Estou grávida, como prevenir a diástase abdominal?

A diástase abdominal consiste no afastamento dos músculos do abdome e da fáscia (tecido que conecta os músculos – Linha Alba) bem no meio do abdome em uma linha vertical.

Em uma pesquisa recente de 2019, 33% das gestantes apresentaram esse afastamento no segundo trimestre de gestação, e 100% no terceiro trimestre. Após o parto, cerca de 23 a 32% das mulheres permaneceram com a diástase por mais um ano.

Na gravidez ocorrem muitas mudanças hormonais que alteram a elasticidade dos músculos e fáscias. O útero aumenta de tamanho, a postura e o centro de gravidade se modificam ao longo dos trimestres e a pressão interna do abdome vai crescendo, portanto, é esperado um alongamento dos músculos do abdome e da linha alba. No entanto, há um limite numérico funcional para esse afastamento e alongamento dos músculos.

Profissionais de saúde especializados em gestantes são aptos a fazer a avaliação física para palpar o abdome e avaliar o quanto os músculos se afastaram. É considerado patológico quando há uma distância acima de 1,5 cm na porção superior da linha alba, 2,2 a 3 cm acima do umbigo.

Quais os problemas envolvidos na diástase abdominal?

  • Prejudica o funcionamento adequado dos músculos: gera fraqueza muscular pois um músculo muito alongado e sem a direção correta das fibras perde eficiência e qualidade de contração.
  • Gera dores e problemas uroginecológicos: a fraqueza, por sua vez, pode gerar instabilidade postural, dores lombares, pélvicas e lombopélvicas. Há evidências de que se relacionam a problemas uroginecológicos como a queda de órgãos pélvicos (prolapsos). A fáscia tem função importante na manutenção dos movimentos da coluna e equilíbrio da pressão intra-abdominal. Esta pressão aumenta quando tossimos, fazemos força ou carregamos pesos excessivos, caso haja um alongamento em excesso há a perda dessa capacidade de estabilização.

Prevenção da diástase abdominal Se a diástase abdominal gera tantos problemas ortopédicos e uroginecológicos, como podemos previní-la? Uma das maiores crenças envolve o fato de que muitas mulheres acreditam que fazer exercícios físicos pré e durante a gravidez é a garantia certa de que jamais irão desenvolver a diástase, o que é um MITO.

Infelizmente, não há uma receita pronta que previna a diástase, a ciência não tem um consenso sobre um método mais eficaz.

E isso acontece pois é importante entender que o corpo de cada mulher se desenvolve de forma distinta na gravidez, sofrendo influências hormonal e genética diferentes, com memórias de movimento, consciência corporal e rotinas completamente variadas.

Vamos listar 3 dicas importantes para você que acha que tem diástase ou tem medo de ter na sua gravidez:

1. Procure um fisioterapeuta especializado em obstetrícia: esse profissional está apto a avaliar e fornecer a conduta específica para o seu caso. Há diversos programas de prevenção e tratamento, entre eles: fortalecimento do músculo transverso e reto do abdômen, treino postural, exercícios respiratórios, reeducação postural, Pilates, treino funcional, técnicas de Tupler, ou de Noble e terapia manual. Qual é o melhor para você? A escolha da melhor abordagem é viável apenas após uma avaliação individualizada que analisa suas deficiências, vícios posturais e comportamentais.

2. NÃO faça abdominal tradicional de erguer a cabeça e o tronco na posição deitada tampouco faça abdominal lateral. Esses exercícios aumentam a pressão interna do abdome e pioram a diástase quando não bem orientados! Se você já pratica exercícios, pode continuar fazendo os exercícios de braços e pernas.

3. NÃO faça exercícios de alto impacto e/ou que não permitam a continência urinária, ou seja, exercícios que facilitem o escape de urina! Entenda que o escape de urina significa que a pressão abdominal está muito alta e os músculos do abdome e do períneo (músculo que segura o escape de urina) não aguentam lidar com essa pressão, prejudicando a tensão gerada na linha alba.

*Colaboração da

Dra. Renata Luri, Doutora pela UNIFESPda

Dra. Angela May, Fisioterapeuta Especializada em Saúde da Mulher pela UNICAMP.

Fonte: https://paolamachado.blogosfera.uol.com.br

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