DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS INTERPROFISSIONAIS NAS RESIDÊNCIAS MULTIPROFISSIONAIS EM SAÚDE: NECESSIDADES E PERSPECTIVAS

Palavras-chave: Interprofissionais, residência, saúde.

Dra. Cyntia Pace Schmitz Corrêa (MG)

Professora da Faculdade de Fisioterapia da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF; Doutoranda em Saúde Coletiva; Tutora da Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto: ênfase em Doenças Crônico-Degenerativas; Tutora do Ambulatório Multiprofissional da Dor UFJF/EBSERH.
PALESTRANTE CONFIRMADA

Contextualização: As residências multiprofissionais e em área profissional da saúde foram promulgadas em 2005, a partir da Lei no. 11.129. São orientadas com base nos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente a Integralidade do cuidado, e abarcam diferentes profissões de saúde, sendo elas Biomedicina, Ciências biológicas, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia, Psicologia, Serviço Social e Terapia Ocupacional. A dinâmica de funcionamento das residências promove a oportunidade de vivenciamento da Educação Interprofissional (EIP), que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), “é um passo importante da força de trabalho em saúde ‘colaborativa preparada para a prática’”, respondendo melhor às necessidades locais de saúde [1]. Tais práticas de EIP podem ocorrer tanto nas graduações quanto nas pós-graduações. Estudos apontam que a EIP impacta positivamente na qualidade e segurança da atenção à saúde [2]. É interessante destacar que a EIP deve fazer parte de um desenvolvimento profissional contínuo, durante toda sua carreira [3].

Desenvolvimento: Diversas competências podem ser observadas como necessárias para boas práticas colaborativas. Entende-se por competência a reunião de conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias para o desenvolvimento de uma determinada ação. Diversas agências de saúde e de educação mundiais discutem quais seriam as capacidades que melhor promoveriam um trabalho em equipes de saúde visando à colaboração [4]. Destacamos a comunicação interprofissional, organização e comprometimento, cuidado centrado na pessoa/família/comunidade, liderança, clarificação de papéis e resolução de conflitos [5]. Cada uma dessas competências deve ser trabalhada dentro de modelos educacionais que privilegiem estratégias dinâmicas de ensino e o debate entre toda a equipe.

Considerações finais: Sabemos que são muitos os desafios enfrentados por profissionais de saúde e serviço social na coordenação e colaboração profissional. As residências multiprofissionais, que na nossa concepção deve ter sua nomenclatura atualizada para residências interprofissionais e se integrar com as residências médicas, precisam desenvolver, no seu escopo teórico e prático, campos de formação e discussão das competências que favoreçam o desenvolvimento de práticas realmente colaborativas. Os profissionais não podem simplesmente estar no mesmo espaço. É necessário haver diálogo, troca de ideias, e elaboração de planos de tratamento, políticas de ação e prognósticos conjuntos, sempre com foco total no paciente. Para isso, desenvolver saberes, práticas e atitudes, continuamente, desde a graduação, favorece o cuidado efetivo, de menor custo e a convivência harmoniosa dos profissionais.

Leitura complementar:

  1. OMS. Marco para ação em educação interprofissional e prática colaborativa. Genebra: World Health Organization, 2010. Disponível em: https://www.paho.org/bra/images/stories/documentos/marco_para_acao.pdf%20 
  2. REEVES, S. Porque precisamos da educação interprofissional para um cuidado efetivo e seguro. Interface-Comunicação, Saúde, Educação, v. 20, p. 185-197, 2016. Disponível em: https://www.scielosp.org/pdf/icse/2016.v20n56/185-197/pt
  3. REEVES, S. An overview of continuing interprofessional education. J Contin Educ Health Prof., v. 29, n. 3, p. 142‐146, 2009. doi:10.1002/chp.20026. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/chp.20026
  4. THISTLETHWAITE, J.E.; FORMAN, D.; MATTHEWS, L.R.; ROGERS, G.D.; STEKETEE, C.; YASSINE, T. Competencies and frameworks in interprofessional education: a comparative analysis. Acad Med., v. 89, n. 6, p. 869‐875, 2014. doi:10.1097/ACM.0000000000000249. Disponível em: https://journals.lww.com/academicmedicine/fulltext/2014/06000/Competencies_and_Frameworks_in_Interprofessional.17.aspx?casa_token=jTysyYJMTjYAAAAA:Jbm7pLt1U1MLGw5ztbPoV6lHX_bDaqSdGBx5vl1HHixpKdLXAYIEWWuezsHAm75C0haYEDHKiliUZN871jk8GMzQWz_Jpw 
  5. BAINBRIDGE, L.; NASMITH, L.; ORCHARD, C.; WOOD, V. Competencies for interprofessional collaboration. Journal of Physical Therapy Education, v. 24, n. 1, p. 6-11, 2010. Disponível em: https://journals.lww.com/jopte/Abstract/2010/10000/Competencies_for_Interprofessional_Collaboration.3.aspx

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.