Em entrevista, americano que fez transplante de face fala da nova vida

Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/07/em-entrevista-americano-que-fez-transplante-de-face-fala-da-nova-vida.html

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Aos 37 anos, o americano Richard Norris realizou o transplante de rosto mais complexo até agora, refazendo a face desfigurada por um acidente com arma de fogo. Neste mês, dois anos após a cirurgia, Norris deu uma entrevista para a revista masculina “GQ” em que conta sobre sua nova vida, as dificuldades com os medicamentos e a nova namorada – que conheceu por causa do transplante. Leia a íntegra da reportagem no site da revista, em inglês.

Pelo resto da vida, Norris terá que tomar cinco comprimidos por dia para manter o sistema imunológico com 50% da força: forte o suficiente para evitar vírus e bactérias comuns, mas não tão forte para atacar a nova face. Ele também visita os médicos todos os meses e deve evitar qualquer coisa que atinja o corpo como fumar ou tomar muito sol.

“O Richard é um rato de laboratório. (…) Eu não acho que ele vá um dia ser capaz de trabalhar em uma vida normal. Ele passa seu tempo nos hospitais, com todos apontando para ele, estudando-o. Um chefe não quer alguém que ficará ausente 99% do tempo”, diz a mãe de Richard, Sandra, que também disse à revista que eles estão “abaixo da linha da pobreza”.

A operação de 36 horas de duração, feita entre 19 e 20 março de 2012 no Centro Médico da Universidade de Maryland (leste dos EUA), foi “o transplante de rosto mais extenso realizado até agora, incluindo as duas mandíbulas, dentes e língua”. “O transplante incluiu todos os tecidos moles do rosto, do couro cabeludo até o pescoço, inclusive os músculos subjacentes, que permitem as expressões faciais e os nervos sensoriais e motores”, explicou o chefe da equipe de cirurgiões, doutor Eduardo Rodríguez.

Durante os últimos 15 anos, Norris viveu recluso, usando uma máscara cirúrgica, fazendo compras durante a noite para evitar os olhares dos outros.

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50% de chance
Depois do acidente, Richard ficou sem dentes, nariz e partes de sua língua. Ele podia falar e identificar sabores, mas perdeu o olfato. Quando saía em público, normalmente à noite, se escondia com uma máscara.

Ele passou por dezenas de cirurgias para tentar recuperar sua face, mas eventualmente seu corpo chegou a um limite. Foi quando um de seus médicos sugeriu um transplante de rosto.

O médico Eduardo Rodriguez, que liderou a equipe que fez o transplante, já vinha trabalhando na área há algum tempo. O time explicou todos os riscos, como a rejeição dos tecidos, para todos os familiares. A mãe de Richard, Sandra, lembra do risco de 50% de seu filho morrer durante a cirurgia.

Os tecidos recebidos por Richard eram de Joshua Aversano, um jovem de 21 anos morto após ser atropelado. A família do doador não quis dar entrevistas, mas emitiu um comunicado. “Somos gratos por saber que o legado de Joshua irá continuar através das vidas das pessoas que ele foi capaz de salvar com a doação de órgãos e tecidos”.

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