Dormir pouco, um dos grandes males modernos.

sono

Drª Maria Maryphowza, MsC

Falta de sono é tema de enorme série de discussões, artigos e publicações científicas notórias.

O advento e popularização da luz elétrica a partir do século XIX fez a Humanidade dormir cada vez menos. A iluminação artificial e a constante exposição à luz elétrica incandescente (culpado; Thomas Edson1879), após o anoitecer provocam alterações em nossos relógios biológicos cujos mecanismos apenas começamos a entender, assim como os males trazidos pela falta de sono,segundo Kandel&Schwartz. Em uma série de artigos especiais publicados e encontrados na “Pubmed” trazem algumas das mais recentes descobertas sobre o assunto, que alguns especialistas em clinica geral já consideram uma das grandes doenças da modernidade.

Apontado como uma das maiores autoridades mundiais em estudos do sono, Charles Czeisler, da Escola de Medicina de Harvard, defende, como sempre, mais pesquisas para investigar os impactos biológicos da iluminação artificial, além de tecnologias que diminuam o problema. Ele explica que, ao longo de milênios, estruturas nos olhos e cérebro trabalham em conjunto para regular nossos relógios biológicos, cujos “despertadores” são paradoxalmente mais ativos no fim do dia do que no começo. Historicamente, tal característica fornecia uma dose extra de energia para aguentarmos de pé até o anoitecer, mas a exposição à luz depois do pôr do sol proporcionada pela iluminação artificial acaba por enviar sinais contraditórios ao sistema nervoso central, que assim adia seu “alarme” tardio e o início da produção de melatonina, o hormônio do sono.

“Como resultado, muitas pessoas ainda estão checando seus e-mails, fazendo deveres de casa ou assistindo TV à meia-noite, sem a mínima percepção de que já está no meio da noite solar”, escreve. “A tecnologia conseguiu efetivamente nos desconectar do dia natural de 24 horas para o qual nos evoluíram, levando-nos para a cama mais tarde. E usamos cafeína de manhã para levantar tão cedo quanto sempre levantamos, espremendo o sono”. Segundo Czeisler, hoje 30% das pessoas realmente economicamente ativas, empregados celetistas dormem menos de seis horas por noite, contra menos de 3% há apenas 50 anos atrás. Mas se vivermos 60 anos e dormirmos 8 horas por noite como manda a receita, passaremos 20 anos dormindo, onde não se vê nada e nem acontece nada. Mas não são só os adultos que sofrem. As crianças estão dormindo em média 1,2 horas a menos do que há um século (Playstation), e como elas reagem à falta de sono ficando hiperativas (Twitter) e com dificuldades de concentração, muitas vezes acabam erroneamente diagnosticadas (Smartphone) como sofrendo de Transtorno do Déficit de Atenção (Facebook) com Hiperatividade (TDAH).

Czeisler alerta ainda que determinação de alguns governos de proibir a venda de lâmpadas incandescentes ricas em vermelho (luz quente), em prol de outras energeticamente eficientes fluorescentes (luz fria) e a proliferação de TVs e telas de computador plana, tablets e outros aparelhos eletrônicos estão nos expondo cada vez mais aos chamados diodos emissores de luz (LEDs). E estas fontes são mais ricas em luz azul, cujo comprimento de onda mais curto causa perturbações maiores em nossos ciclos circadianos de sono e despertar. Verificamos que os equipamentos militares oferecem uma iluminação verde claro com contraste com verde escuro. A U.S.Navy a maior usuária destes equipamentos, publicou que um Fuzileiro treinado precisa apenas de 3 horas de sono sem interrupção por dia para repor suas energias sem perda de qualidade

ou controle em sua produtividade. Já desde os anos 70 sabemos que o Japão introduziu nas grandes linhas de produção e nos gigantes estaleiros “Atividade de Pausa” que incluía como opção tempo de sono para reposição das energias e reorganização dos ritmos de trabalho diminuindo o numero de acidentes e reclamações do controle de qualidade final.

Abrindo uma larga discussão sobre ergonomia da postura para dormir (Travel), se colocarmos em pratica todos seus itens não se dorme, hoje os restaurantes do centro de São Paulo (segunda maior metrópole do mundo), que atendem os executivos de mais alto desempenho do país oferecem em seu cardápio espaço confortável, silencioso escurinho e anti ergonômico, para um “cochilo” sono dos Deuses abençoados após uma refeição pesada de almoço.

Dormir pouco engorda! Dormir mal irrita! Dormir errado envelhece!

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