Dr. Atilio Mauro Suarti, o fisioterapeuta dos atletas do Mogi Basquete

A utilização de recursos naturais, terapias manuais e treinamentos funcionais na reabilitação e prevenção de doenças, além dos avanços tecnológicos da área, fazem da fisioterapia um dos campos cada vez mais procurados. A avaliação é do fisioterapeuta do Mogi Basquete e do Centro de Ortopedia, Fraturas e Fisioterapia Ipiranga (Coffi), Atilio Mauro Suarti. Na semana passada, ele deu nome ao prêmio entregue aos profissionais de destaque na cidade na Câmara de Mogi das Cruzes. Filho do farmacêutico Oswaldo Suarti, já falecido, e de Rosa Fugolin Suarti, atualmente aposentada, ele nasceu em Catanduva, mas passou a infância e juventude em Potirendaba. Estudou em escolas públicas e descobriu a vocação para a fisioterapia após sofrer acidente e precisar de cuidados nesta área. Formou-se na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas e veio trabalhar na Clínica Buani, em Mogi das Cruzes, mas morava em São Paulo. Em 1980, mudou-se para a cidade, quando também passou a atuar no Instituto Mogiano de Ortopedia e Traumatologia (Imot). Seguiu, ainda, carreira acadêmica, lecionando na Faculdade de Fisioterapia do Clube Náutico Mogiano, na Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), onde chegou à coordenação e implantou o projeto pedagógico do curso na Unicsul, da Universidade de Guarulhos (UNG) e da então Universidade Braz Cubas. Em 1980, iniciou o trabalho no União Futebol Clube, onde chegou à presidência, em 2016. No time de basquete da cidade, ele está desde a fundação, em 1995. Atílio também participou de conquistas como o título paulista em 1996; o jogo do “sexto jogador”, em Franca, na Liga Nacional de 1997; o início da era Valtra e o vice-campeonato paulista em 1998; a conquista do Top Four em 1999; a retomada nacional da equipe no NBB6; o vice-campeonato Sul-Americano em 2014; o bicampeonato paulista em 2016; e o título Sul-Americano de 2016. Na entrevista O Diário, ele compartilha suas experiências:

Quais as principais mudanças e avanços da fisioterapia desde o início de sua carreira até os dias atuais?

Com os avanços da tecnologia e de ferramentas digitais, a fisioterapia teve que seguir essas tendências e, portanto, saber aproveitar e usá-las em prol da prevenção e reabilitação física. Portanto, estes recursos se encontram cada vez mais presentes nas clínicas de fisioterapia. Desde 1975, ano da regulamentação da profissão, até hoje, são nítidos os avanços dos recursos utilizados pelo fisioterapeuta.

Hoje, o volume de pessoas que recorre à fisioterapia é maior do que quando o senhor iniciou o trabalho na área. Quais os principais motivos que levam as pessoas a fazer tratamentos fisioterápicos na atualidade?

A procura pela fisioterapia hoje tem se destacado, principalmente, pelo uso de recursos naturais, o grande crescimento das terapias manuais e os treinamentos funcionais, tanto na reabilitação como na prevenção das patologias que afetam o ser humano. Isso faz com que a população procure cada vez mais fazer a opção pela fisioterapia, por se tratar de uma terapia menos agressiva e com resultados positivos.

Por que sua escolha pela fisioterapia?

Em 1970, sofri um sério acidente e precisei de fisioterapia. Naquela época, a profissão ainda não era regulamentada e a pessoa que me atendia era um simples auxiliar. Mas entendi muito bem o objetivo da fisioterapia e, em 1976, entrei no curso de Fisioterapia da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Campinas, realizando o sonho de me tornar fisioterapeuta.

Quando teve início seu envolvimento nas equipes esportivas da cidade?

Em 1980, fui convidado pelo senhor Milton Alves, o Chibão, para trabalhar no União Futebol Clube. Desde então, sempre fui envolvido com a área esportiva, inclusive cheguei à presidência do União, em 2016. Mas foi uma passagem muito negativa, pois a experiência que eu tinha era do União da década de 1980, com o Chibão, João Pedro, Edmo, Dr. Pedro, Antônio Guerra, entre outros. Renunciei ao cargo, mas sou unionista de carteirinha, pois lá fiz grandes amigos, sendo que um deles preservo com muito carinho até hoje, que é o João Leite, popular Carroça. Estamos juntos quase que diariamente.

E o Mogi Basquete?

Desde 1995, sou fisioterapeuta da equipe de basquetebol de Mogi das Cruzes. O time de alto nível sempre está entre os melhores do país.

Como é lidar com estes atletas?

Conviver dia a dia com os atletas é uma tarefa que requer experiência, pois antes de tudo, eles são seres humanos. Precisamos entendê-los, pois passam por bons e maus momentos na vida e isso interfere diretamente em seu rendimento dentro da quadra. Nesse patamar de alto rendimento, que é o basquete, dificilmente um atleta não sente um desconforto ou dor. E é nessa hora que o fisioterapeuta é de suma importância na vida do atleta. Não tem dia e nem hora. Temos que estar 24 horas à disposição.

Há histórias vividas na fisioterapia que ficaram marcadas, seja pela complexidade do caso ou sucesso nos resultados?

