EFEITOS DA MASSAGEM DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL ASSOCIADA A UM PROGRAMA DE EXERCÍCIOS FÍSICOS EM PARÂMETROS MORFO-FUNCIONAIS DE HIPERTENSOS

EFFECTS OF THE MASSAGE MANUAL LYMPHATIC DRAINAGE ASSOCIATED THE A PROGRAM OF PHYSICAL EXERCISES IN MORFO-FUNCTIONAL PARAMETERS OF ARTERIAL pression subjects.

 

1 Da Silva, Paulo Fermiano: Laboratório de Fisiologia do Exercício da ULBRA – Porto  Velho ⁄ RO (fermiano6@hotmail.com)

2 Rodrigues de Almeida, Helio Franklin: Laboratório de Fisiologia do Exercício da ULBRA – Porto Velho ⁄ RO

RESUMO

Este estudo objetivou verificar os efeitos da massagem drenagem linfática manual associada a um programa de exercícios físicos, em parâmetros morfo-funcionais de hipertensos, na faixa etária de 45 a 60 anos. Formou-se um único grupo de estudo (GE) composto por 8 sujeitos de ambos sexos, sendo este dividido em 2 subgrupos: SGEA (n= 4 sujeitos), que se submeteu a 2 sessões semanais de massagem drenagem linfática manual com duração de 60 minutos cada, associadas a um programa de exercícios físicos, com uma sessão diária de treino neuromuscular e cardiopulmonar de 25 minutos; e SGEB (n= 4 sujeitos), que se submeteu apenas a 2 sessões semanais de massagem drenagem linfática manual, com duração de 60 minutos cada. Para análise estatística dos dados utilizou-se: a) a estatística descritiva para caracterizar a amostra; b) o teste “t” de Student para amostras independentes, para detectar diferenças entre grupos; e c) o teste “t” de Student para amostras dependentes, para analisar diferenças entre pré e pós-teste. Após o período experimental de 5 semanas, o SGEA apresentou diferenças estatisticamente significativas nas variáveis: pressão arterial sanguínea, consumo máximo de oxigênio e índice de massa corporal, com o mesmo não ocorrendo no SGEB.

 

Palavras-chave: Massagem drenagem linfática manual, hipertensão arterial

 

ABSTRACT

 

his study aimed at to verify the effects of the massage manual lymphatic drainage associated the a program of physical exercises, in morfo-functional parameters of arterial pression subjects, in the age group from 45 to 60 years. He/she was formed a single study group (GE) composed by 8 subject of both sexes, being this divided in 2 subgroups: SGEA (n = 4 subjects), that he/she underwent 2 weekly sessions of massage manual lymphatic drainage with duration of 60 minutes each, associated the a program of physical exercises, with a daily session of training neuromuscular and cardiopulmonar of 25 minutes; and SGEB (n = 4 subjects), that he/she just underwent 2 weekly sessions of massage manual lymphatic drainage, with duration of 60 minutes each. For statistical analysis of the data it was used: the) the descriptive statistics to characterize the sample; b) the test “t” of Student for independent samples, to detect differences among groups; and c) the test “t” of Student for dependent samples, to analyze differences between pré and powders test. After the experimental period of 5 weeks, SGEA presented differences significant estatisticamente in the variables: sanguine blood pressure, I consummate maximum of oxygen and index of corporal mass, with the same not happening in SGEB.

 

Word-key:  Massage manual lymphatic drainage, arterial hypertension

INTRODUÇÃO

A Massagem Drenagem Linfática Manual (MDLM), é o modo de  drenar, ou seja, esvaziar o interstício celular e os vasos linfáticos, retirando os líquidos que se encontram dentro destes, através de manobras específicas que visam eliminar os catabólicos produzidos pelo organismo decorrente do metabolismo celular (BALESTRO 2002).

Segundo autor acima citado, a MDLM é empregada com objetivos terapêuticos, estéticos e de relaxamento muscular, uma vez que estimula o funcionamento da circulação sanguínea, do sistema nervoso autônomo, proporciona alívio do stress muscular em geral, tratamento de edemas pós-traumático e pós-cirúrgicos, reumatismo, celulite e menopausa. Para SINGI (2001), tais melhorias são possíveis pelo fato de que, este tipo de massagem aumenta a produção e a movimentação da linfa dentro do interstício celular, fazendo com que os líquidos intersticiais e os conteúdos dos vasos linfáticos, circulem com maior rapidez, facilitando desta forma as trocas gasosas e nutricionais no organismo, devido ao maior aporte sanguíneo no interior do músculo.

