AVALIAÇÃO DA DOR E DA QUALIDADE DE VIDA, EM PACIENTES COM LOMBALGIA SUBMETIDOS À INTERVENÇÃO PELO MÉTODO MAITLAND

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Fisioterapia do Centro Universitário Adventista de São Paulo, Campus São Paulo, como requisito parcial para a obtenção do título de Graduado em Fisioterapia.

Orientador: Professor Dalton Dallemule

São Paulo
2007
Trabalho de conclusão de curso elaborado por Cyana Prado e Sheila Silveira, para obtenção do título de Bacharel em Fisioterapia, sob o título “Avaliação da dor e da qualidade de vida, em pacientes com lombalgia submetidos à intervenção pelo método Maitland”, apresentado e aprovado no dia 21 de novembro de 2007, por banca composta pelos seguintes membros:

__________________________________________________________
Professor Dalton Dallemulle
Especialista em Fisiologia Humana com aprimoramento em técnicas de Terapia Manual

__________________________________________________________
Professora Marta Regina Figueiredo
Mestra em Engenharia Bioquímica, com área de pesquisa em coluna vertebral.

__________________________________________________________
Professor Maurício Antonio dos Santos Filoso
Especialista em terapia manual com ênfase em Osteopatia e desportiva.

__________________________________________________________
Professor Fabio Juliano Pacheco
Mestre e Doutor em Ciências Morfológicas

Dedicamos aos nossos pais que nos amam incondicionalmente, que nos ajudam a enfrentar as dificuldades, que nos dão todo o amor e carinho, que nos acolhem nos momentos de tristeza, se alegram com a nossa alegria, brigam por nossos direitos, perdoam as nossas falhas, não perdem o ânimo diante do boleto da faculdade…
Não existe amor igual a este, amor imensurável.

AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus em primeiro lugar pois têm nos ajudado em todos os momentos de nossa vida, suprindo nossas necessidades de cada dia.
Aos nossos pais por não nos deixar desanimar diante das dificuldades.
Ao nosso orientador que nos acolheu, com muita paciência, nos dirigindo da melhor maneira possível, dedicando de seu tempo para o nosso trabalho.
Aos nossos amigos e instituição que nos possibilitou a realização do trabalho.

Amo ao Senhor porque atendeu a voz das minhas súplicas, atendeu ao meu clamor. (Salmos 116:1)

Quem cedo madruga, fica com sono o dia inteiro (Dito popular).
SUMÁRIO

Introdução 1
Objetivo 3
Justificativa 4
Metodologia 5
Resultados 8
Discussão 15
Referências Bibliográficas 19
Anexos 21

RESUMO

A lombalgia é uma sintomatologia que acomete ambos os sexos, com incidência maior em homens a partir dos 40 anos e mulheres na faixa etária de 50 a 60 anos. Pode variar de uma dor súbita e incômoda até uma dor intensa e prolongada interferindo nas atividades profissionais e pessoais. Uma alternativa de tratamento são técnicas de terapia manual. Entre elas, o método Maitland, que é um método de mobilização vertebral no qual se tem por objetivo o tratamento da dor e da imobilidade articular restabelecendo a função normal da articulação. O objetivo deste estudo é avaliar a dor e a qualidade de vida de pacientes portadores de dor lombar submetidos à intervenção terapêutica através da técnica de mobilização vertebral de Maitland justificando-se, pela pequena quantidade de bibliografia encontrada tornando-se necessários novos estudos Foram selecionados 20 indivíduos para participar do programa de tratamento fisioterapêutico na Policlínica do UNASP, através do método Maitland, totalizando 10 sessões. Sendo previamente avaliados através do questionário de qualidade de vida SF-36 e Owestry de dor lombar e Escala Visual Analógica. Após 10 sessões de atendimento os pacientes foram reavaliados através dos mesmos questionários, apresentando melhora significante da dor, capacidade funcional, estado geral de saúde, aspectos físicos. Conclui-se, que a mobilização através do método Maitland tem sido eficaz no alívio de dores lombares e na melhora da qualidade de vida.

