DIMINUIÇÃO DO SULCO NASOLABIAL ATRAVÉS DO TRATAMENTO COM CORRENTE RUSSA ASSOCIADO A EXERCÍCIOS FACIAIS: UM ESTUDO DE CASO

Fabiola Zucco, Fisioterapeuta

Introdução

A face é a parte do corpo que mantém um relacionamento mais direto com o mundo. É principalmente através das expressões que o ser humano externa sentimentos e emoções como: preocupação, raiva, alegria, dor, angústia.
Envelhecer é um processo fisiológico, porém atualmente, a busca por uma boa aparência, por uma imagem jovem, bela e desejada vem se generalizando e se tornando necessária tanto para o relacionamento profissional como apenas pelo benefício estético (ZUCCO, 2004).
São vários os fatores que iniciam um processo de envelhecimento: hormonais, nutricionais, vasculares, predisposição genética e à maior ou menor ação de fatores agressivos como a contínua exposição ao sol, ao calor ou ao frio (MARINELLI,1999). As rugas e a flacidez de pele são duas conseqüências do envelhecimento, assim como a flacidez muscular. A flacidez muscular pode estar presente em pacientes jovens, geralmente por fatores genéticos ou pelo efeito sanfona (emagrece-engorda).
O fenômeno fisiológico do envelhecimento ocorre em todos os tecidos. O colágeno, componente fundamental do tecido conjuntivo torna-se gradualmente mais rígido, e a elastina, outro componente do mesmo tecido, vai perdendo sua elasticidade natural devido à redução do número de fibras elásticas e de outros componentes do tecido conjuntivo. O declínio das funções do tecido conjuntivo faz com que as camadas de gordura sob a pele não consigam manter-se uniformes e a degeneração das fibras elásticas, aliada à menor velocidade de troca e oxigenação dos tecidos provoca a desidratação da pele resultando em rugas (GUIRRO e GUIRRO, 2002). De acordo com os mesmos autores, as rugas podem ser divididas em:
– dobras e rugas gravitacionais (ptose);
– rugas finas;
– rugas de expressão.
Nas alterações da pele podemos encontrar:
-Região nasal: rugas transversais, queda da ponta nasal, exacerbação do ângulo nasolabial;
-Região orbital: flacidez e ptose das pálpebras, bolsas de gordura;
-Região frontal: rugas na glabela e rugas transversais;
-Região mentoniana: queda do mento, flacidez da pele, apagamento da linha
mandibular;
-Região malar e terço médio da face: depressão do sulco nasolabial apagamento da
eminência malar, ptose dos lábios, pregas e rugas generalizadas.
No riso, as comissuras da boca são levadas mais para cima e para os lados pelo mesmo complexo muscular, podendo atuar também os músculos zigomático menor, levantador do ângulo da boca, levantador do lábio superior e da asa do nariz. O sulco nasolabial fica mais acentuado e as pálpebras aproximam-se. Geralmente por causa do avançar da idade, a pele vai perdendo sua elasticidade e os sulcos transitórios, ocasionados pela contração muscular, gravam-se definitivamente na face (CRAIG, 1981).
Os exercícios faciais utilizam-se em grande parte dos exercícios isométricos voltados para a musculatura da mímica facial, a fim de melhorar a circulação sanguínea, fortalecer os músculos diminuindo a flacidez e as marcas de expressão, permitindo uma aparência rejuvenescida ao rosto (CRAIG, 1981).
A ginástica facial parte de um princípio que é possível fortalecer os músculos da face, do pescoço e do colo, da mesma maneira que fazemos com o resto do corpo. Algumas das vantagens são a facilidade de realizar esta atividade, não ter custo e que pode ser feita por todos. A ginástica facial ainda pode ser aplicada com outros fins, como para quem está de dieta, em fase de emagrecimento, deixando menos perceptível a perda de massa magra nessa região, tirando a aparência abatida devido a perda de peso; para atletas ficarem com o rosto compatível com o corpo; ajuda na manutenção de cirurgias plásticas e portadores de paralisia facial (SIQUEIRA, 2001).
A utilização de aparelhos que realizem contração muscular no paciente tem sido utilizada há vários anos por fisioterapeutas e esteticistas, sendo que atualmente a corrente mais utilizada é a eletroestimulação russa.
Kots, professor de medicina desportiva da academia do estado de Moscou, foi o primeiro a utilizar uma corrente alternada de média freqüência para o fortalecimento muscular. Estimulou-se tanto o músculo isolado como o grupo muscular (diretamente sobre o músculo e indiretamente sobre o nervo). Esta forma de estimulação muscular, chamada de Corrente Russa (ES), possuía uma corrente alternada de média frequência, interrompida com uma freqüência modulada de 50 bursts por segundo (ADEL e LUYKX, 1990).
Eriksson e Häggmark (1979) obtiveram resultados sugestivos de que a ES associada a exercícios é mais efetiva na prevenção de atrofia muscular que um programa apenas de exercícios em pacientes no pós-operatório. De maneira similar, outros estudos reivindicaram que a ES combinada a contração muscular ativa era imensamente superior aos exercícios isolados no restabelecimento da função do joelho.
De acordo com Canavan (1995), ao associar uma contração isométrica junto à estimulação, existe a possibilidade de promover um recrutamento ainda maior das fibras, proporcionando assim um maior fortalecimento, pois essa associação faz com que a corrente, seja mais confortável e, como conseqüência, mais suportável, o que aumenta a tolerância pelo paciente, encorajando-o a utilizar uma intensidade mais alta, o que promovera uma contração mais forte
Este tipo de corrente promove uma musculação facial progressiva, durante a qual modificamos gradativamente a resistência muscular através do aumento da amplitude da corrente elétrica que vai fortalecendo os tecidos. Existem vários relatos na literatura, que incluem resultados satisfatórios do uso da eletroestimulação para melhora da qualidade da função muscular. Os objetivos da técnica incluem: manter a qualidade e quantidade do tecido muscular, recuperar a sensação de tensão muscular, aumentar ou manter força muscular, e estimular o fluxo de sangue no músculo (CAMARGO et al, 1998).
Os efeitos benéficos são atingidos através da contração muscular, com otimização da irrigação sanguínea promovendo maior força, trofismo e melhorando a mímica facial.
O objetivo deste trabalho é analisar, subjetivamente, a eficiência dos exercícios isométricos na musculatura da mímica facial, quando usados em favor da estética facial, juntamente com sessões de eletroestimulação russa, para a diminuição do sulco nasolabial da paciente.

