FATORES MATERNOS QUE PREDISPÕEM A PREMATURIDADE: UMA ANÁLISE DA PERCEPÇÃO DE MULHERES PRIMÍPARAS ACERCA DA ATUAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA DURANTE O PRÉ-NATAL

Gabrielle de Carvalho Silva Asensi
Valéria Bezerra da Silva
Bruna Michele de Oliveira

Gabrielle de Carvalho Silva Asensi1; Valéria Bezerra da Silva1; Bruna Michele de Oliveira2

1 Acadêmica Finalista do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário Fametro
2 Fisioterapeuta Mestre; Docente no Centro Universitário Fametro


RESUMO

Introdução: Os fatores que predispõem a prematuridade associam-se a condições anatomofisiologicas, complicações no período gravídico, pré-natal inadequado, idade da parturiente e primariedade. O acompanhamento fisioterapêutico no pré-natal, visa identificar e tratar as possíveis complicações gravídicas, reduzindo o índice de nascimentos pré-termo. Objetivo: Analisar a atenção fisioterapêutica no pré-natal, por meio da percepção de mulheres primíparas, que utilizaram o sistema de saúde público ou privado. Metodologia: Trata-se de um levantamento de dados, realizado através de questionários, e aplicado às parturientes, por intermédio, da plataforma google forms em um período de aproximadamente 28 dias. Resultados: O questionário obteve 204 respostas, a maioria das mulheres que participaram da pesquisa realizaram o pré-natal na rede privada e no primeiro trimestre de gravidez, entretanto, 93% das parturientes não tiveram assistência fisioterapêutica nesse período e observou-se que a maior parte delas não possuem conhecimento sobre a atuação e importância do fisioterapeuta na assistência pré-natal. Discussão O acompanhamento fisioterapêutico no pré-natal avalia e monitora as modificações físicas ocorridas durante o período gestacional, contribui para o trabalho de parto, aleitamento materno,tendo em vista, o bem estar físico da mãe e bebê durante todo o período pré e pós parto. Conclusão: O acompanhamento fisioterapêutico permite uma abordagem única e diferenciada a cada parturiente, levando em consideração seu estado clinico, psicológico e anátomofisiologico, visando a identificação de comorbidades e elaborando um plano de tratamento em seus níveis primário, secundário e terciário.

Palavras chaves: Recém-nascido; Prematuro; Fisioterapia.

ABSTRACT

Introduction: The factors that predispose to prematurity are associated with anatomophysiological conditions, complications in the pregnancy period, inadequate prenatal care, parturient age and primacy. Physiotherapy monitoring during prenatal care aims to identify and treat possible pregnancy complications, reducing the rate of preterm births. Objective: To analyze physical therapy care in prenatal care, through the perception of primiparous women, who used the public or private health system. Methodology: This is a survey of data, carried out through questionnaires, and applied to parturients, through the google forms platform in a period of approximately 28 days. Results: The questionnaire obtained 204 responses, most of the women who participated in the survey performed prenatal care in the private network and in the first trimester of pregnancy, however, 93% of parturients did not have physical therapy assistance during this period and it was observed that the largest some of them do not have knowledge about the role and importance of the physiotherapist in prenatal care. Discussion: Prenatal physiotherapy monitoring assesses and monitors physical changes during the gestational period, contributes to labor, breastfeeding, in view of the physical well-being of the mother and baby throughout the pre and postpartum period . Conclusion: Physical therapy monitoring allows a unique and differentiated approach to each parturient, taking into account their clinical, psychological and anatomophysiological status, aiming at the identification of comorbidities and developing a treatment plan at their primary, secondary and tertiary levels.

Keywords: Newborn; Premature; Physiotherapy.

