EXERCÍCIO DE GINÁSTICA ABDOMINAL HIPOPRESSIVA NA RECUPERAÇÃO DA DIÁSTASE ABDOMINAL GRAU 3 NO PUERPÉRIO IMEDIATO

Rhaise de Queiroz Dantas
Jeronice Souza Rodrigues

Rhaise de Queiroz Dantas1, Jeronice Souza Rodrigues2

1 Acadêmica Finalista do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário de Manaus – FAMETRO. 2Fisioterapeuta Especialista; Docente do Centro Universitário de Manaus – FAMETRO.


RESUMO

Durante o período gestacional ocorrem expressivas transformações fisiológicas no organismo materno, mediadas pelas mudanças hormonais, acometendo os sistemas circulatório, respiratório, digestivo, nervoso e músculo esquelético. As alterações hormonais provocadas pela relaxina, progesterona e estrógeno, associadas ao crescimento uterino, podem provocar o estiramento da musculatura abdominal podendo ocorrer uma separação na linha mediana dos músculos retos abdominais opostos, formando a diástase dos músculos retos abdominais. Objetivos: O presente estudo teve o intuito de relatar os benefícios obtidos com exercício de ginástica abdominal hipopressiva na recuperação da diástase abdominal grau 3 no puerpério imediato. Metodologia: Foi realizada uma revisão integrativa da literatura com método hipotético-dedutivo e objetivo descritivo explicativo. Onde foi feita uma busca eletrônica de artigos nas bases de dados Scielo e PUBMED, publicados nos anos 2010 a 2020 e em idioma português e inglês, os artigos selecionados, os critérios de inclusão foram artigos do tipo estudo de caso e que preenchessem os requisitos de acordo com a necessidade do tema em relação à definição, incidência e que abordasse algum tratamento fisioterapêutico com cinesioterapia em pacientes com diástase dos músculos reto abdominais no pós parto, sendo excluídos os artigos científicos que estivessem fora do período recomendado e que não abordasse a temática em questão. Resultados: A ginástica abdominal hipopressiva é um método eficiente na redução da circunferencial abdominal assim como na melhora do tônus dos músculos da cinta abdominal, diminuindo a diástase e o perímetro desta região. Conclusão: Os exercícios de ginástica laboral hipopressiva reduzem o afastamento entre os músculos, melhora o tônus e a força muscular, diminui a incapacidade funcional a qual limita as atividades da vida diária quando passa a comprometer estrutura de coluna lombar.

Palavras-chave: Diástase Abdominal; Puerpério Imediato; Fisioterapia.

ABSTRACT

During the gestational period, significant physiological changes occur in the maternal organism, mediated by hormonal changes, affecting the circulatory, respiratory, digestive, nervous and skeletal muscle systems. The hormonal changes caused by relaxin, progesterone and estrogen, associated with uterine growth, can cause the abdominal muscles to stretch and a separation in the midline of the opposite abdominal rectus muscles can occur, forming diastasis of the rectus abdominis muscles. Objectives: The present study aimed to report the benefits obtained with hypopressive abdominal gymnastics exercise in the recovery of grade 3 abdominal diastasis in the immediate puerperium. Methodology: An integrative literature review was carried out using a hypothetical-deductive method and an explanatory descriptive objective. Where an electronic search of articles was carried out in the Scielo and PUBMED databases, published in the years 2010 to 2020 and in Portuguese and English, the selected articles, the inclusion criteria were articles of the case study type and that fulfilled the requirements of according to the need of the theme in relation to the definition, incidence and addressing some physiotherapeutic treatment with kinesiotherapy in patients with diastasis of the rectus abdominis muscles in the postpartum period, excluding scientific articles that were outside the recommended period and that did not address the theme in question. Results: Hypopressive abdominal gymnastics is an efficient method for reducing abdominal circumference as well as improving the tone of the abdominal belt muscles, decreasing the diastasis and the perimeter of this region. Conclusion: Hypopressive labor gymnastics exercises reduce the distance between muscles, improve muscle tone and strength, and decrease functional disability, which limits the activities of daily living when it starts to compromise lumbar spine structure.

Keyword: Abdominal diastasis; Immediate puerperium; Physiotherapy.

  1. INTRODUÇÃO

A gestação é um período onde ocorrem mudanças expressivas no organismo materno que acometem os sistemas respiratório, digestivo, nervoso, circulatório e urinário, além do músculo esquelético Luna et al., (2012). Com a gravidez, o corpo da mulher sofre diversas modificações que exigem adaptação do organismo que, quando não ocorrem, podem gerar prejuízos.

