ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NO TRATAMENTO DE MULHERES COM INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO

GRACIELE AMORIM DA SILVA

Trabalho de Conclusão do Curso de Fisioterapia, Uninassau, para obtenção do título de Fisioterapeuta.
Orientador: Prof Francisco Carlos Santos Cerqueira.

Prof Francisco Carlos Santos Cerqueira.

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho a Deus, aos pais Adenilton e Gracy, a meus irmãos Macele, Ananda, Diogo, ao meu marido João e minha querida filha Musi
OBRIGADO

AGRADECIMENTO

À todos meus professores da Faculdade Uninassau, Natália Gonçalves, Francisco Carlos Cerqueira, Adriana Marília Barreto entre outros, minha gratidão a todos pelo conhecimento passado, pela paciência e conselhos.

Aos meus tios Severina e Damião, por me acolherem em sua casa para que pudesse realizar esse sonho.

Aos meus pais Adenílton e Gracy por acreditar em mim, sempre me apoiando e dando força para continuar.

A meu amigo Marcelo Amorim por sempre está ao meu lado e me ajudando sempre. A minha filha Musi e ao meu marido Onésimo João por estarem sempre comigo me apoiando.

EPÍGRAFE
“Enquanto há vida, há esperança”
Eclesiastes 6:4

RESUMO

Incontinência urinária é perda involuntária da urina, devido ao aumento da pressão abdominal e ausência de contração do músculo detrusor. Pode afetar pessoas de diferentes faixas etárias, sendo mais comum em mulheres idosas. Este artigo tem por objetivo abordar a incontinência urinaria por esforço em mulheres, conceito, causas e os tratamentos fisioterapêuticos, a pesquisa foi realizada em revistas, artigos através da plataforma digital como Scientific Eletronic Librany Online (Scielo), Science PubMed. A fisioterapia tem um papel fundamental na melhoria da qualidade de vida dessas mulheres.

Palavras-chaves: Incontinência urinária, fisioterapia, tratamento.

ABSTRACT

Urinary incontinence is involuntary loss of urine, due to increased abdominal pressure and absence of contraction of the detrusor muscle. It can affect people of different age groups, being more common in elderly women. This article aims to address stress urinary incontinence in women, concept, causes and physiotherapeutic treatments, the research was carried out in magazines, articles through the digital platform like Scientific Eletronic Librany Online (Scielo), Science PubMed. Physiotherapy has a fundamental role in improving the quality of life of these women.

Keywords: Urinaryincontinence, physiotherapy, treatment.

1. INTRODUÇÃO

A incontinência urinaria é definida como perda involuntária da urina através do óstio uretral externo, devido ao aumento da pressão abdominal e ausência de contração do detrusor. Essa situação pode trazer consequências como: frustrações psicossociais, ameaça a auto estima. (OLIVEIRA et al., 2007).

Segundo a Sociedade Internacional de Continência, a incontinência é descrita como um sintoma, um sinal, ou por meio da observação urodinâmica, pode ser classificada como incontinência urinaria de esforço, de urgência e mista. A IUE incontinência urinaria de esforço é definida como perda involuntária de urina após tosse, espirro ou esforço físico, é o tipo mais comum na população em geral acometendo 49% das mulheres incontinentes.(FIGUEIREDO 2007).

Diversos fatores está relacionado ao avanço da IU incontinência urinária, como idade, raça, tipo de parto, índice de massa corpórea, uso de medicações dentre outros.(CASTRO et al,2008).

O processo de envelhecimento pode ser favorável para desenvolvimento da incontinência urinaria na velhice, porem como fenômeno isolado não motiva, mas induz a mudanças fisiológicas e anatômicas que pode contribuir para o problema.(BEREK et al, 1998).

O presente estudo tem como objetivo demostrar a atuação da fisioterapia os seus recursos como cinesioterapia, biofeedback e cones vaginais e a importância da fisioterapia no tratamento da IUE (Incontinência Urinária De Esforço). A metodologia utilizada foi busca de artigos, livros e revistas na plataforma eletrônica Scielo, Pubmed.

2. DESENVOLVIMENTO

2.1 Fisiologia Da Micção

A bexiga urinária é um órgão muscular liso, que funciona como reservatório de urina e ao contrair elimina a urina armazenada ate a uretra. (BARACHO,2002). O sistema urinário constitui-se em dois ruins, dois canais urinários que conduzem a urina a bexiga, e a uretra que leva a urina para fora do corpo. ( POLDEN, 2000).

O processo de urinar é controlado pelo sistema nervoso central , nos centros de micção na ponte e medula espinhal nos ramos T10 a L2 do sistema nervosos simpático, e S2 a S4 do sistema nervoso parassimpático. (GALHARDO; KATAYAMA, 2007).

