ENTREVISTA DE CAPA com Dr. Clynton & Dra. Vera.

Fisioterapeuta, chegou o Fisio.app | Aplicativo para fisioterapeutas. Baixe agora mesmo em www.fisio.app,

DR. CLYNTON LOURENÇO CORRÊA (RJ)

Professor Associado da Universidade Federal do Rio de Janeiro; Mestre e Doutor em Ciências Morfológicas; Professor do Programa de Mestrado e Doutorado em Educação Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro; Sócio-fundador da Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional (ABRAFIN); Editor Associado da Revista Pesquisa em Fisioterapia e da Revista Fisioterapia em Movimento; Coordenador do Grupo de Estudos na Doença de Parkinson (GEDOPA)

www.gedopa.com.br

DRA. VERA LÚCIA SANTOS DE BRITTO (RJ)

Profa. Assistente do Curso de Fisioterapia da UFRJ; Diretora técnica e proprietária da Clínica ReabiliBarra; Doutoranda na Escola de Educação Física e Desporto-UFRJ; Membro do GEDOPA;

Membro da ABRAFIN.

Como o Grupo de Estudos na Doença de Parkinson (GEDOPA) foi criado?

Clynton: Em 2011 eu regressei para a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nas Universidades que eu atuei antes de voltar para o Rio (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha – Diamantina, Minas Gerais e Universidade Federal do Paraná – Matinhos, Paraná) eu desenvolvia minhas atividades docentes (assistência, ensino, pesquisa e extensão) em temas relacionados à fisioterapia neurofuncional, mas não especificamente na doença de Parkinson. Isso ocorreu pois as cidades eram pequenas, com menos de 100 mil habitantes. Assim, eram poucos os casos de pessoas com a doença.

Ao voltar para o Rio de Janeiro, decidi investir na pesquisa científica na doença de Parkinson. Desde o início a ideia foi indissociar o ensino, a pesquisa e a extensão, conhecidos como o tripé universitário. Nesse caso, idealizei o meu plano docente centrado no tema “doença de Parkinson”. Antes da criação propriamente dita do GEDOPA eu já idealizava um espaço com identidade própria, que pudesse representar um coletivo, e não única e exclusivamente a minha imagem. Assim, foi concebido o GEDOPA para realização das atividades de ensino, pesquisa e extensão sobre a doença de Parkinson.

Oficialmente o GEDOPA foi criado em 21 de setembro de 2011 com profissionais da saúde e estudantes do curso de Fisioterapia em interesse sobre o tema. Foi bem interessante esse começo, pois naquela ocasião eu não estava credenciado em nenhum Programa de Pós-Graduação no Rio de Janeiro. Os profissionais sabiam, mas mesmo assim optaram por participar dos seminários semanais para discutir temas relacionados à fisioterapia e doença de Parkinson.

Como foi o início da pesquisa no GEDOPA?

Clynton: Como eu expliquei anteriormente o início da pesquisa no GEDOPA coincide com a minha trajetória docente na UFRJ. Nas minhas atividades docentes na UFRJ eu investi em dois tipos de pesquisa científica: a pesquisa básica (modelo animal) e a pesquisa clínica. Para o estabelecimento da pesquisa básica contei com a grande ajuda da professora Silvana Allodi que muito gentilmente me acolheu no Laboratório de Neurobiologia Comparativa e do Desenvolvimento, no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ chefiado por ela. Consegui estabelecer a linha de pesquisa “Doença de Parkinson e neuroproteção após exercício físico”. Para a pesquisa clínica iniciei as atividades no Serviço de Fisioterapia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho e depois transferi minhas atividades para o Instituto de Neurologia Deolindo Couto, onde as atividades são realizadas até os dias de hoje. Durante os estabelecimentos dos projetos de pesquisa consegui meu credenciamento junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação Física da UFRJ. Hoje desenvolvemos projetos de iniciação científica, mestrado e doutorado além de participar de estudos multicêntricos e colaborar em qualificações e bancas de mestrado e doutorado em centros de pesquisa, bem como, participação em sociedades científicas.

