EDUCAÇÃO PARA O LAZER DE PESSOAS COM MOBILIDADE REDUZIDA

Sarah Souza Pontes fisioterapia.sarahpontes@gmail.com vinculada a Fundação Visconde de Cairu; Luis Américo Silva Bonfim americobonfim@hotmail.com vinculado a Fundação Visconde de Cairu e Nívea Maria Fraga Rocha nivea_rocha@uol.com.br vinculada a Fundação Visconde de Cairu.

INTRODUÇÃO

O lazer, quando pensado para pessoas com mobilidade reduzida secundária a lesão neurológica deve considerar suas características e necessidades, para garantir seus direitos estabelecidos na Declaração de Direitos Humanos de 1999 e possibilitar a inclusão social.
O presente estudo tem como temática “Educação para o lazer de pessoas com mobilidade reduzida secundária a lesão neurológica”. Para tal se faz necessário abordar temas relacionados ao “serhumano” (escrito junto para dar noção do todo sem fragmentação), sociedade, lesão neurológica, mobilidade reduzida, lazer, Direitos Humanos e inclusão social.
A temática Inclusão Social encontra-se em bojo nos tempos atuais, mas é preciso não apenas incluir e sim favorecer a transformações sociais, desta maneira o presente estudo visa investigar a relação do ser com mobilidade reduzida secundária a lesão neurológica com a prática de lazer, bem como definir o significado do lazer para as pessoas com mobilidade reduzida secundária a lesão neurológica, verificar a motivação e restrições de pessoas com mobilidade reduzida secundária a lesão neurológica a prática do lazer e por fim traçar iniciativas sócio-educativas que favoreçam a integração das pessoas com mobilidade reduzida secundária a lesão neurológica à prática do lazer e tem como problema:
Qual a relação entre as pessoas com mobilidade reduzida secundária a lesão neurológica e a prática do lazer? E quais as iniciativas sócio-educativas podem favorecer a prática do lazer de pessoas com mobilidade reduzida?
É, portanto neste contexto que nota-se a necessidade de abordar a inclusão social de pessoas com mobilidade reduzida secundária a lesão neurológica no lazer, através de um veículo eficaz e facilitador que são a iniciativas sócio-educativas.

2 SERHUMANO E SOCIEDADE

O “serhumano” é multidimensional manifesta-se de maneira visível e não visível, além do simples esquema corpo físico-biológico. (BARRETO, 2006). A saúde e doença se dão quando ocorre o desequilíbrio, não apenas no corpo físico, aspectos importantes influenciam diretamente neste estado como a história de vida, a família e a sociedade, desta forma são fatores que os profissionais que atuam no processo de saúde e doença precisam conhecer interinamente. (COSTA, 2004).
A ciência moderna visualiza o “serhumano” em um recorte unidimensional, o que ocorreu a partir da ciência experimental. (BARRETO, 2006). É possível afirmar que o “serhumano” é integral e único, ainda que cada vez mais o próprio se fragmente, por isso a ciência recorre à interdisciplinaridade para o entendimento do todo.
O contexto da vida é “ser e estar em relação” (BARRETO, 2005, P. 51). Muito se sabe a respeito do valor das relações humanas, do conhecimento, aprendizado e evolução que a mesma proporciona. O lazer é um veículo que possibilita a integração do “serhumano” na esfera social.
As tranformações dos valores exigem do terapeuta cada vez mais a superação do modelo cartesiano e tecnicista para assumir um modelo holístico no qual corpo e mente seja parte integrante do “serhumano”. “O projeto educativo é, então, tentar integrar e não afastar o Ser Humano de si mesmo”. (BARRETO, 2005, p.29). A junção dos saberes é imprecindivel, porntato a interdisciplinaridade é peça chave para a evolução, com esses novos parametros a ciência tende a galgar o caminho rumo à totalidade.
Em destino ao ser integral é preciso visualizar todas as dimensões do saber, observar que o “serhumano” não se trata apenas do corpo no espaço, mas sim do ser integral e inserido na sociedade na qual ele deve exercer influencia e ser inflenciado, pois apenas nas relações que este evolui e contribui para o todo, o lazer proporciona a inclusão de toda e qualquer pessoa em um ambiente no qual o conhecimento e aprendizado são aspectos fundamentais para contribuição com o social proporcionando o bem-estar e qualidade de vida do coletivo.