INTRODUÇÃO

Santos (2018), afirma que a prematuridade pode ser definida como o parto de bebês com idade gestacional abaixo de 37 semanas, este problema afeta a família e a sociedade acarretando custos elevados para os serviços de saúde. O Brasil ocupa a decima posição no ranking mundial, com maior número de partos prematuros, dados apontam que ocorrem 279.000 partos pré-termos, com atual taxa de 11,7%, é possível observa uma variação nas taxas entre as regiões, verificou-se que o nordeste possui o maior número de casos de nascimentos prematuro, com o índice de 28%.

A pesquisa realizada Grafen et al., (2017), comprova que os fatores predisponentes a prematuridade tem relação com o aparelho genital feminino, placenta previa, assistência pré-natal inadequada, complicações no parto, baixo nível socioeconômico, pré-eclâmpsia, hemorragias, sofrimento fetal, idade da gestante, infecções e primiparidade. Varela et al., (2017), realizaram um estudo com a participação de 928 puérperas, a pesquisa verificava as intercorrências clínicas mais comuns no período gravídico e o perfil sociodemográfico das puérperas segundo o financiamento de parto. Dentre as alterações mais recorrentes, destacam-se a anemia (24,4%), sangramento vaginal (23,5%), infecções do trato urinário (31,5%), doença hipertensiva específica da gestação (19,5%).

Conforme Nunes et al., (2016), o pré-natal é um acompanhamento essencial na segurança e prevenção a intercorrências da gestante e do feto, esta assistência multidisciplinar possibilita a identificação de possíveis complicações gravídicas e permite a manipulação de medicamentos como forma de tratamento. É importante observar a qualidade do pré-natal, no que diz respeito ao início do acompanhamento, consultas feitas e realização de procedimentos básicos, pois o quadro clinico e o histórico gestacional junto com os antecedentes ginecológicos da parturiente, podem influenciar na classificação de nascimento do bebê e a execução inadequada ou a não realização do pré-natal está relacionada ao maior índice de morbimortalidade materna infantil e o aumento dos números de nascidos pré-termo.

Para Sousa, Leão e Almeida (2018), a fisioterapia, dentro do contexto da equipe multidisciplinar, avalia e monitora as alterações físicas durante o período gravídico e auxiliando no processo de aleitamento materno, objetivando a segurança da mãe e bebê durante toda a gravidez até o trabalho de parto. A atuação baseia-se em técnicas não invasivas sem usos de fármacos, promovendo alívio e conforto, relaxamento e tranquilidade, e redução do quadro álgico. Dentre os métodos usados destaca-se a cinesioterapia, pilates, hidroterapia e Recurso Terapêuticos Manuais, que atua por meio, de exercícios envolvendo toda musculatura estressada, atrofiada e rígida, auxiliando na capacidade funcional, biomecânica e proprioceptiva.

Oliveira (2018) realizou uma pesquisa sobre o conhecimento das gestantes e da equipe multidisciplinar acerca da atuação fisioterapêutica no pré-natal, verificou-se que 90% das gestantes não tinha o conhecimento acerca da importância da fisioterapia, entretanto, todos da equipe hospitalar afirmaram que a intervenção é benéfica, sendo possível concluir que os profissionais estão bem orientados quanto ao papel da fisioterapia na obstetrícia.

O Plenário do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) publicou em 2011 a resolução nº 401, que confirma a atuação do fisioterapeuta no exercício da especialidade na saúde da mulher, no qual está inserida a área obstétrica, o fisioterapeuta tem permissão do conselho em realizar avaliações, emitir pareceres, atuar no pré e pós parto e planejar e executar qualquer medida de tratamento fisioterapêutico.

Sendo assim, o objetivo do presente artigo foi analisar a atenção fisioterapêutica no pré-natal, por meio da percepção de mulheres primíparas, que utilizaram o sistema de saúde público ou privado e explanar a atuação da fisioterapia assim como seus benefícios durante o pré-natal em parturientes com gravidez classificada normal, baixo risco ou alto risco.

