Da Fisioterapia de cabresto a fisioterapia pensante, será que já somos independentes ?

Até um tempo atrás a Fisioterapia era tratada apenas e somente como um tratamento baseado em Ultra Som, TENS e Gelo, isso quando não vinha Ultra Som, Ondas Curtas e Laser dos colegas de saúde não-Fisioterapeutas. Acho que 95% dos Fisioterapeutas de todas as gerações já receberam esse trio para ser uma proposta de tratamento e que dava aos Fisioterapeutas a obrigação de não pensar. Qual de nós também não recebeu as tais dez (10) sessões e se vira? Todos, não? E como os profissionais recebiam uma miséria e as clínicas na maioria das vezes não era suas, viam-se obrigados a fazer o tratamento, as dez sessões, encher uma sala ou espaço com um batalhão de gente para atender, receber uma ninharia e se desse por satisfeito, afinal tinha muita gente querendo ocupar sua vaga. Caso estivesse insatisfeito.

De alguns anos para cá, a realidade começou a mudar e muitos Fisioterapeutas começaram a sair da Faculdade com outras ideias e com o desejo de liberdade. Começaram a pensar e pensar como Fisioterapeutas e não como repetidores de técnicas. Parafraseando as Sagradas Escrituras de Gênese quando Deus criou o universo, o ser humano e viu que tudo era bom, os Fisioterapeutas começaram a pensar e viram que pensar era bom, bom até demais. Afinal de contas, estudavam e muito. Era uma minoria, valente e disposta a modificar a realidade que tinha. Contudo, até essa minoria surgir e contagiar outros Fisioterapeutas muitas pessoas saíram prejudicadas e traumatizadas da Fisioterapia porque o Fisioterapeuta além de não poder pensar, também não podia mudar a o tratamento que o não-Fisioterapeuta prescrevia.

Os anos passaram e depois que os Fisioterapeutas aprenderam a pensar e agir como Fisioterapeutas, deixaram de agir como robô surgiu o Ato Médico que nas entrelinhas dos primeiros textos tentava recolocar o cabresto no já Fisioterapeuta pensante. Foram muitas batalhas, muitas ações judiciais que o COFFITO e os CREFITOS travaram em defesa do Fisioterapeuta e do seu direito de pensar como tal. Até que finalmente o texto definitivo foi aprovado, com vetos e direito a spray de pimenta, o Dr. Silano Barros, do CREFITO 1, o que diga. E isso deu ao Fisioterapeuta a vitória, no entanto, com uma responsabilidade triplicada. Após isso o Referencial Nacional de Procedimentos Fisioterapêuticos foi definitivamente aprovado e incluído no Rol de procedimentos da tabela TUSS (terminologia unificada de saúde suplementar) da ANS e obrigando os planos de saúde a deixar de usar os honorários referentes aos procedimentos médicos e a adotar os honorários fisioterapêuticos. Com isso, os planos de saúde estão contratando Fisioterapeutas já são obrigados a adotar a tabela referente aos honorários do Fisioterapeuta e os que já têm Fisioterapeutas contratados antes que o Rol entrasse em vigor, já estão tendo que se adequar.

Ainda recebemos aquela ‘receita de bolo’, mas já pensamos como profissionais. Já avaliamos, prescrevemos, tratamos e damos alta ao paciente se julgarmos necessário, muitos de nós já é Fisioterapeuta empresário. Que chique!!!!! Hoje temos inúmeras conquistas, graças a uma geração de Fisioterapeutas que não permite que velhos e maus hábitos persistam.

Pensar como profissional custou e tem custado caro a muitos Fisioterapeutas que ousaram e ousam pensar como profissionais.

E nós geração 2000 para cá de Fisioterapeutas, consideramos que já somos Fisioterapeutas de cabresto ou Fisioterapeutas pensantes/independentes? Será que valeu a pena tanta luta? Responda aí no seu coração e viva o FISIOTERAPEUTA PENSANTE, quanto ao de cabresto, se ainda houver, sufoque-o com sua inteligência e com tudo que você aprendeu para ser o FISIOTERAPEUTA INDEPENDENTE. Independência ou cabresto!!!!!!!!

Até a próxima,

Dra. Amanda Damasceno Soares

Fisioterapeuta Acupunturista

Consultora em Ergonomia

Blogueira e dona do blog: Coisas de Fisioterapia.

FanPage: Dra. Amanda Fisioterapeuta – Coisas de Fisioterapia.

Colunista da Revista Nova Fisio.

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