Ex-Vasco trocou futebol pela fisioterapia.

Victor dividia a adolescência entre o sonho de ser jogador de futebol e fisioterapeuta. O talento para a lateral esquerda o levou a escolher o primeiro. Victor virou Victor Boleta e passou por Vasco e depois Fluminense. Quase 20 anos depois de ter feito a escolha, ele está aposentado dos gramados e reencontrou o antigo sonho. O agora “doutor Victor Lucky” é fisioterapeuta em uma clínica na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

“Eu nunca deixei o sonho de ser fisioterapeuta de lado. Comecei a faculdade com 19 anos, mas por causa do futebol tranquei a matrícula várias vezes. Quando resolvi parar de jogar em 2011, reabri de vez e terminei. Em quatro anos eu estava formado”, explica Victor, que recentemente terminou a pós-graduação em anatomia.

Praticamente desconhecido por quem frequenta a clínica, Victor garante que o anonimato o agrada mais que o período em que era conhecido por ter sido lateral do Vasco. Ser mais um na multidão o permite caminhar em paz pelas ruas do Rio de Janeiro.

“Nunca dei muita importância para fama. Isso para mim era indiferente, até preferi voltar a ser alguém anônimo. Preferi quando comecei a ir aos lugares e me tornei normal, andar na rua e as pessoas não saberem quem eu era. Na fisioterapia é muito difícil as pessoas me reconhecerem. Às vezes, sim, mas é difícil, até porque já passou muito tempo. Mas alguma pessoa andar na rua e me reconhecer é muito difícil. Até acontece, mas é muito raro”.

O glamour do futebol ficou para trás, assim como a impressão de quem acha que todo jogador de futebol ganha muito dinheiro. “Apesar de eu ter tido um período de reconhecimento por estar no Vasco, eu não ganhei dinheiro com o futebol. Era uma outra época. O lugar em que tive um salário bom era no Fluminense, no Vasco, não recebia bem. Mas no Fluminense, o dinheiro que eu peguei, comprei minha casa. Não ganhei dinheiro com o futebol, não tive uma sequência, então, não ganhei dinheiro para conseguir viver com ele”.

Longe do futebol, Victor chegou a trabalhar por dois anos como taxista para pagar a faculdade de fisioterapia. A renda na época era completada com a atuação no futebol de sete, em que atuou no Flamengo e chegou a ser campeão mundial com a seleção brasileira da modalidade.

“Tomei a decisão de parar, mas nunca trabalhei com nada na minha vida, só tinha jogado futebol. Então, eu tinha que fazer dinheiro para pagar minha faculdade, minhas contas, mas eu não sabia o que fazer. Tive um amigo taxista e ele me deu a ideia. Conversei com meu pai, ele comprou o carro e eu caí para dentro do táxi. Com o dinheiro do táxi, eu pagava minhas contas. Era uma época em que o táxi era bom, não tinha aplicativo, então realmente dava para tirar um dinheiro bom.”

Mesmo como fisioterapeuta, Victor teve uma chance de voltar a trabalhar com futebol, na parte de fisioterapia das categorias de base do Botafogo, mas voltar para a rotina de viagens não é algo que passa pela cabeça dele no momento. “A rotina me cansou muito. As coisas que eu não podia fazer, como me reunir com a minha família, eu não queria voltar para isso”.

Passagem pelo Fluminense foi o “adeus aos grandes”

Durante os 10 anos de carreira, Victor atuou por quase 20 times, mas foi no Vasco que teve o maior destaque. O lateral esquerdo foi titular na reta final do Brasileirão 2003 e em parte do Carioca de 2004. De lá, foi emprestado pelo Madureira para o Fluminense, onde apenas “esteve”, como diz. “Eu só fiquei no Fluminense, não joguei. Na minha estreia no Maracanã, fui muito mal. No final de semana seguinte já era um Fla-Flu e eu nem fui mais relacionado. Fiquei encostado. O jogador quando não está jogando acaba sendo esquecido”.

A passagem pelo Fluminense foi a última em um dos times chamados de grande no Brasil. Ele ainda chegou a passar por clubes com muita torcida, como Bahia e Ceará, mas o período de destaque tinha ficado no passado. Aos 30 anos, a vontade de jogar bola também.

“Eu decidi me aposentar porque não já estava satisfeito com o futebol, estava me enchendo o saco. Um dia eu estava treinando no Olaria para o Carioca e decidi chamar meus pais e falei: ‘parei de jogar, não quero, não tenho mais prazer em jogar bola. Vou reabrir minha matrícula na faculdade, chega de futebol'”.

Perto de completar 40 anos, Victor diz ter se realizado como jogador de futebol, mas acredita que poderia ter ido um pouco mais longe na carreira. “Poderia ter me mantido em clubes grandes por um período maior. Cheguei no Vasco, joguei, mas depois da minha passagem para o Fluminense, as coisas não andaram. Eu sumi um pouco do mercado, e já começou a dificuldade em conseguir bons clubes”.

“E aí comecei a desanimar, já estava fazendo 27 anos, não estava com muita perspectiva de voltar para uma grande equipe. Eu sempre fui muito autocrítico, já estava vendo que estava tendo dificuldade em relação ao meu rendimento, vendo que não estava rendendo o que podia. Peguei uns times do interior da Bahia, umas experiências que eu falei ‘não preciso ficar passando por isso, não. Vou fazer minha faculdade, dar atenção para o outro sonho que eu tive e chega'”, completou.

Fonte: https://www.uol.com.br/esporte

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