EXERCÍCIOS PARA ESCLERODERMIA: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

 

 

 

 

 

 

 


A Universidade Camilo Castelo Branco não se responsabiliza pelas informações contidas neste Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Essas informações são de responsabilidade exclusiva do autor.

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Igor Duarte de Almeida
São Paulo, 20 de junho, 2008.
Exercícios para esclerodermia: uma revisão bibliográfica.

Banca Examinadora

Prof. Dr. Império Lombardi Júnior (Orientador temático e Professor da disciplina de Fisioterapia aplicada à geriatria).
Prof..Ms..Areolino.Pena.Matos.(Co-orientador.temático,.professor.da.disciplina de órtese e prótese e supervisor do estágio de ortopedia).

Prof. Ms. Adriano Freitas Ribeiro
Coordenador do Curso de Fisioterapia
São Paulo, 20 de junho, 2008.

Dedico este trabalho primeiramente a Deus que me deu forças para vencer mais esta fase e aos meus pais Iara Duarte de Almeida e Édio Ribeiro de Almeida, que sempre me apoiaram e compreenderam quando eu não estava presente.
Agradecimentos

Agradeço aos meus pais Iara Duarte de Almeida e Édio Ribeiro de Almeida pela compreensão, dedicação e o carinho que sempre tiveram comigo, a minha esposa Darte Cléia Almeida Andrade Machado que sempre esteve ao meu lado me incentivando, aos meus filhos Kaíque Duarte de Almeida e Gustavo Duarte de Almeida, estes me servem de inspiração a cada sorriso e são a razão de eu continuar trilhando novos caminhos, aos meus irmãos Eduardo Ribeiro de Almeida, Valeria de Almeida da Silva, Vivian de Almeida Fernandes e Elder Duarte de Almeida, estes são muito importantes para mim, ao meu cunhado Claudiney Almeida Andrade Machado, e a um grande amigo que conquistei na faculdade e veio para a minha família, Fábio Luís Alves, este é uma pessoa, que tenho certeza, posso contar, ao meu compadre Antonio Carlos dos Santos Fernandes que sempre teve boas idéias e esta sempre próximo a minha família. Agradeço ao professor Dr.Império Lombardi Júnior que não mediu esforços para me orientar, ao professor Ms. Areolino Pena Matos e à professora Ms. Elizabeth Costa Tang Pinheiro que me auxiliaram na execução deste trabalho e a todos os mestres da faculdade de fisioterapia da Unicastelo que contribuíram para minha formação acadêmica.

“Prefiro morrer de pé que viver sempre ajoelhado”
(Che Guevara).


Resumo

Relatada por Hipócrates como doença que mumifica as pessoas em vida foi apenas no século XVIII que Carlo Cuzio descreveu a doença. O termo esclerodermia deriva das palavras gregas skleros (endurecido) e derma (pele). É uma doença do tecido conectivo de etiologia desconhecida que afeta múltiplos órgãos e acomete predominantemente mulheres e é caracterizada por inflamação severa com fibrose densa e atrofia muscular. O objetivo do autor é realizar uma pesquisa sobre exercícios fisícos e seus efeitos em pacientes com esclerodermia. Os primeiros estudos sobre exercícios terapêuticos datam a Grécia antiga porem foi a partir da l guerra mundial que ouve um aumento acentuado da utilização deste recurso para a reabilitação de pacientes. Os exercícios são divididos em: isométrico, isotônico e isocinético, sendo que o isotônico é dividido em concêntrico e excêntrico. Os benefícios das atividades físicas são bem conhecidos incluindo risco reduzido de problemas de saúde, melhora da função cardiorrespiratoria, força, resistência muscular, flexibilidade e diminuição da gordura. Embora normalmente detenhamo-nos nos efeitos das atividades físicas regulares obtidas em longo prazo, parte dos benefícios das atividades físicas é aguda, com efeitos em curto prazo. Koya (2006) realizou seu trabalho de conclusão de curso com uma paciente de 53 anos e diagnóstico de esclerodermia, foram inclusos em seu tratamento exercícios de fortalecimento muscular e alongamentos, o tratamento teve duração de sete semanas sendo aplicado duas vezes por semana e 45 minutos por atendimento, os resultados desse estudo mostrou que a paciente melhorou nos parâmetros de capacidade funcional, aspectos físicos, vitalidade e aspectos emocionais e piora nos parâmetros dor, estado geral de saúde e aspectos sociais. Foi realizado um levantamento bibliográfico sobre exercícios terapêuticos e seus efeitos em pacientes com esclerodermia, este trabalho contou com livros, revistas, artigos e periódicos. Como fontes foram utilizadas as bibliotecas da Unicastelo e Bireme, alem do site de busca google school.

