EFEITO DO ISOSTRETCHING NA DIMINUIÇÃO DO QUADRO ÁLGICO, MELHORA DA FLEXIBILIDADE E FORÇA EM PACIENTES COM LOMBALGIA INESPECÍFICA: REVISÃO INTEGRATIVA

Aluna Graduada: Carolina Cruz de Sousa
Prof.ª Dr.ª Fabiana C. Taubert de Freitas Swerts

Instituto de Ciências da Saúde. Departamento de Fisioterapia da Universidade Paulista (UNIP) de Ribeirão Preto.

Contato: Telefone: (16)992448283; E-mail: carolinacruzsousa@gmail.com

Resumo: A lombalgia possui maior incidência na população com idade economicamente ativa, principalmente mulheres, levando a incapacidades e aumento dos gastos na saúde privada ou pública. O objetivo da pesquisa foi verificar as evidências relacionadas a aplicação do Isostretching em pacientes com lombalgia inespecífica ou idiopática. Realizou-se revisão integrativa nas bases de dados Desc e Mesh, consultados pela WEB, analisando todos os artigos centrados na utilização do método de Isostreching para o tratamento da dor lombar idiopática, flexibilidade das cadeias posteriores e aumento da força muscular. Nesta busca, foram encontrados 28 artigos, 20 foram excluídos e, por fim, 8 compuseram a amostra deste estudo. Houve fichamento dos registros bibliográficos dos dados coletados, analisando toda a metodologia, dividindo os artigos com a temática principal, seguida de uma subdivisão nos critérios de força muscular e flexibilidade, mesmo quando comparados a outros métodos. Os resultados mostraram melhora do quadro de dor nos pacientes com a referida patologia, quando utilizado somente o Isostretching, assim como a flexibilidade, após a aplicação do mesmo. Em relação a força muscular, verificou-se melhora em grupos musculares específicos, enquanto outros não obtiveram resultados significativos. Conclui-se que aumento da flexibilidade e diminuição da dor, obtiveram resultados significativos para um bom resultado no tratamento utilizado.

Abstract: Pain has a high level of incidence in the population whit economic age, those one is in an active, mainly women, leading to disabilities and increased of money spending on a private and/or a public health. The objective of the research was verifying evidences related to the application of Isostretching in patients with unspecific or idiopathic pain. This Integrative Review was carried out in the databases Desc and Mesh, consulted online, analyzing all articles centered on using the Isostreching method for the treatment of idiopathic lumbar pain, flexibility of posterior chains and increased muscular strength. In this search, they were found 28 articles, 20 were excluded and finally 8 attended all the requests for initiation composed the sample from this study. Bibliographic Records was separate, put to the data collected, analyzing the whole methodology, dividing the articles with a main thematic, followed by a subdivision in the criteria of muscular strength and flexibility, even when compared to other methods. The results showed improvements related to the pain whit patients, that use only Isostretching, as well as flexibility, after the application of the same. In relation to muscular strength, there was improvement in specific muscle groups, while others did not obtain significant results. It is concluded that increased flexibility and decreased pain, achieved significant results for a good result in the treatment used.

Introdução

Dor pode ser definida como uma experiência subjetiva, associada a um dano real ou algo que afete os tecidos, trazendo disfunções e incapacidades.20

A Lombalgia é definida como dor abaixo da margem costal e acima das linhas glúteas inferiores com ou sem dor nos membros inferiores, originária de vários fatores como, distensão muscular, pontos-gatilho miofasciais, alterações nas articulações ou discos intervertebrais, além de disfunção das articulações sacrilíacas.13

Ela constitui a segunda causa mais frequente de morbidade e incapacidade, depois da cefaleia, possuindo uma crescente demanda de pacientes em clínicas e hospitais, por sua falta de especificidade, alta demanda de recursos, levando a um aumento nas despesas para cuidados com a saúde, tanto da parte do setor público como privado.6

A lombalgia pode a afetar 70 a 85% da população, atingindo principalmente a pessoas com idade econômica ativa, principalmente nos países industrializados, sendo a principal causa de abstenção no trabalho por longos períodos, quando a dor é agravada pode levar a distúrbios do sono, depressão, irritabilidade, e em casos mais graves suicídio.17;27

Nos Estados Unidos, as lombalgias são as causas mais comuns de limitação de atividades entre pessoas com menos de 45 anos, sendo a segunda razão mais frequente para visitas médicas, quanto aos brasileiros 10 milhões de brasileiros ficam incapacitados por causa desta patologia.16;27

