Cirurgia plástica reparadora pós bariátrica: Considerações importantes e atuação fisioterapêutica

É observado um certo cuidado por parte dos cirurgiões plásticos nestes pacientes, especialmente na hora da cirurgia em que se retirará o excesso de pele e realizará a sua sutura. Por ser uma pele “frágil”, os cirurgiões tomam o cuidado de não deixar a cicatriz tensionada, afim de evitar deiscências (abertura da cicatriz cirúrgica) e necroses.
Mas, você sabe o por que a pele de um paciente com histórico de obesidade é frágil e requer certos cuidados?
De acordo com a pesquisa “Extracellular matrix remodeling derangement in ex-obese patients” realizada pela Divisão de Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, no qual extraíram amostras de pele de 16 pacientes ex-obesos que realizaram a cirurgia plástica reparadora, investigou-se mecanismos moleculares responsáveis ​​por disfunção do processo de remodelação da Matriz Extracelular, comparando-o com a pele normal. A pesquisa demonstrou que pacientes que sofreram grande perda de peso após a cirurgia bariátrica aumentaram a expressão de PGC-1b na pele, o que pode resultar em uma diminuição na expressão de MMP9 e aumento da deposição de colágeno tipo III e IV. Resumindo: os pacientes ex-obesos apresentaram mudanças moleculares significativas que podem contribuir para a formação de excesso de pele flácida observadas nestes pacientes e, consequentemente, prejudicar a cicatrização de um modo geral.
SOBRE O PÓS OPERATÓRIO:
Os pacientes submetidos à cirurgia plástica reparadora pós bariátrica merecem uma atenção especial devido ao seu histórico clínico. Como qualquer outro tipo de cirurgia, a cirurgia plástica pós bariátrica podem surgir pequenas complicações, sendo as mais comuns: edema infraumbilical, equimose, hematoma, seroma, fibroses e deiscência. Mediante ao histórico clínico e a estas complicações, a Fisioterapia Dermatofuncional ganha espaço e cada vez mais é recomendada no pós operatório pelos cirurgiões plásticos. O fisioterapeuta detém de conhecimento em recursos manuais, obtendo melhor percepção nas alterações teciduais, intervindo com técnicas que melhoram a textura da pele, estimulando a eliminação de nódulos fibróticos no tecido subcutâneo, reduzindo do edema, atenuando as aderências teciduais, recuperando as áreas com hipoestesias (diminuição da sensibilidade) e, consequentemente, favorecendo a recuperação e o retorno mais rápido do paciente nas suas atividades de vida diárias (AVD’s).
O Fisioterapeuta que atua no pós operatório em cirurgia plástica pós bariátrica utiliza vários recursos fisioterapêuticos, como técnicas da terapia manual, drenagem linfática manual, a cinesioterapia respiratória e motora e, conforme a necessidade e usados no tempo certo: radiofrequência, o laser de baixa frequência, Led, objetivando prevenir e/ou minimizar os efeitos que ocorrem nos tecidos durante o processo de cicatrização.
A cinesioterapia motora é de suma importância para estes pacientes, pois se tratando de um recurso fisioterapêutico que trabalha os movimentos de todo o corpo, trata o paciente de forma integral, podendo ser orientada para a realização dos exercícios em domicílio, efetivando a recuperação do paciente e sendo de fácil compreensão e realização para o individuo, prevenindo possíveis complicações e disfunções de segmentos corporais, assim como na prevenção de Trombose Venosa Profunda (TVP).
A fisioterapia respiratória entra como um grande aliado no pós operatório de abdominoplastias pós bariátricas, no qual se fará a plicatura da aponeurose dos músculos reto abdominais, ocasionando um aumento da pressão intra-abdominal e consequentemente, haverão disfunções pulmonares no pós-operatório. A função pulmonar pode sofrer alterações fisiopatológicas no período pós-operatório imediato da cirurgia abdominal e envolve a redução dos volumes e capacidades pulmonares, podendo chegar cerca de 50% dos valores pré-operatórios, principalmente nas primeiras 24 e 48h do ato operatório. A fisioterapia respiratória realizada no período do pós-operatório promoverá a prevenção e o tratamento das complicações pulmonares instaladas, utilizando manobras específicas, objetivando a melhora da mecânica respiratória e a reexpansão pulmonar. É importante a atuação do profissional fisioterapeuta nos primeiros dias, quando estas alterações são mais frequentes (MEYER, P. F. et al).
Em suma, o pós operatório de cirurgias plásticas reparadoras de pós bariátrica não se resume apenas em sessões de drenagem linfática. É necessário ter conhecimento prático e científico para realizar um tratamento completo, observando o indivíduo como um todo, e não focar apenas no local da cirurgia realizada.

Dra. Glória Lourenço – CREFITO 2/ 180728-F
Fisioterapeuta pós-graduada em Fisioterapia Dermatofuncional.
Membro Especialista da Associação Brasileira de Fisioterapia Dermatofuncional – ABRAFIDEF.
Título de Especialista em Fisioterapia Dermatofuncional – ABRAFIDEF e COFFITO.
Colunista da Revista Eletrônica NovaFisio.
Diretora do departamento de Fisioterapia Dermatofuncional da Associação dos Fisioterapeutas do Estado do Rio de Janeiro – AFERJ.
Ministrante de cursos para fisioterapeutas na área de Dermatofuncional
Coordenadora do curso de pós graduação em Fisioterapia Dermatofuncional da Faculdade Bezerra de Araújo.

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