Palavras-Chave: Exercício, Esclerodermia, Esclerose sistêmica.

Abstract

Told for Hippocrates as a disease that hardened people in life was only in the eighteenth century that Carlo Cuzio described the disease. The term derives from Greek words scleroderma skleros (hardened) and derma (skin). It is a disease of the connective tissue of unknown etiology that affects multiple organs and predominantly affects women and is characterized by severe inflammation with dense fibrosis and muscular atrophy. The objective of the author is conducting a search on exercises physical and its effects in patients with scleroderma. The first studies on therapeutic exercises date back to ancient Greece but was from the World War l you hear a sharp increase in using the facility for the rehabilitation of patients. The exercises are divided into: isometric, isotonic and isokinetic, and the isotonic is divided into concentric and eccentric. The benefits of physical activity are well known including reduced risk of health problems, improved cardiorespiratory function, strength, muscle strength, flexibility and decreased fat. Although normally know on the effects of daily physical activity obtained in long-term, part of the benefits of physical activity is acute, with effects in the short term. Koya (2006), held its completion of course work with a patient of 53 years and diagnosis of scleroderma, were included in their treatment of muscle, strengthening exercises, stretching, the duration of treatment was seven weeks being applied twice a week and 45 minutes per call, the results of this study show that the patient improved the parameters of functional capacity, physical, vitality and emotional aspects and worsening the parameters pain, general health and social aspects. A survey was conducted on bibliographic exercises and therapeutic effects in patients with scleroderma, this work had books, magazines, articles and journals. As sources were used in the libraries of Unicastelo, Bireme, besides the site of search google school.

Key works: Exercise, Scleroderma, Sclerosis systemic.

1- INTRODUÇÃO

Relatada por Hipócrates como doença que deixa as pessoas mumificadas em vida, foi apenas no século XVIII que a esclerodermia passou a ser mais bem caracterizada como entidade clínica (MOREIRA; CARVALHO, 2001).
O termo esclerodermia deriva das palavras gregas skleros (endurecido) e derma (pele). Os primeiros casos de esclerodermia foram descritos por Hipócrates, mas coube a Carlo Cuzio a primeira descrição detalhada da doença em uma mulher que o mesmo afirmou ter curado com mercúrio em 1752 (CAMPOS, 2006; VILAS, 2002).
A esclerodermia é uma doença do tecido conectivo, de etiologia desconhecida, que afeta múltiplos órgãos, sendo caracterizada pela presença de espessamento cutâneo e podendo acometer articulações, sistema gastrintestinal, pulmão, coração, rins e outros órgãos (YOSHINARI; BONFÁ, 2000).
A esclerodermia é uma doença que atinge predominantemente mulheres e apresenta um grande número de achados cutâneos os quais necessitam ser bem conhecidos pelo clínico (GUIDOLIN; ESMANHOTO; MAGRO; SILVA, 2004).
A doença consiste em inflamação severa com fibrose densa e atrofia da camada muscular própria e conseqüente substituição por tecido conjuntivo na parede intestinal. A doença pode ocorrer como entidade única ou fazer parte da síndrome de Crest; calcinose, fenômeno de Raynaud, hipomotilidade esofagiana, esclerodactilia, telangiectasia (CARDOSO; LIMA; RIBEIRO, 2006).
O objetivo do autor é realizar uma pesquisa sobre os tipos dos exercícios e seus efeitos em pacientes com esclerodermia, por saber que existem poucos trabalhos relacionados à doença, além de ter a pretensão de atuar na área.
Os primeiros estudos sobre a utilização dos exercícios terapêuticos datam da Grécia e Roma antiga, porém foi a partir da I guerra mundial que ouve um aumento acentuado da utilização deste recurso para a reabilitação de pacientes (GUIMARÃES; CRUZ, 2003).
Matsudo; Matsudo (2000), afirmam que os principais benefícios à saúde vinda dos exercícios físicos referem-se aos aspectos antropométricos, neuromusculares, metabólicos, e psicológicos. Os efeitos metabólicos são: o aumento do volume sistólico, aumento da potência aeróbica, diminuição da pressão arterial. Com relação aos efeitos antropométricos e neuromusculares, ocorre aumento da força muscular, aumento da densidade óssea, e melhora da flexibilidade.
Este trabalho poderá auxiliar novas pesquisas na área da reumatologia na instituição, além de contribuir para a melhora dos tratamentos em pacientes com esclerodermia.