2.1 SOCIEDADE PROMOVE SAÚDE

Após a incidência de uma lesão neurológica o individuo não raro, experimenta o isolamento, por carência de motivação. O contato com o outro promove bem-estar e possibilita experiências jamais experimentadas. ”De maneira geral, o apoio social é definido como os recursos gerados por outros”. (DUTHIE; KATZ, 2002). O contato social permite ao “serhumano” observar a si e ao outro em uma perspectiva propícia a trocas e aprendizado.

“Existe limitação da integração social quando, em virtude da sua deficiência, o individuo se torna incapaz de manter e participar normalmente das relações sociais”. (PICKLES et al. 2002, p. 333).

Quando a pessoa se expõe ao ambiente social ele interage com o meio e coma sociedade o que favorece uma identificação do ser com ele mesmo, a possibilidade de se sentir parte da sociedade e com isso se sentir útil e capaz. Essas relações repercuti na auto-estima, na saúde mental e no corpo humano, uma vez que as partes compõe o todo o que torna o “serhumano” integral.

“As pesquisas indicam que a associação entre o tamanho da rede de apoio social de uma pessoa e de sua saúde não é linear. Aqueles que estão isolados e têm pouco ou nenhum relacionamento social apresentam um risco especialmente alto de mortalidade”. (DUTHIE; KATZ, 2002, p. 24).

O lazer favorece o contato social a integração do “serhumano” com o ambiente, com o outro e com ele mesmo o que possibilita a realização pessoal. Portanto a esfera social é um instrumento que beneficia a saúde e a integralidade do ser e influencia no sentido do viver. Ser humano é sentir e respeitar os limites do corpo, desfrutando plenamente os órgãos dos sentidos, para uma auto-satisfação, como também contemplar o próximo no mesmo ambiente.
O lazer, portanto nada mais é que uma atividade multidimensional, na qual envolve aspectos de auto-realização, atividade do corpo, mente e fator social que por sua vez é influenciado por fatores do cotidiano da sociedade em que este se encontra inserido. Não é possível discorrer a respeito do “serhumano” e lazer sem ao menos analisar os fatores culturais que influencia nas atividades cotidianas das pessoas, uma vez o próprio lazer depende de toda uma trajetória cultural existente em toda e qualquer sociedade.

3 ESTADOS RELACIONADOS À SAÚDE

A saúde é um fator essencial para a vida humana, mas está não consiste apenas no corpo físico e sim em um ser em sua totalidade, bem como aspectos políticos e sociais que promovam o amparo desta.
Quando se é pensado em qualidade de vida é possível imaginar uma gama de fatores que podem influencia no estado de saúde humana, bem como um arsenal de profissionais que devem atuar para prevenir ou mesmo reabilitar a pessoa em sua totalidade nas esferas corpo físico, mente e social.
Na área de saúde já se pode ter uma visão ampla do “serhumano”, não mais como uma doença isolada como se fazia utilizando apenas a Classificação Internacional de Doença (CID), agora já criada a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), esta unifica estados de saúde e fatores relacionados a esta.
Os domínios abordados pela CIF são a funcionalidade, estruturas do corpo, atividades, participação e fatores ambientais que interagem com estes construtos. (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 2003).
A CIF tem como principais objetivos:

• Favorecer uma base científica para estudo da saúde e condições relacionadas a esta.
• Dispor de uma linguagem unificada para descrever a saúde e os estados relacionados a esta para facilitar a comunicação e entendimento de profissionais da saúde, pesquisadores, elaboradores das políticas públicas e o ser com incapacidades.
• Promover a coleta de dados e a comparação entre estes.
• Oferecer esquema de códigos para sistema de informação em saúde.