De acordo com Rett et al., (2012), as alterações provocadas pela progesterona, estrogênio e relaxina, associadas ao crescimento do útero podem ocasionar o estiramento dos músculos abdominais, principalmente no músculo reto do abdome. Além disso, as alterações posturais, a exemplo da anteversão pélvica associada ou não a hiperlordose lombar levam a alterações biomecânicas na inserção dos músculos abdominais e pélvicos, o que causa uma deficiência na sustentação dos órgãos pélvico-abdominais.

Noble (2011), relata que o puerpério é um período de grandes modificações corporais e psíquicas, predominando um catabolismo intenso sem conseqüências patológicas, na maioria das vezes. Como tem sido evidenciado e enfatizado na literatura, é necessário que a puérpera seja assistida por uma equipe multidisciplinar, a fim de proporcionar-lhe segurança e conforto no puerpério imediato. Um dos objetivos da fisioterapia aplicada a esta etapa é promover uma estimulação da musculatura, em particular abdominal e pélvica, para melhorar a sua tonicidade. Um programa de exercícios individuais e adaptados para cada paciente no período pósparto tardio é de suma importância para a recuperação da puérpera, assim evitando até desconforto futuro não só físico como emocional. No entanto, podemos verificar que esse procedimento não é habitualmente encontrado na rotina hospitalar da maioria das maternidades.

Conforme Thomton (2011), durante a gestação, o estiramento da musculatura abdominal é indispensável para permitir o crescimento uterino, ocorrendo, portanto, uma separação dos feixes dos músculos retos abdominais. Esta DMRA (diástase do músculo reto abdominal) não provoca desconforto nem dor, apresentando incidência menor em mulheres com bom tônus abdominal antes da gravidez. A incidência, duração e complicação a curto e longo prazo da DMRA (diástase do músculo reto abdominal) na gravidez não têm sido bem investigadas. São considerados fatores predisponentes para a DMRA (diástase do músculo reto abdominal): obesidade, gestações múltiplas, multiparidade, poliidrâmnio, macrossomia fetal e flacidez da musculatura abdominal pré-gravídica, por levar a uma maior distensão abdominal durante a gravidez.

Dorea (2010), discorre que esse período da gestação acarreta a distensão prolongada da parede do abdome pelo útero gravídico e a possibilidade de ruptura das fibras elásticas da pele tornando o abdome flácido e maleável no pós-parto. Dessa forma, tanto alterações biomecânicas como o estiramento desta musculatura, facilitam o aparecimento da diástase dos músculos reto abdominal (DMRA).

Artal (2011), relata que estudos recentes observou-se a necessidade de um programa de exercícios para resolução mais breve da DMRA ( diástase do músculo reto abdominal) no pós-parto tardio e remoto, a partir da comparação entre um grupo que realizava atividades físicas controladas durante a gestação e pós-parto (grupo de tratamento) e outro grupo, controle. No grupo controle foi observada uma grande incidência de DMRA (diástase do músculo reto abdominal) superior a 3cm, havendo uma demora da resolução espontânea desta condição, com influência na biomecânica postural e déficit na função de sustentação dos órgãos pélvicos e abdominais.

Conforme Kisner e Colby (2016), A DMRA é a separação dos feixes musculares na linha mediana, sobre a linha alba. A etiologia dessa separação é desconhecida, porém, ocorre um comprometimento da continuidade e da integridade da musculatura abdominal, onde qualquer separação maior que 2cm ou dois dedos de largura é considerada significativa.

O afastamento excessivo dos MRA pode interferir na eficiência da musculatura abdominal, na estabilização do tronco e assim gerar dor lombar e disfunções pélvicas, uma vez que a DMRA apresenta uma prevalência elevada na região supra umbilical, podendo ter relação direta com o tipo de parto e se são primíparas ou multíparas (PITANGUI, 2016). O presente estudo teve como objetivo relatar os efeitos daGinástica abdominal hipopressiva na recuperação da diástase abdominal grau 3 no puerpério imediato.

  1. METODOLOGIA

Foi realizada uma revisão integrativa da literatura com método hipotéticodedutivo e objetivo descritivo explicativo. Onde foi feita uma busca eletrônica de artigos nas bases de dados da Scientific Eletronic Library Online (Scielo) e Serviço de U.S. National Libraryof Medicine (PUBMED), publicados nos anos 2010 2020 e em idiomas português e inglês, nas quais os artigos forma selecionados.