Como foi a trajetória para o GEDOPA ser uma das referências no cenário nacional sobre a pesquisa em Fisioterapia na doença de Parkinson?

Clynton: A trajetória sempre foi de superação mas tivemos, e continuamos tendo, muitas parcerias que ajudam a superar os obstáculos. Falo no plural, pois desde o início existe muita ação colaborativa entre os participantes. As dificuldades são inúmeras para que possamos conduzir pesquisa, ensino, assistência e extensão. Ainda bem que tive a felicidade de encontrar pessoas com ideais semelhantes que acreditam no projeto GEDOPA, quer sejam estudantes, pesquisadores, pacientes ou colaboradores. O GEDOPA é uma rede do fazer o bem! Acredito que o nosso ingrediente seja a superação dos desafios, o planejamento das nossas múltiplas ações (assistência, ensino, pesquisa e extensão) e o protagonista dos nossos colaboradores (estudantes, profissionais, pacientes e a sociedade).

Você mencionou algumas vezes a Extensão. Quais ações são feitas pelo GEDOPA nessa área?

Clynton: Fico feliz por perguntar sobre isso! A Extensão é um segmento do GEDOPA muito importante! São ações que desenvolvemos para o extramuro da Universidade! São ações com o intuito de estabelecer um diálogo com a sociedade e, dessa forma, conscientizar a sociedade sobre a doença de Parkinson. Esse processo dialógico também é um processo educativo, pois as pessoas conhecendo, saberão como lidar com as pessoas que tem a doença de Parkinson. As ações de Extensão são capitaneadas pela professora Vera Lúcia Santos de Britto, que juntou-se ao GEDOPA e tem contribuido muito para compartilhar o conhecimento com a sociedade! As nossas ações de Extensão, assim como os projetos de pesquisa nascem de nossas experiências na assistência para as pessoas com doença de Parkinson, seus familiares e cuidadores.

O que motivou o GEDOPA a criar o Projeto – Educação e Saúde na doença de Parkinson: cuidando dos pacientes, familiares e cuidadores?

Vera: Durante alguns anos tivemos no ambulatório do GEDOPA, vinculado ao Serviço de Fisioterapia do Instituto de Neurologia Deolindo Couto (INDC)/UFRJ, as terças e quintas, a experência de um atendimento interprofissional. Tivemos a parceria da Residência Multiprofissional de Saúde do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho(UFRJ)/UFRJ e assim ficamos totalmente estimulados pelo cuidado Multiprofissional na doença de Parkinson. As famílias e cuidadores, bem como os alunos de graduação participavam das dinâmicas e daí surgiu a idéia de montarmos um projeto de extensão.

Dessa forma, nós professores do Curso de Fisioterapia e membros do GEDOPA responsáveis pelo Projeto, conseguimos beneficiar tanto a parte acadêmica, pela exigência curricular, bem como toda uma sociedade!

Quem são os responsáveis pelo projeto?

Vera: Eu, profa Vera Britto, Fisioterapeuta, sou a coordenadora geral e o prof. Clynton Correa o gestor, porém temos muitos colaboradores parceiros, como profissionais que atuam no INDC, no HUCFF, Instituto de Psicologia/UFRJ, Faculdade de Farmácia/UFRJ e Escola de Enfermagem Ana Nery/UFRJ, além dos alunos de extensão!

Qual é o propósito do Projeto?

Vera: Promover uma uma prática integrativa, horizontal do saber, onde vários profissionais de saúde se propõem a levar conhecimento do que seja a doença de Parkinson, bem como a abordagem dos cuidados Multiprofissionais qualificados e otimizados na doença de Parkinson. Dessa forma, esperamos proporcionar aos envolvidos estratégias que priorizem ações educativas, fazendo deles protagonistas do saber e os estimulando a serem multiplicadores do conhecimento para toda uma sociedade continuamente.

A qual público, ele se propõe?

Vera: O mais importante de uma ação extensionista é alcançar um público além dos muros das Universidades e conosco não poderia ser diferente. São pacientes com doença de Parkinson, familiares e/ou cuidadores, profissionais ou agentes de saúde, estudantes e qualquer pessoa que se interesse pelo cuidado Multiprofissional na doença de Parkinson.

