BENEFÍCIO DA FISIOTERAPIA NO TRATAMENTO DA FEBRE REUMÁTICA

BENEFIT OF THERAPY IN THE TREATMENT OF RHEUMATIC FEVER
SUZANA ROVER- acadêmica de Fisioterapia do 9º período da Faculdade União das Américas

RESUMO
Introdução-A febre reumática (FR) trata-se de poliartrite associada a cardite, afetando crianças e adultos jovens. A febre reumática é uma complicação de uma infecção pelo estreptococo beta hemolítico do grupo A de Lancefield, caracterizada por processos inflamatórios transitório em diversos órgãos.Este estudo de caso é relatado o caso de J.P.L de sexo masculino, 12 anos de idade cujo diagnóstico clinico é Febre Reumática e terapêutico com encurtamento e fraqueza muscular.O resultado não obteve muita significância pois foram realizadas poucas sessões .Em discussão é ressaltados os efeitos da crioterapia, hidroterapia e cinesioterapia.

Palavras-chaves: Febre Reumática, relato clinico, crioterapia, hidroterapia e cinesioterapia.

ABSTRACT

Introduction-Rheumatic fever (RF) it is associated with carditis polyarthritis, affecting children and young adults. Rheumatic fever is a complication of a strep infection beta hemolytic group A streptococci, characterized by inflammatory processes in different transitional órgãos.Este case study reports the case of JPL male, 12 years of age whose clinical diagnosis is Fever and therapeutic shortening and weakness muscular.O result did not attain much significance since they were performed a few sessions. At issue is highlighted the effects of cryotherapy, hydrotherapy and exercise alone.
Keywords: Fever, clinical report, cryotherapy, hydrotherapy and exercises.

