BENEFÍCIOS DA CINESIOTERAPIA LABORAL EM FUNCIONÁRIOS DO SETOR DE ATENDIMENTO AO USUÁRIO DA SEDE DO DETRAN DE CUIABÁ MATO GROSSO

Benefits of labor cinesiotherapy in employees of the consumer attendant department of DETRAN in Cuiabá Mato Grosso.

Francieli Baratto*, Letícia Teixeira Xavier de Campos*, Viviane Aparecida Martins Mana Salício**, Péricles Martim Reche ***
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*Discentes do Curso de Fisioterapia da Universidade de Cuiabá (UNIC).
** Docente da Faculdade de Fisioterapia da Universidade de Cuiabá (UNIC).
*** Doutor em Epidemiologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

RESUMO
A Cinesioterapia Laboral é definida como um conjunto de práticas físicas realizadas pelos funcionários no local de trabalho, de forma voluntária e coletiva na hora do expediente, tendo a finalidade de cuidar da integridade física, psicológica e social do trabalhador. O objetivo desse estudo foi verificar se a cinesioterapia laboral reduz os sintomas musculoesqueléticos em trabalhadores do setor de atendimento no Detran de Cuiabá – MT. Esse programa de exercícios teve duração de três meses consecutivos, sendo realizados três vezes na semana com duração de 15 minutos cada sessão. Para a avaliação e comparação dos dados foram aplicados dois questionários, sendo um antes de iniciar as atividades e um após os três meses de programa. As respostas foram analisadas estatisticamente através do Programa Epi-Info (versão 2003) e os resultados mostraram que houve uma diminuição geral nos relatos de dores sentidas durante o trabalho e aumento da disposição, porém, a incidência de dores relatadas por região corporal demonstrou aumento em membros superiores e tronco durante o período de trabalho.
Palavras-chave: fisioterapia no trabalho, cinesioterapia laboral.

ABSTRACT
The labor cinesiotherapy is defined as a group of physical practices realized for employees in the work place, of voluntary form and collective in the time of active, with the finality of takes care of the physical, psychological and social integrity of the employees. The objective of this study was verified if the labor cinesiotherapy reduce the stress and the muscles and skeleton symptoms on employees of the attendant department at DETRAN in the city of Cuiabá-MT. This program of exercises had three consecutives months of duration, being realized three times a week and 15 minutes of each session. For the evaluation and comparative of data were applied two questionnaires, one before the beginning of the activities and another after the three months of the program. The answers were statistically analyzed through the Stata Program and the results showed that had a general diminish in relates of pains felted during the journey and an increase of the disposition, however, the occurrence of pains per body part demonstrated increase in the relates of pains on the upper limbs and torso during the period of work.
Key Words: Physiotherapy in the work, Labor cinesiotherapy.

