Caros amigos, por que é tão difícil olhar a própria (falta de) atitude?

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Os ‘sanitaristas’ contemporâneos e o ‘mi-mi-mi’ do PNAB!

Caros amigos,
Por que é tão difícil olhar a própria (falta de) atitude? Como se fala sobre a proposta de reforma da PNAB, não!? Querem saber? O ministro tem lógica. Tem raciocínio lógico, boa estratégia, muita rapidez e atitude pró-ativa. Ele tem clareza do que quer. É um modelo com princípios, diretrizes e resultados claros. Muito competente.
Do que reclamam os ‘sanitaristas’ contemporâneos?
Só uma série breve de perguntas: quantos dos que hoje reclamam da reforma da PNAB conhecem os blocos de financiamento do SUS? quantos já elaboraram, acompanharam, monitoraram ou avaliaram planos plurianuais com as respectivas programações em Saúde? desses, quantos fizeram isso com base nos indicadores disponíveis nas bases de dados? quantos participaram ou acompanharam os relatórios de gestão parciais (em audiências públicas) e anuais? quantos conselheiros votaram pela reprovação desses relatórios em seus entes federativos nesses 30 anos de SUS? quantos lutaram firme contra a privatização e contra o modelo de OSS e Oscips?
A nossa falta de competência é que resultou nisso e não a intrepidez do ministro! O restrito conhecimento técnico e a falta de posicionamento claro e contínuo dos ‘sanitaristas’ contemporâneos é que levaram a isso.

Só mais duas bem específicas: quantos, por exemplo, foram a favor da criação da “rede de atenção a pessoa com deficiência”? quantos ainda aplaudem a inauguração de CERs? Alías, muitos já afundando, diga-se de passagem.
Pois é, o modelo dessa rede é idêntico ao pensamento e ao ‘espírito’ da gestão atual. E poucos, pouquíssimos ‘sanitaristas’ contemporâneos se levantaram para apontar isso na época em que foi instituído. Digo com tranquilidade que o COFFITO foi a única instituição que levou, do começo ao final, a Política Nacional de Saúde Funcional, sobre a qual coloco todos os meus créditos acadêmicos pra dizer: ela resolveria TODOS os problemas de informação e planejamento em Saúde no Brasil. Porém, nem um outro padrinho próximo da política se levantou para defendê-la, em detrimento ao modelo reabilitacionista e doente dos CERs. Lembro muito bem de ter sido incluído entre os integrantes da ‘tropa’ que defendia o modelo que mais fortaleceria a atenção básica na história do SUS.
E agora tem chororô por causa da reforma do PNAB? Mas que apito querem tocar? É só reflexo da inércia. Os CERs são só um exemplo. Há várias outras políticas paralelas que não cabem nos princípios do sistema imaginado pro Brasil na década de 80 pelos sanitaristas (sem aspas) daquela época.
Então, qual é? Vamos parar de mi-mi-mi e tirar as aspas?
Conclamo aos que leram que façamos a reforma a partir de nós, das nossas instituições e de nosso trabalho.
Não há mais espaço pra blá-blá-blá por aqui.

Eduardo Santana de Araujo
Fisioterapeuta, mestre e doutor em Saúde Pública/Epidemiologia

Autor : hodu.santana@gmail.com

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