de gestação

Fonte: http://g1.globo.com

Primeiro contato entre mãe e filha após o nascimento prematuro do bebê (Foto: Arquivo Pessoal/Gabriela Barbosa)
Primeiro contato entre mãe e filha após o nascimento prematuro do bebê (Foto: Arquivo Pessoal/Gabriela Barbosa)

“Desde o nascimento da Laura eu já tinha a noção de que as coisas não seriam fáceis e que minha filha precisaria ainda mais de mim. Foi ai que decidi que deixaria minhas atividades profissionais completamente para me dedicar a ela em período integral”.

Esse é o relato da fisioterapeuta Ana Gabriela Barbosa, 30, que há dois anos decidiu dar uma pausa por tempo indeterminado na vida profissional para cuidar da pequena Ana Laura, que, após uma hemorragia, nasceu prematura, com pouco mais de 28 semanas e pesando apenas 1,3 kg.

Neste Dia das Mães, ela relembra os 71 dias que passou visitando a filha no hospital até a alta médica, e afirma que não se arrepende da escolha.

“Com o nascimento de minha filha tão antes do tempo e com todas as complicações, eu não tinha nenhuma condição psicológica de pensar em qualquer outra coisa que não fosse a Laura e a melhora dela”, afirma Ana Gabriela.

Ser mãe exige cuidado e nos casos de filhos prematuros extremos, a dedicação por parte dos pais pede um zelo ainda maior, pois é necessário o acompanhamento da saúde do bebê para que ele se desenvolva normalmente.

A mãe de Laura lembra que, antes do nascimento da filha, trabalhava 10 horas por dia. “Mesmo quando ela recebesse alta, precisaria de mais cuidados por ter sido tão prematura, como o acompanhamento de médicos, fisioterapia, entre outros. Ali mesmo decidi me dedicar integralmente a ela”.

Um dos primeiros dias de vida de Ana Laura (Foto: Arquivo Pessoal/Gabriela Barbosa)
Um dos primeiros dias de vida de Ana Laura (Foto: Arquivo Pessoal/Gabriela Barbosa)

Gabriela relata que não teve problemas durante a gravidez, e trabalhava em dois consultórios e atendia em domicílio. Sem motivos aparentes, de repente, teve uma hemorragia com deslocamento de placenta e precisou fazer uma cesária de urgência.

Depois do nascimento, a filha Ana Laura ficou 50 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e mais 21 dias no hospital porque, quando nasceu, teve várias complicações respiratórias e uma lesão no cérebro que poderia comprometer a parte motora.

Nesses dois anos, o apoio da família e do marido foi fundamental para a fisioterapeuta.

“Foram dias difíceis, os passeios nos quase oito primeiros meses de vida dela eram as consultas a médicos e os acompanhamento com fisioterapia até ela completar 1 ano e 8 meses”, afirma.

Laura em uma das muitas sessões de fisioterapia em que passou (Foto: Arquivo Pessoal/ Gabriela Barbosa)
Laura em uma das muitas sessões de fisioterapia em que passou (Foto: Arquivo Pessoal/ Gabriela Barbosa)

Ana Laura ainda precisa de acompanhamento médico, mas a frequência das visitas ao hospital caiu bastante, de quinzenal para semestral.

No final de 2016, ela finalmente se sentiu confortável para voltar a trabalhar, mas em outra área, e não no mesmo ritmo de antes da maternidade. Com uma amiga, Ana Gabriela decidiu abrir um ateliê de lembrancinhas personalizadas para batizados.

Retomar a profissão na fisioterapia, no entanto, é um plano apenas para o próximo ano, mas apenas no horário em que a filha estiver na escola, para continuar a acompanhar o crescimento de Laura.

“Não me arrependo nem um segundo da escolha que fiz, o amor que tenho pela minha filha ajuda a superar tudo e ajudou demais em toda evolução dela. Consegui e consigo acompanhar cada evolução, em cada parte do desenvolvimento dela lado a lado e isso não há dinheiro no mundo que pague”, afirma a fisioterapeuta.

Ana Laura no seu aniversário de 2 anos em 29 de abril deste ano (Foto: Arquivo Pessoal/ Gabriela Barbosa)
Ana Laura no seu aniversário de 2 anos em 29 de abril deste ano (Foto: Arquivo Pessoal/ Gabriela Barbosa)
Família reunida no aniversário de 2 anos de Ana Laura (Foto: Arquivo Pessoal/Gabriela Barbosa)
Família reunida no aniversário de 2 anos de Ana Laura (Foto: Arquivo Pessoal/Gabriela Barbosa)

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