METODOLOGIA

Trata-se de um relato de experiências desenvolvido por meio de um questionário e aplicado a parturientes que utilizaram o sistema de saúde público ou privado para a realização do acompanhamento pré-natal. Como critérios de inclusão foi aceito mulheres primíparas, com faixa etária entre 14 a 45 anos de idade e puérperas que tiveram gravidez classificadas como normal, de risco ou alto risco. As parturientes com cognitivo não preservado, puérperas de gravides ectópica ou psicológica e gestante foram considerados como critérios de exclusão.

A coleta de dados ocorreu através da plataforma Google Forms por um período de aproximadamente de 28 dias. O questionário se deu por meio de perguntas sobre os dados pessoais, histórico gestacional e acompanhamento pré-natal. Os dados pessoais contive nome, idade em que ocorreu a gestação, escolaridade, profissão e estado civil. O histórico gestacional consistiu em perguntas acerca do número de gestações, tipo de parto e classificação do recém-nascido (pré-termo, atermo ou pós-termo), duração do período gestacional, antecedente ginecológico, risco gravídico, perda gestacional.

As perguntas relacionadas ao acompanhamento pré-natal, consistiram em saber, quando foi iniciado a assistência ao pré-natal, se foi realizado no sistema de saúde público ou privado, se houve assistência fisioterapêutica durante o período gravídico ou em qual trimestre foi iniciado, e se tem conhecimento sobre a atuação e a importância deste profissional no decorrer da gestação.

Os dados foram tabulados por meio do programa EXCEL e demonstrados por meio de gráficos. Foi um método de análise descritiva e quantitativa que examinou o perfil da amostra. Para elaboração dos resultados, os questionários foram numerados com o objetivo de reduzir a possibilidade de viés, a segunda etapa foi nomear as colunas para inserir os dados encontrados, a terceira etapa aplicou-se as informações às linhas, e por último revisou-se e analisou-se a base de dados.

RESULTADOS

A idade está relacionada a prevalência dos casos de prematuridade, mulheres acima de 30 anos apresentam maior suscetibilidade a um parto prematuro, o gráfico 1 demonstra a idade materna em que ocorreu a gestação, a porcentagem de gestantes abaixo de 15 anos foi de 2,50%, na faixa etária de 15 a 24 anos (41,50%), entre 25 a 34 anos (46,70%), de 35 a 45 anos (9%), acima de 45 anos (0%).

Gráfico 1. Idade em que ocorreu a gestação

O estado civil apresenta aspectos que interferem no emocional da parturiente e influenciam diretamente nos níveis hormonais. No estudo realizado, as mulheres casadas totalizaram 64,20%, as solteiras somaram 32,80% e 2,90% eram divorciadas (gráfico 2). A prática de atividade física proporciona a redução dos níveis glicêmicos, aumenta o condicionamento cardiorrespiratório, auxilia no controle da pressão arterial e proporciona hormônios que dão a sensação de bem estar, 52% das mulheres denominaram-se sedentárias e 48% praticavam atividade física (gráfico 3).

Gráfico 2. Estado civil das entrevistadas
Gráfico 3. Prática de atividade física

Os antecedentes ginecológicos podem influenciar na classificação do recém-nascido. No estudo, 80,40% das parturientes não houve antecedente de doenças ginecológicas, 10,30% apresentaram candidíase, 1% teve o diagnóstico de herpes e 8,30% relataram outras patologias (gráfico 4).

Gráfico 4. Antecedentes Ginecológicos

Na pesquisa, 56,90% das mulheres relataram ter o ciclo menstrual regular de baixa intensidade, 15,20% possuem o ciclo regular com maior intensidade, 17,20% tem o ciclo irregular de menor intensidade e 10,70% com o ciclo irregular de maior intensidade (gráfico 5). Os corrimentos podem ser de origem fisiológica, ou patológica, 46,60% das parturientes não apresentou corrimento, 32,40% relatou transparente, 12,70% teve amarelado, 3,90% com marrom e a mesma porcentagem com esverdeado, 0,5% com rosa (gráfico 6).

