Dores da chikungunya. Como a fisioterapia pode ajudar.

A estudante Guadalupe Costa, 20, está na fase subaguda da chikungunya. As dores nos dedos começaram há dois meses e logo disseminaram para outras articulações, como o joelho. Por iniciativa própria, faz alongamentos em casa, acompanhados pelo YouTube, além de exercícios aeróbicos. A fisioterapia, conforme o guia de manejo clínico dessa doença infecciosa febril, recomendada pelo Ministério da Saúde, pode ser o que está faltando no tratamento.

“As dores podem ser causadas por um quadro inflamatório de artralgia (nas articulações) ou mialgia (nos músculos)”, explica o fisioterapeuta e osteopata Rafael Vieira. Embora não condene a atitude da estudante, relata que ela pode vir a se machucar ainda mais e “obter mais malefícios que benefícios”.

Aguda, subaguda e crônica

A fase em que Guadalupe Costa se encontra é a subaguda (intermediária) e ocorre após a “aguda” ou febril. Na primeira fase, o paciente sofre, geralmente, devido a ocorrência de febre súbita, dores nas costas, lesões na pele, cefaleia e fadiga (na primeira semana). As dores, principalmente nas falanges, punhos e tornozelos, duram cerca de 14 dias.

Caso o tratamento não seja iniciado a tempo, a subaguda pode evoluir para a fase crônica (terceira e última). As dores articulares e nas regiões cervical e mandibular, assim como as alterações cerebelares, distúrbios do sono, déficit de atenção e desvios de humor são aspectos da enfermidade. A prevalência é em quase metade dos pacientes, porém pessoas com mais de 45 anos e do sexo feminino têm mais riscos de chegar a esse quadro.

É o caso da farmacêutica Ceciliana Souza Cardoso, que orientada por um reumatologista, respondeu a todo o tratamento de forma adequada, mas não escapou do nível crônico. “Mesmo com a fisioterapia e com os medicamentos, já estou chegando aos três meses de chikungunya. Não sei por que, em mim, ela foi tão devastadora”, explica.

Para amenizar as sequelas, Ceciliana procurou ajuda de um fisioterapeuta. Na primeira sessão, Rafael Vieira fotografou as ações da paciente. “Tem certeza de que não fez um milagre em mim?”, indagou, ao comparar os movimentos feitos no início e ao término dos exercícios.

Nas sessões, são realizadas manobras de acupuntura tradicional e intensa, principalmente nos ombros e pernas. Segundo a farmacêutica, a dor fazia parecer que o músculo havia sido deslocado. Mesmo ainda não estando completamente curada, nem conseguindo levantar os braços totalmente, a paciente garante que quer dar seguimento à fisioterapia.

Rafael Vieira assegura que, na fase crônica tentará acelerar mais os resultados, entendendo que movimentos bruscos ou com cargas são contraindicados.

Sequelas psicológicas

Os dias de Ceciliana Cardoso são vividos com menos dores graças aos medicamentos prescritos por um clínico-geral: corticoide, antimalárico (para cortar o efeito do vírus), para tratar a fibromialgia (devido à sensação de dormência e formigamento), e anti-inflamatórios. Além das dores físicas, tem de lidar com a tristeza.

Ao fazer uma relação com os pacientes acometidos por outras arboviroses, Ceciliana diz: “Quando você vê uma pessoa com dengue, sabe que em 15 dias, mesmo com as dores, vai melhorar. Na chikungunya, cada caso é um caso”.

Para a psicóloga do Hospital São José de Doenças Infecciosas Simone Lima, esses pacientes podem perder a vontade do convívio social. “Inflamações tendem a proporcionar o sentimento de angústia. Pacientes que não conseguem sequer pentear os cabelos, passam a não sair da cama. Na chikungunya, já foi confirmado o reumatismo. Agora, médicos tentam entender se atinge o cérebro”, pontua.

“Perdi agilidade, rapidez e força. Sempre imaginei que fosse forte, mas sinto que preciso de autocontrole para não entrar numa fase depressiva. Às vezes, quando levanto pela manhã e vejo que não tenho mais vitalidade, eu choro”, conclui Ceciliana Cardoso.

2 comentários em “Dores da chikungunya. Como a fisioterapia pode ajudar.”

  1. Estou com Chicungunha há 2 meses. Já tive 2 atendimentos de urgência e.tomei vários médica.entos,antinflamatório e,analgésicos, sem comentários, estou horrível.quando acordo,parece que fui triturada na máquina de lavar. Doe os músculos, articulações, e não consigo nem tomar banho sozinha,nem pentear cabelos. Queria fazer fisioterapia, me dê uma orientação por favor.

    1. Mileide de Oliveira Rocha

      Olá Yeda a fisioterapia é de extrema ajuda para seu caso, espero que já esteja fazendo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.