Faz fisioterapia sobrevivente de acidente aéreo no PR

Fonte: http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2014/10/nunca-vou-esquecer-o-desespero-diz-sobrevivente-de-queda-de-aviao.html

Depois de passar por cinco cirurgias, o empresário pernambucano que sobreviveu ao acidente com um monomotor em Curitiba, Hélio Correia, de 33 anos, relembrou ao G1 os momentos de tensão que passou. “Nunca vou esquecer o desespero. Não só pelo medo que passei, mas pelas outras pessoas que não conseguiram sobreviver”, contou. O acidente com o avião modelo Cessna 177 aconteceu no dia 30 de agosto próximo ao Aeroporto do Bacacheri, logo após a decolagem. A aeronave iria para Londrina, no norte do estado. Após a queda, o avião pegou fogo e atingiu parte de uma residência. O piloto Cleber Luciano Gomes, o rapaz que ocupava a posição de copiloto Silvio Roberto Romanelli e o passageiro Mounir Saleh Brahim morreram no acidente. Na residência, ninguém ficou ferido.

Hélio ainda não conseguiu recuperar completamente o movimento das pernas e faz sessões diárias de fisioterapia. Ele também passa por acompanhamento psicológico. Por causa do tratamento, ele precisou alugar um apartamento próximo ao Hospital do Trabalhador, no bairro Portão, em Curitiba. Ele deve retornar para Recife, onde vive com a família, até o final de outubro. O sobrevivente era passageiro do avião e sócio de Mounir. Segundo ele, os dois não sabiam que a viagem seria feita de avião e achavam que seria de carro.

Os sócios vieram de Rondônia para o Paraná para conhecer uma fábrica de equipamentos para máquinas de asfalto que pertencia a Romanelli e que fica em Londrina. “Meu sócio era amigo e cliente de Romanelli e como nós trabalhamos nesse ramo, pretendíamos comprar alguns equipamentos dele”, disse Hélio.

“Quando eu e meu sócio desembarcamos em Curitiba, nem sabíamos que iríamos de avião para Londrina. Achávamos que seria de carro”, explicou Hélio. “Foi quando o Romanelli nos ligou e pediu pra nos encontrarmos no Aeroclube do Bacacheri. E nós fomos, ainda achando que seria de carro. Quando chegamos, veio a surpresa do avião”, relatou.

Asa de aeronave que caiu em Curitiba (Foto: Rodrigo Pinto/ ÓTV - RPCTV)
Asa de aeronave que caiu em Curitiba
(Foto: Rodrigo Pinto/ ÓTV – RPCTV)

Conforme Hélio, o avião pertencia a uma pessoa conhecida de Romanelli. “Eu, sinceramente, não sei porque ele optou por isso. Não sei se porque seria mais rápido ou por outro motivo. Mas nós fomos, achamos que não teria problema”.

O sobrevivente contou ainda que apesar de várias pessoas terem dito que ele estava consciente após a queda, ele não lembra. “Eu não lembro dos detalhes. As pessoas que me ajudaram disseram que eu reclamava de dor, mas não me recordo de nada. Só sei que devo muito às pessoas que me ajudaram”. O empresário disse também que ouviu quando o piloto disse que a aeronave estava com problemas, e que a pessoa que estava ao lado dele, que era o Romanelli, disse que ia cair. “Foi muito rápido. Só sei que acordei no hospital e graças a Deus estou aqui”, declarou.

“Acho que nasci de novo e esse acidente também serviu de lição para que a gente pense em coisas que não pensava antes. Por exemplo, mais prudência e uma série de outras coisas que poderiam ter evitado essa tragédia”, ressaltou o empresário. Pelo menos por um bom tempo, ele disse que não pretende viajar em aviões de pequeno porte.

Investigações
O chefe do 5º Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa 5) responsável pelos acidentes aeronáuticos na região sul, tenente coronel Queiroz, disse aoG1 que as investigações provavelmente devem ser concluídas até o final de 2014. Como esse modelo de avião não possui caixa preta, os laudos demoram mais para serem concluídos, segundo ele.

Foram recolhidos o motor e algumas peças do avião. Também foram separados alguns documentos no local do acidente e várias testemunhas já foram ouvidas. A equipe da aeronáutica trabalha com as hipóteses de falha humana ou problema no motor na hora da decolagem.

 

 

 

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