Trata-se de uma questão de saúde pública no Brasil, por ser principal causa de pagamento de benefícios por doença e a terceira maior causa de aposentadoria por invalidez, com isso seu impacto econômico nos cofres públicos do país, com valor em torno de 200 bilhões de reais por ano.25;27

A lombalgia idiopática, atualmente conhecida como lombalgia mecânica comum ou inespecífica, por não se conseguir chegar a origem de sua causa, com maior prevalência de uma degeneração dos tecidos desse sistema, afetando trabalhadores submetidos a altas cargas, movimentos repetitivos, posturas estáticas, obesidade, flacidez e distensão dos músculos abdominais, desvios posturais, em indivíduos sem alterações neurológicas e de contratura muscular, afetando a rotina, via e bem-estar social do portador da doença.6

As mulheres apresentaram risco superior aos homens para dor lombar idiopática, pois há um aumento da dupla e até tripla jornada de trabalho, ficando expostas a cargas ergonômicas repetitivas, posições viciosas e movimentos em grande velocidade, além do fato que o gênero feminino apresenta algumas estruturas que proporcionam o aparecimento da dor em sua menor estatura, massa muscular e óssea, articulações mais frágeis e menos adaptadas ao esforço físico pesado e propensão ao armazenamento de gordura.19

Segundo Cholewicki e Silfes (2006), sua origem é proveniente da diminuição da atividade muscular dos paravertebrais, assim desestabilizando a coluna lombar, relacionando a musculatura dessa região com o aumento da lordose e ângulo sacral e diminuição da atividade glútea, os quais podem favorecer o aparecimento de dores lombares.1

O Fisioterapeuta deve trabalhar de modo eficaz e rápido, para prevenir os episódios de dor e o seu agravamento, por meio de exercícios proporcionando ao paciente uma boa qualidade de vida, diminuindo os efeitos deletérios do excesso de repouso.6

A realização de exercícios nos músculos transverso do abdômen, multífidos e diafragma mostrou eficácia em relação a terapia manual em conjunto com exercícios a serem realizados em casa, para diminuir a dor, incapacidade de movimentos e qualidade de vida.

Rainville et al. (2004) descreveram um programa a longo prazo, trabalhando os músculos transverso do abdômen, multifidos e diafragma sendo eficazes para o tratamento da dor, a incapacidade de movimento, aumento de força muscular e flexibilidade. Ahlqwist et al. (2008) observaram a importância da correção postural ao longo dos programas de tratamento.

Ribeiro e Moreira (2010) dividiram os tipos de exercícios terapêuticos gerais, verificando resultados eficazes para o tratamento da lombalgia crônica, incluindo o alongamento, fortalecimento e exercícios aeróbicos. A estabilização segmentar da coluna, priorizando a ativação do transverso do abdômen, oblíquos internos e multífidos, se mostrou eficaz na redução da dor de curto a longo prazo, enquanto que capacidade funcional e qualidade de vida, possuem resultados favoráveis a médio prazo. As demais modalidades de intervenção terapêutica como Reeducação Postural Global, Mackenzie, Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva, Pilates, Yoga, Técnica de Alexander, Exercícios na Bola Suíça e o Isostreching tiveram resultados positivos em suas aplicações.9

Ainda há conflitos para a aplicação dos exercícios terapêuticos na literatura, devido a uma grande gama de técnicas, fazendo com que não haja resultados exatos e concretos, por isso é necessário que haja mais estudos sobre essa etiologia multifatorial, para que quando aplicada uma intervenção possua uma maior confiabilidade no tratamento tanto por parte do paciente quanto do fisioterapeuta.9

O Isostreching é uma técnica utilizada na Fisioterapia que trabalha a postura de maneira global, fortalecendo-a e alongando a musculatura, trazendo uma melhora na condição física, sem traumas, de maneira educativa, flexível e preventiva, não só de forma dinâmicas, mas como proprioceptivas, podendo ser, dessa forma, um indicado para a patologia.11

Objetivo

A presente revisão integrativa teve como objetivo geral, analisar as evidências relacionadas a aplicação do Isostretching em pacientes com lombalgia inespecífica ou idiopática.

Mediante ao objetivo inicial proposto, ela foi norteada buscando responder as seguintes questões da pesquisa: o método Isostretching pode ser utilizado na redução do quadro álgico da lombalgia inespecífica ou idiopática?

