Coluna | Dr. Geraldo Barbosa

Imaginem, leitores, um triângulo equilátero com o símbolo da Fisioterapia no centro da figura e, em cada um dos lados desse triângulo as inscrições: ciência aplicada, processo terapêutico e profissão. Observem aí consolidada a tríplice interligação da Fisioterapia como agora a conhecemos. Acontece que nem sempre foi assim, nem a Fisioterapia teve seu começo com os processos de recuperação física dos feridos durante a Segunda Guerra Mundial, como alguns pensam, e até divulgam, parecendo verdade.

É necessário, portanto, ir em busca da origem.
Bertrand Russel no livro intitulado História do Pensamento Ocidental, aponta o roteiro a percorrer:
Na verdade, há duas atitudes que podem ser adotadas ante
o desconhecido. Uma é aceitar as afirmações de pessoas
que dizem conhecer baseadas em livros, mistérios e outras
fontes de inspiração. A outra consiste em sair em busca
por si mesmo, e este é o caminho da ciência e da filosofia.
(RUSSEL)

Assim, como fez o poeta latino Virgílio que, apropriando-se da lenda de Enéias, o transformou no primeiro ancestral dos romanos, trazendo desse modo mais brilho e glória para o império, encontramos na Grécia, ainda criança, egrégio filho de Apolo e Corônis, o personagem Asclépio.

Sua mãe Corônis era filha de Flégia, rei dos Lápidas, um povo que habitava a Tessália. O nascimento de Asclépio tem todos os requintes da tragédia grega. Filho de um deus, teve sua mãe eliminada a flechadas por Diana, a caçadora – irmã gêmea de Apolo e tia de Asclépio – como punição porque temendo ser abandonada pelo deus, uniu-se a um mortal, filho do rei da Arcádia. Uma versão revela que foi arrancado do ventre da mãe e em seguida abandonado, conseguindo sobreviver devido a uma cabra que o aleitou e a um cão que, como é da propensão natural da espécie, velou por ele. Pertenciam esses animais a um pastor daquelas plagas, de nome Eristene, o qual sentindo-lhes a falta, saiu a procurá-los. Encontrou-os junto ao menino abandonado e surprendeu-se com o clarão que rodeava o infante. Compreendeu imediatamente o mistério e não ousou sequer tocá-lo ou recolhê-lo, deixando-o aos cuidados daqueles predestinados animais.

O pai Apolo, ainda desesperado com a morte da mulher, a quem rendeu homenagens fúnebres; por arrependimento ou por pressão dos deuses do Olimpo, encaminhou Asclépio aos cuidados do centauro Quirão. Uma espécie de monstro, metade homem metade cavalo, possuidor de boas qualidades porque fora ensinado pelo próprio Apolo e por Diana. (continua na próxima edição)


A convite do editor Oston Mendes, estou de volta com esta Coluna aqui na Revista NovaFisio. Em princípio, os temas abordados são originários do Livro “Herdeiros de Esculápio – História e organização profissional da Fisioterapia”, lançado durante a realização do V Congresso Norte/Nordeste de Fisioterapia – V CONNEFI, em João Pessoa – PB , em outubro de 2009, com o intuito de contribuir para o aumento do acervo sobre a história da profissão, trilhando os caminhos percorridos desde Esculápio até a contemporaneidade.

Alguns capítulos estão selecionados para publicação, não impedindo que, ao longo das futuras edições, outros temas de relevância para a categoria sejam focados, sem prejuízo para a proposta inicial da Coluna.
Para criar uma via de mão dupla de interação autor/leitor, há um endereço eletrônico disponível no rodapé da Coluna e o de um Blog que mantenho na Internet..
Desejo que todos tirem bom proveito da leitura.

Um grande abraço.
Dr. Geraldo Barbosa | geraldobarbosa43@yahoo.com.br
Blog14-F: http://geraldobarbosa43.blogspot.com/

Revista NovaFisio | Ano XXII – Nº 102 – julho de 2018

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