INTRODUÇÃO
A febre reumática (FR) trata-se de poliartrite associada a cardite, afetando crianças e adultos jovens (GOLDING, 1998). Pode atingir vários sistemas do organismo de maneira isolada ou em conjunto, as articulações, coração, cérebro, pele e tecido celular subcutâneo (BERTOLETTI, 2004). Segundo Skare (1999) as lesões precoces são diagnosticas com edema, fragmentação das fibras de colágeno, infiltração celular e degeneração fibrinóide, porém no coração a degeneração é difusa e pode causar necrose das células musculares.
A febre reumática é uma complicação de uma infecção pelo estreptococo beta hemolítico do grupo A de Lancefield, caracterizada por processos inflamatórios transitório em diversos órgãos. Sendo seu mecanismo patogênico ainda é pouco conhecido, mas exitem teorias em que diz que é resultado de uma resposta imune anormal do hospedeiro a uma infecção estreptocócica, onde através de uma reação cruzada, ou seja, o hospedeiro apresenta seqüências antigênicas comuns a dos estreptococos em determinadas estruturas de seu tecido como o cardíaco, articular ou do sistema nervoso central, então o sistema imunológico do hospedeiro em vez de agredir o estreptococo passa a agredir a estrutura do próprio organismo (SATO, 2004). De acordo com Bertoletti (2004) os fatores constitucionais e ambientais influênciam no aparecimento da Febre Reumática, e que a susceptibilidade familiar é importante. Fatores como desnutrição, superpopulação e baixo nível socioeconômico predispõem à infecção pelo estreptococo e a subseqüentes ataques reumáticos.
A Febre Reumática ocorre predominantemente na idade escolar, sendo que o primeiro ataque é raro antes dos quatro anos de idade e incomum após os 18 anos de idade, e a maior incidência acontece entre 5 e 15 anos de idade (BERTOLETTI, 2004).
De acordo com Jones citado por West (2001) para a orientação no diagnóstico da febre reumática (FR) foi publicado pela primeira vez por T.Duckett Jones, M. D., em 1944,e foram revisados no decorrer dos anos pela American Heart Association, na qual são critérios que estabelecem a fase inicial da (FR), destaca-se em manifestações maiores sendo cardite, poliartrite, coréia, eritema marginado e nódulos subcutâneos e manifestações menores como artralgia e febre.
Ainda os Critérios de (duckett-Jones) citado por Golding (1998):
• Maiores: cardite que se demonstra pelo achado de sopro, hipertrofia do coração, pericardite ou insuficiência cardite. Artrite em duas ou mais articulações. Coréa. Nódulos reumáticos. Eritema marginado
• Menores: febre acima de 37.5º, VHS elevada. Cultura de estreptococos hemolítica titulo de ASO elevado ou historia recente de angina e febre. Em que devem ser encontrados dois critérios maiores ou um maior e dois menores
A febre reumática é doença na garganta que ocorre 1-3 semanas antes da poliartrite em alguns casos, porem não em todos, a (FR) pode submeter a alterações patológicas de inicio agudo como artrite, febre, sudorese noturna e dor abdominal (GOLDING,1998)
Em manifestações pulmonares o derrame pleural é conseqüente à insuficiência cardíaca (GOLDING, 1998). A artrite acomete as grandes articulações (joelhos, tornozelos, punhos, cotovelos) de forma migratória surgindo em novas regiões aonde as outras vão se normalizando. As pequenas articulações de mão, pé e cervical são rara a serem acometidas. A dor é de grande intensidade causando uma disfunção na capacidade funcional no paciente com FR. A artrite da infecção por estreptocócica possui evolução de cura em períodos variáveis de tempo. A síndrome de jaccoud é considerada uma seqüela rara de surtos repetidos de FR na qual se caracteriza por desviu ulnar, subluxação e flexão das articulações metacarpofalangianas e hiperextensão das interfalangianas proximais (MOREIRA e CARVALHO, 2001).
A cardite é a manifestação mais importante e única que pode provocar seqüelas em longo prazo. Trata-se de uma pancardite tendo sinais clínicos como taquicardia, sopro, cardiomegalia, insuficiência cardíaca congestiva. As válvulas acometidas são a mitral e a aórtica (SATO, 2004).
A coréia caracteriza-se por movimentos desordenados e involuntários, fraqueza muscular e labilidade emocionais sendo os músculos da face e das extremidades os mais acometidos (MOREIRA e CARVALHO, 2001). Ainda de acordo com os autores Moreira e Carvalho (2001) os movimentos tornam-se exarcebados por estresse, cansaço e esforço e desaparecem durante o sono. Skare (1999) diz a coréia também é conhecida como Dança de São Vito em que os movimentos tornam-se abruptos tendo a expressão facial com mudanças freqüentes onde a língua quando protusa lembra um “saco de vermes” indo para dentro e para fora, a escrita também é prejudicada a ser lida e a fraqueza causa incapacidade de segurar objetos . A coréia pode durar de uma semana a dois anos, mas a média é seu desaparecimento em 15 semanas (SKARE, 1999).
O eritema marginado são lesões musculares que tomam um aspecto rendilhado com os centros mais claros, não pruriginosos, indolores. O mais comum é de tronco e a região proximal de membros (MOREIRA e CARVALHO, 2001). Eritema marginado (eritema anular) é raro geralmente acompanha de grave cardite (GOLDING, 1998).
Os nódulos subcutâneos são raros. Apresentam-se firmes, indolores encontrados na superfície extensora dos tendões proximais as eminências ósseas, como o cotovelo, joelhos, tornozelos, processos espinhosos vertebrais, couro cabelo e fronte. Duram raramente uma ou duas semanas e dificilmente mais de um mês (MOREIRA e CARVALHO, 2001). Nódulos reumáticos do tamanho de uma ervilha às vezes sensível podem ocorrer nos estágios tardios da doença ativa grave. São encontrados junto ao osso a fáscia ou tendões, mas freqüente na face dorsal do cotovelo punho e occipitum são menores e mais evanescentes que os nódulos reumáticos (GOLDING, 1998).
Na febre reumática a poliartrite tem como característica dor, tumefecação, sensibilidade e calor sendo que esses sintomas e sinais movem-se de uma articulação para a outra (THOMSON e ALISON,1994).
A febre reumática Caracteriza-se por três fases: infecção da orofaringe, período de latência e doença propriamente dita FR. A infecção orofaringe poderá não ser referida em cerca de 30% dos pacientes os que não afasta o diagnóstico de FR. O período de latência varia, em media, de 7 a 14 dias, entretanto poderá ir até a 45 dias as manifestações gerais como febre, perda do apetite possa não estar presente (SATO,2004)
O diagnostico da infecção estreptococo deve ser feito primeiramente pela clinica com base na presença de febre a aumento a dor em linfonodos cervicais em crianças maiores de dois anos (SATO, 2004).
Diagnostico de infecção estreptocócica referido pela autora Sato (2004) diz que a elevação dos títulos de ASLO inicia-se por volta do 7º ao 10º dia após a infecção e atinge o pico em 4-6 semanas, lembrando que o nível de produção de anticorpos em resposta a uma infecção é variável de um individuo para o outro, portanto, é considerado normal para uns e não ser normal para outros já em algumas crianças, o nível de ASLO pode manter-se elevado por meses e ate por mais de um ano após uma infecção estreptocócica. No entanto há necessidade de pelo menos duas dosagens de ASLO (SATO, 2004).
Ainda Golding (1998) destaca alguns diagnósticos diferenciais:
• Artrite rematóide juvenil tem como característica principal, onde a febre é mais elevada, ausência de cardiopatia congênita.
• A febre reumática apresenta-se com dor na região abdominal
• Leucemia aguda quando a poliartrite esta combinada com anemia severa e os pulsos mostram-se envolvidos
• Dores musculares no período do crescimento.
Segundo Skare (1999) diz que as maiorias dos surtos da febre reumática iniciam com sintomas articulares, secundariamente ocorre a cardite nas primeiras semanas e a última manifestação é a coréia junto aos nódulos subcutâneos. Ainda Skare (1999) ressalta que há fatores que influênciam na severidade da doença cardíaca como o tempo de duração do processo inflamatório, quantidade de fibrose na válvula e miocárdio seguido de processo inflamatório agudo, localização da lesão, surtos recorrente de cardite e progressão da lesão da fibrose para a calcificação.
O tratamento da fisioterapia tem como principal objetivo visar a capacidade funcional do paciente promovendo maior independência e qualidade de vida (REBELATTO e MORELLI,2004).

