EFEITO DA INTERVENÇÃO DO MÉTODO PILATES® NA ESCOLIOSE TÓRACO-LOMBAR – ESTUDO DE CASO

Diego Brenner Ribeiro; Nádia Cristina Martins; Ana Paula Oliveira Borges

A experiência de trabalho no Pi¬lates é caracterizada pelo uso de aparelhos diferenciados em que a carga externa imposta à estrutura musculoesquelética é obtida pelo auxílio de molas. Atualmente, novos elementos têm sido incorporados ao pro¬grama que tem sido direcionado à programas de reabilitação. A escoliose tóraco-lombar constitui 16% das idiopatias e são de caráter evolutivo em 70%, são curvas longas que podem abranger até 9 vértebras, passando de T6-7 a L2-3, com vértebra apical em nível de T11-12. O objetivo do estudo foi analisar o efeito do Método Pilates no quadro álgico da escoliose tóraco-lombar através do Translation, adaptation and validation of the Roland-Morris questionnaire – Brazil Roland-Morris. Participou do estudo um sujeito do sexo feminino, cor branca, 12 anos, estudante, praticante de atividade física, com diagnóstico clínico de escoliose tóraco-lombar ao Raio-X e queixa principal de dor na curva escoliótica. Para análise qualitativa da dor foi utilizado Translation, adaptation and validation of the Roland-Morris questionnaire – Brazil Roland-Morris antes e após o tratamento com o método Pilates. O tratamento fisioterapêutico foi realizado no período de setembro de 2009 a março de 2010. A análise estatística dos dados foi interpretada por meio de gráficos representando através de resultados qualitativos as situações em que o indivíduo apresentava dor no segmento vertebral tóraco-lombar antes e após o tratamento. O tratamento com o método Pilates apresentou interferência direta no quadro álgico e funcional da paciente com escoliose tóraco-lombar, havendo mudança significativa nas respostas do questionário, uma vez que a mesma considerou estar de acordo com suas atividades cotidianas, apenas frases que diziam respeito aos cuidados e formas de prevenção da dor. Conclui-se que com a utilização do método Pilates houve melhora significativa da flexibilidade muscular, hipertrofia relativa de paravertebrais lombares e alinhamento postural.

Palavras-chave: Escoliose, reabilitação, postura.
ABSTRACT

Effect of intervention by the Pilates Method® in thoracolumbar scoliosis – a case study.

Diego Brenner Ribeiro; Nádia Cristina Martins; Ana Paula Oliveira Borges

The expirience of work in Pilates is Known for the use different machines in those the outside charge imposed to the musculoskeletal Structure is obtained for springs help. Nowadays, news elements have been embody into program that have been direct for rehabilitation´s programs. Thethoracolumbar scilliosis built 16% of idiopathic and are of nature envolve in 70% are Lang curves that may include until 9 vertrebrae, going by T6-7 to L2-3, with apical vértebra in standard of T11-12. The objective of this study was to analyze the effect of Pilates method in pain symptoms of thoracolumbar scoliosis through of Translation, adptation and validation of the Roland-Morris questionaire – Brazil Roland-Morris. It took part ofthe study one female charater, White skin,12 years old, student, physical activite praticing, with clinic diagnosis of Thoracolumbar scoliosis to x-ray and main complaint of pain in scoliotic curve. For qualitatie analysis of pain was used Translation, adaptation and validation of the Roland-Morris questionnaire Brazil Roland-Morris before and after the treatment with the Pilates method . The fisoterapeutic treatment was realized in september of 2009 to a marcho f 2010. The analysis with the Pilates method showed direct interference in algic table and fuctional of pacient with Thoracolumbar scoliosis, having significant changes in answers in the questionary , once that herself considers agree with her daily activities, only setences that were related to the care and forms of prevention of pain. In conclusion using Pilates method was significant improvement of muscle flexibility on hypertrophy of lumbar paraspincil and postural alegment.

Key-Word: Scoliosis, rehabilitation, posture.

