Calistenia, treino que usa o peso do próprio corpo, conquista adeptos

Melhorar a resistência muscular, a coordenação motora e a flexibilidade, usando apenas o peso do próprio corpo durante os movimentos. Esses são alguns dos objetivos da calistenia, uma modalidade que une exercícios de força física e flexibilidade, que vem conquistando muitos adeptos em Maceió. Considerada uma das mais antigas metodologias de treinamento do mundo, ela surgiu na Europa, praticada por militares como treino de condicionamento físico.

A modalidade chegou ao Brasil há 4 anos e, de acordo com dados do grupo Calistenia Brasil, já são mais de 50 equipes, com, em média, 20 pessoas, pelo país. Em Maceió, os treinos são realizados na orla e em um centro de treinamento no Graciliano Ramos, na parte alta da capital.

O empreendedor Antônio Martins, de 38 anos, explica que todo mundo pode praticar a modalidade – homem, mulher, criança e até pessoas com mais idade – por ser um treino livre.

O educador físico Bira Júnior, fundador do grupo Calistenia Maceió, alerta que quem busca a modalidade deve procurar um profissional para orientar os exercícios, evitar lesões e acompanhar a evolução do praticante. “A calistenia está sendo reinventada, com novos moldes, com movimentos mais avançados, mais complexos. Ter paciência e começar do básico é essencial”.

Calistenia – metodologia ganha adeptos em Maceió

Exercícios utilizam somente o peso do próprio corpo

O personal trainer Klewerson Jeymes explica que os riscos em praticar a modalidade sem orientação são os mesmos de qualquer atividade física, mas que quase não há restrições, desde que o praticante tenha consciência corporal. “A modalidade exige que você conheça o seu corpo, saiba e determine o seu limite. Com isso, os exercícios básicos vão evoluindo e você pode transformar seu corpo em uma máquina de guerra”.

Para quem está sedentário e deseja começar a praticar calistenia, o primeiro passo é consultar um médico. “É necessário fazer uma avaliação clínica geral para o médico avaliar o condicionamento físico antes e durante o programa de treino. É preciso saber se está apto para realizar os exercícios, se há alguma patologia grave na coluna ou alguma restrição médica. Lógico que cada pessoa realiza os exercícios de acordo com sua capacidade, respeitando sempre seus limites e na presença de um profissional”, orienta a fisioterapeuta Renata Cunha.

Calistenia utiliza somente o peso do próprio corpo

FOTO: JOSÉ FEITOSA

Características

A calistenia costuma ser comparada ao treinamento funcional ou CrossFit, mas os exercícios calistênicos se concentram na força e utilizam somente o peso do corpo. Os movimentos do treino trabalham os grupos musculares, buscando a maior contração muscular possível, alinhamento da postura e definição do corpo. Nos treinos, os praticantes costumam fazer um breve aquecimento, como exige qualquer outra modalidade de atividade física, para reduzir o risco de lesões.

A fisioterapeuta destaca que, durante a realização dos exercícios, é essencial prestar atenção à postura. “Para que os movimentos sejam realizados de forma correta, assim, evitando desgaste muscular e articular. Sempre respeitando os limites do corpo”, explica Renata.

Os movimentos da calistenia, alguns derivados da ginástica olímpica, são realizados com o peso do corpo e o auxílio de barras fixas e bastões, trabalhando o ganho de massa magra, a definição dos músculos, coordenação motora, flexibilidade, resistência e a consciência corporal.

A prática, além de fortalecer os músculos superiores e inferiores, ajuda no sistema cardiovascular. As flexões, por exemplo, trabalham a construção de músculos no peito, ombros e tríceps, além de auxiliar a adquirir estabilidade e resistência muscular. Os movimentos exigem condicionamento das costas e bíceps.

O consultor de vendas Luciano Lima, de 28 anos, pratica a calistenia há aproximadamente um ano. Ele conta que já se exercitava, fazia musculação, mas que não estava contente com os resultados. “Achava tudo muito repetitivo e percebi que não estava sendo funcional para mim. Logo, comecei a faltar aos treinos com frequência. Na calistenia, me senti bem melhor e já percebi os resultados desde o começo. Hoje estou bem com o meu corpo e minha mente. Treino cerca de uma hora todos os dias”.

Os treinos livres, que oferecem liberdade ao praticante e geralmente são realizados a céu aberto, também desperta o interesse na maioria das pessoas. “É motivador. Como praticamos em áreas abertas, desperta a curiosidade de quem está por perto. É curioso como alguns movimentos, como a bandeira humana, por exemplo, chama a atenção de quem passa pelo local do treino”, destaca Antônio Martins.