Há quanto tempo o projeto existe?

Vera: Desde outubro de 2016.

O que vocês poderiam descrever como os maiores desafios e benefícios desse projeto?

Vera: O primeiro desafio é com a divulgação, ou seja chegar a informação para o maior número de pessoas. O segundo, nós temos uma cartilha, que estamos tentando em parceria com a Escola de Comunicação disponibilizá-la On-line e assim beneficiaríamos toda uma sociedade, pelo seu alcance, mas ainda nao conseguimos finalizá-la! E um terceiro desafio será a implementação do projeto no ambiente virtual. Será que os participantes ficarão estimulados? Será que as trocas e os diálogos com os colaboradores serão eficáveis?

Acreditamos que teremos um grande benefício com o projeto de forma virtual, pois pode alcançar um grande número de pessoas, já que a participação dos pacientes foi sempre menor, devido a dificuldade do deslocamento ou até mesmo por não ter um acompanhante.

Um benefício do projeto e acredito ser o maior de TODOS é no ganho de conhecimento tanto dos aspectos clínicos da doença, quanto aos cuidados multiprofissionais.

WEBCOBRAF

No período de Outubro/2020 a Fevereiro/2021, sob a organização do XXIII COBRAF, do 1st International Seminar on Innovative Learning and Healthcare Approaches in Physical Therapy, do 1° Encontro de Fisioterapia nos Distúrbios do Sono e dos eventos parceiros – 5º COBRAFISM, I COBRASFE e COBRASFIPICS, acontecerá o WEBCOBRAF, que consiste em uma série de webinars, que ocorrerão de quinze em quinze dias com diversos temas. Poderão participar do WEBCOBRAF sem custo adicional, todos os que estiverem inscritos no XXIII COBRAF até 5 dias antes de cada webnair. Não perca essa oportunidade! Garanta já a sua participação.

17 DE OUTUBRO

WEBCOBRAF – WEBINAR DE FISIOTERAPIA PEDIÁTRICA
INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO EM FISIOTERAPIA NEUROFUNCIONAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM PARALISIA CEREBRAL COM BASE NA CIF
PALESTRANTES: PartiCipa Brasil & CanChild
17/10/2020 09h30min – 12h00min
Abertura – 5 min de duração
Palestras – 2 horas de duração
Peter Rosenbaum (CanChild, Canadá): F-words para o desenvolvimento da infância e a CIF
Kennea Ayupe (UnB, Brasil): Introdução à avaliação da criança e do adolescente no contexto da CIF
Paula Chagas (UFJF, Brasil): Avaliação dos fatores contextuais de acordo com core-sets da CIF
Robert Palisano (CanChild, USA)/ Hércules Leite (UFMG, Brasil)/ Ana Cristina Camargos (UFMG, Brasil): Avaliação do domínio da Atividade: GMFM, Challenge, Teste de Caminhada de 10 metros e PEDI-CAT
Ana Carolina de Campos (UFSCar, Brasil)/ Egmar Longo (UFRN-FACISA, Brasil): Avaliação do domínio de Participação: PEM-CY e YC-PEM
Aline Toledo (UnB, Brasil)/ Rafaela Moreira (UFSC, Brasil) /Rosane Morais (UFVJM, Brasil): Avaliação do domínio de Função Corporal: EASE, SRT, Teste de Caminhada de 6 minutos, FSA e Mini-mental
Discussão – 20 min de duração
Encerramento – 5 min de duração

1 comentário em “ENTREVISTA DE CAPA com Dr. Clynton & Dra. Vera.”

  1. Aada Teixeira Pinto

    Como integrante do grupo de portadores da doença de Parkinson, gostei muito de conhecer o trabalho do Professor, Clynton e Professora Vera.
    Não tinha ideia do trabalho desenvolvido por vocêss em benefício de tantos seres como eu parksorianos.
    Com minha gratidão meus votos de que esse projeto seja uma fonte de entusiasmo e alegria que se irradiam por toda suas vidas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.