Sobre este assunto,  a produção de linfa ocorre toda vez que o interstício celular obtém uma carga muito grande de toxinas do metabolismo das células, ou quando recebe uma pressão externa adversa e se abre para o capilar linfático, promovendo o esvaziamento do liquido intersticial e formando nova linfa (SINGI, 2001). Uma vez produzida, a linfa é transportada via capilares específicos, para os vasos linfáticos, quando então, dutos mais largos a transportam para as veias subclavicular esquerda e direita, levando consigo o resultado do metabolismo celular cujo peso ou tamanho molecular é muito grande ficando impossibilitado de sair por uma vênula. Dessa forma, ela sai por capilares linfáticos passando pelas cadeias ganglionárias, sendo as macro-moléculas fagocitadas, com a linfa purificada retornando ao sangue venoso antes deste chegar ao coração e recebendo o nome do lugar anatômico onde se encontra. Considerando-se que as macro-moléculas são formadas por proteínas, toxinas, sais, hormônios e linfócitos que participam da defesa orgânica na cadeia ganglionária, admite-se que a linfa tem  como função básica defender e limpar o interstício celular (BALESTRO, 2002).

A MDLM, é um valioso mecanismo de auxílio neste mecanismo de retorno venoso e linfático, uma vez que, contrariamente ao sistema cárdio-circulatório, onde o coração funciona como uma bomba contrátil-propulsora impulsionando o sangue pelos dos vasos sanguíneos, o sistema linfático não possui este mecanismo. Assim, para que a linfa possa circular como o sangue, as manobras de MDLM possibilitam a aceleração do retorno venoso ao coração, pois através de técnicas específicas, exerce uma pressão suave nos tecidos musculares, sem interferir nos tecidos e interstícios celulares, estimulando dessa maneira, a eliminação de toxinas, além de resíduos e substâncias oriundas de infecções, bem como, inflamações, espasmos musculares e alterações similares, trazendo vários benefícios orgânicos (Castro, 1974; BALESTRO, 2002).

O sistema linfático se estende por todo o organismo em forma de rede, iniciando-se pelos capilares linfáticos, que confluem para formar os coletores pré-nodais (vasos aferentes). Vários desses coletores, caminham para os linfonodos e quando os deixam, normalmente são em menor números do que quando chegam. Esses coletores caminham para formar os troncos linfáticos que comporão os ductos linfáticos, onde formam os vasos da porção final da drenagem linfática, os quais por sua vez desembocam no sistema venoso (SINGI, 2001).

Neste sentido AIRES (1999), o sistema linfático e um importante auxiliar do sistema venoso, completando a circulação extravascular de fluidos e proteínas, assegurando assim a homeostasia e o volume tecidual, fazendo com que aproximadamente 50% das proteínas plasmáticas retornam ao sistema circulatório. A concentração destas proteínas varia de região para região e depende de aspectos como: a) coeficiente de vasoconstrição dos vasos de troca de cada tecido; b) do tamanho das moléculas; c) da carga individual de cada proteína; e d) da taxa de filtração capilar.

Ainda AIRES (1999), sugere que existe cerca de 10 a 12 litros de fluido no espaço intersticial de um sujeito adulto, que funciona como um reservatório para o compartimento plasmático, e caso esse volume de fluido seja aumentado por retenção urinária ou infusão, o excesso pode passar para o interstício, aumentando o volume, o espaço e conseqüentemente a pressão intersticial. Este processo tecnicamente é denominado edema, e uma vez instituído tem como conseqüência o retardamento nas trocas gasosas e nutricionais entre as células e o plasma.

Segundo o autor anteriormente citado, os tecido subcutâneos se constituem em locais extremamente favoráveis ao surgimento de edemas. O edema subcutâneo é causado pela insuficiência ventricular direita, não sendo detectado clinicamente até que o volume intersticial tenha aumentado acima de 100%, porém causa complicações no organismo tais como: deficiência na nutrição celular, ulceração da pele, desconforto e dificuldade de locomoção, entre outras.