Palavras-chaves: mobilização vertebral, Maitland, lombalgia, terapia manual

LISTA DE FIGURAS

Gráfico 1: Demonstra a avaliação da dor através do questionário de qualidade de vida SF-36 antes e após o tratamento. 8
Gráfico 2: Apresenta a avaliação da dor através da escala visual analógica comparando a primeira, quinta e décima sessão de atendimento. 9
Gráfico 3: Demonstra as alterações encontradas na comparação da capacidade funcional avaliada através do questionário de qualidade de vida SF-36. 10
Gráfico 4: Apresenta os resultados encontrados para os aspectos físicos, avaliados através do questionário de qualidade de vida SF-36. 11
Gráfico 5: Apresenta os resultados encontrados para a limitação funcional, avaliada através do questionário Owestry para dor lombar. 11
Gráfico 6: Avaliação da vitalidade através do questionário de qualidade de vida SF-36. 12
Gráfico 7: Resultados encontrados para os aspectos sociais avaliados através do questionário de qualidade de vida SF-36. 12
Gráfico 8: Resultados encontrados para os aspectos emocionais, avaliados através do questionário de qualidade de vida SF-36. 13
Gráfico 9: Resultados encontrados para saúde mental avaliada através do questionário de qualidade de vida SF-36. 13
Gráfico 10: Resultados encontrados para o estado geral de saúde avaliado através do questionário de qualidade de vida SF-36. 14

INTRODUÇÃO

A lombalgia é uma sintomatologia que acomete ambos os sexos, com incidência maior em homens a partir dos 40 anos e mulheres na faixa etária de 50 a 60 anos. Pode variar de uma dor súbita e incômoda até uma dor intensa e prolongada interferindo nas atividades profissionais e pessoais, resultando assim em custos relacionados à saúde e ausência no trabalho (TORSTENSEN et al 1998). Suas causas são variadas, mas entre elas pode-se citar estresse postural prolongado, carga excessiva ou repetida durante o trabalho, aplicação de forças dinâmicas anormais sobre o corpo estático ou dinâmico. Na coluna vertebral, o segmento lombar, apresenta ampla mobilidade articular, fato este que justifica a grande incidência de queixas, como dor e limitação funcional (GUIMARÃES, ALMEIDA,).
Atualmente, existem inúmeras técnicas de tratamentos fisioterapêuticos, sendo que a terapia manipulativa vem crescendo como alternativa de tratamento. Segundo Winters (1997), afecções que comprometem o esqueleto apendicular também podem ser tratadas com técnicas manipulativas, sendo o tratamento preferido pelos fisioterapeutas. Quando a terapia manual é comparada com outras técnicas de tratamento como a terapia interferêncial, seus efeitos no tratamento da lombalgia necessitam de mais pesquisas para relatarem qualquer diferença na efetividade terapêutica (HURLEY et al, 2004). No estudo de DiFabio e Ottenbach, 1994, conclui-se que a terapia manual é mais eficaz no tratamento da dor lombar do que tratamento conservador e médico. Já, Canolego e Rebelato (2002) concluíram que tanto o TENS, como as mobilizações de Maitland foram eficazes no alívio da dor e no ganho de amplitude articular; mas, segundo eles o tratamento pelo método Mailtand produziu resposta mais rápida do que no tratamento por estimulação elétrica transcutânea (TENS) e ultra-som (US).
O método Maitland, foi desenvolvido por Geoff Maitland, na Austrália na década de 60. Trata-se de um recurso da terapia manual que tem por objetivo a mobilização vertebral, definida como: movimentos oscilatórios rítmicos dentro do arco de movimento da articulação, definição também dada por Gould (1993), sendo que essas manobras podem ser aplicadas em diferentes articulações, com diferentes velocidades, sempre de forma oscilatória sendo divididas em diferentes graus. O grau I corresponde a movimentos de pequena amplitude, próximos ao inicio do arco de movimento, com o propósito de provocar analgesia. No grau II são movimentos de grande amplitude que não chegam ao final do arco, não encontrando resistência, com mesmo propósito citado acima. O grau III é caracterizado por movimentos de grande amplitude que alcançam o final do arco, encontrando resistência com objetivo de reduzir a rigidez articular. Já o grau IV são movimentos de grande amplitude no final do arco de movimento até o encontro da resistência, com objetivo análogo ao anterior (MAITLAND, 1986; MAITLAND et al, 2000).
Quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu saúde como sendo não somente a ausência da doença, mas o bem estar físico, psicológico e social, a qualidade de vida tornou-se um tópico de interesse cada vez maior entre os médicos e pesquisadores. O interesse em medir a qualidade de vida na área da saúde surge à medida que os avanços na medicina têm proporcionado quedas na mortalidade de algumas doenças e um aumento considerável na expectativa de vida, de um modo geral, quando se considera que viver não é somente a ausência da doença, e sim como uma questão existencial para o homem (Gaiva, 1998; FERRAZ, SEGRE, 1997).