Há melhora da postura após o programa de aplicação do método? Há aumento da força muscular da coluna lombar de modo Global? Ocorre aumento da flexibilidade após a sua aplicação?

Além disso, pretendeu-se favorecer o conhecimento relacionado a patologia e a técnicas instrumentais e manuais abordadas, para que se chegue ao melhor meio de aplicação da técnica, em distúrbios fisiológicos osteomioarticulares

Hipótese

O baixo tônus por desuso, permanência prolongada na mesma posição, fadiga por movimentos repetitivos, causando uma transferência excessiva de carga resultando em dor, também podem ser considerados possíveis fatores causais, podendo ser revertido quando realizado exercícios que estimulem as fibras musculares, como exercícios isométricos e utilização de descarga de peso.15

Isostreching é uma técnica utilizada na Fisioterapia que trabalha a postura de maneira global, fortalecendo-a e alongando a musculatura, trazendo uma melhora na condição física, sem traumas, de maneira educativa, flexível e preventiva, não só de forma dinâmicas, mas como proprioceptivas, são os mais indicados para a patologia.11

Macedo et al. (2011) realizaram uma análise relacionando o Isostretching com a mobilidade da coluna lombar, em 30 mulheres, de 40 a 60 anos, com artrose lombar de quadro alérgico, como forma quantitativa e qualitativa, com 2 sessões semanais, por 3 meses, concluindo que houve aumento da amplitude de movimento e a mobilidade da região lombar.2

MANN .et al (2009), concluiu que o grupo que realizou Isostreching como intervenção, teve resultados significativos e positivos no alivio da dor força muscular e no equilíbrio.3

Esperamos, assim, contribuir com melhores evidências para a Fisioterapia, bem como aumentar o conhecimento científico acerca desta temática.

Método

A pesquisa teve como objetivo analisar e avaliar os artigos completos disponíveis nas databases BVS (Biblioteca Virtual em Saúde) SCOPUS, Plataforma ISI Web of Knowledge (Institute for Scientific Information), PeDro e EMBASE, consultados na WEB, no período de 2003 a 2017, com as palavras-chaves “Lombalgia Idiopática” , “Lombalgia Inespecífica”, “Isostretching”, “Isostretching no tratamento de Lombalgia” , “Isostretching no tratamento de Lombalgia Idiopática” e descritores “Lombalgia”, “Terapia por Exercício” e “Modalidades de Fisioterapia”.

Os critérios de inclusão foram artigos indexados nestas bases eletrônicas, nos idiomas inglês, português e espanhol, que tiveram como objetivo principal do estudo a utilização do Isostretching no tratamento da lombalgia inespecífica ou idiopática, excluindo os artigos repetidos em bases distintas e os que não estiverem disponíveis a sua leitura na íntegra.

Após o levantamento bibliográfico, foi realizado uma leitura exploratória do material encontrado, para chegar a uma visão global do material, considerando o assunto de interesse ou não para ser apresentada na pesquisa. Sendo assim foram analisados 32 artigos retirando dessa contagem os 20 artigos que se repetiam, de uma base de dados para a outra.

A pesquisa bibliográfica foi desenvolvida divididas em etapas: iniciando com a escolha do tema; levantamento bibliográfico preliminar; busca nas bases de dados da WEB; leitura completa dos materiais pesquisados e seu fichamento; organizada com lógica relacionadas ao assunto e redação do texto com 8 artigos restantes, que compuseram a amostra desta pesquisa.

Foram elaboradas fichamentos dos registros bibliográficas, seguindo o roteiro dos autores, contendo informações acerca do ano de publicação; país de publicação; a população estudada e sua faixa etária; o tempo de intervenção, em semanas; os exercícios utilizados e meios de avalição; resultados e conclusões das pesquisas.

Eles foram divididos em artigos relacionados a dor como temática principal foram separados em apenas uma seção, valendo o mesmo para a força muscular e flexibilidade, porém em alguns estudos foram constatados mais de uma avaliação, sendo houve inicialmente a separação dos autores, ano e o título da pesquisa, em seguida o registro da metodologia e resultado de cada um.

Resultados

Todos os oito artigos relacionados a temática principal foram resumidos e fichados.