Gráfico 5. Ciclo menstrual
Gráfico 6. Corrimento

Parturientes que apresentam comorbidades pré-existentes estão mais propensas a desenvolverem complicações no decorrer do período gestacional, 46,10% das participantes não tiveram risco gestacional, 39,70% relatou alto risco e 14,20% baixo risco (gráfico 7). A perda gestacional está relacionada ao risco gravídico, 80,40% não relatou perda gestacional, 13,20% tiveram perda no primeiro trimestre, 4,40% com perda no segundo trimestre e 2 % com perda no terceiro trimestre (gráfico 8).

Gráfico 7. Risco Gestacional
Gráfico 8. Perda Gestacional

A classificação do recém-nascido baseia-se na idade gestacional, sendo dividida em pré-termo (antes de 37 semanas), atermo (de 37 a 42 semanas), e pós termo (após 42 semanas), Dentre as participantes da pesquisa, 53% das mulheres tiveram bebês pré-termo, 43,10% atermo, e 3,90% pós termo (gráfico 9).

Gráfico 9. Classificação do RN

De acordo com os gráficos da pesquisa realizada obteve-se 89,70% das mulheres deram início ao pré-natal no 1° trimestre, 6,90% no 2º trimestre, e 3,40% no 3º trimestre (gráfico 10). Saber o local onde foi realizado o pré-natal (rede pública ou privado) é de grande relevância para o entendimento da qualidade do serviço prestado, 55,90% realizou o acompanhamento na rede privada, e 44,10% foram realizados no sistema de saúde pública (gráfico 11).

Gráfico 10. Inicio do acompanhamento pré-natal
Gráfico 11. Pré-natal na rede pública/privada

A assistência fisioterapêutica é fundamental pois atua de maneira preventiva reduzindo os fatores de risco antes do nascimento, tendo como base exercícios terapêuticos que melhoram a qualidade de vida e sua saúde da parturiente, 93,60% das puérperas não realizaram acompanhamento fisioterapêutico no pré-natal, 2,90% fizeram durante todo o período gravídico, 1% apenas no 1º trimestre, 1% apenas no 2º trimestre, e 1,50% apenas no 3º trimestre (gráfico 12).

Gráfico 12. Assistência fisioterapêutica no pré-natal

Saber sobre a importância deste profissional durante o período gestacional é relevante para a equipe multidisciplinar e para as parturientes, pois a fisioterapia atua desde o nível primário, secundário e terciário da atenção básica de saúde, proporcionando o bem estar maternofetal, evitando possíveis complicações, identificando, monitorando e tratando patologias recorrentes a gravidez, 72,50% não tem conhecimento sobre a atuação fisioterapêutica, e apenas 27,50% possuem conhecimento (gráfico 13).

Gráfico 13. Conhecimento acerca da fisioterapia no pré-natal

O questionário obteve 204 respostas de mulheres primíparas, no gráfico de idade, a maior taxa de natalidade foi entre mulheres de 25 a 34 anos, no estado civil foi observado maior porcentagem de casadas (64,2%) e 52% delas classificavam-se como sedentárias, nos antecedentes ginecológicos a patologia mais comum foi a candidíase e a maioria relatou ciclo menstrual regular de baixa intensidade, 53,90% tiveram gestação classificada como baixo ou alto risco e 19,60% relataram perda gestacional no 1º, 2º ou 3º trimestre, foi encontrado o maior percentual de bebês pré-termo (52,90%), 89,7% das mulheres iniciaram o pré-natal no primeiro trimestre e 55,9% na rede privada de saúde, porém, apenas 6,4% realizaram acompanhamento fisioterapêutico e 72,5% não tem conhecimento da atuação deste profissional.