OBJETIVO

Este trabalho tem por objetivo avaliar a dor e a qualidade de vida de pacientes portadores de dor lombar submetidos a intervenção terapêutica através das técnicas de mobilização vertebral de Maitland.

JUSTIFICATIVA

Atualmente na fisioterapia ortopédica destaca-se a utilização dos recursos da terapia manual. Entre o grande número de técnicas desenvolvidas, o método Maitland é utilizado para o alívio da dor e conseqüentemente melhora na qualidade de vida. Porém, poucos são os estudos realizados. A pequena quantidade de bibliografia encontrada torna necessário novos estudos que verifiquem os resultados obtidos pelo método.

METODOLOGIA

Após o projeto ser aprovado pelo Comitê de Ética do Centro Universitário Adventista de São Paulo – UNASP. Iniciou-se a seleção de 20 indivíduos que procuraram atendimento na Policlínica do UNASP no período de março a junho de 2007, com queixas de dor lombar que se encaixaram dentro dos seguintes critérios de inclusão:
• Queixas de dor lombar há mais de 3 meses
• Não estar realizando tratamento fisioterapêutico em outro local
• Ter encaminhamento para fisioterapia
• Ter disponibilidade para comparecer ao atendimento fisioterapêutico duas vezes por semana.
• Indivíduos com idade entre 30 e 50 anos de ambos os sexos
• Não estar fazendo uso de qualquer medicação para dor

Assim, os indivíduos que se encaixaram dentro deste perfil, foram chamados a Policlínica do Unasp, para primeiramente participar de uma entrevista, a qual contou somente com a presença de 16 indivíduos. Foi lhes então, explicado como seria o tratamento. Dos 16 indivíduos que participaram da avaliação prévia, 3 nos relataram não ter disponibilidade para comparecer terapia duas vezes por semana sendo então excluídos do trabalho. Para os que permaneceram na pesquisa foi entregue o termo de consentimento livre e esclarecido (anexo IV), questionário de qualidade de vida SF-36 (anexo III), Owestry para dor lombar (anexo II) e por fim a Escala Visual Analógica (EVA) (anexo I).

Com o decorrer do estudo, mais três indivíduos foram excluídos da pesquisa por se encaixarem dentro de um dos critérios de exclusão abaixo:
• Hipertensos não controlados
• Osteoporose severa comprovada por exame de densiometria óssea
• Cirurgias recentes
Sendo que a falta à terapia por mais de duas vezes sem aviso prévio foi considerado critério de descontinuidade.
Assim, os indivíduos foram atendidos na Policlínica do Unasp, sendo duas vezes por semana – terças e quartas – totalizando 10 sessões, com atendimento aproximado em 40 minutos. Sendo que ao fim das sessões os pacientes foram reavaliados através dos mesmos questionários, sendo comparados com os inicialmente aplicados.
O tratamento oferecido visava o alívio da dor através da técnica de mobilização vertebral de Maitland e consequentemente a melhora da qualidade de vida e, para isso o paciente no inicio de cada sessão respondia a escala visual analógica (EVA) e logo em seguida se posicionava em decúbito ventral onde era realizada a mobilização vertebral de Maitland utilizando os graus I e II da seguinte maneira:
• Mobilização póstero-anterior (PA) em cima no processo espinhoso da vértebra com maior queixa de dor.
• PA abaixo do processo espinhoso da vértebra com maior queixa de dor.
• PA acima do processo espinhoso da vértebra com maior queixa de dor.
• PA nos processos transversos das mesmas vértebras.

Cada mobilização teve duração de dois minutos com intervalo de um minuto de descanso entre cada uma.
Terminado esta primeira etapa, o paciente passava para decúbito dorsal, onde era realizada mobilização com flexão e adução de quadril no limite da dor, com pequenas oscilações por dois minutos em cada perna, também com intervalo de um minuto entre uma e outra. Feito isso, a sessão era encerrada e o paciente estava dispensado até as sessões seguintes.
Lembrando que, o controle do estudo foi feito através da aplicação de um mesmo questionário pré e pós-tratamento, observando a melhora ou não na qualidade de vida e das dores lombares dos indivíduos que participaram da pesquisa.
Vale ressaltar, que o método de mobilização de Maitland não traz riscos nenhum á saúde. O único desconforto ao qual o indivíduo esteve sujeito foi uma sensibilização local após a mobilização por um período de 24 horas. Fora este, os riscos aos quais os indivíduos estavam sujeitos não eram diretamente relacionados à terapia como:
• Crises hipertensivas (ex: indivíduo andou muito para chegar a terapia, ou está nervoso, ansioso, etc)
• Quanto ao trajeto (acidentes de percurso, quedas e etc.)
• Constrangimentos quanto à falta de atendimento (se houver atraso por parte do paciente).
• Paciente sentir-se mal durante a terapia (cefaléia, enjôo, dispnéia e etc.)