Analisando os artigos que utilizaram apenas o método do Isostretching, (Tabela 1), verifica-se que três artigos evidenciaram uma diminuição da dor nos voluntários das pesquisas avaliadas de maneira significativa, assim como os principais fatores a serem estudados.

De acordo com os dados da Tabela 1, verifica-se que o Isostretching foi efetivo na melhora da dor nas três pesquisas que avaliaram esta variável, assim como também teve resultados positivos na melhora da força muscular, constatado em apenas um estudo. Quanto a flexibilidade a aplicação do Isostretching mostrou resultados positivos nos dois estudos que a analisaram, como também tal intervenção favoreceu a melhora da integração sensorial e da incapacidade funcional.

A seguir, a Tabela 2 ilustra os dados das pesquisas que compararam o Isostretching com outras técnicas cinesioterapêuticas

Quando comparando pesquisas que utilizaram o Isostretching em comparação a aplicações de outras técnicas fisioterápicas. (Tabela 2)

DUARTE e VASCONCELOS (2009) compararam o Isostretching e os alongamentos cinesio-terapeuticos (cadeias posteriores, anteriores e tronco), mas sem números expressivos para definir qual foi a melhor conduta.

ADORNE e BRASIL-NETO (2013) e GUSTALA et.al (2016) compararam o Isostretching e o RPG.

Os primeiros avaliaram se, o RPG ou o Isostretching possuíam maior tempo na manutenção da baixa do quadro álgico, após o termino de 2 meses da intervenção, apesar de que todos os grupos tiveram índice de melhora significativa, o grupo de RPG obteve maior tempo sem aumento da dor.

 Já o estudo de GUSTALA et.al (2016) avaliou se o RPG ou o Isostreching aumentava a força, flexibilidade (cadeias anteriores e posteriores), qualidade de vida e reduzia a dor, constatando que mesmo o Isostretching obteve os melhores resultados para flexibilidade, dor e qualidade de vida, o RPG atendeu a todos os quesitos estudados. 

TOMÉ.et.al (2012) avaliaram a força dos músculos inspiratórios e capacidade de pacientes com lombalgia.

O grupo controle que realizou apenas recursos terapêuticos obteve melhora na capacidade funcional, porém sem números superiores ao outro

grupo, enquanto que o grupo Isostretching teve aumento significativo na melhora da capacidade funcional dos indivíduos que o realizaram e aumento aumentando a força nos músculos inspiratórios.

PARDO et.al, (2015) compararam o Isostretching e a cinesioterapia composta somente por alongamentos das cadeias posterior, o resultado da avaliação de flexibilidade, obteve uma melhora estatística no grupo que realizou o Isostretching, já quando foi reavaliado ao final, nenhum dos grupos obtiveram expressivo aumento força muscular global.

Discussão

Os estudos analisados mostraram que, antes de iniciar as intervenções os pacientes receberam informações básicas sobre qual das técnicas iriam realizar.

Todos os grupos, sejam controle ou experimental, obtiveram aulas introdutórias sobre o protocolo de tratamento que utilizariam, esclarecimento de dúvidas e programação dos dias e horários de cada um, seja para a pesquisa na parte prática ou reavaliação.

Mesmo sendo mais recorrente lombalgia idiopática em pessoas do sexo feminino por fatores fisiológicos, jornadas de trabalho podendo chegar a ser triplicada, expostas a cargas ergonômicas repetitivamente como mostrou Dall’agnol (1995), o estudo de Adorne e Brasil-Neto (2013) pesquisam com ambos os gêneros (masculino e feminino).19;26

Assim como a capacidade funcional, ocupação e classe econômica do indivíduo, segundo Anderson (1999), quem sofre de lombalgia inespecífica está em idade econômica ativa, principalmente em países industrializados, levando a altos índices de abstenção no trabalho, o seu agravo pode levar a distúrbios psíquico físicos.17

Como essa faixa pode ser ampla, os estudos avaliaram pacientes de 19 a 60 anos BRASIL-NETO (2013), como também mulheres de 18 a 28 anos de idade PARDO et al.(2015) e sujeitos acima de 40 anos.26;7;13

Os demais estudos ficaram na faixa de 30 a 35 anos de idade, isso mostra que cada autor escolheu uma faixa etária que eles acharam mais afetada, que em relação aos indivíduos de 45 e 60 anos, há relação com o envelhecimento, que consequentemente aumenta intensidade da dor, devido a degeneração fisiológica, levando o indivíduo a  degenerações progressivas da coluna vertebral.23 

Sendo assim pode ocorrer desgaste do sistema muscular da coluna, levando a episódios dolorosos, pois os estímulos nociceptores causados por essa degeneração leva a estímulos dolorosos, sugerindo que indivíduos com mais idade apresentam uma maior vulnerabilidade relacionada à coluna.23

Com isso a questão de avaliar e tratar indivíduos entre 30 a 35 anos, é evitar futuras complicações e piora do quadro, podendo levar o paciente a incapacidades maiores, como ter que aposentar antes do previsto, por conta da doença.