Fabiana Souza aderiu a calistenia buscando a definição muscular

FOTO: FELIPE BRASIL

 

Calistenia também é para mulheres

A fisiculturista Fabiana Souza, de 36 anos, conta que o primeiro contato com a calistenia foi no Rio de Janeiro, em 2014. Em Alagoas, a modalidade é nova entre o público feminino.

“Comecei a praticar a calistenia quando vi outras pessoas treinando. Fiquei curiosa, já tinha o desejo de me movimentar e de não ser necessariamente em uma academia. Como mulher, me senti desafiada a ingressar nos treinos, até porque a maioria dos praticantes são homens. Isso precisa mudar, o esporte é para todos e faz bem ao corpo e a alma”, disse Fabiana.

Além de buscar a definição muscular para os campeonatos de fisiculturismo, Fabiana explica que a calistenia é uma verdadeira integração entre corpo e alma. “Superação é uma das características e os benefícios são múltiplos”, ressaltou.

Alerta

Na Internet, é possível encontrar milhares de vídeos, fotos, e tutoriais demonstrando alguns exercícios da calistenia. Apesar de ser um ponto positivo para a divulgação do método, é preciso alertar aos iniciantes sobre o risco de imitar os movimentos sem orientação.

“Se o assunto é saúde, não dá para confiar em qualquer um. Na internet o que não falta são indicações de treinos, dietas e tratamentos. Mas o conhecimento adquirido no mundo virtual não é suficiente para formar professores e especialistas em saúde”, alerta a fisioterapeuta Renata Cunha.

Os exercícios de alta intensidade podem ocasionar lesões, como tendinites e estiramentos musculares. Além disso, por ser uma atividade que trabalha o sistema cardiovascular, sem o acompanhamento, pode provocar arritmias cardíacas e, até, infarto no miocárdio.

“Ao praticar a calistenia sem um profissional você está colocando sua vida em risco, pois um exercício realizado de maneira inadequada pode comprometer sua postura e consequentemente sua coluna, além disso, pode sobrecarregar uma determinada musculatura e/ou articulações levando a futuras lesões”, pontua Renata.

Na busca por qualidade de vida e saúde é importante ter um profissional para orientar sobre a quantidade de séries, repetições e intervalo de descanso adequado, segundo a fisioterapeuta, levando em consideração a idade, o objetivo e a funcionalidade de cada pessoa.

O treino da calistenia aliados a outras modalidades traz resultados satisfatórios para quem busca qualidade de vida e condicionamento físico. “Mas a prática da modalidade, por si só, é bem completa, sem que precise o auxílio de outras atividades para a manutenção da saúde. Os limites do corpo devem ser percebidos, entendidos e respeitados. Sedentários devem apenas tomar cuidado com a intensidade e frequência dos movimentos e aos poucos vai evoluindo nos exercícios sem nenhum problema”, complementa Renata.

Calistenia beneficia os praticantes na flexibilidade e resistência

FOTO: FELIPE BRASIL

 

Estrutura

A evolução da calistenia ganhou o nome de street workout, ou treino de rua. Os americanos começaram a praticar modalidade nas ruas, se pendurando em árvores, postes, com movimentos mais flexíveis, próximo aos da ginástica. O método se espalhou pelo mundo e, atualmente, já conta com campeonatos, como o Expo Battle, que acontece na Expo Nutrition e o Arnold Classic South America.

Mas, segundo o educador físico Bira Júnior, ainda há a carência de cursos e especializações na área. “O mercado realmente tem essa deficiência. O fato de ter conhecimento em outras bases como biomecânicas, biologia, anatomia ajuda bastante e é muito relevante. Mas é importante que profissionais não apenas ensinem os exercícios de calistenia, mas também pratiquem e valorizem”.

Outra dificuldade é a falta de estrutura adequada para a modalidade. Bira Júnior explica que no estado não há espaços adequados, suficientes e bem aparelhados. “Nosso apelo é para que se invista em estrutura no estado. Os custos são baixos, não são necessários grandes investimentos financeiros para proporcionar qualidade aos treinos. O impacto social é imenso”, afirmou.

O grupo calistenia Maceió conta com uma estrutura montada pelos praticantes da modalidade no bairro Graciliano Ramos, parte alta de Maceió.  “Se os equipamentos adequados – as barras convencionais e paralelas – estivessem na orla, a repercussão seria enorme. Quem sabe até conseguiríamos sediar campeonatos nacionais e também internacionais”, destaca Bira.

 

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