Metodologia

Participou deste estudo um indivíduo, do sexo feminino, com idade de 28 anos. A participante aceitou bem o procedimento, consentindo a realização do mesmo.
Antes de iniciar o experimento e ao final do mesmo, esta foi submetida a uma avaliação no qual consta uma foto antes e após o tratamento.
A paciente foi atendida 3 vezes por semana, realizando um total de 15 sessões. A paciente foi orientada a realizar diariamente os exercícios faciais. O aparelho utilizado foi da marca Ibramed. A estimulação foi realizada com um par de canetas indicadas para a estimulação facial.
Neste equipamento as modulações normalmente encontradas são os ajustes de intensidade, que se constitui na escolha da saída de corrente (quantidade de fluxo de elétrons) em miliamperes; as modulações de rampa de subida e de descida, que são aumentos ou diminuições cíclicos e seqüenciais que podem ocorrer na largura do pulso, mas que são característicos mesmos da intensidade (amplitude); a freqüência modulada, que é utilizada para diferenciar as unidades motoras que se objetiva priorizar na estimulação; a freqüência portadora, que se caracteriza pela freqüência da corrente introdutória do estímulo excitomotor; a contração e o repouso, caracterizados pelo tempo que a corrente é transmitida para os tecidos, assim como deixa de fazê-lo; e o modo de estimulação, relacionado ao regime de saída de corrente nos canais, onde se pode optar, por exemplo, pela saída de corrente em todos os canais ao mesmo tempo, pela saída em apenas um grupo de canais alternadamente com outro grupo de canais, etc
Neste estudo de caso, o aparelho foi modulado com freqüência portadora de 2.500Hz, modulada de 70Hz, com tempo de contração de 10 s e tempo de repouso de 10 s, tempo de subida e descida igual a 1 s. Foi utilizado um tempo de repouso, pois a contração estimulada do músculo esquelético, contínua ou ininterrupta, leva a uma fadiga muscular muito rápida ou a falta de força.
O protocolo realizado foi higienização; aplicação da corrente russa facial durante 30 minutos com intensidade conforme paciente, desde que houvesse contração visível; aplicação de máscara tensora (Máscara de Dmae da marca RACCO).
Os exercícios faciais utilizados neste protocolo foram:
1. Elevar as sobrancelhas enrugando a testa por sete
segundos.
2. Aproximar as sobrancelhas por sete segundos.
3. Fechar os olhos com força por sete segundos
4.Protruir os lábios por sete segundos.
5. Lateralizar as comissuras com abertura da rima labial
por sete segundos.
6. Contração de bochechas direita e esquerda com
resistência, por sete segundos.
A paciente foi orientada a realizar os exercícios em frente a um espelho para que se perceba os erros e se possa corrigi-los, e diariamente, de forma lenta e suave, conforme sugere Vacchiano (2000).