Para mensurar e avaliar força e flexibilidade houve alguns questionários e testes diferentes entre cada estudo, sendo também que cada artigo buscava respostas para perguntas diferentes.

A Escala Visual Analógica estava presente em 6 dos 8 estudos analisado, sendo eles Prado et.al (2015) avaliando força e flexibilidade e Tomé et al. (2012) a força do PImáx e capacidade funcional dos pacientes.7;21  

 Somente Gustala et.al (2016); Silva e Inumarua (2015) realizaram o questionário socioeconômicos com dados pessoais e algumas informações clínicas sobre os sujeitos do estudo (idade, sexo e ocupação), com o intuito de analisar os postos de trabalho mais acometidos, o sexo e a idade desses indivíduos, para que a população e os pesquisadores saibam, qual classe, etnia e sexo sofre da patologia.4

O questionário da SF-36 e Qualidade de vida (QV), esteve presente somente no estudo de Adorne e Brasil Neto (2013), para que houvesse um mapeamento das idades dos indivíduos presentes na pesquisa, e como os afeta no cotidiano.26

A melhora da dor e diminuição da incapacidade física com o Isostretching já foi apresentada, por Facci (2008) utilizando a EVA, o questionário Roland Morris e o questionário de qualidade de vida SF-36, resultando na redução significativa das três variáveis em pacientes com lombalgia.13

Analisando os artigos que utilizaram apenas o método do Isostretching, o estudo de Mann et al. (2009), constatou que houve significativo aumento da força, flexibilidade, quadro álgico e integração sensorial, utilizando somente o método do Isostretching.3

 Macedo et al. (2010) verificou melhora do quadro álgico e da flexibilidade nos pacientes que realizaram os exercícios de Isostretching, do que aqueles que não realizaram nenhum tipo de tratamento por meio de exercícios.2

Na pesquisa de Silva e Inumarua (2015), o grupo que realizou as posições de Isostretching obteve diminuição do quadro álgico, em comparação ao grupo que não realizou nenhum tipo de intervenção.20 

Quando avaliadas as pesquisas que utilizaram o Isostretching em comparação a aplicações de outras técnicas fisioterapêuticas (Tabela 2), verificou-se que, no estudo de Durante e Vasconcelos (2009) compararam o Isostretching e os alongamentos cinesioterapeuticos (cadeias posteriores, anteriores e tronco), mas sem números significativos para definir qual foi a melhor conduta.12

Adorne e Brasil Neto (2013) e Gustala et al. (2016) compararam o Isostretching e o RPG.27;4

Os primeiros avaliaram se, o RPG ou o Isostretching possuíam maior tempo na manutenção da baixa do quadro álgico, após o termino de 2 meses da intervenção, apesar de que todos os grupos tiveram índice de melhora significativa, o grupo de RPG obteve maior tempo sem aumento da dor. 27;4

Já o estudo de Gustala et al. (2016) avaliou se o RPG ou o Isostreching aumentava a força, flexibilidade (cadeias anteriores e posteriores), qualidade de vida e reduzia a dor, constatando que mesmo o Isostretching obteve os melhores resultados para flexibilidade, dor e qualidade de vida, o RPG atendeu a todos os quesitos estudados.4

Tomé et al. (2012) avaliaram a força dos músculos inspiratórios e capacidade de pacientes com lombalgia.21

O grupo controle que realizou apenas recursos terapêuticos obteve melhora na capacidade funcional, porém sem números superiores ao outro grupo, enquanto que o grupo Isostretching teve aumento significativo na melhora da capacidade funcional dos indivíduos que o realizaram e aumento aumentando a força nos músculos inspiratórios.21

Prado et al. (2015) compararam o Isostretching e a cinesioterapia composta somente por alongamentos das cadeias posterior.7