2- OBJETIVOS

2.1-Objetivo geral
Realizar uma revisão bibliográfica sobre os exercícios fisioterapeuticos em pacientes com esclerodermia.

2.2-Objetivo específico
Verificar a eficácia dos exercícios para esclerodermia.

3- REVISÃO DE LITERATURA

3.1-Esclerodermia

A esclerodermia é uma doença cuja causa é desconhecida e é caracterizada principalmente pela produção excessiva de colágeno que se acumula em certas partes da pele produzindo um endurecimento da zona afetada, podendo também afetar outros sistemas como: trato gastrintestinal, pulmões, rins e coração (OROPEZA; SANCHEZ; GUERRERO, 2003).
A esclerodermia é uma doença relativamente rara e pode ser dividida em dois grupos, limitada e difusa. A sua etiologia continua a ser desconhecida e sua patogênese não totalmente esclarecida. Por isso não há tratamento específico e, portanto curativo, apesar disso é possível controlar muitas das manifestações da esclerodermia (VILAS; VEIGA; ABECASIS, 2002).

3.2-Etiopatogenia

A esclerodermia ou esclerose sistêmica é um distúrbio multissistêmico de etiologia desconhecida. Caracteriza-se por fibrose da pele, dos vasos sangüíneos e dos órgãos viscerais, incluindo o trato gastrintestinal, pulmões, coração e rins. A esclerodermia pode surgir também numa forma localizada limitada à pele, ao tecido subcutâneo e aos músculos, sem qualquer acometimento sistêmico. As duas formas localizadas são: a morféia, que ocorre com placas únicas ou múltiplas de endurecimento da pele e a esclerodermia linear, que acomete uma extremidade ou a face (MARQUES, 2006).
Um subgrupo recebe a designação de esclerodermia difusa e se caracteriza pelo surgimento rápido de espessamento cutâneo simétrico da parte proximal e distal das extremidades, da face e do tronco. Esses pacientes correm um maior risco de desenvolverem nefropatia e outras doenças viscerais no início de sua evolução. Outro subgrupo é a esclerodermia limitada, definida pelo espessamento cutâneo simétrico limitado às extremidades distais e à face. Este subgrupo possui característica de calcinose, fenômeno de Raynaud, dismotilidade esofagiana, esclerodactilia e telangiectasia (MARQUES, 2006).

3.3-Epidemiologia

A esclerodermia é uma doença rara e a variação de sua incidência é muito grande. Alguns estudos sugerem incidência entre 4 a 12 indivíduos por milhão da população por ano. A prevalência da doença nos EUA é estimada em 19 a 75 por 100.000 habitantes, ou seja, existem atualmente, naquele país, cerca de 50.000 a 200.000 casos (YOSHINARY; BONFÁ, 2000).
É uma doença cosmopolita ocorrendo tanto nas áreas urbanas quanto nas rurais, havendo descrições em todos os continentes. A esclerodermia apresenta predomínio no sexo feminino e não existe predileção de raça; enquanto nos EUA a incidência é maior em negros, no Brasil, país de grande miscigenação racial ocorre predomínio da doença em brancos (MOREIRA; CARVALHO, 2001).
3.4-Manifestações Clínicas

A esclerose cutânea está presente em quase todos os casos de esclerodermia. A esclerodactilia é quase universal, condicionando com freqüência contraturas e deformações dos dedos, com grande incapacidade funcional. O fenômeno de Raynaud está presente em muitos dos casos, corresponde a um fenômeno de espasmo vascular desencadeado pelo frio ou estresse emocional. Classicamente é trifásico: palidez, depois cianose e, por fim, hiperemia marcada. Em casos graves a isquemia resulta em gangrena e auto-amputação das porções distais dos dedos (VILAS; VEIGA; ABECASIS, 2002).