Sobre o referido tema, sabe-se que o edema se desenvolve quando a taxa de filtração capilar supera a taxa de drenagem linfática por determinado período. ou seja, a patogênese do edema envolve um aumento da taxa de filtração ou diminuição do fluxo linfático ocasionado pela pressão capilar, que é secundária em relação a pressão venosa causada por insuficiência ventricular, a qual aumenta a resistência pós-capilar e pode levar a disfunção das válvulas venosas, aumentando a pressão de 20 a 40 mm hg nos capilares venosos da pele e dos membros durante a insuficiência ventricular direita (AIRES 1999; Da Silva, 2004).

Segundo os autores acima citados, outra causa para formação do edema  são processos inflamatórios, os quais alteram as propriedades das paredes capilares provocando um aumento da condutância hidráulica e da permeabilidade a proteínas, desenvolvendo o edema. Considerando que esses dois elementos (fluido e proteína) passam para o espaço intersticial, a única via de remoção destes do referido local é a linfa, por onde as proteínas que escaparam do retorno venoso, podem retornar ao plasma sanguíneo (processo esse denominado linfoedema). Essa situação provoca um crescimento fibrótico/gorduroso causando a congestão da rede capilar, tendo como conseqüências: a) aumento da pressão de filtração; b)   dilatação arteriolar; c) constrição venular; d) aumento da pressão venosa; e) insuficiência cardíaca; f) válvulas incompetentes; g) obstrução venosa; h) aumento do volume total do liquido extracelular; e i) redução da pressão osmótica através da rede  capilar (AIRES 1999).

A congestão na rede capilar aumenta a pressão hidrostática sanguínea (PHS), que leva a uma movimentação excessiva de fluidos para os espaços intersticiais. de modo similar, uma alta pressão sangüínea dentro das veias pode causar um aumento da PHS dentro dos capilares, possibilitando a formação do edema. Inversamente, a melhora no fluxo sangüíneo venoso reduz a pressão sangüínea, e por sua vez baixa a PHS, evitando ou diminuindo o edema (AIRES, 1999).

Neste sentido, AIRES (1999) acrescenta que a adição ou subtração do efeito da gravidade sobre a phs, torna a pressão sanguínea arterial (PSA) nas artérias maior que a pressão nos tecidos que as envolvem. A homeostasia do volume dos fluidos corporais e a regulação a longo prazo da PSA estão intimamente relacionados via mecanismo de feedback: rins/fluidos corporais. O componente central deste mecanismo é o efeito da PSA na excreção renal do sódio e da água, fenômeno este chamado de mecanismo de pressão/natriurese/diurese, o qual permite que manutenção da PSA seja alcançada a longo prazo.

A anormalidade deste mecanismo de pressão/diurese/natriurese pode causar distúrbios no nível de PSA, que é a pressão exercida pelo sangue no interior dos vasos sanguíneos em função da sístole e diástole do coração, ou seja, contração e relaxamento do músculo cardíaco e da resistência vascular oposta ao fluxo sanguíneo (RODRIGUES DE ALMEIDA, 2002).

Segundo alguns autores (OSIECKI, 1997; PITANGA, 1998), a hipertensão arterial sanguínea (HAS) é um dos principais fatores para que ocorra o surgimento de doenças cardiovasculares nas populações de maneira geral, constituindo-se num problema de saúde pública mundial, com dados epidemiológicos sugerindo que milhões de pessoas no mundo apresentam alterações tensionais elevadas, o que pode resultar em diversas cardiopatologias. A maioria dos estudos mostra que pratica do exercício físico aeróbico exerce efeito significativo anti-hipertensivo em virtude da redução neural simpática, reduzindo o tônus simpático basal e contribuindo para melhorar HAS (PITANGA, 1998; NIEMAM, 1999).

Isso considerando, uma vez que até onde se pode investigar não se encontrou nenhum trabalho científico investigando os benefícios proporcionados pela MDLM associada a programa de exercícios físicos (PEFA), elaborou-se o seguinte problema de pesquisa: “Quais os efeitos da massagem drenagem linfática manual associada a um programa de exercícios físicos em parâmetros morfo-funcionais de sujeitos hipertensos?”

Justificativa

Sabe-se que a HAS constitui-se num problema de saúde pública mundial, sendo um dos principais fatores para que ocorra o surgimento de doenças cardiovasculares nas populações de maneira geral (RODRIGUES DE ALMEIDA, 2003). Isso considerando, admite-se que uma grande quantidade de recursos financeiros é destinada ao desenvolvimento de estratégias que se mostrem eficientes na sua profilaxia ou terapia (PITANGA, 1998). Assim, considerando a falta de estudos pertinentes ao tema, parece claro a necessidade de se investigar quais os efeitos da MDLM associada a um programa de exercícios físicos aeróbicos (PEFA), em parâmetros morfo-funcionais de sujeitos hipertensos.

