EFEITOS DA CRIOLIPÓLISE NA REDUÇÃO DA LIPODISTROFIA LOCALIZADA

Biatriz Oliveira (1)
Jeffeson Queiroz (1)
Mairla Ávila (1)
Myrlei Vitória (1)
Tays Alves (1)
Vanessa Lima (1)
(1) Discentes do curso de Fisioterapia.

RESUMO
Introdução: A lipodistrofia localizada é uma disfunção estética que apresenta
acúmulo de tecido adiposo em regiões específicas. Tal disfunção lidera os
tratamentos mais procurados na área estética. Como opção de tratamento
apresentamos a criolipólise, um método inovador e não invasivo desenvolvido por
pesquisadores em Harvard nos Estados Unidos. Atualmente, é aplicado por
profissionais fisioterapeutas preparados para o atendimento dermato-funcional.
Consiste em reduzir a lipodistrofia localizada pelo resfriamento das células lipídicas
sem lesar os tecidos vizinhos. Assim, esta técnica não utiliza a aplicação de
anestesia ou substâncias injetáveis. Objetivo: focalizar a técnica de criolipólise e
sua eficácia quanto a redução da gordura localizada, bem como a atuação da
Fisioterapia no pós tratamento. Metodologia: O presente estudo de caráter
exploratório é uma revisão bibliográfica com base em 15 artigos pesquisados nos
sites Scielo, Google acadêmico, PEDro e Medline entre os anos de 2007 – 2017.
Resultados: Os pesquisadores reconheceram a validade significativa e satisfatória
da técnica para a redução de medidas pela estimulação de apoptose através do
resfriamento das células de gordura. No entanto, deve–se o cuidado para prevenir
queimaduras no paciente. Conclusão: A Criolipólise tem mostrado sua eficácia na
queima de gordura localizada reduzindo o número de procedimentos cirúrgicos para
a redução de medidas. Sua aplicação pode reduzir em até 26% do excesso de
tecido gorduroso localizado. Porém, este método apenas pode ser aplicado em
pessoas com peso ideal em relação à altura e idade. Além disso, deve-se esclarecer
o procedimento ao paciente e prevenir lesões cutâneas.

ABSTRACT
Introduction: Localized lipodystrophy is an aesthetic dysfunction that
presents accumulation of adipose tissue in specific regions. Such dysfunction leads
the most sought after treatments in the aesthetic area. As a treatment option we
present cryolipolysis, an innovative and non-invasive method developed by
researchers at Harvard in the United States. Currently, it is applied by professional
physiotherapists prepared for dermato-functional care. It consists of reducing
localized lipodystrophy by cooling the lipid cells without damaging neighboring
tissues. Thus, this technique does not use the application of anesthesia or injectable
substances. Objective: to focus the cryolipolysis technique and its effectiveness in
the reduction of localized fat, as well as the physiotherapy in the post treatment.
Methodology: This exploratory study is a bibliographic review based on 15 articles
researched on the Scielo, Google academic, PEDro and Medline sites between 2007
and 2017.Results: The researchers recognized the validity and satisfactory validity
of the technique for reduction of measures by the stimulation of apoptosis through
the cooling of fat cells. However, care should be taken to prevent burns to the
patient. Conclusion: Cryolipolysis has shown its efficacy in localized fat burning,
reducing the number of surgical procedures for reduction of measures. Its application
can reduce up to 26% of the excess localized fat tissue. However, this method can
only be applied in people with ideal weight in relation to height and age. In addition,
the procedure should be clarified to the patient and to prevent skin lesions.

Key – words: Physiotherapy. Localized lipodystrophy. Cryolipolysis.

