Campanha quer reduzir subnotificação de incontinência fecal, que afeta 5 milhões de brasileiros

A incontinência fecal, problema pouco comentado por causa do constrangimento que causa aos milhões de pessoas afetadas, é alvo de uma campanha por parte de médicos e fisioterapeutas que querem reduzir a subnotificação. Há ótimas possibilidades de controle, mediante treinamentos especializados, biofeedback, orientação nutricional ou materiais efetivos e de simples aplicação.
A informação é do médico Sérgio Madeira, que explica o fato da incontinência fecal afetar principalmente mulheres, está relacionada a partos normais sucessivos, prolongados ou traumáticos e que podem lesar as estruturas do assoalho pélvico.
“Traumas ou acidentes também causam a condição”, diz ele, “e o problema afeta também homens, mas com menor frequência e principalmente após 65 anos”.

O problema pode não ser contínuo, dizem os médicos.

Depende de alimentação, consistência das fezes e de outras condições como diabetes ou doenças inflamatórias.
Portanto a abordagem deve ser de caso a caso, mas sempre multiprofissional, médicos, fisioterapeutas, nutricionistas e outros, trabalhando de forma integrada.

O paciente pode passar dias sem apresentar o problema e de repente, num esforço para subir num ônibus, ou numa gargalhada ou ao se agachar, aumentando a pressão intra-abdominal, pode ocorrer escape involuntário de fezes ou gases.

O problema é motivo de grande constrangimento e por isso muitas pessoas não procuram ajuda.
O resultado é a vida social afetada, atividade sexual cortada, a vergonha e até grave depressão.

Mas há um tratamento simples, rápido e com alto grau de sucesso, 80%, explica Sérgio Madeira.

Ele consiste em 4 a 8 injeções de apenas l cc, de uma substancia não absorvível, da família dos poliacrilatos e distribuídas de forma circular.
Pode ser feito em ambulatório e é indolor.
Em contato com nosso organismo o líquido injetado se torna uma pequena bolota consistente, que diminui a circunferência do esfíncter.
Como a substância não é absorvida, torna-se uma solução permanente: pacientes que receberam o tratamento no exterior entre 2004/2006, quando esse tipo de produto começou a ser aplicado, continuam bem e não tiveram de repetir a aplicação.
Deixaram também de usar a incômoda fralda geriátrica ou protetores, reassumiram atividades e passaram a ter vida normal.

A incontinência fecal é tema de interesse de sociedade científicas como a Brasileira de Motilidade Digestiva, a Associação de Fisioterapia Pélvica ou a de Fisioterapia em Saúde da Mulher, ou centros especializados como o Ambulatório de Fisiologia Colorretoanal do Hospital das Clínicas de São Paulo, Serviço de Coloproctologia do Hospital do Servidor, de Coloproctologia da Unicamp, da Unifesp, entre outros.

Embora no Brasil o tema ainda seja tabu para a grande maioria dos pacientes, nos Estados Unidos a American Society of Colon and Rectum Surgeons faz campanhas públicas, alertando para o problema definido como “a incapacidade de segurar gazes e fezes, até o momento e local adequados para a evacuação”.

Os americanos informam que entre 2% e 7% da população tem o problema e no Brasil, carente de estatísticas, os especialistas calculam que cinco milhões de pessoas devem ser afetadas, em sua grande maioria mulheres com mais de 30 anos.
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