Desta forma a CIF é um instrumento que viabiliza a pesquisa, comunicação, classificação e permiti a elaboração de projetos no âmbito as saúde, uma vez que relaciona saúde, capacidade e incapacidade que relaciona estes atributos a função, o desempenho desta em um ambiente específico e por um ser único, se torna fundamental para a abordagem da pessoa com histórico de uma lesão neurológica que as conseqüências motoras repercutem nas autonomia, independência e participação.

3.1 LESÃO NEUROLOGICA E MOBILIDADE REDUZIDA

Um dano cerebral é causado por doenças neurológicas, mais conhecidas como lesões. (DAMÁSIO, 2005). Alterações no cérebro a depender da área envolvida e extensão da mesma, podem acarretar em menores ou maiores proporções interferência no controle motor. “Controle Motor é a capacidade de regular ou orientar os mecanismos essenciais para o movimento”. (SHUMWAY-COOK; WOOLLACOTT, 2003, p.1). O cérebro funciona como estrutura que organiza e elabora os movimentos, é primordial que ocorra uma harmonia em todas as estruturas até que o movimento seja executado.
A mobilidade é um aspecto importante para o “serhumano”, pois favorece a independência e autonomia. Mobilidade, portanto é a “capacidade de nos mover, de forma independente e segura, de um lugar para outro. (SHUMWAY-COOK; WOOLLACOTT, 2003, p. 289).
Mobilidade reduzida é caracterizada como dificuldade e/ou insegurança na qual uma pessoa possa apresentar ao se movimentar, “usando ou não aparelhos ortopédicos ou próteses (…)”. (Associação Brasileira de Normas e Técnicas – NBR 14022, 1997, p.2).