Os artigos selecionados para os critérios de inclusão foram: Artigos do tipo estudo de caso e que preenchessem os requisitos de acordo com a necessidade do tema em relação à definição, incidência e que abordasse algum tratamento fisioterapêutico com cinesioterapia em pacientes com diástase dos músculos reto abdominais no pós parto, sendo excluídos os artigos científicos que estivessem fora do período recomendado e que não abordasse a temática em questão.

Os resultados foram demonstrados através dos casos clínicos que obtém nos artigos que mostraram os efeitos daGinástica abdominal hipopressiva na recuperação da diástase abdominal grau 3 no puerpério imediato. Para o levantamento de dados, será utilizado o programa Word, no qual será abordado o assunto. Os descritores utilizados na busca foram: Diástase Abdominal, Puerpério Imediato, Fisioterapia.

Foi realizada uma analise de caráter qualitativo e não experimental do levantamento bibliográfico, considerando os critérios acima mencionados, selecionando artigos e livros de maior relevância para os resultados deste estudo.

Trata-se de um estudo básico transversal, de natureza qualitativa e controle das variáveis do tipo explicativo. A pesquisa está dentro dos termos éticos de acordo com a lei 196/12, trata-se de uma revisão bibliográfica, da qual utilizaremos literaturas atualizadas respeitando sempre os direitos autorais dos seus respectivos autores, mediante as citações realizadas seguindo as normas da ABNT.

Fluxograma 01: Fluxograma de seleção (inclusão e exclusão) dos artigos no estudo de revisão nas bases de dados.

  1. RESULTADO

Em conformidade com o levantamento bibliográfico foram encontrados 05 artigos de estudos de caso, publicados em periódicos científicos e revistas entre os anos de 2010 a 2020 a respeito dos exercícios de ginástica abdominal hipopressiva na recuperação da diástase abdominal grau 3 no puerpério imediato,para a redução da diástase dos músculos reto abdominais. Esses artigos foram investigados e lidos com suas informações básicas disposta na tabela 1.

Tabela 1- Estudos de Caso sobre Diástase dos Músculos Reto Abdominais.

AUTOR/ANOTÍTULOOBJETIVOMETODOLOGIARESULTADOS
Gilleard e Brown (2018),Effect of a postpartum training program on the prevalence of abdominal diastasis in postpartum primíparas women: a randomized controlled trialAvaliar o efeito de um programa supervisionado de 16 semanas de exercícios sobre a prevalência da DMRA após a interrupção da intervenção e no seguimento de 12 meses, pós-parto.Estudo Clínico Randomizado, composto por 175 mulheres com idade de 29 a 40 anos, avaliadas com método de ultrassonografia e paquímetro, submetidas ao programa de treinamento de exercícios de fortalecimentos do MRA.Entendeu-se que um programa de exercícios abrangente semanal com foco no treinamento de força do MAP e com o treinamento diário adicional do MAP não foi efetivo na redução da prevalência da diástase.
Bursch
(2016),
Effects of Abdominal Exercises on Reduction of Diastasis Recti in Postnatal WomenDeterminar os efeitos dos
exercícios
abdominais na redução da
diástase
Estudo composto por 40 mulheres de 18 a 30 anos, onde participaram da avaliação pela técnica de palpação usando o centro do umbigo como referência e pelo instrumento paquímetro digital verificando largura da distância do músculo reto abdominal e cooperando-as com um protocolo de exercícios abdominais.Mostrou-se melhoria significativa
na redução da diástase e aumentou a
força muscular da região trabalhada.
Mann et al., (2014),A eficácia da cinesioterapia na redução da diástase do músculo reto abdominal em puérperas de um hospital público em Feira de Santana- BA.Verificar se a fisioterapia por meio da cinesioterapia é eficaz na redução da DMRA.Estudo intervencionista com 20 mulheres que apresentaram DMRA maior que 3cm de largura, onde se avaliou por meio do paquímetro da DMRA, aparelho respiratório, circulatório e tônus muscular abdominal. Considerando os dados de avaliação e reavaliação das voluntárias submetidas aos exercícios de ginástica abdominal hipopressiva na recuperação da diástase abdominal grau 3 no puerpério imediato para redução da DMRA.Na intervenção fisioterapêutica demostrouse significativa mente eficaz na redução da DMRA supra umbilical, umbilical e infra
Dorea (2010),Recuperação da diástase
de reto abdominal no
período puerperal
imediato com e sem intervenção fisioterapêutica.
Promover a
recuperação da
musculatura
abdominal
através da
melhoria de sua
tonicidade, com
prescrições de
exercícios
abdominais.
Realizou-se um ensaio
Clínico Aleatorizado em uma
amostra com 16 puérperas
entre 18 e 40 anos avaliadas
através do paquímetro para
mensurar o grau da diástase
abdominal supra umbilical e
infra umbilical,
Detectou-se
a redução significativa
das medidas
da DMRA
após intervenção
fisioterapêutica tanto na infra
umbilical
como na
supra
umbilical.
Rett et al. (2012),Atendimento de puérperas pela fisioterapia em uma maternidade pública humanizadaDescrever o perfil das puérperas atendidas pela fisioterapia bem como os protocolos de avaliação e conduta fisioterapêuticaEstudo com 40 mulheres de 24 a 25 anos atendidas no pós-parto, selecionadas e avaliadas visualmente quanto a presença de diástase abdominal, inspecionou-se também a contraçãovoluntária do assoalho pélvico, verificou-se edema,percussão abdominal, involução uterina e palpação cinesia diafragmáticaForam encontrados o perfil esperado nas puérperas atendidas, onde a conduta proposta foi realizada pela maioria.