INTRODUÇÃO
Uma das maiores preocupações do mundo moderno é a saúde ocupacional, sobre a qual estão sendo enfocados vários estudos na busca de melhorar a qualidade de vida, a produtividade e o relacionamento social dos trabalhadores, pois o ser humano nasceu para movimentos globais e a condição de trabalho atual com monotonia e alta repetitividade condiciona a uma situação de estresse. Porém, o trabalho assume um papel importante na vida do homem e as pressões que ele sofre no trabalho tem um alvo principal que é o corpo, e este reage com o envelhecimento e doenças [1,2].
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), saúde é definida como o completo bem estar físico, mental, social e espiritual. O trabalho industrializado vem impondo prejuízos à saúde humana causando um desequilíbrio no bem estar devido a grande permanência do homem no ambiente de trabalho que o expõe a má postura e sedentarismo, ocasionando lesões musculares, riscos cardiovasculares e fadiga, ocorrendo assim um comprometimento na saúde desse trabalhador [3,1].
Como forma de melhorar a saúde do trabalhador, a cinesioterapia laboral surgiu em 1925 na Polônia onde foi chamada de ginástica de pausa, porém seu desenvolvimento se deu no Japão em 1928. No Brasil, a cinesioterapia laboral se propagou no ano de 1973 na cidade de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, visando o bem estar do trabalhador. E em 1989 a Associação Nacional de Medicina do Trabalho declarou que o Ministério da Saúde implantaria a prática de atividades físicas para prevenir doenças crônicas – degenerativas mostrando assim sua importância [1,4].
A cinesioterapia Laboral é definida como um conjunto de práticas físicas realizadas pelos funcionários no local de trabalho, de forma voluntária e coletiva na hora do expediente a fim de poupar as estruturas mais utilizadas e ativar as que não são solicitadas durante o trabalho. A finalidade desta atividade é cuidar da integridade física, psicológica e social do funcionário aliviando os sintomas sofridos pelo trabalhador como algias que são desencadeadas através de aumento do ritmo do trabalho, alta velocidade de produção, movimentos repetitivos, estresse, pressão de chefias entre outros [3,1,5]. Essa prática é um importante instrumento de prevenção no que diz respeito à saúde e bem estar do ser humano. Apesar do empresário indiscutivelmente lucrar com o aumento da produtividade é o empregado que mais se beneficia desta atividade que tem como objetivos a estimulação da postura, promovendo bem estar geral, ativando a circulação corpórea, minimizando a ansiedade, aumentando a motivação e auto-estima e também prevenindo as D.O.R.Ts (Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho) que são transtornos funcionais e mecânicos com lesão de músculos, tendões, fáscias, nervos, ocasionados pela incorreta utilização dos membros superiores que vão resultar em fadiga, falta de resistência, fraqueza, tremores, sensação de peso e dormência nos membros, falta de coordenação, formigamento, dificuldade de abrir e fechar as mãos, rigidez articular e dores. [6,7].
Outro fator que influencia no comprometimento da saúde ocupacional é o estresse que se define como um conjunto de agressões sofridas pelo homem em seu “corpo e mente”. Entre os sintomas mais comuns estão a cefaléia, tensão muscular exagerada, fadiga muscular generalizada, além de cansaço mental, irritabilidade, insônia, falta de entusiasmo entre outros [6,8].
A fisioterapia nas empresas vem crescendo cada dia mais, devido à descoberta pelos empresários de sua grande importância na realização de programas preventivos para melhorar a qualidade de vida dos seus funcionários, levando a uma maior produtividade e conseqüentemente o crescimento da empresa. O empresário percebe que a debilidade ocupacional ou demissão gera um custo maior do que a implantação de programas preventivos. Portanto, prevenção é ainda o melhor e mais lucrativo remédio [3,8].
O objetivo desse estudo foi verificar se a cinesioterapia laboral reduz os sintomas musculoesqueléticos em trabalhadores do setor de atendimento no Detran de Cuiabá – MT.
MATERIAL E MÉTODO
Amostra
Foram avaliados e submetidos a intervenção fisioterapêutica os funcionários do setor de atendimento da sede do Detran-MT, totalizando 39 funcionários de ambos os sexos com faixa etária de 18 a 59 anos de idade no período de outubro a dezembro de 2007. Foram utilizadas listas de presença durante a realização da cinesioterapia laboral para melhor controle e desempenho da pesquisa.
Método
Após assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido e aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Cuiabá, cada voluntário passou por 2 etapas na participação da pesquisa. 1ª Etapa: responderam um check-list (questionário) para colher informações relacionadas ao interesse da pesquisa, dando um enfoque principal aos relatos, regiões de dores e ao estresse apresentado pelo público alvo. Esses questionários foram respondidos antes de iniciar a intervenção fisioterapêutica e após 3 meses de intervenção, visando comparar os dados antes e após a cinesioterapia laboral.
2ª Etapa: foram elaborados e aplicados exercícios de cinesioterapia laboral no início da jornada e no próprio setor de trabalho. Sendo os exercícios elaborados de acordo com a atividade de trabalho, incluindo no programa exercícios de alongamento, relaxamento, dinâmicas de grupo, utilizando como materiais balões, barbantes e balas como forma de dinamizar a atividade preventiva. Os exercícios foram realizados 3 (três) vezes por semana com duração de 15 minutos cada sessão.

RESULTADO E DISCUSSÃO
A análise estatística dos resultados foi feita a partir dos questionários realizados comparativamente (antes= 1° questionário e depois= 2° questionário), utilizando o programa Epi-Info (versão 2003).


Na tabela I apresenta a incidência de dor relatada pelos funcionários durante a jornada de trabalho. Antes do programa de cinesioterapia laboral, 53,45% dos funcionários relataram dor e após a cinesioterapia 46,55% relataram que ainda sentiam dor. Portanto, apesar de uma diminuição de 6,9% na incidência de dor, esta diferença não foi estatisticamente significante (p>0,30).


A tabela II mostra que nenhuma das alterações das queixas de dor, nas regiões corporais, teve significância estatística. Isto implica dizer que, neste grupo estudado, a cinesioterapia laboral não influenciou o aumento ou diminuição de dor nestas regiões.


Os resultados da tabela III indicam que não foi observado mudança significativa para a queixa de dor após a cinesioterapia laboral. Tanto a queixa de dor durante todo o expediente quanto a queixa apenas no final do expediente se manteve a mesma (p<0,72).


A tabela IV demonstra o nível de aproveitamento da cinesioterapia laboral (86,84 %) relatado pelos funcionários. Esse aproveitamento foi apresentado pelos funcionários através de uma questão discursiva do 2º questionário (check-list). Porém, esta informação não foi relevante, já que não houve melhora musculoesquelética significativa.


