EVIDÊNCIAS CLÍNICAS PARA O MANEJO DA DOR MUSCULOESQUELÉTICA EM IDOSOS

Dr. Lucas Araújo de Almeida (SP)
Fisioterapeuta; Doutorando em Fisioterapia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); Especialista em Dor (UFSCar); Fisioterapeuta do Centro de Referência Interdisciplinar em Dor (UFSCar).
PALESTRANTE CONFIRMADO

Contextualização: O crescimento da população idosa é um fenômeno mundial. Estima-se que até 2050, aproximadamente 30% da população brasileira será constituída por idosos. Embora a dor não faça parte do processo natural de envelhecimento, cerca de 25% a 50% da população idosa que vive em comunidade se queixa de algum tipo de dor crônica, enquanto que 80% dos idosos que vivem em casas de repouso relatam dor.

Desenvolvimento: A dor geriátrica crônica é definida como experiência sensorial e emocional desagradável associada a uma lesão tecidual real ou potencial risco de lesão ou descrita como tal, vivenciada por pessoas a partir de 65 anos, por pelo menos 3 meses. Diferente do senso comum, a dor crônica não é um resultado inevitável do envelhecimento, mas da interação entre estilo de vida, fatores genéticos, nutrição e apoio social e familiar. Devido à sua complexidade, a literatura recomenda uma abordagem multidisciplinar e multimodal para o manejo da dor crônica, especialmente em idosos. A primeira linha de tratamento da dor crônica são as abordagens conservadoras, também conhecidas como não invasivas representadas pelo tratamento farmacológico, reabilitação física e consultas psicológicas. O conjunto de estratégias de educação em neurociência da dor também consiste em abordagem não invasiva que apresenta benefícios quando combinada com reabilitação física. As intervenções cirúrgicas são classificadas como tratamento invasivo e, se devidamente indicada, também apresentam resultados satisfatórios.

Considerações finais: As evidências recomendam a adoção de uma abordagem biopsicossocial, com terapêuticas multimodais no manejo do idoso com dor crônica para alcançar o resultado mais eficaz nas diferentes dimensões da dor. Os tratamentos conservadores apresentam alto grau de evidência e devem ser considerados a primeira linha de tratamento. A reabilitação física é considerada com melhor custo/benefício devido a seu baixo custo e menores efeitos indesejáveis para o idoso. É importante ressaltar ainda que a aliança terapêutica e envolvimento do idoso e dos familiares como parte ativa da reabilitação são fatores fundamentais para melhores desfechos clínicos.

Leitura complementar:

Kaye AD, Baluch AR, Kaye RJ, et al. Geriatric pain management, pharmacological nonpharmacological considerations. Psychol Neurosci. 2014;7(1):15-26. doi:10.3922/j.psns.2014.1.04

Ali A, Arif AW, Bhan C, et al. Managing Chronic Pain in the Elderly: An Overview of the Recent Therapeutic Advancements. Cureus. 2018;10(9):e3293. Published 2018 Sep 13. doi:10.7759/cureus.3293

AGS Panel on Persistent Pain in Older Persons. The management of persistent pain in older persons. J Am Geriatr Soc. 2002;50(6 Suppl):S205‐S224. doi:10.1046/j.1532-5415.50.6s.1.x

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