4 CONTEXTUALIZAR O LAZER

Contextualizar o lazer é um tanto quanto amplo e abstrato, o significado deste não elucida o lazer em si, afinal é preciso vislumbrar o “serhumano”, suas preferências e modo de vida, a sociedade que encontra inserido, a cultura, o meio familiar, entre outros fatores nos quais podem ser citados a perspectiva individual do lazer, as possibilidades e as questões políticas, sociais e econômicas. Portanto o lazer vai além do papável e do visível, assim como o “serhumano” é multidimensional.
O lazer desempenha algumas funções principais nas quais podem ser destacadas as funções destinadas à educação que difunde conhecimentos, experiências e expandem processos mentais, as funções que promovem ensino envolvem a aprendizagem de fatores culturais, filosóficos, bem como políticos, o que favorece ao comportamento social, ações integrativas, recreativas que visam o bem-estar físico e mental e por fim ações que auxiliam na cultura e na formação pessoal interagindo no desenvolvimento humano.
Vamos desmitificar o lazer esclarecer que o trabalho não é mais importante e dignificante que este dimensão necessidades básicas do “serhumano” porque não incluir entre as mais emergentes como: saúde, saneamento básico e educação? Lazer é descanso, é também não fazer nada, por isto a alienação. O “serhumano” por ser multidimensional já apresenta a necessidade de atividades de lazer, uma vez que é preciso não apenas estar em harmonia biológica através do sistema de saúde e não apenas o corpo físico com atividades físicas, se faz necessário uma atividade em várias dimensões do “serhumano” como o lazer que envolve o corpo físico (a depender da atividade escolhida), a mente e o social.
O lazer é uma atividade cultural que surgiu a partir das necessidades humanas decorrentes da civilização industrial. Anterior ao século XX nunca foi possível vivenciar um fenômeno atípico como o lazer. (ARANHA, MARTINS, 1992). “As necessidades do lazer, ou melhor, dos valores do lazer, sempre esteve presente na vida do ser humano”. (MARCELLINO, 2004, p. 5). A criação do lazer como “tempo disponível”, foi dada a partir da carga de trabalho imposta ao “serhumano”, desde de então o lazer por muitos foi visto como privilégio de classes privilegiadas.
O panorama começou a ser modificado a partir do crescimento das cidades, quando os trabalhadores tiveram algumas conquistas como a redução da carga horária semanal, com momento de descanso, este começou a ser remunerado e direito a férias, quando foi criada a colônia de férias.
A partir da alienação vista na área de trabalho foi expandida para o lazer enquanto o trabalho mecânico e sem recrutar o intelecto o lazer também se tornava passivo, onde atendia ao modismo imposto e não mais atividade de livre escolha, o mecânico produzido no trabalho era reproduzido no lazer. O que é oportuno ressaltar é que a atividade em que é escolhida para realizar no momento destinado ao lazer não é diretamente relacionada a passividade e sim a atitude assumida pelo ser, duas pessoas podem assistir filme com propósitos diferentes. (ARANHA, MARTINS, 1992).
O lazer trouxe em sua historia os mais variados significados, no qual iremos nos a ter ao tempo disponível a uma atividade escolhida pelo individuo, portanto para o desempenho do lazer é preciso do individuo, a escolha por este de uma tarefa que busque bem-estar, mas livre de obrigações seja qual for o âmbito.
No decorrer da historia o lazer teve diversas abordagens, seja tempo livre, o qual não mais utilizado, pois o tempo quando desempenhado uma atividade seja qual for não pode ser caracterizado como livre, o ócio como muitas vezes referiam ao lazer, não mais empregado, pois é sabido que toda e qualquer atividade de lazer se faz necessária e é um direito do “serhumano”, promove bem-estar e favorece a interação com o meio social. E na seqüência de significados para o lazer muito já foi acompanhado pelo trabalho, alguns autores ainda continuam com essa abordagem, na qual preferimos distanciar, pois uma vez que coloco o lazer como atividade dependente ou secundaria ao trabalho estamos promovendo uma hierarquia, supervalorizando o trabalho e diminuindo o valor representativo do lazer, bem como afirmando que todos aquelas pessoas que não se encontram no inseridos no mercado de trabalho por seguinte também não devem ter direito ao lazer. Logo iremos conceber a o lazer como atividade independente, que é liberta e promove liberdade em sua essência. Dumazedier (1976) afirma que os estudos mais recente do lazer caracteriza este como momento destinado a atividades de satisfação individual, desinteressada e sem obrigações.
Lazer como produção cultural necessita de uma transformação de ideologias, pensamentos e acima de tudo de valores do “serhumano”, para atingir a sociedade, órgãos públicos e privados, é preciso dar alguns passos para traz para avançar, pois se faz necessário primeiro entender o “serhumano” na sua integralidade. (MARCELLINO, 2004). O lazer se trata de uma das esferas da vida humana, se trata de atender satisfações é preciso entender o “serhumano” com todas suas individualidades e se fazer analisar ainda que diferentes são iguais na essência, o que proporciona direitos iguais.
Não raro o lazer é caracterizado como ócio e tempo livre o que reduz o significado da palavra e da atitude, favorece ao menosprezo de uma ação importante. O significado mais próximo da palavra lazer é a idéia da união de atitude e tempo disponível para a realização, seja qual for à atividade escolhida, uma vez que esta muito tem haver com as experiências vividas. O lazer é um veículo que proporciona a melhora da qualidade de vida, não é possível ser imposto, portanto deve ser conseqüência da livre escolha