Os estudos apresentados na tabela 1, expõe os principais resultados do efeito a respeito dos exercícios de ginástica abdominal hipopressiva na recuperação da diástase abdominal grau 3 no puerpério imediato, evidenciando a importância da eficácia dos mesmos, e elucidando que é um método eficiente na redução da circunferencial abdominal assim como na melhora do tônus dos músculos da cinta abdominal, diminuindo a diástase e o perímetro desta região.

  1. DISCUSSÃO

Gilleard e Brown (2018), realizaram um estudo randomizado com intuito de avaliar o efeito do programa de exercícios pós parto sobre a prevalência da DMRA em 175 mulheres primíparas, de parto vaginal após mais de 32 semanas de gestação, com idade média de 29 a 40 anos, seguindo a avaliação pelo método de palpação digital, a intervenção ocorreu após 6 semanas de pós parto, 1 vez por semana durante 16 semanas com duração de 45 min, onde as três intervenções mais utilizadas foram exercícios de fortalecimento de transverso do abdome (TrA) através de exercícios abdominais, treinamento de MAP draw-in ( de quatro e propenso), half-plank, sidepank, sit-up oblíquo e sit-up reto.

Ainda sobre o autor supramencionado após a realização dos protocolos cinesioterapêutico, foi encontrado dentro do grupo de intervenção e de controle redução significativa na prevalência da DMRA aos 6 e 12 meses após o parto, entretanto não houve estaticamente diferenças significativas entre os grupos aos 6 meses ou aos 12 meses pós-parto, assim 40% desse grupo continuavam com a DMRA após os 12 meses do pós-parto.

Bursch (2016), concordam com Gilleard e Brown. (2018), quando asseguram que houve diferenças significativa entre DMRA acima do umbigo e abaixo do umbigo, posto que em seus estudos o exercício abdominal promove efeitos significativos na redução da diástase, visto que a contração abdominal garante o recrutamento dos músculos abdominais profundos principalmente do transverso do abdome.

Mann et al., (2014), produziram um estudo intervencionista com 20 mulheres com idade entre 18 e 40 anos no período puerpério e que tivessem no máximo três

partos normais, com a finalidade de verificar a eficácia da fisioterapia por meio das técnicas dos exercícios de ginástica abdominal hipopressiva na recuperação da diástase abdominal grau 3 no puerpério imediato, na redução da DMRA. Nesse estudo a amostra foi dividida em 2 grupos o Grupo Controle (GC n= 10) que foram avaliadas por meio de um questionário fisioterapêutico e não receberam intervenção, sendo apenas avaliadas e reavaliadas entre as 6 e 18 horas pós parto e o Grupo Intervenção (GI n=10) foram avaliadas pelo questionário fisioterapêutico e receberam intervenções em dois momentos 6 e 18 horas pós parto, após as 6 horas fizeram uma serie de 10 repetições de cada exercício e as 18 horas uma serie de 20 repetições de cada exercício.

Continuando o parágrafo supramencionado, o protocolo dos exercícios utilizados consistiu em manobras de reeducação funcional respiratória, alongamento diafragmático e desbloqueio torácico, exercício de ponte associado a contração do MAP, contração isométrica dos MRA, com foco no transverso do abdômen, contração isotônica dos MRA pela flexão anterior de tronco. Os grupos foram comparados antes e após o período de intervenção nas regiões supraumbilical (SU), umbilical (U) e infraumbilical (IU), identificando que houve melhora significativa na redução das medidas da DMRA.