DISCUSSÃO

Conforme o gráfico 1, a taxa de maior natalidade foi entre 25 a 34 anos, com percentual de 46,74% das mulheres, porém, a maior incidência de prematuridade foi a partir de 35 anos (9%), pois para Lins et al., (2020), a partir desta idade o aparelho reprodutor feminino sofre alterações anatomofisiológicas com o declínio gradativo na produção hormonal e diminuição da fertilidade, levando a doenças predisponentes como: hipertensão arterial, diabetes gestacional, trombose venosa e patologias ginecológicas que contribuem para o nascimento prematuro.

Para Gravena et al, (2013), parturientes com idade superior a 35 anos estão mais propensas a perdas gestacionais espontâneas ou abortos induzidos, sendo a gestação classificada como alto risco, aumentando a mortalidade perinatal e o parto prematuro, consequentemente, neonato pequeno para a idade gestacional, baixo peso ao nascimento e comprometimento da saúde do recém-nascido, além de depressão leve ou grave do Sistema Nervoso Central.

O estado civil é demonstrado por meio do gráfico 2, indicando que 64,30% das mulheres eram casadas e 32,80% solteiras, a ausência desta rede de apoio familiar pode causar um pico de cortisol, que desencadeiam episódios neurotóxicos ao cérebro do feto. Para Melo (2019), as parturientes solteiras evidenciam maior risco de partos pré-termo, com prevalência sete vezes maior, em decorrência ao nível de estresse causado privação do suporte familiar e pelas alterações ocorridas no período gravídico.

A porcentagem de mulheres que realizaram atividade física é analisada no gráfico 3, a maioria delas se denominam sedentárias (52%), e 48% consideram-se praticantes de atividades físicas. O sedentarismo é considerado um problema de saúde pública pois, De acordo com Pereira e Aguiar (2016), a ausência de atividades físicas é uma das causas mais associadas e com maior propensão de possíveis patologias no decorrer e após a gestação. Pesquisas demonstram que 31% dos indivíduos abaixo de 15 anos não praticam atividades físicas, inclusive as mulheres, que manifestam um declínio no seu condicionamento físico durante o período gravídico.

Santos (2019), afirma que a pratica de atividades físicas de intensidade leve a moderada praticadas durante o período gravídico, atuam na prevenção a patologias como: pré-eclâmpsia reduzindo em até 50%, além de manter a pressão arterial estável, auxilia no controle de peso e combate o diabetes gestacional. O exercício físico auxilia na precaução de possíveis lesões associadas ao período gravídico, também melhora os padrões bioquímicos relacionados a saúde cardiovascular.

Os antecedentes ginecológicos são representados no gráfico 4, a candidíase foi a patologia de maior porcentagem (10,30%), doenças relacionadas 8,30% e 1% herpes. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (2014), os antecedentes ginecológicos são recorrentes e poderão ser prevenidos ou tratados com antecedência pois, durante a gestação pode interferir no prognóstico maternofetal. Patologias ginecológicas podem ter importantes repercussões na vida intrauterina, sendo responsáveis por malformações do feto, abortos, nascimentos pré-termo e óbito.

De acordo com o gráfico 5, o ciclo menstrual regular de baixa intensidade foi o mais relatado entre as participantes, com prevalência de 56,9%, o ciclo irregular de menor intensidade foi o segundo com maior prevalência, tendo como porcentagem total 17,20%. Para Reis (2018), o aumento do cortisol, fatores emocionais e nutricionais influenciam o eixo hipotalâmico e hipófise-adrenal que desempenham um papel no ciclo menstrual, sendo importante para a saúde ovariana, alterações neste eixo podem causar uma queda nos níveis hormonais, como a progesterona, provocando eventos bioquímicos que desencadeiam o trabalho de parto.

O corrimento vaginal durante a gravidez, é demonstrado no gráfico 6, e pressupõe fatos importantes pois, é por meio de sua coloração, textura, viscosidade e odor que podemos relatar possíveis patologias durante o período gravídico. Segundo Freitas et al., (2020), o período gestacional altera os níveis de estrogênio e progesterona favorecendo mudanças no trato genital, além de determinar a presença de microrganismos em secreção vaginais de gestantes e a colonização vaginal, por meio do mesmo.