 O resultado da avaliação de flexibilidade, obteve uma melhora estatisticamente significativa no grupo que realizou o Isostretching, já quando foi reavaliado ao final, nenhum dos grupos obtiveram expressivo aumento força muscular global.7

Sendo assim os efeitos positivos do método, em função da melhora apresentada pelas pacientes, na melhora da incapacidade dos pacientes, podendo observar as menores restrições de movimento, atividades e disposição para as atividades de vida diária.7

Os exercícios são a forma mais segura e eficaz para melhorar a flexibilidade, força e função muscular, bem como reduzir a dor lombar tanto na prevenção como na reabilitação desses pacientes.7

A flexibilidade foi analisada por Silva e Inumarua (2015), Durante e Vasconcelos (2009); Tomé et.al (2012), através do índice de incapacidade de Oswestry, sendo quanto menor o índice, melhor seria a capacidade das suas fibras musculares se estender, assim liberando regiões que possivelmente poderiam impossibilitar a ação de algum movimento.20;21;12

O fortalecimento de musculatura profunda, por meio da técnica leva à melhora da dor, quanto ao alongamento muscular houve a melhora da dor lombar e incapacidade após a associação alongamento, mobilização e exercícios, sendo ambos importantes a serem trabalhadas como meio secundário diminuindo a tensão e melhorando a resistência do músculo. 20;21;12

Cada programa contou com um tempo diferente para as aplicações e reavaliação, o número de dias de intervenção variou de 1 a 3 vezes por semana. 20;21;12   

Adorne e Brasil Neto (2013) realizaram intervenções no grupo de RPG 1 vez na semana, enquanto que os pacientes do Isostretching realizaram 2 vezes por semana.26

 Gustala et.al (2016); Mann et.al (2009); Macedo et. al (2010); Silva e Inumarua (2015); Pardo et.al, (2015); Durante e Vasconcelos (2009), realizaram intervenções 2 vezes na semana com duração de 45 a 60 minutos.4;3;;2;7;12

Tomé et al (2012), foram os únicos que realizaram um protocolo com sessões 3 vezes na semana por 60 minutos, para ambos os grupos.21

Durante e Vasconcelos (2009) realizaram dez sessões Isostretching duas vezes por semana, cada grupo com duração média de 30-45 minutos por sessão o primeiro grupo, enquanto o segundo realizou apenas alongamento dos principais grupos musculares com uma duração de trinta segundos para ambos os grupos.12

LOPES et al. 2011 realizou 12 sessões Isostretching três vezes por semana, 11 mulheres e nove homens, com protocolos semelhantes ao de Duarte e Vasconcelos, encontrando benefícios estatisticamente relevantes a redução da intensidade da dor.12

Sessões 2 vezes por semana possuem um bom tempo de recuperação, das micro lesões causadas pela prática dos exercícios, assim ajudando na percepção da dor do paciente sobre o seu próprio corpo.12

Quando as intervenções ocorrem 3 vezes por semana, o tempo de recuperação relacionado a atividade realizada, pode levar a um grande risco de lesão muscular, principalmente em indivíduos com acima dos 45 anos.21

A realização de intervenção 1 vez por semana, não ajuda o corpo a realizar respostas relacionadas as disfunções apresentadas, segundo a patologia, porém ela pode ocorrer quando a técnica possui uma alta durabilidade do efeito, como o estudo de Adorne e Brasil Neto (2013) mostrou com o RPG.21;26 

Gustala et.al (2016) e Mann et.al (2009) utilizaram acessórios para a aplicação do Isostretching, como bola e bastão, os demais autores preconizaram exercícios que pudessem ser realizados em qualquer lugar e circunstância pelos voluntários.4;3

Conclusão

Nos artigos apresentados, o Isostretching foi bom para a diminuição da dor e aumento da flexibilidade, porém para o aumento da força muscular, pela divergência de meios e critérios de avaliação, os resultados analisados não foram estatisticamente significativos.

Relacionado ao quadro álgico o Isostretching os artigos analisados, obtiveram uma diminuição numérica significativa para os altos índices da escala visual de dor, encontrados antes do início do tratamento.

Em se tratando da flexibilidade, o Isostretching também favoreceu melhora significativa após as intervenções quando comparados aos demais métodos.

Nos critérios de força muscular, alguns estudos relataram uma melhora em grupos musculares específicos tratados com o método Isostretching, enquanto outros não obtiveram resultados significativos ou a força não foi superior a técnica comparada.