5 DIREITOS HUMANOS

A discussão a respeito da temática políticas públicas e os direitos humanos é relativamente recente, sobretudo no âmbito acadêmico e profissional. (ZIMMERMANN, 2006). A declaração dos direitos humanos na Lei N° 7.853 de 24 de outubro de 1989 afirma em seu Art. 1° “Ficam estabelecidas normas gerais que asseguram o pleno exercício dos direitos individuais e sociais das pessoas portadoras de deficiência, e sua efetiva integração social, nos termos desta Lei”. Infelizmente a prática atual ainda encontra-se distante da teoria, ainda que existam leis as pessoas continuam excluídas socialmente e privados de uma vida humana de fato.
As barreiras encontradas pelos deficientes são inúmeras, estas físicas, sociais e muitas vezes econômicas impedem uma vida com direitos constituídos em lei. A inclusão social é uma peça chave para tanta desigualdade social, mas para que este processo de transformações social seja colocado é prática é preciso uma sociedade coesa em busca dos direitos do todo.
A democratização da cultura visa implementar a expansão do campo social, bem como a criação de direitos nos quais sejam assegurados a prática, palpáveis e existentes e a elaboração de outros, o que se pode afirmar é que a democracia é a sociedade verdadeiramente viva, histórica, susceptível ao tempo e sensível a transformações (CHAUÍ, 2007).

5.1 INCLUSÃO SOCIAL

A diversidade tem sido um aspecto bastante abordado, não tem como falar de diversidade sem que nos remeta a inclusão social e por meio da educação, uma vez que este poderoso instrumento se mostra como ponto fundamental para a transformação social que se faz necessária. Desde tempos remotos nos é permitido visualizar a busca do ser dito deficiente em busca dos direitos no âmbito social como um todo. É possível observar que a diversidade vem cada vez mais sendo desconsiderada, ainda que real, esta se encontra no descrédito e, não raro, proporciona a sua não ascensão proporciona o desrespeito ao “serhumano”.
Cada vez mais é importo o padrão de normalidade, ainda que mesmo em termos físicos, psíquicos e morais as pessoas sejam classificados “normais” mesmo assim são diferentes entre si, e isso que nos faz estar em relação, uma vez que aprendemos com o outro, caso todos fossem iguais, como indústrias altamente especializadas onde os objetos são padronizados e confeccionados em larga escala, não faria a menor diferença ser e estarmos em contato com o social, pois a troca não mais seria possível para a evolução do ser.
Barreto (2005) discorre a cerca do caos social contemporâneo, e afirma que este se encontra pautado na desatenção com os valores morais, éticos e estéticos elevados apresentados nas ações diárias, o que permeia a formação profissional que proporciona para a sociedade técnicos em vez de “serhumano”, ainda que este “serhumano” possa desenvolver a partir de princípios humanos o profissionalismo.
Para a valorização do “serhumano” integral é preciso mais que uma visão holística se faz indispensável à valorização do ser, bem como sua essência na qual essa sim é o princípio meio e fim de tudo, afinal como falar de inclusão social uma vez que não se sabe para que o “serhumano” é útil, se nem mesmo foi desvendado e estimado o valor real deste, e pra que é necessário, porque e para quem é preciso desenvolver o lado social e o que este pode favorecer o ser em sua plenitude.
