Cadeirante pode ter vida sexual ativa, dizem especialistas

Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2014/02/cadeirante-pode-ter-vida-sexual-ativa-dizem-especialistas.html

Dai Macedo e o namorado Rafael Magalhães posam para foto: o fato de ele ser cadeirante repercutiu entre os internautas (Foto: Reprodução/Instagram/Dai Macedo)
Dai Macedo e o namorado Rafael Magalhães posam para foto: o fato de ele ser cadeirante repercutiu entre os internautas (Foto: Reprodução/Instagram/Dai Macedo)

A avalanche de comentários ofensivos de internautas depois da publicação de fotos da modelo Dai Macedo, eleita Miss Bumbum 2013, ao lado do namorado, o advogado Rafael Magalhães chocou o casal. Rafael é cadeirante, e as mensagens sugeriam que um homem nesta condição não teria condições de satisfazer sexualmente uma mulher como Dai. Médicos e psicólogos ouvidos pelo G1afirmam, porém, que pessoas com deficiência física podem sim ter uma vida sexual ativa e saudável.

“Temos uma vida sexual normal, como a de qualquer outro casal. As pessoas deveriam, na verdade, pesquisar e se esclarecer antes de ficar comentando sobre o que não sabem”, diz a modelo goiana.

Dai, de 26 anos, conheceu Magalhães, de 31, pelo Facebook. Depois de trocarem mensagens, conheceram-se pessoalmente e começaram a namorar há oito meses. A cadeira de rodas não foi um obstáculo. A modelo só lamenta que a relação tenha trazido à tona tanto preconceito.

Estamos bem tranquilos, a gente entende que a sociedade não consegue ver as coisas de forma natural, então bola pra frente”

Dai Macedo, modelo

‘Sexo começa na mente’
Para o psicólogo Paulo Tessarioli, especialista em sexualidade humana, o preconceito está relacionado à crença de que o prazer do sexo está ligado exclusivamente ao corpo. “O corpo é apenas um instrumento do prazer: o sexo começa na mente”, explica Tessarioli.

O médico fisiatra Marcelo Ares, especialista em reabilitação de lesão medular da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), conta que quando alguém pergunta como fica a vida sexual da pessoa com deficiência, ele costuma responder: “Ela não fica, simplesmente continua. Existem diversas possibilidades, como a descoberta de novas zonas erógenas, e tudo isso faz parte do processo de reabilitação”.

Ele explica que, dependendo do tipo de lesão medular, o homem pode conseguir manter uma ereção duradoura ou não. Caso a ereção não seja satisfatória, medicamentos como o Viagra são capazes de melhorar o desempenho. Há inclusive estratégias que possibilitam a ejaculação, embora possam ser mais complexas.

Para-orgasmo
Uma questão mais delicada é a sensibilidade do órgão sexual, que pode não ser recuperada. No entanto, mesmo sem nenhuma sensibilidade na região, o estímulo no local é capaz de promover a ereção por reflexo, segundo o especialista. “O fato de conseguir ter uma ereção já é psicologicamente muito significante para o homem.”

Segundo o especialista, o estímulo a outras regiões do corpo podem levar a pessoa a atingir uma intensa sensação de prazer similar ao orgasmo, denominada para-orgasmo.

Tessarioli lembra que é muito importante que a pessoa com deficiência física seja acompanhada por uma equipe multidisciplinar que aborde a questão da sexualidade. “Muitas vezes, o cadeirante consegue ter relação sexual com penetração, isso não é raro.” O segredo, segundo o psicólogo, é o paciente aprender a conviver com uma nova forma de sexualidade e descobrir novas maneiras de sentir prazer.

dai-macedo-instagram

1 comentário em “Cadeirante pode ter vida sexual ativa, dizem especialistas”

  1. DAI E RAFAEL, tambem acho, que a falta de informação das pessoas é cruel. Eu faço oxigenação domiciliar 24hs e já me perguntaram como faço sexo: respondi que uso cateter
    no nariz não na vagina. kkkk claro que temos limitações e como brasileiro sempre damos um jeitinho, aqui á prioridade é a saúde. Se estamos bem o resto é consequência.

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