Coluna | Dr. José da Rocha

Olá amigos. A NovaFisio tem como objetivo oferecer os conteúdos de melhor qualidade em relação a tudo que diz respeito à fisioterapia. Dentro desse contexto se insere a magnitude dos artigos científicos. Nesta edição, o espaço reservado às publicações está vazio. Por que?É necessário criar a cultura de incentivo à pesquisa na nossa categoria, principalmente depois que o viés acadêmico passou a ser uma questão de fundamental importância para o crescimento da profissão.

O fisioterapeuta precisa ler mais, pesquisar mais e, por consequência, publicar mais e, com qualidade, dar visibilidade ao seu trabalho; todos ganham com isso.

Para tal, a editoria científica da NovaFisio está empenhada em incentivar a publicação de artigos de excelência. Não temos a intenção de dificultar o acesso aos trabalhos, mas, sim, orientar e ajudar para que o resultado seja compatível com o nível que queremos alcançar; não publicaremos qualquer coisa somente para preencher espaço.

Os trabalhos que recebemos até agora, foram lidos e devolvidos para que fossem adequados às normas de publicação e modificação de conteúdo que tornassem o artigo viável. Infelizmente, nenhum deles foi submetido novamente após as orientações, o que é uma pena.

Escrever não é difícil, mas criar o hábito da pesquisa científica é um trabalho passo a passo e permanente. A maioria dos textos recebidos foi de autoria de acadêmicos de fisioterapia, mas, infelizmente, as orientações mostraram-se equivocadas; observa-se, assim, que o problema começa ainda na graduação.

Para revisão bibliográfica, não se pode considerar compatível uma análise com poucas referências, não se pode avaliar artigos muito antigos e novos, a não ser que se trate de um levantamento histórico e isso deve ficar claro no título do trabalho. O título tem que ser enxuto e dizer claramente sobre o que se trata. A escolha correta é o ponto de partida de um artigo bem feito. O segundo ponto é o resumo. Apesar de ser a última etapa da elaboração do artigo, ele dá a visibilidade necessária à adequação do trabalho. Pode ser muito bom, mas se o resumo for ruim, não será atraente a leitura do texto; por vezes, ocorre o contrário.

No caso de pesquisa de campo ou estudo de caso é fundamental que ele seja reprodutível, se não o for, não tem valor acadêmico. Por esse motivo a metodologia (materiais e métodos) deve ser detalhada minuciosamente sem deixar escapar nada (marca de instrumentos, quantidade de repetições, carga, intensidade de corrente, tempo de ação, tempo de repouso etc), tudo é importante. Infelizmente, os artigos pecam muito nesse aspecto e na discussão, invalidando a pesquisa.

O artigo científico deve ter início, meio e fim com coerência entre os tópicos. Sendo assim, a conclusão é de suma importância no fechamento do texto. Colocar que mais pesquisas devem ser realizadas é um lugar comum, pois é óbvio que sempre haverá a necessidade de pesquisar mais. A verdade científica de hoje pode não ser amanhã. Uma evidência científica A necessita de milhares de publicações com milhares de casuísticas em diversos países diferentes e com as mesmas tendências conclusivas; é uma tarefa árdua, mas se cada um contribuir com a sua pesquisa, estará colaborando para o resultado final.

Aspectos éticos e bioéticos dificultam as pesquisas da fisioterapia com pacientes, mas não impedem. A medição da intensidade e da força nas técnicas manuais é, praticamente, impossível. Entretanto há várias alternativas, vários caminhos que podemos seguir. Quem publica, tem que ter a consciência de se expor e isso faz parte do crescimento; a polêmica respeitosa e construtiva é saudável e ajuda a evolução dos princípios científicos da fisioterapia. Não tenham medo de se mostrar; é muito mais importante ter a coragem de evidenciar uma pesquisa bem feita do que a acomodação de não fazer nada e criticar o colega que faz. Essa cultura na fisioterapia vai acabar.

Na próxima edição teremos esse espaço ocupado. Estou à disposição para ajudar e orientar os trabalhos enviados. Tenho certeza de que há muito material guardado pelo país que precisa ser mostrado, visando o crescimento de todos nós. Contem comigo sempre de forma imparcial e respeitosa.

Até a próxima
Dr. José da Rocha | joserochacunha62@gmail.com

Revista NovaFisio | Ano XXII – Nº 102 – julho de 2018

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2 comentários em “Coluna | Dr. José da Rocha”

  1. Thaynná de Oliveira

    Bom dia, você citou sobre a pouca base bibliográfica utilizada em revisões, como você encara este mesmo aspecto em uma pesquisa de campo?

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