INTRODUÇÃO
A coluna vertebral é o ponto mestre do nosso sistema músculo-esquelético, em volta do qual se organizam todos os demais aparelhos e sistemas do corpo humano. É uma das primeiras estruturas a se desenvolver no embrião e dela formam os apêndices, que vão desenvolver os membros e demais segmentos corporais. Portanto, as afecções que comprometem estrutural e funcionalmente a coluna vertebral têm repercussão por todo o organismo. Do ponto de vista biomecânico, a coluna influencia e é influenciada por posicionamentos e esforços das cinturas pélvica e escapular e dos membros superiores e inferiores, respectivamente (ROCHA; PEDREIRA, 2001).
A escoliose idiopática (estrutural) é uma alteração tridimensional da coluna vertebral, sua etiologia ainda é desconhecida e seu início ocorre na puberdade, tendo seu grande momento de progressão associado ao estirão de crescimento. A prevalência de escoliose em adolescentes varia de 1 a 3% da população, sendo as meninas mais afetadas que os meninos (DOHNERT; TOMASI, 2008). É caracterizada pela presença de uma proeminência rotacional no lado convexo da curva. Nessa condição, as vértebras são rodadas no sentido da convexidade, que é melhor visualizada quando o paciente realiza flexão anterior de tronco, causando uma gibosidade (BONORINO et al., 2007).
Alguns exercícios de Pilates têm sido usados dentre os procedimentos de fisioterapia como fins terapêuticos, reeducação neuromuscular, atividade funcional e estabilização central. Entretanto, o critério de escolha das variáveis, como a posição do indivíduo e o posicionamento da mola, que modulam a sobrecarga dos exercícios no Pilates ainda vêm sendo realizados por meio de avaliações subjetivas. Apesar da grande popularidade do Pilates na prática clínica, o que se observa é a carência de estudos científicos tanto com aplicação na Fisioterapia, como com abordagem cinesio¬lógica, fisiológica e/ou biomecânica (TOUCHE et al., 2008).
O presente estudo tem enfoque, não só anatômico e estático, mas também um ponto de vista funcional, sobre as varias interferências que possa ocasionar alterações na coluna vertebral. A importância do mesmo se mostra, inicialmente, pela abrangência deficitária em estudos científicos que incluem o Método Pilates em programas de reabilitação funcional e/ou postural, e pela eficácia do método no tratamento da dor de indivíduos com escoliose tóraco-lombar.

METODOLOGIA
Tipo de estudo
Trata-se de um estudo indutivo descritivo, utilizando-se um estudo de caso, de caráter longitudinal e prospectivo.

Amostra
O presente estudo de caso foi conduzido na Clínica de Fisioterapia FISIOVIDA em Perdizes-MG. Participou do estudo um sujeito do sexo feminino, cor branca, 12 anos, estudante, praticante de atividade física, com diagnóstico clínico de escoliose tóraco-lombar ao Raio-X (FIG. 1), e queixa principal de dor na curva escoliótica.


O paciente foi conduzido ao tratamento com plena e total segurança quanto às atividades a serem executadas, e também concordando que iria participar de um estudo acadêmico onde seus dados poderiam ser publicados em eventuais sistemas de comunicação, com tudo, foi repassado ao responsável pelo paciente o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (anexo 1) para que tomasse conhecimento do estudo.
Inicialmente realizou-se uma revisão na literatura, através de livros e artigos referentes ao tema, a partir do acervo da Biblioteca do Centro Universitário do Planalto de Araxá e da Universidade de Uberaba. Foram também utilizados sites de busca como, por exemplo, Scielo, Bireme, PubMed e revistas cientificas, dentre outros. Foram usadas palavras-chave como: escoliose, reabilitação, postura.
Para análise qualitativa da dor foi utilizado Translation, adaptation and validation of the Roland-Morris questionnaire – Brazil Roland-Morris (NUSBAUM et al., 2001), antes e após o tratamento com o método Pilates, e para observar o ganho de flexibilidade utilizamos o teste índex-chão.