Objetivos do estudo

Para auxiliar na resposta do problema de pesquisa, elaborou-se os seguintes objetivos: a) analisar os efeitos da massagem drenagem linfática manual, associada a um programa de exercícios físicos em parâmetros morfo-funcionais de sujeitos hipertensos; b) determinar e comparar as alterações nos parâmetros morfológicos: peso corporal total (PCT), estatura (EST) e índice de massa corporal (IMC); c) determinar e comparar as alterações no parâmetro funcional cardiopulmonar consumo máximo de oxigênio (Vo2 max); e d) determinar e comparar as alterações os parâmetros funcionais hemodinâmicos: pressão arterial sistólica (PAS) e pressão arterial diastólica (PAD).

MATERIAL E MÉTODOS

A população deste estudo foi composta por sujeitos hipertensos de ambos os sexos, na faixa etária entre 45 a 60 anos, pacientes do SESI Clinica do Município de Cacoal, sob uso farmacológico para controle da hipertensão.

Após um primeiro contato verbal com a direção da referida instituição, solicitou-se autorização para iniciar o procedimento experimental. A partir de então, realizou-se uma palestra com os sujeitos interessados em participar voluntariamente do experimento, com os mesmos sendo orientados a assinar um termo de consentimento livre e esclarecido, no qual constavam detalhes sobre a realização da pesquisa.

Após tal procedimento, formou-se um único grupo de estudo (GE), com a amostra se compondo de 08 sujeitos, sendo este dividido para fins de análise estatística e discussão, em 02 subgrupos:

a) um sub-grupo experimental A (sgeA), composto  por 04 sujeitos de ambos os sexos, os quais foram submetidos a 02 sessões de MDLM semanais, com duração de 60 minutos cada, associadas a um PEFA, que se compôs de 05 sessões de treino semanais, com duração de 30 minutos cada, sendo executado a intensidades entre 65 a 90% da freqüência cardíaca máxima (FC max); e

b) um sub-grupo experimental B (sgeB) composto por 04 sujeitos hipertensos de ambos os sexos, os quais foram submetidos somente a 02 sessões de MDLM semanais, com duração de 60 minutos cada. Com o objetivo de diminuir e até mesmo evitar possíveis falhas durante o processo de coleta de dados, contou-se com a colaboração de dois auxiliares de enfermagem do SESI clínica e um acadêmico do terceiro período do curso de Graduação em Educação Física, todos devidamente familiarizados com os protocolos de mensuração e equipamentos utilizados neste estudo, assegurando dessa forma a qualidade do quadro de colaboradores para atuar na pesquisa.

As manobras de MDLM, foram realizadas através de técnicas específicas e de maneira individual, conforme proposto por (BALESTRO, 2002). O PEFA foi estruturado com base nas sugestões do ACSM (1987). utilizando-se o método da FC de reserva, com a intensidade de treino variando entre 65 e 90% da FC max. dos sujeitos (KARVONEN, 1957).

Equipamentos e padronizações

Neste estudo, para mensuração dos dados foram utilizados os seguintes equipamentos e padronizações:

Para os parâmetros morfológicos, utilizou-se: a) peso corporal total (PCT), através do protocolo sugerido por Lohman apud RODRIGUES DE ALMEIDA (2002); b) Estatura (EST), através da padronização sugerida por petroski (1999); e c) índice de massa corporal (IMC), através do modelo matemático sugerido por Quetelet apud PITANGA (2000).

Para o parâmetro funcional cardiopulmonar consumo máximo de oxigênio (VO2 max), utilizou-se o protocolo de NUNES (1998).

Para o parâmetro funcional hemodinâmico pressão sanguínea arterial (PSA), foi utilizada a técnica de ausculta conforme sugestão de MION JR, SILVA & MARCONDES (1986).

Tratamento estatístico

Neste estudo os dados foram analisados através dos seguintes procedimentos: a) inicialmente foi realizada estatística descritiva para caracterizar a amostra; b) posteriormente para detectar possíveis diferenças estatisticamente significativas nas variáveis dependentes entre os subgrupos, utilizou-se o teste “t” de Student para amostras independentes; e c) as comparações nos valores das variáveis dependentes durante o período experimental, foram realizadas utilizando-se o teste “t” de Student para amostras dependentes.