INTRODUÇÃO

A Fisioterapia Dermato-Funcional é considerada uma área relativamente
nova, que atua nas diversas disfunções estéticas presente nos tecidos do corpo.
Em decorrência do padrão de beleza imposto pela mídia, a busca por mecanismos
que melhorem tais disfunções corporal tem tomados proporções maiores. A
lipodistrofia localizada é considerada o acúmulo de tecido adiposo em determinadas
áreas do corpo, mais especificamente no tecido subcutâneo, provocando
desarmonia no contorno do corpo e ocasionando alterações na imagem e na
autoestima. Conferindo um motivo de demasiada insatisfação principalmente no
sexo feminino.
Tornando-se um indicador para assuntos da atualidade, a vigente questão fez com
que os profissionais se mantivessem atualizados na procura de métodos cada vez
mais eficazes e inovadores (MERCADO, 2015).
A criolipólise é uma técnica não invasiva criada por estudiosos de Medicina
Dermatológica da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Essa técnica
consiste na redução de gordura localizada por meio de resfriamento controlado da
superfície da pele. A exposição da pele ao frio intenso, com o devido controle e
modulação, acarretará uma inflamação provocada. Esse processo induzirá uma
apoptose dos adipócitos. O termo apoptose traduz-se como morte celular
programada, é uma espécie de autodestruição celular. Vale ressaltar que por se
tratar de um resfriamento localizado, a apoptose adipocitária não causará danos aos
tecidos subjacentes (BOSI, et al. 2017).
Em 2 ou 3 dias após a realização do procedimento, dá-se início ao um
processo inflamatório, onde leucócitos circundarão os adipócitos. Após 14 dias, os
macrófagos, que são células com maior poder de fagocitose, irão digerir a gordura,
onde já se é possível observar uma mitigação no tamanho das células adipócitas.
Após 28 dias a inflamação diminui, porém a atividade fagocitária continua, e pode-se
observar que os resultados clínicos ficam mais evidentes. De 60 a 120 dias, há
diminuição efetiva dos adipócitos, que ocorre lentamente durante os 90 dias, estima-
se (BOSI, et al. 2017). Concluem (LIPE, ROCHA, URZEDRO, 2012) que a criolipólise é uma técnica
que promete resultados satisfatórios, chegando a perdas de 20% a 26% de gordura
localizada, tornando-se uma alternativa ideal para pacientes que necessitam de
remoção pequena ou moderada de tecido adiposo.
Por outro lado, (ZELICKSON, et al. 2009) afirma que a técnica envolve efeitos
adversos mínimos, que puderam ser contornados ou desapareceram nos indivíduos
submetidos, possibilitando o mesmo a sair do procedimento e retomar as atividades
normalmente.
Segundo estudos, algumas técnicas de fisioterapia podem, ainda que não se
tenha nenhuma comprovação, oferecer uma melhor reperfusão, ou seja,
restabelecimento do sangue numa área antes isquêmica. Fazendo-se necessário
cautela nas associações até que haja mais bases em estudos científicos. Alguns
profissionais, dependendo dos recursos, realizam associações somente a partir dos
30 dias após a criolipólise, quando acredita-se que o quadro de paniculite se
encontra bastante reduzido (BOSI, et al. 2017).

Dentre as associações existe a Massoterapia, sendo uma técnica com
significativo valor agregado, facilitando a cicatrização no local do tratamento e
diminuindo a deformação tecidual. A massagem logo em seguida da criolipólise
pode causar um mecanismo adicional de dano celular, conferindo um maior índice
de perda de gordura comprovado na ultrassonografia. “Após a criolipólise a terapia
local restabelece a temperatura mais rápido. Este efeito foi hipotetizado como
potencializador da apoptose adipocitária em virtude do fenômeno da reperfusão”
(SASAKI, et al. 2014).
Existem também sugestões de associação consciente de recursos
imediatamente após a criolipólise, recursos esses que aceleram o aumento da
temperatura local e estimulam a reperfusão. Temos: Ondas de choque,
Radiofrequência; (Ponteira monopolar – temperatura de 37º a 38ºC, por 5 a 7
minutos por área); e Ultrassom terapêutico;(dose de 1,5W/cm2, modo contínuo)
(CRIPPA, 2016).
O uso de Carboxiterapia (fluxo de 50 a 60 ml/min) 30 dias após a criolipólise,
aumenta o fluxo sanguíneo e favorece o aporte de elementos fagocitários na área a

ser tratada. Podendo ser usados também outros recursos que estimulem a
circulação.
Nos 45 dias após a criolipólise, objetivando atingir adipócitos que provavelmente não
foram afetados pelo frio, pode-se fazer o uso de: Ultrassom (Dose de 2,5 a
3,0W/cm2, modo contínuo) Ultracavitação; Radiofrequência (Ponteira monopolar –
temperatura de 42º a 43ºC, por 10 a 12 minutos por área); Carboxiterapia ;
(Carbolipólise -Fluxo de 150 a 200 ml/min, técnica hipodérmica profunda) e Ondas
de choque; (HUNT t. STORK, 2013. FERRARO, et al., 2012).

Por se tratar de uma técnica nova e sem muitas comprovações, embora sua
eficácia tenha sido constatada através de alguns experimentos, faz-se necessário
manter prudência quanto as associações até que existam estudos comprobatórios,
uma vez que são importantes para o aperfeiçoamento de uma aplicação mais efetiva
e segura (FILONI, FITZ, SILVA, 2014). O presente artigo teve como objetivo focalizar
a técnica de Criolipólise e sua eficácia quanto a redução da gordura localizada, bem
como a atuação da Fisioterapia pós tratamento.