Sendo que todos estes foram explicados previamente ao paciente.

RESULTADOS

Os gráficos abaixo são os resultados obtidos através das avaliações pelos questionários de Qualidade de Vida SF-36, Owestry e Escala Visual Analógica aplicados no pré e pós-tratamento.

O gráfico 1, representa o campo dor avaliado através do questionário de qualidade de vida SF-36, este resultado demonstra o resultado obtido pelo método de mobilização de Maitland no alívio das dores lombares. Representando assim, melhora significante da dor (p=0,0008). Podemos observar esta mesma melhora, também através do gráfico 2, que representa os resultados da escala visual analógica respondida pelos pacientes na 1º, 5º e 10º sessão de tratamento. Pode-se observar neste gráfico, melhora significante da dor da primeira sessão para a quinta sessão de tratamento (p=0,001), da primeira sessão para a última sessão de tratamento (p=0,001), porém, melhora discreta da dor, considerada não significante (p=0,05) quando analisamos da quinta para a última sessão de tratamento.

Através do gráfico 3, podemos observar a melhora significante da capacidade funcional avaliada através do questionário de qualidade de vida SF-36 (p< 0,0007). Melhora também observada nos aspectos físicos demonstrados no gráfico 4, avaliados através do mesmo questionário (p< 0,0026). Quando analisamos o gráfico 5 que representa o questionário Owestry de dor lombar, questionário este que, mensura o grau de limitação do paciente, observamos na avaliação dos resultados – através da relação direta proporcional pontuação/limitação – comparando a avaliação feita através deste questionário no pré e pós tratamento, podemos observar melhora significante das limitações funcionais apresentadas inicialmente pelos indivíduos tratados (p= 0,0054).

 


Os gráficos 6, 7, 8, 9 representam respectivamente, vitalidade (com p= 0,0106), aspecto social (com p=0,9999), aspecto emocional (com p=0,225) e saúde mental (com p=0,2001) todos também avaliados no pré e pós tratamento através do questionário de qualidade de vida SF-36. Como pode-se observar, os gráficos acima não apresentam significância em seus resultados, o que não altera os resultados antes descritos. Até mesmo porque o último gráfico abaixo (gráfico 10), mostra significância (p=0,0024) quanto ao estado geral de saúde, sugerindo assim em nossos resultados, melhora da dor com conseqüente melhora na qualidade de vida dos indivíduos tratados.