Procedimentos de intervenção
O tratamento fisioterapêutico foi realizado no período de setembro de 2009 a março de 2010.
A princípio, a paciente recebeu orientações sobre a função do “power house”, nome dado por Joseph, à musculatura do abdômen e do assoalho pélvico que é o foco de fortalecimento no Pilates; e sobre a respiração a ser realizada durante a execução dos exercícios (inspirar quando se prepara para fazer o movimento e expirar ao executar).
Nas sessões iniciais foram abordados exercícios de mobilização da coluna e alongamento de membros inferiores, acrescidos de orientação postural para adaptação do individuo ao método, como: spine stretch (FIG. 2 e 3), saw, swan, dentre outros realizados nos aparelhos específicos. Nesta fase o tratamento envolveu, também, exercícios de consciência corporal proporcionando a correção de assimetrias com a utilização de cunhas. Os exercícios de estabilização e fortalecimento muscular eram realizados na mesma sessão, em etapas distintas.
Posteriormente, as sessões evoluíram em relação ao tipo de exercício realizado, ou seja, o protocolo de tratamento não apresentava exercícios com séries e repetições; a paciente realizava cada um dos exercícios estipulados em 10 repetições. Todas as aulas apresentaram uma seqüência de mobilização, alongamento, fortalecimento muscular e relaxamento.


Critérios de inclusão e exclusão
• Critérios de inclusão: Paciente com escoliose tóraco-lombar em “S”, quadro álgico presente no seguimento T7 – L3, faixa etária de 11 a 13 anos.
• Critérios de exclusão: Paciente com escoliose tóraco-lombar em “C”, hipercifose torácica, sem comprometimento psicossomático, faixa etária acima de 13 anos.

Análise estatística
A análise estatística dos dados foi interpretada por meio de tabelas representando através de resultados qualitativos as situações em que o individuo apresentava dor no segmento vertebral tóraco-lombar antes e após o tratamento, e por meio de gráfico apresentando o ganho de flexibilidade muscular ao teste índex-chão.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
O propósito deste estudo foi avaliar a interferência do método Pilates na dor de um individuo com escoliose tóraco-lombar utilizando o Translation, adaptation and validation of the Roland-Morris questionnaire – Brazil Roland-Morris.
Os resultados encontrados durante o tratamento através da aplicação do questionário estão representados nas tabelas a seguir:

Tabela 1: Appendix 1 – Original and Brazilian-Portuguese version of the Roland-Morris questionnaire no pré-tratamento.
Fonte: Acervo pessoal.

A tabela 1 representa as frases que a paciente considerou descrever seu estado de dor e/ou desconforto na coluna vertebral no Pré-tratamento.

Tabela 2: Appendix 1 – Original and Brazilian-Portuguese version of the Roland-Morris questionnaire no pós-tratamento.

Fonte: Acervo pessoal.