Os estudos nem sempre utilizam as mesmas características de tratamento, tais como, período, tempo e duração das sessões, como também diferem quanto aos questionários e testes de avaliação para a flexibilidade e força muscular.

Portanto, são necessários mais estudos, consenso nos meios utilizados, protocolos de intervenção e avaliação semelhantes para que seja possível uma comparação mais próxima e pertinente entre os estudos, seja para as demais técnicas cinesioterapêuticas ou para Isostretching.

Referências Bibliográficas

1-GALDINO, LI et al.; Efeitos do método pilates em pacientes com lombalgia crônica inespecífica: revisão sistemática, pág. 122-129, ano 2015, REVISTA INTERDISCIPLINAR CIÊNCIAS E SAÚDE (RICS) – Piauí. Disponível, em: http://revistas.ufpi.br/index.php/rics/article/view/3149/2329. Acesso dia 20/03/2017.

2-MACEDO, Christine; DEBIAGI, Polyana e ANDRADE, Fernanda 2010. Efeito do Isostreching na resistência muscular de abdominais, glúteo máximo e extensores de tronco, incapacidade e dor em pacientes com lombalgia; Revista em Movimento, vol. 23, Curitiba Jan/mar.2010. Disponível, em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-51502010000100011&lng=en&nrm=iso&tlng=pt. Acesso: dia 20/03/2017.

3-MANN, L. et al. Efeito do treinamento de Isostretching sobre a dor lombar crônica: um estudo de casos; Motriz. Journal of Physical Education- UNESP, Rio Claro, v.15 n.1 p.50-60, jan. /mar. 2009. Disponível em: http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/motriz/article/view/1946/2218. Acesso: 20/03/2017.

4-GUASTALA, F. et al. Efeitos da reeducação postural global e do Isostretching em pacientes com lombalgia crônica não-específica: ensaio clínico aleatório. Fisioterapia em movimento, vol.29 no.3 Curitiba July/Sept. 2016. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-51502016000300515. Acesso: 19 de março de 2017.

5-JUNIOR, MH et al. Lombalgia ocupacional. Revista Associação de Medicina Brasileira 2010; 56(5): 583-9. Trabalho realizado na Disciplina de Reumatologia da Escola Paulista de Medicina, São Paulo, SP. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ramb/v56n5/v56n5a22.pdf. Acesso: 21 de março de 2017.

6-LIZER, Daniele; PEREZ, Marcelo; SAKATA, Rioko. Exercícios para Tratamento de Lombalgia Inespecífica; artigo de revisão da Revista Brasileira de Anestesiologia Vol. 62, N° 6, novembro-Dezembro, 2012.Págs. 842 a 846. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rba/v62n6/v62n6a08 . Acesso: 21 de março de 2017.

7-PARDO, Maria et,al. Efeito do treino de Isostretching na flexibilidade e na força muscular. Acta fisiátrica; 22(2) jun. 2015. Artigo em Português  LILACS-Express . Disponível em:http://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-771284. Acesso dia 21 de março de 2017.

8-MACEDO, A ; MOTTER, A; KIRSCHEN , Soraya. Avaliação da mobilidade da coluna lombar após aplicação do Isostreching. Revista; Fisioterapia Brasil, 12(1): 31-36, jan.-Fev.2011. Artigo em Português | LILACS. Disponível em: http://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-779261. Acesso dia 21 de março de 2017

9-RIBEIRO, Cristina A. NMOREIRA, Demóstenes. O exercício terapêutico no tratamento da lombalgia crônica: uma revisão da literatura. Revista Brasileira de Ciência em movimento; 18(4): 100-108, out-dez. 2010. Tab. Artigo em Português. Disponível em: http://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-731458. Acesso em 20 de março de 2017

10-CAILLET, Rene.M.D. Lombalgias- Síndromes dolorosas. Editora Malone, 1979. Arch street Philadelphia, Pa- U.S.A. Traduzido por Eugénia Deheinjelin, São Paulo- Brasil Capitulo I, pág. 11 a 32.

11-REDONDO, B. Isostretching- ginástica da coluna. Traduzida por Benedita do Nascimento Barbosa,Skin Direct Store, Piracicaba,SP- Brasil, 2001. Capitulo 1, Pág.9 a 50; Capitulo 2, pág 52 a 155.