Resultados e Conclusão

O relato de um estudo de caso não tem como finalidade a investigação, mas sim a descrição de um tratamento na prática, verificando se este é eficaz ou não, para determinado caso.
Comparando a foto que foi tirada na primeira sessão e depois na última sessão, pode-se observar redução considerável do sulco nasolabial. Nesta paciente, o resultado começou a aparecer logo nas primeiras sessões. Apesar de ser uma paciente jovem, este sulco apresentava-se inicialmente profundo, ficando consideravelmente menos visível na décima quinta sessão :


Os resultados deste estudo de caso indicaram que a Corrente russa associada a exercícios faciais, é realmente eficaz num programa de fortalecimento muscular facial. Foi possível observar a redução do sulco nasolabial através da foto. Sendo assim justifica-se o uso de corrente russa para atenuar rugas e sulcos provenientes de flacidez muscular ou pela intensificação do uso de certos grupos musculares.
Acredita-se que o fator idade e a profundidade da ruga sejam determinantes para o resultado final de um tratamento. Sendo assim, algumas marcas em estágios mais avançados podem se tornar mais leves e não desaparecer totalmente. Este tratamento é indicado para pacientes que se interessam por tratamentos mais naturais, e não invasivos. Este serve não apenas para tratar, mas também para prevenir marcas de expressão e flacidez muscular facial.
Alguns profissionais utilizam a crioterapia para relaxar e soltar os grupos de tensão dos músculos e restabelecer o equilíbrio da fisionomia para que os eletrodos entrem em ação, porém esta técnica não foi associada a este protocolo, ficando como sugestão uma pesquisa para comparar ou verificar a eficácia da corrente russa juntamente com a crioterapia.
O protocolo utilizado foi o mesmo desde o início do tratamento, sugerindo então que novos estudos sejam realizados variando-se, o tempo de aplicação e o número de sessões, uma amostra maior, para que seus reais efeitos possam ser evidenciados.
Referências Bibliográficas

ADEL, R. V. D. & LUYKX, R. H. J. 1990. Electroterapia de frecuencia baja y media. Cap. 5, B. V.Enraf Nonius. Delft, Holanda, 18-19 pp.

CAMARGO, L.C.; MINAMOTO, V.B.; NORONHA, M. A.; CASTRO, C. E. S. & SALVINI, T. F.1998. A estimulação elétrica neuromuscular do tibial anterior não altera a morfologia dos músculos sóleo (antagonista) e extensor digital longo (sinergista) do rato. Revista de Fisioterapia da Universidade de São Paulo.

CANAVAN, K.P. Reabilitação em medicina esportiva.
São Paulo: Santos. 1995.

CRAIG M. A ginástica facial de Miss Craig. São Paulo: Artenova; 1981.

ERIKSSON, E. ; HÄGGMARK, T.. Comparison of Isometric Muscle Training and Electrical Stimulation Suplementing Isometric Muscle Training in the Recovery After Major Knee Ligament Surgery. American Journal of Sports Medicine, [S.l.], v.7, n.3, p. 169-171, 1979.

FITZPATRICK, T. B. Dermatologia em medicina geral. 3 ed. Buenos Aires: Panamericana, 1992.

GUIRRO, E.; GUIRRO, R. Fisioterapia Dermato-Funcional: Fundamentos, Recursos e Patologias. 3 ed. São Paulo: Manole, 2002.

KITCHEN, S. ; BAZIN, S.. Eletroterapia de Clayton .10. ed. São Paulo: Manole, q1998.

LUCENA, A. C. T.. Eletroterapia. 1. ed. São Paulo: Lovise, 1990.

MARTINELLI, B. Dermatologia estética da face e sua relação com a cosmetologia. J Bras Med 1982;2:85-99.
2000. p. 15.

MONTEIRO, L. M. C. 1995. In: D’ANCONA, C. A. L.; NETTO JR.,N. R. 1995. Aplicações clínicas da urodinâmica. Eletroestimulação.

SIQUEIRA, R. www.roselisiqueira.com.br, 2001.

VACCHIANO, A. Shiatsu Facial. Rio de Janeiro: Brasport, 2000.

ZUCCO, F.“ Acupuntura estética facial no tratamento de rugas”. www.fisioweb.com.br, fev, 2004.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.