A tabela 2 mostra o resultado do tratamento com o Método Pilates como interferência direta no quadro álgico e funcional da paciente com escoliose tóraco-lombar. Houve mudança significativa nas respostas do questionário, uma vez que, a paciente considerou estar de acordo com suas atividades cotidianas, apenas frases que diziam respeito aos cuidados e formas de prevenção da dor, corroborando com o estudo realizado por Blum (2002), que evidenciou em seu estudo de caso o efeito do Método Pilates no tratamento de um paciente com escoliose, com melhora significativa da funcionalidade e do quadro álgico.
Para Donzelli et al. (2006), a utilização de um protocolo baseado no Método Pilates durante um périodo de 6 (seis) meses, reduziu consideravelmente o quadro álgico de pacientes com dores nas costas, uma vez que grande parte dessa analgesia foi atingida com apenas 1 (um) mês de tratamento.
Para os movimentos do tronco e manutenção adequada da postura, há necessidades de ações musculares seletivas e compatíveis com a exigência das atividades diárias. Os músculos eretores asseguram o posicionamento correto do tronco na posição ereta e seu déficit de desempenho induz à instabilidade da coluna, auxiliando para o desenvolvimento de processos álgicos e fadiga muscular. Por outro lado, os músculos abdominais contribuem na manutenção do equilíbrio e atuam diretamente na estática e na dinâmica da pelve, sendo assim de grande importância para a postura do corpo. A fraqueza leve ou moderada do músculo glúteo máximo, em conjunto com a dos isquiotibiais, permite que a pelve se incline para frente, aumentando assim a lordose (MACEDO; DEBIAGI; ANDRADE, 2010).
De acordo com Kolyniak et al. (2004), em um estudo avaliando a influência do Método Pilates na musculatura flexora e extensora de tronco observou-se uma hipertrofia relevante dos músculos extensores de tronco em relação ao pré-tratamento, o mesmo foi observado em nosso estudo, onde verificamos uma maior estabilidade na coluna vertebral após o tratamento com o Método Pilates, identificando assim o alinhamento postural e consequentemente o alívio do quadro álgico.
Um dos métodos utilizados para mensurar a flexibilidade de posteriores de coxa é chamado de índex-chão e a unidade é dada em centímetros (cm), o mesmo foi utilizado em nosso trabalho no pré e pós tratamento para análise das variáveis pelos mesmos pesquisadores do estudo.
Níveis adequados de força e flexibilidade muscular são extremamente fundamentais para o bom funcionamento músculo-esquelético, contribuindo para a preservação de músculos e articulações saudáveis ao longo da vida. Por outro lado, tanto o declínio da força quanto dos níveis de flexibilidade vai gradativamente dificultando a realização de diferentes tarefas cotidianas, trazendo, muita das vezes, à perda precoce de autonomia (CYRINO et al., 2004).
Métodos para aumentar amplitude de movimento estático e balístico, e mais recentemente faciltação neuromuscular proprioceptiva, foram amplamente estudados. Atividades como esporte e fisioterapia podem beneficiar-se de métodos que podem aumentar amplitude de movimento mais facilmente e em um tempo reduzido (SANDS et al., 2006).
Segundo Bertolla et al. (2007), em um estudo randomizado com jogadores de futsal juvenil, foi observado em um total de 6 (seis) meses de programa, uma diminuição de 4,3cm no incremento de flexibilidade com a utilização do Método Pilates.
Segal et al. (2004) em seu estudo de aproximadamente 3 (três) meses, identificou com o teste índex-chão uma melhora notável de 3,3 a 4,3cm após o tratamento utilizando o Método Pilates com relação aos valores de referência, o mesmo aconteceu em nosso estudo onde identificamos uma diminuição de 100% (23cm) durante um período de 6 (seis) meses de tratamento.

CONCLUSÃO
Este estudo mostrou que o Método Pilates pode ser uma importante ferramenta para profissionais da área da Fisioterapia com enfoque principal na reabilitação, trazendo benefícios variados e com poucas contra-indicações. Conclui-se que com a utilização do Método Pilates houve melhora significativa da flexibilidade muscular, hipertrofia relativa de paravertebrais lombares e um alinhamento postural considerável durante os exercícios propostos no tratamento. Portanto, observamos uma necessidade de estudos futuros relacionados ao Método Pilates com maior enfoque fisioterapêutico e com instrumentos avaliativos que tragam maior fidedignidade aos resultados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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BONORINO, K. C. BORIN, G. S. SILVA, A. H. Tratamento para escoliose através do método Isso-Stretching e uso de bola suíça. Cinergis. v. 8, n. 2, p. 1-6, 2007.

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MACEDO, C. S. G. DEBIAGI, P. C. ANDRADE, F. M. Efeito do isostretching na resistência muscular de abdominais, glúteo máximo e extensores de tronco, incapacidade e dor em pacientes com lombalgia. Fisioter. Mov. Curitiba. 2010. v. 23, n°. 1, jan./mar, p. 113-120.

NUSBAUM, L. et al. Translation, adaptation and validation of the Roland-Morris questionnaire – Brazil Roland-Morris. Braz. J. Med. Biol. Res. 2001. v. 34, nº. 2, p. 203-10.

ROCHA, E. S. T.; PEDREIRA, A. C. S. Problemas ortopédicos comuns na adolescência. Jornal de Pediatria. 2001. v. 77, supl. 2.

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SEGAL et al. The Effects of Pilates Training on Flexibility and Body Composition: An Observational Study. Arch Phys Med Rehabil. 2004. v. 85, nº. 12, p. 1977-81.

TOUCHE, R. L., ESCALANTE, K., LINARES, M. T. Treating non-specific chronic low back pain through the Pilates method. J. Bodyw Mov. Ther. 2008. v. 12, nº. 4, p. 364-70.

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