3.5-Tratamento

O tratamento da esclerodermia é difícil e continua sendo um desafio para reumatologistas. Com o melhor entendimento da fisiopatologia da doença aprendemos a melhor planejar estudos. Assim esperamos ter mais sucesso em desenvolver tratamentos modificadores da história natural da doença (EARP; BROTAS; MARTINS; FAGUNDES, 2004).
A abordagem terapêutica tende a ser cada vez mais racional e baseada nos conhecimentos atuais da fisiopatologia da doença. Atualmente há um número crescente de tratamentos potencialmente efetivos sendo submetido à investigação clínica. As terapêuticas utilizadas têm como objetivo; melhorar a circulação periférica, inibir a síntese e a liberação de substâncias prejudiciais e inibir ou reduzir a fibrose (EARP; BROTAS; MARTINS; FAGUNDES, 2004).

3.6-Origem dos Exercícios

Em um período entre 4000 a. C e 395 d.C. o movimento humano era utilizado no tratamento de disfunções já instaladas, e faziam parte das funções dos sacerdotes. Na idade média ocorreu uma interrupção nos estudos na área da saúde, pois nessa época o corpo era considerado inferior, sem importância, havia um culto da alma do espírito (GUIMARÃES; CRUZ, 2003).
Já no final da idade média e inicio do renascimento, as belezas do homem e da mulher começaram a ser valorizadas desenvolve-se a preocupação com o corpo refletido pela revitalização do culto ao físico. Neste período o exercício era ligado à cultura da beleza física. Nesta mesma época, surge a diferenciação da ginástica com fins terapêuticos e manutenção de condições normais, quando ficou definido que o tratamento de enfermos mediante exercícios é algo distinto da ginástica para pessoas sãs (GUIMARÃES; CRUZ, 2003).

3.7-Tipos de Exercícios

Os exercícios podem ser divididos em isométrico, isotônico e isocinético dependendo do tipo de atividade muscular realizada. Na contração isométrica ocorre um aumento na tensão muscular sem uma mudança significativa no comprimento da fibra muscular. Nenhum trabalho externo é realizado, mas energia é gasta de forma substancial (LIMA, 1999).
O exercício isotônico também chamado de trabalho muscular dinâmico envolve contrações longas, mas se distinguem pela alternância rítmica entre contração e relaxamento. Quando o músculo é tracionado a sua origem se aproxima ou se afasta da sua inserção levando a um trabalho muscular dinâmico (BIASOLI, 2007).
Dividimos os exercícios isotônicos em concêntrico e excêntrico; o exercício isotônico concêntrico é realizado quando o músculo desenvolve tensão suficiente para superar uma resistência, de modo que se encurte visivelmente e mova uma parte do corpo vencendo uma determinada resistência, o exercício isotônico excêntrico acontece quando uma dada resistência é maior que a tensão do músculo, de maneira que este se alongue. Embora desenvolva tensão o músculo é superado pela resistência (BIASOLI, 2007).
O termo contração muscular isocinética descreve um processo onde um segmento do corpo acelera até alcançar uma velocidade fixa pré-selecionada contra uma resistência permanentemente adaptável pelo dinamômetro, garantindo assim, que a execução do movimento ocorra na mesma velocidade do deslocamento angular. Independentemente da magnitude da força muscular exercida pelo indivíduo, a velocidade do segmento não excederá a velocidade pré-selecionada, caracterizando, o conceito de isocinetismo (NETO; PREIS; BITTENCOURT; MANFFRA, 2006).
3.8-Benefícios