O risco gestacional das mulheres participantes do estudo é mostrado no gráfico 7, a maioria das mulheres não tinham risco (46,10%), a segunda maior porcentagem foi para alto risco gravídico com o valor total de 39,70% das mulheres. De acordo com Costa et al., (2010), vários fatores são capazes de desequilibrar o estado psicológico da gestante, estabelecendo complicações no processo de adaptação aos desafios expostos pela gravidez, podendo ocasionar danos a sua saúde, desencadeando uma gravidez de risco.

Segundo Marcomini et al., (2019), a gravidez de alto risco é caracterizada pela presença de qualquer alteração que compromete a saúde materna ou fetal, a pré-eclâmpsia e diabetes gestacional estão entre as patologias mais comuns, desencadeando comorbidades e intercorrências, consequentemente, o parto prematuro. Em decorrência disso, o risco de aborto é maior, o gráfico 8 mostra a porcentagem de perda gestacional, a maioria das mulheres não tiveram nenhuma perda (80,40%), entretanto, 19,60% das parturientes relataram ter sofrido um aborto em algum trimestre gestacional.

Conforme Oliveira et al., (2020), o aborto é o problema gestacional de maior incidência, porém sua etiologia é desconhecida, sua origem é multifatorial, podendo ser de causa genética ou não (problemas metabólicos maternos ou sistêmicos, histórico ginecológico, infecções). Aproximadamente 25% das perdas gestacionais poderiam ser evitadas se os fatores de risco fossem identificados com antecedência e tratados.

a classificação do recém-nascido foi analisada no gráfico 9, com maior prevalência de neonatos pré-termo, e porcentagem total de 53%. Segundo a Sociedade Brasileira de pediatria (2019), a classificação da prematuridade possuem quatro subcategorias: pré-termo extremo (idade abaixo de 28 semanas), muito pré-termo (idade gestacional entre 28 a 31 semanas), pré-termo moderado (idade gestacional entre 32 a 37 semanas), e pré-termo tardio (idade gestacional entre 34 a 37 semanas).

Para Oliveira et al., (2015), as complicações decorrentes da prematuridade incluem distúrbios respiratórios e neuromotores, resultante da imaturidade dos sistemas deste organismo e dificuldade de responder às necessidades fisiológicas do neonato, causando atrasos neuropsicomotores, distúrbios no crescimento e desenvolvimento infantil.

A porcentagem de mulheres que realizaram o acompanhamento pré-natal e em qual trimestre de gestação foi apresentado no gráfico 10, onde 89,70% iniciaram no 1° trimestre, 6,90% no 2º trimestre, e 3,40% no 3º trimestre. Segundo Carvalho, et al (2017), o pré natal tem como finalidade a orientação a gestante, preparação para o trabalho de parto, realização de diagnóstico e tratamento de patologias preexistentes ou consequentes do período gravídico, resultando na redução do índice de morbimortalidade materno-infantil. A falta dessa assistência ou o início tardio, refletem em altas taxas de mortalidade, devido a interferência do processo completar a e na execução de exames.

Saber o local onde as parturientes realizaram o pré-natal é importante, o gráfico 11, demonstra que 55,90% fizeram o acompanhamento na rede privada, e 44,10% foram realizados no sistema de saúde pública. Santos e Borges (2013), afirma que o sistema público possui pontos negativos relacionados a diminuição dos serviços de caráter diagnostico e terapêuticos, constate atraso no agendamento de serviços e acompanhamento profissional, grande tempo de espera dificultando a permanência dessas mulheres na assistência pré-natal; estas são características diferentes do sistema privado que possibilita o atendimento com diversos profissionais da saúde, tecnologias avançadas, rápido agendamento de consultas e facilidade no acesso aos serviços.

