Equipa faz tratamentos de fisioterapia gratuitos a idosos de S. Pedro do Sul

De segunda a sexta-feira, idosos de S. Pedro do Sul aguardam ansiosamente a chegada da Helena, da Beatriz e da Elisabete e dos tratamentos de fisioterapia que elas lhes vão fazer a casa ou às instituições que frequentam.

As três constituem a equipa do programa “Mais Saúde”, criado pela Câmara de S. Pedro do Sul para apoiar os munícipes com poucos recursos financeiros ou com dificuldades de acesso aos tratamentos de fisioterapia.

A equipa anda no terreno há cerca de um ano e tem feito os tratamentos, gratuitos, a uma média de 35 utentes de várias freguesias do concelho, o que lhes preenche a agenda de segunda a sexta-feira.

A vereadora na Câmara de S. Pedro do Sul Teresa Sobrinho disse à agência Lusa que se o programa não tivesse sido criado estes idosos não conseguiriam aceder aos tratamentos.

“Estamos a falar de pessoas com pensões na ordem dos 200, 300 euros, no máximo, que têm despesas decorrentes da sua vida normal do dia-a-dia e não sobraria nenhuma verba para poderem atender a estes casos pontuais e, às vezes, prolongados”, considerou.

Teresa Sobrinho congratulou-se com o sucesso deste programa, que tem conseguido dar resposta a todas as solicitações.

“Permitimos às pessoas uma qualidade de vida diferente da que tinham. E elas ficam muito satisfeitas, porque estar um ano acamado e de repente conseguir começar a andar é uma grande alegria”, frisou.

António Gomes, de 86 anos, é um dos utentes que a equipa vai tratar no domicílio, onde vive com a esposa, de 83 anos, Lisdália Ana.

Além de problemas respiratórios, o idoso fraturou uma perna e, quando regressou a casa do hospital, ficou acamado e não tinha possibilidades financeiras para pagar tratamentos de fisioterapia.

Agora, já se levanta e vai dando uns passos com a ajuda do andarilho, o que o leva elogiar este apoio dado pela Câmara e a competência da equipa.

“Já tenho dito: se ela tem vindo para cá desde que vim do hospital, eu já andava lá fora, já andava a passear”, disse o idoso, apontando para a fisioterapeuta Helena Martins e para a rua que via da janela da sala.

Helena Martins, fisioterapeuta há 17 anos, trabalhava nas Termas de S. Pedro do Sul, foi transferida para a Câmara e integrou este projeto.

“Apesar de ser diferente, não deixa de ser também um trabalho muito gratificante. Deslocamo-nos a casa das pessoas, temos um contacto muito direto”, contou, acrescentando que, muitas vezes, são as únicas pessoas que entram em casa de idosos que vivem em locais isolados.

A fisioterapeuta recordou um dos casos de sucesso, de uma idosa que tinha fraturado a coluna, estava totalmente acamada e “passava os dias todos numa cama a olhar para as paredes”.

“Hoje, claro que não consegue ter uma autonomia total, mas através do andarilho já vai à casa de banho, faz a sua higiene e vai à mesa almoçar e jantar”, referiu.

O centro de dia da associação de solidariedade social Arca, de Santa Cruz da Trapa, é outro dos locais de paragem obrigatória uma vez por semana.

Neste momento, a equipa trata quatro utentes da instituição, que foram vítimas de acidente vascular cerebral (AVC) ou que sofrem de problemas nos ossos habituais nas idades avançadas.

José Augusto Roque, assistente social da Arca, sublinhou que “tem sido um apoio muito bom”, porque, além das melhorias físicas dos idosos, “mesmo em termos psicológicos eles sentem que afinal é possível ter uma qualidade de vida um pouco melhor e conseguirem fazer algumas tarefas que antes tinham mais dificuldade”.

“É sempre muito melhor que um ‘gajo’ fica. Ao outro dia até caminha melhor e tudo”, admitiu José Silva, depois de ter feito o tratamento que o está a ajudar a recuperar de um AVC.

“Elas fazem o trabalhinho delas muito bem feito e são muito simpáticas para as pessoas”, disse, por seu turno, Serafim Gomes, de 90 anos, que tem andado a tratar das artroses nas costas e nas pernas e do braço que ficou paralisado depois de um AVC.

Este apoio pode ser solicitado no Gabinete de Atendimento ao Munícipe da Câmara de S. Pedro do Sul, devendo ser apresentados documentos que comprovem a situação financeira e uma declaração médica relativa à necessidade dos tratamentos.

AMF // SSS

Lusa/fim

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