Para Howley; Franks (2000) os benefícios dos exercícios físicos, em longo prazo, são bem conhecidos, incluindo risco reduzido de problemas da saúde, melhora da função cardiorrespiratória, força e resistência muscular, flexibilidade e redução da gordura.
Embora normalmente detenhamo-nos nos efeitos dos exercícios físicos regulares obtidos em longo prazo, parte dos benefícios dos exercícios físicos é aguda, ou seja, com efeitos em curto prazo. Por exemplo, além da redução na pressão arterial em repouso como conseqüência de atividade crônica, longo prazo, há uma diminuição adicional da pressão arterial logo após cada série aguda de exercícios. Há efeitos psicológicos positivos resultantes de uma única série de atividade em muitos indivíduos, tais como uma alteração positiva do humor após o exercício (HOWLEY; FRANKS, 2000).
Koya (2006) realizou seu trabalho de conclusão de curso com um paciente de 53 anos do sexo feminino e diagnóstico de esclerodermia. No tratamento fisioterapêutico foram incluídos exercícios de mobilização articular, fortalecimento muscular, alongamentos passivo, alongamentos ativo e fortalecimento ativo resistido. O tratamento teve duração de sete semanas sendo aplicado duas vezes por semana e quarenta e cinco minutos cada atendimento. Os resultados deste estudo mostraram que, a paciente com esclerodermia, após tratamento de cinesioterapia apresentou uma melhora significativa nos parâmetros de capacidade funcional, aspectos físicos, vitalidade, aspectos emocionais e saúde mental, e piora nos parâmetros de dor, estado geral de saúde e aspectos sociais.
Sanjuán, (2003), tratou um paciente do sexo masculino com 48 anos diagnosticado com esclerodermia, este apresentava déficit de função respiratória e comprometimentos articulares. Em seu tratamento foram utilizados: banhos de parafina, hidroterapia, exercícios respiratórios, bicicleta, alongamentos e exercícios ativos. O tratamento teve duração de quatro meses, sendo cinco vezes por semana e desde os primeiros dias de tratamento o paciente refere melhora significativa tanto na parte respiratória quanto na parte articular, teve melhora na espirometria e teve aumento em abdução e flexão de ombro, dorsiflexão de tornozelo.

4- MATERIAL E MÉTODOS

Material:
Foram utilizados livros e trabalhos científicos que correlacionem fatores sobre exercícios e esclerodermia na biblioteca da Universidade Camilo Castelo Branco, LILACS, Medline, Web of Science e sites de busca como Google School.

Método:
O método utilizado para este estudo foi uma pesquisa de revisão bibliográfica em artigos científicos, periódico, livros, jornais, revistas cientificas; entre 1976 e 2007.

Procedimentos:
Foi realizado um levantamento bibliográfico de livros, trabalhos de conclusão de curso e artigos científicos nas Bibliotecas da Universidade Camilo Castelo Branco, Web of Science e nos bancos de dados da Bireme (medline, lilacs e scielo) utilizando os seguintes termos como palavras chaves: Exercício, Esclerodermia e Esclerose Sistêmica, iniciando a pesquisa no período de 1976 e 2007. Foram feitas as pesquisas em formulário avançado e descritor de assuntos os trabalhos foram encontrados no medline, pois a pesquisa no lilacs, scielo e web of science, não apresentou nenhum artigo. Ao todo foram encontrados vinte e dois artigos relacionados à esclerodermia, porém, apenas seis artigos relacionavam exercícios e esclerodermia, os outros dezesseis artigos encontrados na pesquisa falavam de tratamentos medicamentosos e por isso não foram incluídos no trabalho. Na biblioteca da Bireme estavam disponíveis apenas três artigos com data de (1976, 1983 e 1999), estes foram utilizados na discussão do trabalho, outros dois artigos utilizados na discussão com data de (2006, 2007) estavam disponíveis no site do Chestjournal, outros dezessete artigos utilizados na introdução, revisão de literatura e discussão, foram encontrados no site de busca google school, dois livros e uma monografia, utilizados na revisão de literatura, foram encontrados na biblioteca da Universidade Camilo Castelo Branco. Foram utilizados ao todo vinte e cinco obras entre livros, revistas e artigos, destes seis são em inglês, dois em espanhol e outros dezessete em português.