DISCUSSÃO

A técnica de mobilização vertebral de Maitland tem como objetivo a melhora da movimentação fisiológica da coluna vertebral, impedindo desta forma o surgimento de imobilidades, sobrecargas e dores (KOURY, SCARPELLI, 1994). O nosso objetivo foi verificar a utilização do método para alivio da dor e conseqüentemente a melhora na qualidade de vida de pacientes portadores de dores lombares.
Nos nossos resultados a avaliação da dor pela escala visual analógica (EVA), demonstrou que a mobilização vertebral de Maitland apresenta melhora significante quando comparamos o período que abrange da primeira sessão para a décima sessão de tratamento, e quando comparamos da primeira para a quinta sessão de tratamento assim, como no estudo de Canolego e Rebellato (2002) que obtiveram resultados semelhantes entre a segunda e quarta sessão de tratamento e Waddel (1996), que afirma que o uso da mobilização na dor lombar provê uma rápida melhora da dor e maior satisfação do paciente. Um estudo realizado por Shekelle et al (1992), pacientes apresentando dor lombar aguda, o uso da terapia manual como recurso terapêutico acelerou a recuperação e resultou em melhora de 34% a mais na dor, comparadas a outras terapias convencionais. Resultados também apresentados por Chahade e Biasole (1999) demostrando através da mobilização vertebral passiva sua eficácia na redução das dores vertebrais. Acreditamos que isso ocorre pelo fato de que a mobilização vertebral de Maitland quebra o ciclo dor-espasmo-dor diminuindo assim a dor do paciente e a imobilidade intervetebral. Segundo Korr e Wyke (2001), Wright (2000) e Marinzeck e Souvlis (2006) as mobilizações articulares grau I e grau II promovem analgesia, pois estes movimentos estimulam os mecanorreceptores da articulação, que vão estimular grandes fibras sensoriais, que deprimem a transmissão dos sinais dolorosos, tanto provenientes da mesma área corporal, como os que se originam de áreas muitas vezes correspondentes a vários segmentos de distância através de estímulos neuro-inibitórios. Estes resultados se confirmam através da comparação das analises obtidas em nosso estudo antes e após o tratamento através dos questionários Owestry para dor lombar e Sf-36 (campo dor).
Já, quando comparamos a EVA no período que abrange da quinta sessão para a décima sessão, nossos resultados não foram estatisticamente significantes. Isso nos sugere a ocorrência de uma estabilização do quadro clínico que tornou compatível o retorno à capacidade funcional dos integrantes do grupo analisado logo nas primeiras sessões de tratamento sendo confirmado pelo resultado analisado através do SF-36. Estes resultados estão de acordo com os obtidos por Kisner (1992) onde relata que a mobilização vertebral restaura a mecânica articular normal.
Hurley et al. em seu estudo diz que não há evidência prévia que a terapia de mobilização deve ser aplicada como tratamento único ou em combinação com outras modalidades. Nossos resultados demonstraram que aplicação do método Mailtland individualmente, resultou em melhora da dor e da capacidade funcional assim como no estudo de Gregory (1994), onde se concluiu que, as técnicas de mobilização e manipulação são ferramentas úteis no alívio da dor e na restauração da mobilidade da coluna vertebral.
De acordo OMS o conceito de qualidade de vida é “a percepção que uma pessoa tem da sua vida, no contexto do sistema de valores e da cultura em que vive em relação às suas metas, expectativas, padrões e interesses”, ou seja, não somente a ausência de doença, mas o bem estar físico, psicológico e social (GAIVA, 1998). Acreditamos que os resultados obtidos para dor e para capacidade funcional apresentados no estudo, resultaram secundariamente na melhora do bem estar geral dos participantes do estudo nos aspectos físicos e no estado geral de saúde.
Aspectos como vitalidade, saúde mental, emocional e social não apresentaram significância. Isso provavelmente ocorreu porque o método terapêutico utilizado limita-se ao tratamento da coluna vertebral, não tendo nenhuma influência direta nos aspectos psicológicos e sociais dos indivíduos tratados. Porém, no estudo realizado por Edmonda (2000), os benefícios proporcionados pela técnica de mobilização vertebral incluem benefícios psicológicos, sendo que os mesmos não foram observados de forma significante em nosso estudo.
Contudo, podemos dizer que a técnica de manipulação vertebral de Maitland melhorou a dor e a qualidade de vida dos indivíduos que participaram do estudo. Detalhamentos a respeito de como esses benefícios exercem influências fisiológicas para o beneficio da dor, ainda precisam ser mais elucidados, porém, tal fato não descarta o uso das técnicas de mobilização vertebral como recurso eficaz no tratamento das dores vertebrais.

CONCLUSÃO

Podemos concluir através dos dados apresentados que a mobilização vertebral de Maitland proporciona alivio da dor lombar e melhora na qualidade de vida nos pacientes acometidos por lombalgia.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