Não há algo mais gratificante que você ver um atleta voltar às suas atividades após ficar inativo por qualquer lesão que seja. Isso é o que torna forte a ligação entre o fisioterapeuta e o atleta, pois a convivência é muito intensa.

O senhor nasceu no interior do Estado de São Paulo. Ficaram recordações da infância e juventude lá?

Quando nasci, meus pais moravam em Catanduva, onde ele era farmacêutico e gerente de uma rede de farmácias. Mas com meus 2 anos de idade, nos mudamos para Potirendaba, onde ele adquiriu uma farmácia. Adotei a cidade como de nascimento, pois ali encontrei meus primeiros amigos de infância. Aliás, vivi uma infância muito saudável naquela cidade do interior, da qual tenho saudades até hoje.

Onde o senhor estudou?

Em Potirendaba, cursei o primário na escola João Casela e fiz o Ginásio e colegial no Ginásio Estadual Maestro Antonio Amato. Na época, era um ensino público de qualidade, que teve papel fundamental, ao lado de meus amigos de infância, na formação do meu caráter. Tínhamos uma fanfarra fantástica, que chegou a ser campeã em festival nacional promovido pela TV Record, em 1970.

Como foi a vinda para Mogi das Cruzes?

Após a conclusão do curso fui convidado a trabalhar em Mogi das Cruzes, na Clínica Buani, de propriedade do senhor Laércio Buani. Morava em São Paulo, no bairro do Ipiranga, e me deslocava todos os dias a Mogi das Cruzes. Aos sábados, viajava no saudoso trem dos estudantes. Foi um momento muito marcante na minha vida. Em 1980 me mudei definitivamente para Mogi das Cruzes. Também no final daquele ano fui trabalhar no Imot (Instituto Mogiano de Ortopedia e Traumatologia), a convite do Dr. Pedro Ribeiro de Andrade Filho, pessoa de grande valia e a quem devo uma gratidão imensa, não só por minha formação profissional, mas também pessoal. Foi um início de carreira muito difícil, mas os obstáculos fizeram com que eu crescesse na vida profissional.

E o trabalho na área da educação?

Iniciei minha carreira como professor universitário em 1981, a convite do professor José Carlos Miller da Silveira, o professor Tuta, ministrando aulas na disciplina de Fisioterapia no curso de Educação Física da UMC (Universidade de Mogi das Cruzes). Ele foi um espelho para mim, um exemplo de administrador que norteou minha carreira na área administrativa universitária, pois foi através dele que me tornei coordenador do curso de Fisioterapia, em 1992, ficando até 1996. Mas antes, nos anos de 1984 e 1985, dei aulas na Faculdade de Fisioterapia do Clube Náutico Mogiano. Em 1996, fui convidado para implantar o projeto pedagógico do curso de Fisioterapia na Unicsul, em São Miguel Paulista, e atuei lá até 2011. Esta foi a instituição mais séria em que tive o prazer de fazer parte do corpo administrativo, uma organização didático-pedagógica impecável, além da valorização de seus colaboradores. Também elaborei os projetos pedagógicos dos cursos de Fisioterapia da Universidade de Guarulhos (UNG) e UBC (Universidade Braz Cubas – hoje Centro Universitário Braz Cubas). Atualmente, não exerço nenhuma atividade acadêmica, mas confesso que sinto saudades.

Como é formar fisioterapeutas para o atual mercado de trabalho?

Atualmente, é um desafio muito grande formar um profissional para o mercado de trabalho, haja visto o grande número de cursos oferecidos. Em Mogi das Cruzes temos três cursos e é muito importante que a coordenação e o corpo docente se mantenham atentos às tendências e à evolução dos recursos, para que os profissionais formados em suas instituições estejam compatíveis com o mercado de trabalho.

O centro acadêmico de fisioterapia da UMC leva seu nome. Além disso, na semana passada, a Câmara de Mogi das Cruzes entregou, no Dia do Fisioterapeuta e do Terapeuta Ocupacional, a primeira edição do Prêmio Atilio Mauro Suarti a fisioterapeutas de destaque na cidade. O que representam estas iniciativas?

O centro acadêmico de Fisioterapia da UMC leva meu nome como homenagem por eu ter elaborado o projeto pedagógico do curso. Isso me deixa muito feliz e é da mesma forma que me sinto ao dar meu nome aos destaques da fisioterapia. Mas confesso que já ficaria muito feliz se fosse lembrado para receber o prêmio, pois nossa cidade tem profissionais do mais alto gabarito no cenário nacional na fisioterapia.

Há mais lembranças da Mogi das Cruzes de antigamente?

Logo que desembarquei em Mogi das Cruzes, lembro do centro velho da cidade, principalmente do Mercado Municipal; do campo do Paulistinha, no Socorro; do Parque Municipal e do saudoso campo do União, na rua Casarejos, no Mogilar.

Como o senhor avalia o crescimento da cidade?

Hoje a cidade cresceu muito, temos grandes indústrias, um grande shopping, vias compatíveis com as de grandes cidades… Enfim, a nossa Mogi cresceu, mas na minha opinião, o que une o velho e o novo é o Varejão, compromisso obrigatório aos domingos.

Fonte: http://www.odiariodemogi.net.br/
Foto: Elton Ishikawa

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