5- DISCUSSÃO

A esclerodermia é uma doença rara e por isso existem poucas pesquisas sobre terapêutica, e menos ainda quando o tema é terapia por exercício, Nós tivemos grande dificuldade para encontrar obras referentes ao tema, diferente de doenças, mais comuns, que tem material em abundância na literatura. Optamos por incluir todos os trabalhos relacionados ao tema, ou não teria material suficiente para discutir devido à escassez.
É uma doença que acomete predominantemente mulheres numa faixa etária entre 30 e 40 anos (CARDOSO, 2006), mas também pode se manifestar em pessoas com menor idade como mostra o caso de Rudolph, Leyden (1976) que realizaram sua pesquisa com uma paciente de quatorze anos, sendo diagnosticada aos oito anos de idade, ela apresentava manchas pelo pescoço tórax e braço esquerdo, diminuição da amplitude de movimento dos ombros e os dedos das mãos estavam em posição flexora devido à hipomotilidade da pele. Logo após a avaliação começou o programa de exercícios com alongamentos para melhorar a flexibilidade da pele e aumentar a amplitude de movimento, utilizaram banhos de parafina nas mãos e um programa de alongamentos para a paciente fazer em casa. Segundo os autores a menina fazia os exercícios rigorosamente com a ajuda de sua mãe duas vezes por dia durante um ano. Os resultados obtidos foram; aumento na amplitude de movimento em ombros punho e dedos tornando, segundo os autores, a paciente mais independente.
Acreditamos que o trabalho de Rudolph, Leyden (1976) apresenta limitações técnicas que poderia comprometer o resultado da pesquisa, como o fato de a paciente ter realizado o tratamento com sua mãe, ao invés de um fisioterapeuta para fazer os exercícios, sem erros na hora certa, na intensidade certa, acrescentando ou retirando recursos conforme evolução do paciente.
Askew, Beckett, Chao (1983) realizaram um trabalho com dez pacientes que faziam parte de outro estudo envolvendo medicamentos, sendo sete mulheres e três homens, eles foram convidados a participar da pesquisa que queria verificar a eficácia de métodos fisioterapêuticos para avaliação das mãos, eles foram avaliados antes e depois de uma sessão de fisioterapia. O tratamento para as mãos e antebraço consistiu em banho de parafina, massagem e exercícios ativos para amplitude de movimento. A parafina foi aplicada por vinte minutos, após retirar a parafina começava a parte de massagem de fricção para mobilizar a pele e tecidos subjacentes e exercícios ativos para as mãos. O objetivo desse tipo de tratamento é de melhorar a função, diminuir dor, aumentar a mobilidade dos tecidos e melhorar a amplitude de movimento. Os resultados mostram que os indivíduos que receberam fisioterapia melhoraram funcionalidade, e aumentaram em 90% a força.
Este estudo apresentou um número melhor de amostras comparado ao trabalho anterior, porém os autores não se focaram nos tratamentos, como esperávamos. Um programa de exercícios físicos para esta doença é muito importante por se tratar de uma doença crônica e progressiva. Esta doença necessita de acompanhamento fisioterapêutico, e não apenas uma vez como sugeriu os autores. Todos foram avaliados, logo foram tratados pelos métodos acima citados e depois foram reavaliados e então obtiveram os resultados. Não houve grupo controle devido ao número limitado de pacientes.
Klyscz, Rassner, Guckenberger, Junger (1999) realizou o tratamento para as articulações dos dedos das mãos e tronco, membro superiores e articulação temporo-mandibular, este tratamento consistiu em drenagem linfática simultânea a um estimulador mecânico com freqüência de 18 a 36 HZ para as articulações dos dedos e ATM e somente o estimulador para os membros superiores e troco. Para este estudo foram convidados oito pacientes com esclerodermia difusa, sendo seis mulheres e dois homens e média de idade de cinqüenta e quatro anos. Cada paciente foi submetido a doze sessões de uma hora cada sendo interrompido por dois ou três minutos. Segundo os autores todos os pacientes sofreram melhoras objetivas e subjetivas, porém não houve efeitos secundários indesejáveis, nem houve aumento de dor durante os tratamentos, além disso, todos os pacientes afirmaram sentir a pele mais suave tanto nas mãos quanto no rosto e melhora na mobilidade das articulações dos dedos, mãos, ATM e tronco.
Este trabalho mostrou uma técnica com um estimulador mecânico pouco conhecido por fisioterapeutas no Brasil, trata-se de um equipamento que emite vibrações em baixa freqüência e é denominado BMS, este equipamento era utilizado por atletas na união soviética para aumentar a flexibilidade da pele e tendões aumentando o desempenho dos competidores. Mesmo o artigo não referindo exercícios, nós decidimos discuti-lo, por se trata de um método não medicamentoso e sendo assim de interesse para os fisioterapeutas. O estudo teve maior numero de sessões e teve um fisioterapeuta aplicando a técnica, o que, a nosso ver credibiliza o trabalho. O autor referiu melhoras com a aplicação desse método e foram obtidos resultados satisfatórios na mobilidade da pele e articulações.
Sanjuán (2003) realizou seu trabalho com um paciente do sexo masculino com quarenta e oito anos, diagnosticado com esclerodermia, este apresentava síndrome de Raynaud, déficit de função respiratória e comprometimentos articulares. O tratamento visou apenas mãos punhos e ombros e tornozelos, por serem estas as articulações mais afetadas pela doença visando à melhora das atividades de vida diária deste paciente. Em seu tratamento foram utilizados: banhos de parafina por dez minutos, hidroterapia por quinze minutos, exercícios respiratórios, bicicleta, alongamentos e exercícios ativos. O tratamento teve duração de quatro meses, sendo cinco vezes por semana. Desde os primeiros dias de tratamento o paciente refere melhora significativa tanto na parte respiratória quanto na parte articular, teve melhora na espirometria, aumento em abdução e flexão de ombro e dorsiflexão de tornozelo.
O autor mostrou a atuação do fisioterapeuta e seu desempenho com seu paciente. O fisioterapeuta tem que estar sempre com o paciente o avaliando diariamente e deve estar atento à evolução para interferir no tratamento quando for necessário. Este foi um ponto positivo do trabalho, que mostrou como deve se portar um fisioterapeuta. O fisioterapeuta deve tratar de seus pacientes e não apenas orienta-los como disse: Rudolph, Leyden (1976).
Mugii, Hasegawa, Takashi, Kondo (2006) fizeram um tratamento com quarenta e cinco pacientes sendo trinta e nove mulheres e seis homens, os pacientes foram divididos em grupos conforme as características apresentadas. Um terapeuta ocupacional orientou os pacientes a realizarem em casa um programa de alongamento, que é um exercício de auto-administrado. Os dedos eram alongados utilizando o lado oposto e foi repetido de três a dez vezes e foram orientados a fazer os alongamentos todos os dias. Este mesmo terapeuta ocupacional foi responsável por verificar todos os meses se os auto-alongamentos estavam sendo feitos de maneira correta. Os autores afirmam que após um ano de tratamento os pacientes se encontravam com uma amplitude de movimento foi significativamente aumentada em cada dedo.
Mesmo sendo um trabalho metodologicamente bom, Mugii et al (2006), cometeram a mesma falta que Rudolph, Leyden (1976) quando incentivaram os pacientes a realizarem o próprio tratamento. Os resultados deste trabalho mostraram que os alongamentos trazem bons resultados para os dedos de pacientes com esclerodermia, más, mesmo assim é correto afirmar que a ausência de um fisioterapeuta no tratamento pode diminuir a sua eficiência ou até mesmo inutilizar os efeitos benéficos do recurso empregado.

6- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como já era esperado, encontramos uma deficiência em artigos relacionados a exercícios físicos para a doença, tanto em quantidade, quanto em qualidade, saliento a dificuldade em encontrar obras sobre o tema na literatura nacional e internacional e ainda os trabalhos apresentados, em sua maioria, apresentaram má metodologia, não existe padrão para elaboração dos trabalhos nem dos tratamentos e isso nos leva a crer que ainda existe uma lacuna em relação aos tipos de abordagem fisioterapêutica ideal.

7-REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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3 comentários em “EXERCÍCIOS PARA ESCLERODERMIA: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA”

  1. Fabiana Araujo Dos Santos

    Achei muito interessante .sou portadora desta tal doença .essas informaçoes foram muito importante pra mim.quero saber mais!

    1. Olá Pessoal, além deste canal a revista tem uma sala de bate-papo exclusiva para fisioterapeutas trocarem informações seja por texto, seja por voz, além de arquivos, artigos e muito mais. Se você também precisar fazer uma reunião com sua equipe, temos salas apara até 99 pessoas simultâneas inteiramente grátis. Conheça nossa plataforma em: bit.ly/fisio-discord

  2. Fernando deble

    Achei bárbaro. Só poderia acrescentar diretamente tipos de exercícios práticos… Ate aqui nos comentários… Explicando para os leigos os movimentos a serem executados… Quero fazer muito na minha mãe que está totalmente graca. Principalmente na regiao abdominal.. Obrigado! Fernando Bage RS

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