METODOLOGIA
A metodologia utilizada neste estudo oferece meios que auxiliam na definição
e na prática da técnica de Criolipólise, bem como a atuação da Fisioterapia nesta
técnica, especificamente no pós tratamento. Apresentando as associações que
podem ocorrer como um meio de intensificar a mitigação das células adipocitárias.
Fomentando a importância de se esperar novos estudos científicos, visando
um melhor aperfeiçoamento da técnica uma vez que ainda não há bases científicas
que a comprovem embora se observe grandes satisfações em indivíduos que já
passaram pelo tratamento.
O presente estudo aqui abordado é de caráter exploratório de revisão
bibliográfico com base em 15 artigos onde se buscou concernir informações
presentes para uma melhor abordagem do assunto explorado. As pesquisas foram
realizadas nos sites, Scielo, Google Acadêmico, Medline e PEDro entre os anos de
2007 e 2017.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Conforme o presente artigo, a Criolipólise é uma técnica recente, não invasiva
que têm-se mostrado eficaz, atingindo a expectativa dos pacientes que em sua
maioria trata-se de mulheres. Atualmente, as pessoas que buscam o tratamento, em
sua grande maioria, objetivam mudanças em sua aparência, principalmente por
conta do padrão de beleza instituído pela sociedade. A técnica é procurada por ser
capaz de suprir as necessidades, visto que esta exclui a possibilidade de se
submeter à cirurgias mais arriscadas.
Segundo Urzedo, Lipe e Rocha (2012), o paciente chega a perder de 20% a
26% de gorduras localizadas, e torna a ser uma alternativa ideal para pacientes que
necessitam de remoção pequena ou moderada de tecido adiposo. Por sua vez,
ZELECKSO, et al. (2009) afirma que a técnica envolve efeitos adversos mínimos,
que puderam ser contornados ou desapareceram nos indivíduos submetidos,
possibilitando o mesmo a sair do procedimento e retomar as atividades
normalmente. Segundo Sandoval (2005), há 8 a 10% mais gordura corporal no sexo
feminino do que no masculino, em média. Devemos recordar que nas mulheres a
gordura essencial representa entre 9 e 12% e, nos homens, 3%; isso faz uma
grande diferença, que é devida à diferenciação hormonal de cada sexo. As mulheres
que se mantêm ativas no esporte e possuem uma alimentação saudável e
balanceada possuem, em média, entre 15 e 18% de gordura corporal, mas, nas
sedentárias, observa-se entre 25 e 27%, para as esportistas essa quantidade de
gordura é inaceitável porque diminui seu rendimento.
Deve-se ter cuidado e atenção ao manuseio do aparelho, usando
corretamente os protocolos e produtos adequados para o procedimento, para evitar
possíveis transtornos ao paciente em relação a queimaduras e entre outros.
(RIBEIRO, V.S. et al. 2017). No entanto, o emprego desta técnica deve ser
associada as outras técnicas e bem como também atividades físicas.

De acordo com os artigos apresentados, a eficácia da criolipólise depende
também do cuidado de quem a aplica, baseado na possiblidade de causar
queimaduras se aplicada de forma errada. Segundo Oliveira (2013), para que o
tratamento tenha sucesso é necessário que o profissional tenha amplo
conhecimento de etiologia, sintomas, fisiopatologia e recursos adequados para sua
abordagem, tornando assim, o Fisioterapeuta um profissional capaz de utilizar a
técnica de modo apropriado. Baseado em estudos, comprovou-se que a Criolipólise,
é realmente eficiente na remoção de gordura localizada, Sendo ineficiente em
pessoas obesas e com muita flacidez, mas que também se deve ter cuidado e
atenção em relação a queimaduras.

CONCLUSÃO
Sabe- se que a obesidade está em constante crescimento e acabou sendo a
realidade de milhares de pessoas. O excesso de peso se dá devido ao acumulo
generalizado da gordura corporal no indivíduo causando problemas de saúde, além
da baixa autoestima. Atualmente, muitas mulheres estão em busca de um padrão
estético social, procurando diversas terapias para minimizar disfunções estéticas.
Com isso, a Fisioterapia Dermato Funcional apresenta recursos terapêuticos
como a Criolipólise que visa proporcionar resultados positivos neste tratamento. Os
pesquisadores observaram a eficácia por meio da estimulação da apoptose e
possíveis efeitos que possam ocorrer, porém ainda se é desconhecido estudos
relacionados a técnica no tratamento da diminuição da gordura localizada. Logo,
haja vista que se espere buscas de novas informações e estudos científicos visando
um melhor aperfeiçoamento, afim de divulgar os efeitos desta técnica. Estudos
realizados até o momento afirmam que após uma sessão pode-se eliminar em
média de 20% a 25% de gordura na área onde foi realizado o procedimento, é muito
importante orientá-lo sobre os cuidados da técnica, pois pode haver queimaduras no
paciente.
Como abordado, a Fisioterapia atua na criolipolise através de recursos que
aumentam a temperatura local como Massoterapia, Ultrassom/ultracavitação,
Radiofrequência e, até, Carboxiterapia logo após (ou não) a criolipólise, onde é
preciso prudência quanto as associações garantindo a possibilidade de melhores
resultados.

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