BENEFÍCIOS DA REABILITAÇÃO CARDIOPULMONAR INTRADIALÍTICA EM PACIENTES COM DOENÇA RENAL CRÔNICA

Dr. Bruno Medeiros Guio (RJ) Fisioterapeuta do Hospital Universitário Gaffree e Guinle/UNIRIO; Membro do Grupo de Estudos em Avaliação e Reabilitação Cardiorrespiratória – GECARE/Departamento de Fisioterapia / Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ; Doutorando em Clínica Médica – HUCFF/UFRJ; Mestre em Clínica Médica – HUCFF/UFRJ; Especialista em Pesquisa Clínica – INCA/MS; Especialista em Geriatria e Gerontologia – UERJ/UNATI.

Contextualização: Pacientes em hemodiálise (HD) têm alta mortalidade e morbidade por complicações cardiovasculares, inclusive por redução da capacidade funcional e qualidade de vida (1). A desnutrição e a inflamação crônica de pacientes com doença renal crônica (DRC) em HD estão intimamente relacionadas com a perda de massa muscular, e redução da capacidade de realizar atividades rotineiras (1). Como consequência, na última década o uso de reabilitação cardiopulmonar em pacientes em HD foi ainda mais considerado (2). No entanto, embora a maioria dos programas de reabilitação tenham sido aplicados nos períodos entre diálise (período interdialítico), exercícios durante a HD (programa intradialítico) demostram impacto significativo na otimização da ultrafiltração sanguínea, melhora na função física e psicossocial (3,4). Desenvolvimento: Embora não haja consenso para o exercício intradialítico, a National Kidney Foundation incentiva 30 minutos de exercício físico em intensidade moderada para pacientes em HD (5). Segundo recomendações de grupos dedicados à reabilitação de pacientes com DRC – como a British Renal Society Reabilitation Network (BRS‐RN), Associação Europeia de Reabilitação em Doença Renal Crônica (EURORECKD) e a Canadian Renal Reabilitation Network (CRRN) – a prescrição de exercícios intradialíticos consiste em atividade aeróbia utilizando cicloergômetro portátil, com frequência de três vezes por semana, realizada entre segunda e terceira hora de diálise, com intensidade de 55% a 70% da frequência cardíaca máxima ou escala de esforço subjetivo – Borg entre 13-15 pontos (3,4). Onde os pacientes são encorajados a progredir em direção a uma meta de 30 a 60 minutos. Além disso, o treinamento resistido pode ser utilizado de forma complementar (duas sessões por semana) utilizando elásticos e halteres (podendo incluir o braço sem fistula), onde se preconiza 12 a 15 repetições, com carga de 60% a 70% de 1RM (3).

Considerações finais: A literatura atual possui evidencias que programas de reabilitação cardiopulmonar intradialítica proposto a pacientes em hemodiálise, através de exercícios aeróbicos supervisionados e controlados, possui efeito benéfico na melhora da ultrafiltração sanguínea e remoção de solutos, redução de níveis pressóricos sanguíneos, na capacidade funcional, função cardíaca, ganho de força muscular e sinais subjetivos de melhoria na qualidade de vida. Essas descobertas incentivam fortemente futuros estudos, a fim de investigar a redução na incidência de morbidade e mortalidade cardiovascular nessa população de pacientes.

Leitura complementar

  1. Cheema BS, Singh MA. Exercise training in patients receiving maintenance hemodialysis: a systematic review of clinical trials. Am J Nephrol. 2005;25(4):352-364. doi:10.1159/000087184
  2. American Association of Cardiovascular and Pulmonary Rehabilitation; American College of Cardiology Foundation; American Heart Association Task Force on Performance Measures (Writing Committee to Develop Clinical Performance Measures for Cardiac Rehabilitation), et al. AACVPR/ACCF/AHA 2010 Update: Performance Measures on Cardiac Rehabilitation for Referral to Cardiac Rehabilitation/Secondary Prevention Services Endorsed by the American College of Chest Physicians, the American College of Sports Medicine, the American Physical Therapy Association, the Canadian Association of Cardiac Rehabilitation, the Clinical Exercise Physiology Association, the European Association for Cardiovascular Prevention and Rehabilitation, the Inter-American Heart Foundation, the National Association of Clinical Nurse Specialists, the Preventive Cardiovascular Nurses Association, and the Society of Thoracic Surgeons. J Am Coll Cardiol. 2010;56(14):1159-1167. doi:10.1016/j.jacc.2010.06.006
  3. Guio BM, Gomes CP, Costa FB, et al. Efeitos benéficos da reabilitação cardiopulmonar intradialítica. J. Bras. Nefrol. [Internet]. 2017 Sep [cited 2020 July 25]; 39(3):275-282. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101- 28002017000300275&lng=en. https://doi.org/10.5935/0101-2800.20170051.
  4. Greenwood SA, Naish P, Clark R, et al. Intra-dialytic exercise training: a pragmatic approach. J Ren Care. 2014;40(3):219-226. doi:10.1111/jorc.12080
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