CANOLEGO, C.A.; REBELATO, J.R.; Comparação entre aplicação do método Maitland e da terapia convencional no tratamento de lombalgia aguda. Revista Brasileira de Fisioterapia, v. 6, n.2 p.97-104, 2002.
CHAHAD, W. H.; BIASOLI, M. C.; Low Back Pain. Physical Therapy, p. 32-47, 1999.
CICONELLI, R. M.; FERRAZ, M. B.; SANTOS, W.; MEINÃO, I.; QUARESMA, M. R.. Tradução para a língua portuguesa e validação do questionário genérico da avaliação da qualidade de vida do SF-36 (Brasil SF-36). Revista Brasileira de Reumatologia, v.39, n.3, p. 143-150, 1999.
DIFABIO; OTTENBACH; Efficacy of spinal manipulation/mobilization therapy. A meta-analysis. Spine, v.10, n. 9, p. 833-837,1994.
EDOMOND, S. L.; Manipulação e Mobilização, técnicas para membros e coluna. 2.ed. São Paulo: Manole, 2000.
FAIRBANK J.C.; COUPER, J.; DAVIES J. B.; O´BIREN J. P.; The Owestry low back pain disability questionnaire. Physiotherapy, v.66, n.8, p. 271-273, 1980.
FERRAZ, F. C. O.; SEGRE, M.; Conceito de saúde. Saúde Pública, v. 31, n. 5, p. 538-542, 1997.
GAIVA, M. A. M.; Qualidade de vida e saúde. Revista Enfermagem UERJ, v. 6, n.2, p. 377-382, 1998.
GOULD, J. A.; III Fisioterapia na Ortopedia e na Medicina do Esporte. 2º edição, São Paulo: 1993.
GREGORY, P. G.; Moderna terapia manual da coluna vertebral. São Paulo: Pan-americana, 1994.
GUIMARÃES G. G.; ALMEIDA, R. L.; Lombalgia. Fisio&Terapia, 2002.
HURLEY, D. A.; MCDOUGH, M., BAXTER, G. D.; DEMPSTER, M.; MOORE, A. P.; A randomizes clinical trial of manipulative therapy and interferential therapy for acute low back pain. Spine, v. 29, n.20, p. 2207-2216, 2004.
KOURY, M. J.; SCARPELLI, E.; A manual therapy approach to evaluation and treatment of a patient with a chronic lumbar nerve root irritation. Physical Therapy, v. 74, n. 6, p. 548-560, 1994.
MAITLAND, G. D.; HENGEVELD, E.; BANKS, K.; ENGLISH, K.; Maitland´s vertebral manipulation. 6.ed. Adelaide: Butterworth – Heinemann, 2000.
MAITLAND, G. D.; Manipulação Vertebral. 5. ed. São Paulo: Panamericana, 1986.
MARINZECK, S.; Efeitos do sistema nervoso simpático após manipulação e mobiilzação da coluna cervical. Disponível em: Acesso em : 16 de março de 2006.
Mensuração da dor. Disponível em: acessado em 18 de março de 2006.
SHEKELLE, P.; ADAMS, A.; CHASSIM, M.; HURWITZ, E.; BROOK, R.; Spinal manipulation for low-back pain. Annals of Internal Medicine, v. 117, n. 7, p. 590-598, 1992.
TORSTENSEN A. T.; LJUNGGREN E. A.; OLLAND, E.; MOWINCKEL P.; Efficiency and Cost of Medical Exercise Therapy, and Self-Exercise in Patients with Chronic Low Back Pain. Spine, v. 23, n.23, p. 2616-2624, 1998.
WADDELL, G.; FEDER, G.; MCINTOSH A.; LEWIS M.; HUTCHISON, A.; Low back pain evidence review. London: Royal College of General Practitioners, 1996.
WINTERS J. C.; SOBEL, S. J.; GROENIR, H. K.; ARENDZEN, J. H.; JONG, B. M.; Comparison of physiotherapy, manipulation, and corticosteroid injection for treating shoulder complaints in general practice: randomized, single blind study. BMJ, v. n. p.1320-1325, 1997.

ANEXO I
Escala Visual Analógica
A Escala Visual Analógica (EVA) é um instrumento para mensurar a dor, que consiste em uma linha reta, não numerada, indicando-se em uma extremidade a marcação de “ausência de dor”, e na outra, “pior dor imaginável”. Sendo assim um instrumento ao paciente “se fazer entender”.

Ausência de dor Pior dor imaginável

ANEXO II

ÍNDICE DE INCAPACITAÇÃO DE OWESTRY PARA DOR LOMBAR

The Robert Jones and Agnes Hunt orthopaedic and District Hospital, NHS Trust, Owes, Shropshire, Department for Spinal Disordens

Nome:_______________________________Data de nasc:__/__/__ idade____anos
Endereço:___________________________________________________________
Telefone:_____________________Data:__/__/__Entrevistador:_________________

Profissão:___________________________________________________________
Há quanto tempo tem dor nas costas? ____Anos ____Meses ____Semanas
Há quanto tempo tem dor nas pernas? ____Anos ____Meses ____Semanas

ITEM 1 – INTENSIDADE DA DOR
1 ( ) Minha dor é leve a moderada. Não preciso de analgésicos.
2 ( ) A dor é forte, mas agüento sem tomar analgésicos.
3 ( ) Os analgésicos aliviam completamente a minha dor.
4 ( ) Os analgésicos aliviam mais ou menos a minha dor.
5 ( ) Os analgésicos aliviam muito pouco a minha dor.
6 ( ) Os analgésicos não tem efeito nenhum sobre a minha dor.

ITEM 2 – HIGIENE PESSOAL (banhar-se, vestir-se etc).
1 ( ) Cuido de mim normalmente sem que a dor aumente.
2 ( ) Cuido de mim normalmente mas a dor aumenta
3 ( ) Sinto muita dor quando cuido de minha higiene pessoal, por isso faço tudo devagar e com cuidado.
4 ( ) Preciso de um pouco de ajuda, mas cuido de maior parte da minha higiene pessoal.
5 ( ) Preciso de ajuda todos os dias na maior parte de higiene pessoal.
6 ( ) Não me visto se ajuda; lavo-me com dificuldade; fico na cama.

