Em Portugal, Fisioterapeutas querem criar um conselho ou “constituir Ordem”

Classe entrega no parlamento petição com 22 mil assinaturas, visando, também, promover uma reflexão acerca do estado da fisioterapia no Serviço Nacional de Saúde.

Os profissionais de fisioterapia estão descontentes com o tratamento que a especialidade tem tido junto da estrutura governamental e vão entregar, esta sexta-feira, uma petição na Assembleia da República, visando a constituição de uma Ordem da classe.

O documento, que conta com 22 mil assinaturas, vai ser apresentado aos deputados para promover uma reflexão acerca do estado da fisioterapia no Serviço Nacional de Saúde.

Para o presidente da Associação Nacional de Fisioterapeutas, Emanuel Vital, a criação de uma Ordem protegerá os interesses dos utentes, porque estão “identificadas situações em que a prática da profissão é exercida por outros profissionais”.

“O que é importante é escutar a voz das pessoas que nos procuram e entender que elas procuram serviços de qualidade. Quando procuram fisioterapia, querem encontrar um fisioterapeuta que lhes preste cuidados de fisioterapia. São identificadas, desde há muito tempo, situações em que a prática da nossa profissão é exercida por outros profissionais e as pessoas sentem essa diferença e querem garantias de que a fisioterapia será realizada por fisioterapeutas. É para isso que serve a Ordem dos Fisioterapeutas: para regular a profissão.”

Emanuel Vital assevera ainda que a regulação da fisioterapia poderá contribuir para o “desenvolvimento profissional e a criação de condições para os trabalhadores se desenvolverem e melhorarem a sua prática”.

Foto: DR
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Uma das críticas que o presidente da Associação Nacional de Fisioterapeutas faz diz respeito à pobre distribuição de especialistas pelo Sistema Nacional de Saúde: “Quando olhamos para o rácio de fisioterapeutas que trabalham no Serviço Nacional de Saúde por habitante, percebemos que Portugal está na cauda, está no terceiro lugar a contar do fim. De 11 mil fisioterapeutas portugueses, 10% ou 11% estão contratados e estão ao Serviço Nacional de Saúde. Isto significa que o desígnio do Sistema Nacional de Saúde para facilitar o acesso e a prestação de cuidados nesta área está um pouco longe de ser concretizado.”

“Queremos acreditar que o senhor ministro, o senhor secretário de Estado-adjunto e toda a equipa governativa já têm em mãos dados suficientes para entender que o Serviço Nacional de Saúde pode poupar imenso, pode ser mais sustentável se utilizar mais recursos de fisioterapia de uma forma adequada”, acrescenta Emanuel Vital.

“Este ano, já pedimos duas vezes uma reunião com o ministro da Saúde para podermos trocar ideias e entender qual é a política do Governo nesta matéria, uma vez que nos tem sido solicitado, por diversas vezes, integrar grupos de trabalho e os resultados desses relatórios não têm saltado à vista. Pior do que isso, na nota explicativa do Orçamento de Estado para a saúde para 2018 está previsto um aumento de cerca de 2% e tal de efetivos de enfermagem e de efetivos na área da medicina e, para as outras áreas, era prevista uma redução de efetivos. Nós notamos aqui uma dissonância entre a estratégia publicada e divulgada em 2016 pelo Ministro da Saúde, que queria apostar fortemente nos serviços de fisioterapia no SNS, e a falta de operacionalização dessa estratégia”, lamenta o presidente da Associação Nacional de Fisioterapeutas.

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