Os funcionários, através de uma resposta descritiva, relataram um aumento da disposição e uma redução das dores após os três meses de cinesioterapia laboral (tabela V).
A não assiduidade de muitos dos participantes no programa de exercícios provavelmente deve ter influenciado no resultado final da pesquisa, visto que apenas 17 pessoas obtiveram 69% a 100% de freqüência, 07 apresentaram entre 50% a 69% de presença e 15 participaram em menos de 49% das sessões o que não garante uma boa resposta a esta atividade Os relatos de melhora de dores foram feitos em maior parte pelos funcionários que tiveram presença de 69% a 100%.Em estudos futuros seria interssante investigar se há associação entre assiduidade e melhora musculoesquelética.
Para se ter uma boa resposta aos exercícios laborais, recomenda-se a prática em um ambiente empresarial, no mínimo, três vezes por semana, numa duração de pelo menos quinze minutos de alongamento e força de resistência aeróbica nas estruturas musculares importantes para postura durante o trabalho [9].
Em 2005 realizou-se um estudo com doze funcionários de uma fábrica de colchões em um período de 3 meses, cinco vezes na semana, onde foram empregados os seguintes passos metodológicos: avaliação Fisioterapêutica Ortopédica, Check-List, Cinesioterapia Laboral e intervenção ergonômica. Após o trabalho da fisioterapia preventiva observaram os seguintes resultados: redução e eliminação do quadro doloroso, uma melhora da conscientização por parte dos funcionários sobre a importância da saúde preventiva no trabalho e consequentemente da melhora da qualidade de vida [10].
Um estudo realizado com funcionários do Hospital São Vicente de Paulo na cidade de Passo Fundo – RS, onde teve duração de seis meses sendo duas vezes na semana e com duração de 12 minutos cada programa. Demostrou que a cinesioterapia laboral reduz significativamente, problemas relacionados a dores, cansaços, concentração, tranqüilidade e produtividade promovendo uma melhor qualidade de vida [1].

CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo não apresentou o resultado esperado, provavelmente por ter sido realizado o exercício laboral isoladamente, ou seja, sem a associação de um programa de ergonomia que é a adaptação do posto de trabalho ao homem. Outra hipótese pode ser devido a um pequeno período de realização da pesquisa, talvez um tempo superior a 3 meses pudesse ter proporcionado uma resposta melhor ao sistema musculoesquelético juntamente a uma maior conscientização dos funcionários em relação à importância da cinesioterapia laboral.

REFERÊNCIAS
1- IAMPERT, Iury. A influência de um programa de cinesioterapia laboral para a qualidade de vida dos funcionários do hospital São Vicente de Paulo. Revista Fisio Brasil, ano 10, edição nº 77, p. 32-36, maio/junho de 2006.

2- LEITE, Camila Niedzielski Leite; ALMEIDA, Danielle Cristina Tesser de. Aspectos básicos da administração em fisioterapia do trabalho, para obtenção de uma melhor qualidade de vida na empresa. Revista Reabilitar, 27(7), p. 48-53, 2005.

3- GIMENES, Patrícia Pereira. Atuação da fisioterapia preventiva na saúde do trabalhador. Revista Fisio e Terapia. Ano VII, nº 44, p. 8-10, abril/maio de 2004.

4-POLITO, Eliane; BERGAMASCHI, Elaine Cristina. Ginástica Laboral –Teoria e prática. Editora Sprint. Rio de Janeiro, 2002.

5- MOREIRA, Paulo Henrique Cinelli; CIRELLI, Gisele; SANTOS, Paulo Roberto Benicio. A importância da ginástica laboral na diminuição das algias e melhora da qualidade de vida do trabalhador. Fisioterapia Brasil, v.6 n.5, p. 349-353, setembro/outubro de 2005.

6- BITTAR, Aparecida Donizete da Silva; COSTA, Cíntia Cristina da; MONTINI Daniele; SOUZA, Débora Valin de; LOPES, Josiane; BESSA, Reges; BAZO, Márcia Lali. Influência da intervenção ergonômica e o exercício físico no tratamento do estresse ocupacional. Revista Reabilitar, 24(6), p. 35-44, agosto de 2004.

7- MARTINS, Caroline de Oliveira Martins; DUARTE, Maria de Fátima da Silva. Efeitos da ginástica laboral em servidores da Reitoria da UFSC. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v.8 n.4, p. 07-13, setembro de 2000.

8- POHL, Hildegard Hedwig; RECKZIEGEL, Miriam Beatris; GOLDSCHMIDT, Fernanda Paz. Importância da ginástica laboral no resgate da corporeidade. Cinergis, v.1 n.2, p. 77-107, julho/dezembro de 2000.

9- POHL, Hildegard Hedwig. Ginástica Laboral e Estilo de Vida. Cinergis, v.4 n.1, p.74-88, janeiro/junho de 2003.

10- RAMIREZ, Hozana Zapata et al. Physical therapy acting, way to make gymnastic at work and ergonomic intervention industry in the sewing section. Revista Instituto de Ciência da Saúde, 23(2):93-8, abril/junho de 2005.

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