ITEM 3 – LEVANTAR PESOS
1 ( ) Consigo levantar muito peso sem aumentar a dor.
2 ( ) Consigo levantar muito peso, mas isso aumenta a dor.
3 ( ) A dor me impede de levantar grandes pesos do chão, mas consigo fazer isso se ficar em posição confortável.
4 ( ) A dor me impede de levantar grandes pesos.
5 ( ) Só consigo levantar pesos pequenos.
6 ( ) Não consigo levantar nem carregar nada.

ITEM 4 – ANDAR
1 ( ) Consigo andar quanto quiser.
2 ( ) A dor me impede de andar mais de 1500 metros.
3 ( ) A dor me impede de andar mais de 750 metros.
4 ( ) A dor me impede de andar mais de 300 metros.
5 ( ) Só consigo andar se usar bengala ou muletas.
6 ( ) Fico na cama ou na cadeira a maior parte do dia.

ITEM 5 – SENTAR-SE
1 ( ) Consigo ficar sentado em qualquer cadeira pelo tempo que quiser.
2 ( ) Só consigo ficar sentado na minha cadeira favorita, mas pelo tempo que eu quiser.
3 ( ) A dor me impede de ficar sentado mais de 1 hora.
4 ( ) A dor me impede de ficar sentado mais de ½ hora.
5 ( ) A dor me impede de ficar sentado mais de 10 minutos.
6 ( ) A dor me impede totalmente de ficar sentado.

ITEM 6 – FICAR EM PÉ
1 ( ) Consigo ficar em pé o tempo que quiser sem que a dor aumente.
2 ( ) Consigo ficar em pé o tempo que quiser, mas a dor aumenta.
3 ( ) a dor me impede de ficar em pé por mais de 1 hora.
4 ( ) A dor me impede de ficar em pé por mais de ½ hora.
5 ( ) A dor me impede de ficar em pé por mais de 10 minutos.
6 ( ) A dor me impede de ficar em pé.

ITEM 7 – DORMIR

1 ( ) A dor não me impede de dormir bem.
2 ( ) Eu durmo bem, mas só quando tomo comprimidos.
3 ( ) Mesmo quando tomo comprimidos durmo menos de 6 horas.
4 ( ) Mesmo quando tomo comprimidos durmo menos de 4 horas.
5 ( ) Mesmo quando tomo comprimidos durmo menos de 2 horas.
6 ( ) A dor me impede completamente de dormir.

ITEM 8 – VIDA SEXUAL
1 ( ) Minha vida sexual é normal e não aumenta minha dor.
2 ( ) Minha vida sexual é normal mas aumenta a dor.
3 ( ) Minha vida sexual é quase normal, mas causa muita dor.
4 ( ) Minha vida sexual foi severamente restringida pela dor.
5 ( ) Minha vida sexual quase não existe por causa da dor.
6 ( ) A dor me impede totalmente minha vida sexual.

ITEM 9 – VIDA SOCIAL
1 ( ) Minha vida social é normal e não aumenta minha dor.
2 ( ) Minha vida social é normal mas aumenta minha dor.
3 ( ) A dor afeta minha vida social porque limita só o que precisa de mais energia (dançar etc.)
4 ( ) A dor tem restringido minha vida social e não tenho saído com muita freqüência.
5 ( ) A dor tem restringido minha vida social à minha casa.
6 ( ) Não tenho vida social por causa da dor.

ITEM 10 – VIAJAR
1 ( ) Consigo viajar para qualquer lugar sem que a dor aumente.
2 ( ) Consigo viajar para onde quiser mais minha dor aumenta.
3 ( ) A dor é forte, mas consigo fazer viagens de 2 horas.
4 ( ) A dor restringe minhas viagens a menos de 1 hora.
5 ( ) A dor restringe minhas viagens a menos de ½ hora.
6 ( ) A dor me impede de viajar, exceto até consultório médico e o hospital.

(Fairbank et al., 1980)

ANEXO III

Questionário de Qualidade de Vida SF-36

Nome:_______________________________Data de nasc:__/__/__ idade____anos
Endereço:___________________________________________________________
Telefone:_____________________Data:__/__/__Entrevistador:_________________

Profissão:___________________________________________________________

Esta pesquisa questiona você sobre sua saúde. Estas informações nos manterão informados de como você se sente e quão bem você é capaz de fazer atividades de vida diária. Responda cada questão marcando a resposta como indicado. Caso você esteja inseguro em como responder, por favor, tente responder o melhor que puder.