Dorea (2010), em concordância com Mann et al., (2014), trazem em seus estudos que as realizações de contração muscular como exercício de ponte podem ser feitas de 10 a 20 repetições, visto que restabelece de forma significativa a forma física dos MRA.

Dorea ainda em (2010), produziu um ensaio clínico aleatorizado com 16 puérperas com idade entre 18 e 40 anos, sobre a efetividade do tratamento fisioterapêutico no pós-parto vaginal em tratamento hospitalar convencional. Nesse estudo dividiu as participantes aleatórias em dois grupos, onde o Grupo de Tratamento (GT n=8) foi submetido a intervenção fisioterapêutica individual 6 e 18 horas pós parto, com 10 repetições de cada exercício no primeiro horário e 20 repetições de cada exercício no segundo horário, o Grupo de Controle (GC n=8) que não teve intervenção fisioterapêutica, passaram somente pela avaliação as 6 e 18 horas após o parto, quando foi realizada a mensurada a DMRA com paquímetro nesses dois momentos.

Continuando o parágrafo supramencionado, o protocolo dos exercícios realizados consistiu em orientar inicialmente a participante a realizar padrões ventilatórios diafragmáticos, após isso contração isométrica dos músculos abdominais, dando ênfase ao transverso do abdômen e a contração isotônica dos músculos oblíquos do abdômen através da flexão anterior de tronco combinados a movimentos rotacionais. Os grupos foram comparados antes e após o período de intervenção da DMRA, destacou a importância do fisioterapeuta na influência da melhor recuperação no pós-parto, visto que observaram que houve melhora significativa na boa recuperação e na tonicidade da musculatura abdominal das puérperas, constatando uma redução das medidas da diástase, tanto infraumbilical quanto supraumbilical na fase do pós-parto imediato.

Em seu estudo Rett et al., (2012), descreveram o perfil das puérperas, assim como os protocolos de avaliação e conduta no pós-parto, em 215 mulheres entre 24 e 25 anos, as participantes foram avaliadas individualmente, respeitando o tempo 6 ou 8 horas após o parto vaginal e cesáreo, as condutas tinham duração de 30 min, durante duas vezes por semana, no período de 6 meses, num total de 40 sessões mensais. Em relação ao protocolo foram realizadas reeducação diafragmática, abdominais isométricas por meio da sucção abdominal sustentada por 3 a 5 segundos, contrações fáscias e tônicas do AP, movimentos alternados de dorsiflexão e Plantiflexão, massagem abdominal, deambulação precoce

Os autores supracitados pactuam em seus estudos quando utilizam os exercícios de ginástica abdominal hipopressiva na recuperação da diástase abdominal grau 3 no puerpério imediato, por meio de contrações abdominais 6 e 18 horas após o parto, sendo a primeira sessão com 10 repetições de cada exercício do tratamento e avaliação e a segunda sessão o tratamento com 20 repetições e reavaliação, visto que enfatizam que o período de pós-parto imediato é o mais indicado para a intervenção na redução significativa da DMRA.

  1. CONCLUSÃO

O tratamento da DMRA está direcionado em diminuir o afastamento entre os músculos, melhora o tônus e a força muscular, diminui a incapacidade funcional a qual limita as atividades da vida diária quando passa a comprometer estrutura de coluna lombar. Após pesquisa de alguns autores, percebe-se que os exercícios de ginástica abdominal hipopressiva na recuperação da diástase abdominal grau 3 no puerpério imediato se mostra positiva no tratamento da DMRA, tendo em vista que a técnica citada utiliza diferentes tipos de exercícios para tratar os danos causados pela doença, isso posto, certificou-se que a redução da DMRA por meio da cinesioterapia é eficaz na melhora do quadro das puérperas.

Os exercícios de ginástica abdominal hipopressiva na recuperação da diástase abdominal grau 3 no puerpério imediato, é uma opção de intervenção relevante para pacientes com DMRA com menos de 5 cm de afastamento, estudos tem se mostrado benéficos na sua prática sobre aspectos importantes como uma melhor qualidade de vida. Mediante a essa tangível verificou-se ainda a necessidade de um maior número de pesquisas com uma maior quantidade de participantes para fundamentar aos poucos os estudos sobre a temática abordada. Presumível base de trabalho para educação e saúde dos indivíduos que ainda necessitam de esclarecimento.

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