A inclusão não é apenas permitir o acesso da pessoa a um projeto social e sim um processo no qual o ser é inserido na totalidade. Portanto pouco representa apenas a facilidade do acesso em um local de lazer ou a escola, caso a pessoa não esteja em perfeita harmonia com ele mesmo, com o meio e com os outras pessoas que freqüentam este ambiente.
Muito é possível quando tem o “serhumano” como produto, este com significado de fim, uma vez que se deve ter sempre em mente o bem-estar em que determinada atividade promove ao ser, uma vez desnecessária ou prejudicial se torna descartável, se não inútil. A educação contribui de maneira significativa para a formação humana, com caráter transformador, sobretudo social, no intuito de galgar a cidadania.
O ambiente em que ocorrem as atividades de lazer deve atender a demanda da população, uma vez que deve tornar real o direito de ir e vir. No entanto esse fato ainda parece muito teórico, pois a acessibilidade em locais de lazer também se trata de inclusão social. Os locais de lazer não são em numericamente suficientes e em sua maioria mantidos por iniciativa privada, como é o exemplo de cinemas e teatros. Mesma os locais que tem estrutura destinada ao lazer não são assiduamente freqüentados, pois falta conhecimento do público iniciativas privados estão sendo desenvolvidas, mas sem o apoio do poder público as tomadas de decisão ficam complicadas e obscuras, além da construção de novos locais se faz necessário a conservação dos que já existem. (MARCELLINO, 2004).
A cidade ainda continua sendo arquitetada de forma padronizada, sem a possibilidade de se tornar real o livre acesso de todos as pessoas. Se faz necessário práticas de fiscalização e conscientização da necessidade de se tornar acessível os locais para que as pessoas sejam incluídos de fato em todos os âmbitos sociais. Quando se trata de deficientes pode ser visto que os locais continuam sendo construídos para “(…) sem a preocupação de integrar e proporcionar facilidades àquela parcela da população que apresenta deficiência, física ou visual. (MELO, 1991, p.131).
Quando se fala em inclusão social é preciso pensar em todos as barreiras possíveis ambientais, econômicas e sociais, portanto o ser com mobilidade reduzida para ser inserido nos locais de lazer ter a possibilidade de livre acesso, a locomoção nestes locais se torna difícil e impedindo a participação destes. A sociedade necessita estar instruída e receptiva a acolher e participar desta transformação para que possa viver com princípios justos, igualitários e respeitando a individualidade.
A temática que se encontra em bojo as discussões atuais são as adversidades encontradas no espaço físico, ainda que não sejam os únicos obstáculos encontrados pelas pessoas com mobilidade reduzida e não mais importante que os fatores sociais, mas já se sabe que o palpável desperta mais atenção, ainda que muitas são as vezes que o obscuro represente o todo e dispense ser elucidado.