 

ANEXO IV

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
(Via Paciente)

Eu___________________________________________________, portador (a) do RG ___________________, concordo em participar do trabalho de pesquisa intitulado “Avaliação da qualidade de vida e da dor, em pacientes com lombalgia submetidos a intervenção pelo método Maitland”, cujo objetivo é avaliar a eficácia da técnica, no alívio de dores lombares e melhora da qualidade de vida. Declarando para os devidos fins, que estou ciente de que:

» Não vou estar sujeito a nenhum risco a minha saúde geral
»Poderei sentir leve sensibilização no local tratado por período de 12 horas após o tratamento
»Será mantido sigilo das informações ao meu respeito
»A qualquer momento poderei abandonar o grupo de estudo, sem qualquer justificativa, aviso prévio e oneração, não prejudicando minha relação com a instituição, salientando-se que minha participação é voluntária, não tendo eu obrigação alguma de permanecer no presente estudo.
»A Policlínica do Centro Universitário Adventista de São Paulo – UNASP, está livre de qualquer responsabilidade quanto a acidentes de percurso até o grupo de estudo
»2 (duas) faltas sem justificativa implicará no desligamento instantâneo do grupo de estudo.
»Deverei trajar bermuda para o tratamento.
»Deverei comparecer com 10 (dez) minutos de antecedência do horário estipulado e no dia marcado para o estudo. E que, após 10 minutos de atraso do horário marcado, não serei mais atendido naquela sessão.
»Responderei a dois questionários antes e depois do tratamento, questionários estes, que tem apenas a finalidade de avaliar a minha dor e qualidade de vida, não alterando a minha adesão ou não ao estudo.
»Todas as informações acima, me foram explicadas uma a uma, não me restando dúvida alguma.
»Este termo será entregue em duas vias, ficando uma em poder do pesquisador e uma em poder do paciente.(resolução 196/96).

_____________________________ __________________________
Assinatura do pesquisador Assinatura do participante

Telefones para eventuais contatos:
Cyana:(11) 4704-7880/4704-6471/89487743
Sheila: (11)4666-5476/9507-0107
Policínica do Unasp: (11)5822-6174

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
(Via Pesquisador)

Eu___________________________________________________, portador (a) do RG ___________________, concordo em participar do trabalho de pesquisa intitulado “Avaliação da qualidade de vida e da dor, em pacientes com lombalgia submetidos a intervenção pelo método Maitland”, cujo objetivo é avaliar a eficácia da técnica, no alívio de dores lombares e melhora da qualidade de vida. Declarando para os devidos fins, que estou ciente de que:

 Não vou estar sujeito a nenhum risco a minha saúde geral
 Poderei sentir leve sensibilização no local tratado por período de 12 horas após o tratamento
 Será mantido sigilo das informações ao meu respeito
 A qualquer momento poderei abandonar o grupo de estudo, sem qualquer justificativa, aviso prévio e oneração, não prejudicando minha relação com a instituição, salientando-se que minha participação é voluntária, não tendo eu obrigação alguma de permanecer no presente estudo.
 A Policlínica do Centro Universitário Adventista de São Paulo – UNASP, está livre de qualquer responsabilidade quanto a acidentes de percurso até o grupo de estudo
 2 (duas) faltas sem justificativa implicará no desligamento instantâneo do grupo de estudo.
 Deverei trajar bermuda para o tratamento.
 Deverei comparecer com 10 (dez) minutos de antecedência do horário estipulado e no dia marcado para o estudo. E que, após 10 minutos de atraso do horário marcado, não serei mais atendido naquela sessão.
 Responderei a dois questionários antes e depois do tratamento, questionários estes, que tem apenas a finalidade de avaliar a minha dor e qualidade de vida, não alterando a minha adesão ou não ao estudo.
 Todas as informações acima, me foram explicadas uma a uma, não me restando dúvida alguma.
 Este termo será entregue em duas vias, ficando uma em poder do pesquisador e uma em poder do paciente.(resolução 196/96).

_____________________________ __________________________
Assinatura do pesquisador Assinatura do participante

Telefones para eventuais contatos:
Cyana:(11) 4704-7880/4704-6471/89487743
Sheila: (11)4666-5476/9507-0107
Policínica do Unasp: (11)5822-6174

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1 comentário em “AVALIAÇÃO DA DOR E DA QUALIDADE DE VIDA, EM PACIENTES COM LOMBALGIA SUBMETIDOS À INTERVENÇÃO PELO MÉTODO MAITLAND”

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