Distúrbios de equilíbrio no idoso

“O seu problema está ligado à idade, você não tem mais 20 anos. Você tem que caminhar e se acostumar”.

Essas são recomendações que quem tem problema de equilíbrio escuta com frequência. Mas esse mito ficou obsoleto. Com os avanços tecnológicos e medicinais dos últimos anos, a fatalidade dos distúrbios de equilíbrio no idoso é coisa do passado.

Os distúrbios de equilíbrio dos idosos são uma patologia frequente, mas ainda bastante negligenciada e até considerada uma fatalidade.
Mas, com os avanços tecnológicos e medicinais dos últimos anos, a fatalidade não tem mais razão de ser

No caso dos idosos, esses distúrbios, que causam grandes danos, muitas vezes são atribuídos a uma fraqueza muscular, ou a um problema ósseo. Isso também acontece, mas os distúrbios de equilíbrio estão ligados principalmente à incapacidade do cérebro de tomar rapidamente decisões para desencadear movimentos apropriados de reendireitamento postural apropriado.

No ser humano, o equilíbrio é uma função complexa que utiliza informações vindas da orelha interna (sistema vestibular), mas também da visão, da propriocepção (músculos da perna e do tronco) e da percepção do ambiente. Essas diferentes entradas se projetam no núcleo vestibular, que faz a conexão da orelha interna com o córtex cerebral.

A queda se dá frequentemente nas situações em que a integração das informações citadas acima é contraditória, deixando o cérebro espacialmente desorientado. Ou seja, a queda é um déficit de DECISÃO para saber qual é a estratégia postural adequada para aquela situação e momento. Esse processo, portanto, é altamente COGNITIVO.

Pesquisas mostram que as modificações do controle postural (medido na posturografia) em jovens e idosos se dão de forma diferente. Os jovens melhoram a sua performance em dupla tarefa –  motora e cognitiva (por exemplo, realizar uma contagem numérica regressiva enquanto se equilibra numa plataforma). Já os idosos pioram o seu desempenho quanto mais complexa for a tarefa cognitiva. A hipótese explicativa é que o jovem prioriza a tarefa cognitiva, deixando o sistema de controle postural no piloto automático. E o idoso privilegia a função postural, que é vital para ele. A regulação da postura e do equilíbrio depende da eficácia desses fatores atencionais.

Os distúrbios de equilíbrio (queda para os lados, para frente ou para trás), a instabilidade (oscilação do movimento ântero-posterior – para frente e para trás), a sensação de embriaguez, a tangagem (sensação de estar na proa de um barco), a tonteira, a vertigem, o medo de andar ou de descer escadas afetam enormemente a qualidade de vida do idoso. Sabe-se que a queda é a segunda causa de mortalidade nessa faixa etária, logo após os acidentes cardiovasculares. Daí a importância de se cuidar dessa patologia, pois atualmente existem novas ferramentas adaptadas a esse tratamento.

Quantificar os distúrbios de equilíbrio

Diante de um paciente com quadro de distúrbio de equilíbrio, o primeiro passo é a análise clínica de sintomas e de dados dos exames iniciais, a fim de identificar os elementos de urgência (neurovasculares). Na ausência de diagnóstico clínico, é necessário buscar exames complementares e especializados, numa abordagem multidisciplinar.

A exploração é realizada através de diferentes ferramentas e vai nos permitir compreender as causas do problema quando os outros exames citados acima apresentarem resultados negativos.

Novos métodos de avaliação e de tratamento

O estudo na Posturografia Estática/Dinâmica é rico em informações para quantificar a utilização das diferentes informações sensoriais na manutenção do equilíbrio e avaliar a boa utilização
das entradas sensoriais.

AVD – Acuidade Visual Dinâmica (capacidade de estabilizar a imagem que se projeta na retina quando a cabeça se movimenta).
Esse teste avalia e quantifica os déficits canalares uni e/ou bilaterais, que têm relação direta com as oscilopsias (o olho acompanha a imagem no movimento rápido da cabeça, quando o normal é exatamente o contrário). O estudo é feito em movimentos de alta velocidade, separadamente, um canal por vez.

A AVD tem um lugar importante na reeducação dos déficits labirínticos unilaterais, parciais, e de mecanismos periféricos e centrais, melhorando progressivamente o ganho do Reflexo
Vestíbulo-Ocular (RVO).

Os diferentes métodos visam tratar os distúrbios de equilíbrio, priorizando a causa, quando possível, mas sempre com o objetivo de permitir ao paciente utilizar novas estratégias COGNITIVAS, a fim de substituir, através da compensação cortical, a informação sensorial deficiente. Além de avaliar, a posturografia permite a reeducação do equilíbrio quando os escores do sistema estão baixos.

No caso de dependência visual (utilização excessiva da visão, em detrimento da propriocepção e vestibular), frequente nos idosos, são propostas várias técnicas fisioterápicas como estimulador optocinético, realidade virtual, feedback posturo-multissensorial. Todas essas ferramentas têm o objetivo de aumentar a performance do sistema postural, melhorando a sensação de estabilidade e, consequentemente, a qualidade de vida do idoso.

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