12-DURANTE, Henrique; VASCONCELOS, Elaine Comparação do método Isostretching e cinesioterapia convencional no tratamento da lombalgia. Semana: Ciências Biológicas e da Saúde, Londrina, v. 30, n. 1, p. 83-90, jan. / Jun. 2009. Disponível em: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/seminabio/article/view/2904/2462. Acesso em: 24 de março de 2017.

13-HOOKER, D.; PRENTICE, W. E. Reabilitação das lesões de coluna. In: PRENTICE, W. E. Técnicas de reabilitação em medicina esportiva. 3. ed. Barueri: Manole, 2002. p. 557-591.

14-Costa D, Palma A. O efeito do treinamento contra resistência da síndrome da dor lombar. Rev Port Cien Desp. 2005;5(2):224-34. Disponível em: http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?pid=S1645-05232005000200011&script=sci_arttext&tlng=pt. Acesso em: 25 de março de 2017.

15-HANSSON, TH. HANSSON, EK, The effects of common medical interventions of pain, back function, and work resumption in patients with chronic low back pain. Spine 2000; 25:3055-64. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=s0102-311×2004000200005&script=sci_arttext. Acesso em: 30 de fevereiro de 2018

16-TEIXEIRA MJ. Tratamento multidisciplinar do doente com dor. In: Carvalho MMMJ, organizador. Dor: um estudo multidisciplinar. São Paulo: Summus Editorial; 1999. p. 77-85. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=s0102-311×2004000200005&script=sci_arttext.Acesso em 30 de fevereiro de 2018

17-ANDERSON, G. Epidemiological features of chronic low-back pain. Lancet 1999; 354:581-5. Disponivel em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=s0102-311×2004000200005&script=sci_arttext. Acesso em 30 de fevereiro de 2018

18-ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Identification and control of work-related diseases. Geneva: World Health Organization; 1985. (Technical Report Series 714)

19-Dall’Agnol M. Trabalho e saúde na indústria da alimentação de Pelotas: uma questão de gênero? [Dissertação de Mestrado]. Pelotas: Universidade Federal de Pelotas; 1995

20-SILVA, Pedro Henrique Brito da; INUMARU, Suely Maria Satoko Moriya. Assessment of pain in patients with chronic low back pain before and after application of the isostreching method. Fisioter. mov., Curitiba, v. 28, n. 4, p. 767-777, Dec.  2015.   access on 29 May 2018.  http://dx.doi.org/10.1590/0103-5150.028.004.AO14.

Adorno MLGR, Brasil-Neto JP. Assessment of the quality of life through the SF-36 questionnaire in patients with chronic nonspecific low back painActa Ortopedica Brasileira. 2013;21(4):202-207. doi:10.1590/S1413-78522013000400004.]

21-TOME, Flávia et al. Lombalgia crônica: comparação entre duas intervenções na força inspiratória e capacidade funcional.Fisioter. mov., Curitiba, v. 25, n. 2, p. 263-272, June 2012. access on 29 May 2018.  http://dx.doi.org/10.1590/S0103-51502012000200003.

22-FRANÇA, Fábio Jorge Renovato et al. Estabilização segmentar da coluna lombar nas lombalgias: uma revisão bibliográfica e um programa de exercícios.  v. 15, n. 2, p. 200-206, jan. 2008. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/fpusp/article/view/12066/13843. Acesso em: 29 may 2018.

23-FERREIRA M, NAVEGA MT. Efeitos de um programa de orientação para adultos com lombalgia. Acta ortop bras. 2010; 18 (3): 127-31.

24-FERREIRA GD, SILVA MC, ROMBALDI AJ, WREGE ED, SIQUEIRA FV, PC HALLAL. Prevalência de costas e fatores associados em adultos do sul do Brasil: um estudo de base populacional. Rev Bras Fisioter. 2011; 15 (1): 31-6

25-HOY D, BROOKS P, BLYTH F, BUCHBINDER R. A epidemiologia de uma lombalgia. Best Pract Res Clin Rheumatol. 2010; 24 (1): 769-81.

26-ADORNO M, BRASIL-NETO J. Avaliação da qualidade de vida com o instrumento sf-36 em lombalgia crônica. Acta.Ortop.Brasil. 2013; (4) 202-7

27-SILVA M, FASSA A ; VALLE N. Dor Lombar crônica em uma população adulta do Sul do Brasil: Prevalência e Incidência. Caderno de Saúde Pública do Rio de Janeiro, 20(2): 377-385.2004  



Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.