DISCUSSÃO

Segundo Thomson e Alison (1994) o tratamento fisioterápico é dividido em estágio agudo, subagudo e crônico.
No estágio agudo a fisioterapia ainda não é benéfica onde o paciente permanece em repouso apenas auxiliado por medicamentos analgésicos, antiinflamatórios e antibióticos. No estágio subagudo o paciente é mobilizado em que a fisioterapia esta direcionada a minimização da dor, mobilidade das articulações e fortalecimento muscular (THOMSON e ALISON, 1994).
Os autores Thomson e Alison (1994) indicam gelo em aplicações nas articulações para a diminuição da dor, calor antes dos exercícios também para alivio da dor, ainda o autor destaca exercícios ativos livres para a movimentação das articulações. A hidroterapia é eficaz na redução da dor e encorajamento do paciente em realizar os movimentos (THOMSON e ALISON,1994).Segundo Ruoti et. Tal(2000) a água morna permite que pessoas incapacitadas movam-se de maneira livre sem sentir dor e movimentos dificíeis a serem realizados na terra.
Comumente a dor diminui na água, na qual pode ser estabelecido pelos seguintes fatores de estímulos sensitivos aumentado pela turbulência, pressão e temperatura da água, atividade muscular diminuída conseqüência do relaxamento ganho a partir da flutuação na água, compressão articular diminuída secundária á flutuação na água e estimulação mental e social aumentada causando a distração para a dor do paciente(RUOTI et. Al.,2000).
De acordo ainda com Ruoti et al. (2000) a água aquecida também trabalha a fraqueza muscular onde a água fornece uma resistência de forma leve e sua viscosidade permite a resistência ao corpo em seu movimento em que esses movimentos produzem resistência a todo o membro que se encontra em movimento.
Thomson e Alison (1994) exaltam que o fisioterapeuta deve certificar-se de alguma alteração patológica mais grave como a deteriorização cardíaca para a modificação do seu plano de tratamento, lembrando que a conduta fisioterapêutico é importante pré e pós cirurgia da válvula.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

WEST, Sterling G.. Segredos em Reumatologia: respostas necessarias ao dia-a-dia em rounds, na clinica, em exames orais e escritos. 1. ed. Trad.Wagner Silva de Souza (et al.). Porto Alegre: Artmed,2000.

GOLDING, Douglas N. Reumatologia em mediacina e reabilitação.1 ed. Trad. Ciro Lobato de Carvalho.São Paulo:Atheneu,1998

SATO, Emilia.Reumatologia: Guias de medicina ambulatorial e hospitalar.1 ed. Barueri,SP:Manoele,2004

MOREIRA, Cauio; CARVALHO, Marco Antonio P. Reumatologia: diagnostico e tratamento.2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 2001.

SKARE, Thelma Larocca. Reumatologia: principios e pratica.Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 1999

BERTOLETTI, Joice Cunha.Profilaxia da Febre Reumática: quando q como fazer.rev. da sociedade de cardiologia do Rio Grande do Sul- ano XIII,n.01. jan/fev/mar/abr.2004

THOMSON, Ann; AKINNER, Alison; PIERCY, João. Fisioterapia de Tidy. 1ed. São Paulo: Santos,1994.

Se desejar, use os botões abaixo para compartilhar.

1 comentário em “BENEFÍCIO DA FISIOTERAPIA NO TRATAMENTO DA FEBRE REUMÁTICA”

  1. eduardo alves assenza

    Muito bem elaborado o artigo, a pesquisa foi bem estruturada, se posso fazer algum adendo traria uma pesquisa bibliográfica mais extensa e citaria artigos basa de dados científicas internacionais(PubliMed, Lilacs) e alguns artigos mais recentes como forma de conceituar a patologia e artigos que defendam o uso termofototerapia no tratamento cronico e ou agudo da febre Reumática.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.