Os dados foram processados e analisados utilizando-se o pacote estatístico computadorizado STATISTICA for windows versão 4.3 da Starsoft Incorporation.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Analisando-se as características físicas da amostra, conforme tabela abaixo, não se constatou diferenças estatisticamente significativas entre as médias das variáveis estudadas dos SGEA e SGEB.

Em consonância com os objetivos deste estudo, e de acordo com o tratamento estatístico adotado, apresenta-se na tabela 2, os escores dos pré e pós-testes das variáveis: PAS, PAD, VO2 max e IMC, do SGEA.

Observa-se que quando comparados os escores entre o início e final do período experimental, encontrou-se diferenças estatisticamente significativas em todas as variáveis analisadas, atestando o efeito positivo da mdlm associada ao pefa, na redução da psa.

Um fenômeno diferente ocorreu no SGEB, conforme demonstra a tabela 3, uma vez que, quando foram comparados os escores entre os pré e pós-testes, encontrou-se diferença estatisticamente significativa apenas na variável pas (p= 0,02). Tal fato, mais uma vez sugere o efeito positivo da mdlm, sobre a psa. Porém o mesmo não ocorreu com as variáveis pad (p= 0,05); vo2 max (p= 0,96); e imc (p= 0,21) permitindo pressupor que a mdlm não interfere nas referidas variáveis.

Provavelmente, estes resultados se devam face ao estresse da homeostasia obtido através das atividades motrizes envolvendo mais de 60% da massa muscular esquelética corporal, utilizadas no PEFA. Sobre este assunto, salienta-se que estas foram edificadas sobre as bases biológicas com relação a intensidade, duração e freqüência, com tais pressupostos se respaldando nos trabalhos de Niemam (1999); RODRIGUES DE ALMEIDA (1999); PETROSKI (1999); POWERS & HOWLEY (2000); PITANGA (2000).

Para  os autores anteriormente citados, a obtenção da homeostasia, ou seja, a manutenção de um meio interno corporal constante, é resultante das respostas reguladoras e de compensação do equilíbrio entre as demandas impostas sobre o organismo e suas respostas, nas quais os mecanismos biológicos orgânicos estão interconectados, operando por feedback negativo através dos sistemas de controle corporal, com intuito de manter os parâmetros físicos químicos corporais estáveis.

Outro fator importante a ser observado, é o fato dos sujeitos componentes de ambos os subgrupos de estudo, mesmo com uso farmacológico para controlar a PSA no início do experimento, não conseguirem obter melhorias funcionais sistêmicas acentuadas na mesma. Entretanto, após o final do experimento, obteve-se resultados significativos nas melhorias dos níveis tencionais da referida variável, quando da aplicação da MDLM associada a um PEFA.

Do ponto de vista fisiológico, considerando-se que os vasos linfáticos se estendem anatomicamente por todo o organismo em forma de rede, estando entrelaçados nas veias e artérias do sistema circulatório, estes funcionam como um mecanismo auxiliar do retorno venoso, uma vez que, para evitar o congestionamento no interstício celular, as macromoléculas resultantes do componente catabólico do metabolismo celular que não conseguem retornar ao coração por uma vênula, os têm como único meio de retorno.

neste aspecto parece que a MDLM associada a um PEFA proporciona um valioso auxilio no retorno linfático aliviando o congestionamento e conseqüentemente diminuindo a PSA. Estes pressupostos encontram respaldos nos trabalhos de Castro (1974); AIRES (1999); SINGI (2001); BALESTRO (2002).

CONCLUSÕES

Os resultados obtidos nesta pesquisa, sugerem que a MDLM associada a um PEFA, pode ser uma valorosa terapia auxiliar não farmacológica, no controle da HAS. Parece também, que mesmo quando um sujeito estiver impedido de praticar exercícios físicos, ele pode sim, participar de programas de MDLM e obter resultados significativos na redução dos valores tensionais de PSA, os quais, podem ser significativamente incrementados se forem associados a um PEFA.

Considerando a existência de várias lacunas neste estudo para serem preenchidas, e por tratar-se de uma pesquisa pioneira na investigação da mdlm como terapia não farmacológica e viável ao controle da HAS, acredita-se ter contribuído com a comunidade científica em mais uma opção na homeostasia dos níveis tensionais de PSA.

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