5.2 MEDIDAS SÓCIO-EDUCATIVAS

A conscientização de uma sociedade mais ativa e participativa favorece a potencializar práticas sócio-educativas. Através da participação da sociedade é possível direcionar os interesses do todo, bem como o envolvimento e co-responsabilização de toda a sociedade. Evita o direcionamento de interesses de grupos menores e auxilia a administração pública, essas ações direcionam ao ato de cidadania real.
Quando se é abordado políticas sociais é preciso visualizar os recursos que são escassos, bem como as prioridades traçadas e a abrangência local dos projetos elaborados, pois qualquer que seja o programa social capta incentivos. O fator primordial é observar se o incentivo está sendo oferecido de forma correta, uma vez que quando elaborado o seguro-desemprego por vezes a pessoa tem a probabilidade de acomodar-se e não ir à busca de uma nova oportunidade de trabalho e no caso de promover uma assistência universal gratuita a saúde estimula ao “serhumano” a utilizar mais o serviço. É preciso não apenas disponibilizar um programa social, mas sim estudar a sociedade que ele será destinado para que possa vislumbrar o comportamento adequado bem como a eficácia e o benefício do programa social, desta maneira a estrutura do projeto social é igualmente importante a sua existência.
A disponibilidade de um projeto social permeia o campo da educação, uma vez que a educação, por si só já é uma prática social. Para tal é preciso profissionais engajados e que proporcionem a sociedade o conhecimento de seus direitos e de preferência a busca dos demais.
As transformações ocorridas no lazer se deram ao longo do tempo através de reivindicações, mas para tal acontecimento é preciso articular a sociedade e proporcionar a mesma o conhecimento de seus direitos como cidadão.
Educar tendo em vista o lazer traduz valorizar as competências humanas, a educação é um veiculo para a expansão de informações e aquisição destas a uma grande parcela da população, favorece a possibilidade de participar de debates de caráter publico, bem como a tomada de decisão por parte da sociedade em busca da inclusão social de todos. Em qualquer circunstancia é preciso ter foco com a transformação social, através de uma “sociedade mais justa e igualitária, onde a prática moral seja embasada no respeito mútuo, na honestidade, na igualdade, na solidariedade e no amor”. (PASSOS, 2008, p. 30).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A educação e os educadores precisam conscientizar os cidadãos dos deveres para com o outro e a sociedade através do exercício de cooperação e ajuda mútua através de atitudes que demandem ações de responsabilidade social objetivando o desenvolvimento de valores éticos e morais que visam o bem comum.
É preciso conhecer os direitos e deveres para que todos possam assumir uma posição social consciente e não gere conflitos. Portanto os valores que devem ser primados são a solidariedade, fraternidade, consciência do campo social, reciprocidade, respeito ao próximo, generosidade e igualdade, para que só assim a sociedade possa combater o individualismo, a passividade e o egoísmo.
O desenvolvimento de ações nas quais sejam embasadas na educação moral e pautada em valores éticos e visam atingir interesses coletivos é o caminho destinado a ação cidadã com eficácia e com principio na inclusão social, nos direitos humanos e no desenvolvimento do ser.
A educação moral tem como pilar o respeito e valorização da vida humana, como principio a igualdade e produto e produtor o “serhumano”. A educação não deve ter limites, barreiras e locais a ser executada, portanto deve por si só ter o caráter humanizado e em vista o compromisso social.
As transformações surgem a partir de um meio propício e do coletivo engajado com práticas sociais, bem como a busca por um melhor sistema que o vigente, é preciso então união, uma visão do todo, bem como assumir o interesse da maioria, pois quando se explana a respeito de atos sociais e o cidadão conhece a prática da cidadania, não mais é possível e admitido por ele agir com base no interesse individual.
A educação é o ponto de partida e sustentação para qualquer que seja a sociedade moderna, uma vez que é através desta que o ser absorve princípios para pensar, sentir e agir, bem como aprender a ser humano. Não nos resta dúvidas que é emergente uma reforma de idéias que visem romper paradigmas atuais econômicos, sociais e educacionais. A reforma prevista permitirá ao “serhumano” conhecer a si mesmo, pois quando a estrutura conceitual do ser encontra-se elucidada facilitará a estabelecer as inter-relações.

REFERENCIAS

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2001.

BARRETO, M. O. . O papel da consciência em face dos desafios atuais da educação. 1. ed. Salvador: Sathyarte, 2005. v. 1.

BARRETO, M. O. . Teoria e Prática de uma Educação Integral. 1ª. ed. Salvador: Sathyart, 2006. v. 1.

DAMÁSIO, A.. O mistério da consciência: do corpo e das emoções ao conhecimento de si. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

DUMAZEDIER, Joffre. Lazer e cultura popular. São Paulo: Perspectiva, 1976.

DUTHIE, EH; KATZ, PR. Geriatria Prática. Ed Revinter .. Rio de Janeiro, 2002.
PASSOS, E. Ética nas Organizações. São Paulo: ATLAS, 2004. v. 01.

MARCELLINO, N. C. . Lazer e Humanização. 8. ed. Campinas: Papirus, 2004. v. 1.

MELO, Helena Flávia R. Deficiência Visual: Lições práticas de orientação e mobilidade. Ed. UNICAMP, Campinas, 1991.
OMS (Organização Mundial da Saúde). CID-10: Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. 8ª edição. São Paulo: Edusp, 2000.
PASSOS, E. Ética nas Organizações. Sao Paulo: ATLAS, 2004. v. 01

PICKLES, B. et. al. Fisioterapia na terceira idade. 2 ed. São Paulo: Santos Editora, 2002.

SHUMWAY-COOK, A.; WOOLLACOT, M. H. Controle motor: aplicações clínicas.
2.ed. Manole .São Paulo, 2003.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.