O quantitativo de mulheres que tiveram acompanhamento fisioterapêutico durante na assistência ao pré-natal foi observado no gráfico 12, onde constatou-se que 93,60% das parturientes não tiveram acompanhamento da fisioterapia, apenas 6,4% obtiveram este profissional em algum momento do período gestacional. Nascimento et al., (2019), afirma que a fisioterapia é fundamental, pois atua de maneira preventiva, reduzindo fatores de risco antes do nascimento, com isso reduz a incidência de nascimentos pré-termo, baseando-se em exercícios fisioterapêuticos que melhoram a qualidade de vida e a saúde da parturiente, dando as devidas orientações sobre os cuidados no pré e pós-parto, e acerca da postura correta durante o aleitamento materno.

Conforme Silva et al., (2018), o período gestacional corresponde a mudanças e alterações tanto físicas, quanto psicológicas, a fisioterapia atua com exercícios que trabalham o sistema cardiorrespiratório, promovendo o relaxamento, auxiliando na correção postural, dando maior flexibilidade e alongamento para toda a musculatura, além de preparar o corpo da parturiente para o parto, promovendo estímulos, ganho de força muscular em membros inferiores, superiores, lombar e abdômen, trabalhando nas alterações do assoalho pélvico, fortalecendo a musculatura e reduzindo possíveis lesões no parto e pós parto como, lacerações e incontinência urinária.

O conhecimento das puérperas sobre a atuação do fisioterapeuta na assistência pré-natal é mostrado no gráfico 13, onde 72,50% não tenham conhecimento sobre a ação deste profissional. Para Oliveira (2018), as gestantes e parturientes não possuem uma ampla rede de informações dos profissionais que realizam a assistência pré-natal, é importante que essas mulheres tenham o conhecimento das técnicas que são benéficas e dos profissionais que podem auxiliá-las durante todo o período gravídico.

Padilha, Gasparetto e Braz, (2015), observam ainda um número deficiente de maternidades que incluem em seus quadros de profissionais a assistência do fisioterapeuta no trabalho de parto. Essa prática ainda não é comum em todas as maternidades e nem do conhecimento de todas as mulheres, portanto, necessita-se de maior desenvolvimento até que todas as gestantes tenham acesso a um atendimento mais acolhedor e humanizado, que supra as suas necessidades, respeite a sua individualidade e garanta satisfação para a família.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com este estudo foi possível analisar que os fatores mais predisponentes a prematuridade são: a idade, o estado civil, o sedentarismo, patologias ginecológicas, ciclo menstrual irregular, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional ou comorbidades pré-existentes, perda gestacional anterior, acompanhamento pré-natal tardio ou inadequado. Através do questionário, observou-se a ausência do acompanhamento fisioterapêutico durante o pré-natal e desconhecimento das parturientes acerca da importância deste profissional, visto que a fisioterapia é essencial para o fortalecimento muscular, treino de equilíbrio, propriocepção, redução de algias, preparação para o parto e também para diagnosticar patologias, dando início a um tratamento adequado para reverter um possível quadro clínico de prematuridade.

O acompanhamento fisioterapêutico permite uma abordagem única e diferenciada a cada parturiente, levando em consideração seu estado psicológico, clínico e anatomofisiológico, visando a identificação de comorbidades e elaborando um plano de tratamento em seus níveis primário, secundário e terciário, que promovem a liberação de neurotransmissores atuando diretamente no sistema nervoso autônomo, consequentemente, diminuindo a probabilidade de complicações que podem levar a um parto prematuro.

Os resultados deste estudo incrementam a continuação de pesquisas sobre os efeitos e benefícios do acompanhamento fisioterapêutico no pré-natal, objetivando aumentar o conhecimento das mulheres acerca da importância da fisioterapia durante todo o período gravídico e demonstrando a eficácia do tratamento conservado para a prevenção e tratamento dos fatores que predispõem a prematuridade.

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