A bexiga acumula urina ate a repleção vesical, quando estímulos enviados ao córtex são interpretados como desejo miccional e a contração destrusora com relaxamento esfincteriano irá permitir a liberação da urina. (CHIARAPA; CACHO; ALVES, 2007).

2.2 A IMPORTÂNCIA DO TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICOS DA INCONTINÊNCIA URINARIA DE ESFORÇO

Segundo Silva et al.,(2012) um recurso considerado efetivo e bem requisitado é o tratamento conservador, que pode ser realizado pelos profissionais de fisioterapia do assolha pélvico, mediante diversas técnicas, constituindo assim uma importante parte para um tratamento satisfatório.

Os autores Pereira et al., (2012) ressaltam o seguinte, o fortalecimento do assoalho pélvico é o mais apontado como eficaz. O tratamento conservador proporciona a mulher uma abordagem menos invasiva, aliviando um grande desconforto. Mas grande parte do sucesso depende da motivação e do comprometimento tanto do paciente como da equipe multidisciplinar. (HERRMANN et AL., 2003)

Os tratamentos fisioterapêuticos mais conhecidos para prevenção e tratamento são cinesioterapia, biofeedback, cones vaginais, eletroestimulação reeducação corporal, sendo este através de artifícios como diário miccional ( REIS; FILHO; JÚNIOR; SILVA; et al., 2010).

2.3 TRATAMENTOS FISIOTERAPÊUTICOS

2.3.1 Cinesioterapia

A cinesioterapia tem como objetivo o fortalecimento do assoalho pélvico, através de exercícios baseado em movimentos voluntários, proporcionando assim o aumento de força muscular. Os exercícios ativos visa reestabelecer a estática pélvica por meio da reeducação da musculatura do assoalho pélvico através da consciência corporal. (CHIARAPA; CACHO; ALVES, 2007).

Um dos exercícios de kegel, para conscientização da localização do períneo, orienta a paciente na posição de decúbito dorsal tocar os grandes lábios com os dedos indicador e médio com uma das mãos, em “V” invertido, para feedback sensorial, por fim realizar os exercícios de contração e relaxamento do músculos do assoalho pélvico em posição sentada, decúbito dorsal, em pé, de cócoras ou de quatro apoio, associado a respiração diafragmática (RAMOS, OLIVEIRA, 2010).

2.3.2 Cones Vaginais

Os cones vaginais representam uma forma pratica identificar e fortalecer a musculatura do assoalho pélvico, utilizando os princípios de biofeedback. Em 1985 Plevnik, demostrou às pacientes que é possível apreender contrair a musculatura do assolho pélvico por meio de retenção de cones vaginais com pesos crescentes. Os cones vaginais são dispositivos de mesma forma e volume com peso que varia de 20 a 100 gramas e são particularmente indicados em casos leves e moderados de incontinência urinaria por esforço, com indicies de 14 a 78% de sucesso. (PATRÍCIA FERNANDES DINIZ, 2009).

Há estudos que comprovam a eficácia de tratamento com os cones vaginais na incontinência urinaria por esforço podendo servir como uma medida que auxilia no fortalecimento da musculatura em pacientes que estejam realizando exercícios pélvicos, e como um método complementar para consolidação de resultados de fortalecimento de musculatura pélvica em razão de baixo custo e facilidade de execução.(KÁTIA ADRIANA CARDOSO DE OLIVEIRA, 2007).

2.3.3 Biofeedback

Biofeedback é um aparelho que faz o monitoramento, por sinais sonoros e visuais, quais os grupos musculares esta sendo trabalhado de forma a potencializar os exercícios do assoalha pélvico, ele monitora eventos fisiológicos que a paciente é incapaz de apontar por si só. É eficiente na avaliação dos músculos pélvicos, uma vez que monitora o tônus muscular, a força, a sustentação, melhorando as contações voluntarias dessa musculatura.(MORENO, 2009).

O biofeedbback em pacientes com incontinência urinaria de esforço, é utilizado para obter o reconhecimento da musculatura esquelética no relaxamento e contração uretral e da musculatura indireta evolvida no momento da micção.

2.4 ANÁLISE, DISCUSSÃO E RESULTADOS

2.4.1 ANÁLISE

Por tanto o presente estudo, demostra que tratamento conversador através da fisioterapia é de grande importância para essas mulheres com incontinência urinária, restaurando suas capacidades fiscais, funcionais e sociais. Os recursos fisioterapêuticos como cinesioterapia por meio exercícios de kegel, cones vaginais, biofeedback, são capazes de reduzir os sintomas de perda urinária, melhorando assim qualidade de vida e auto estima dessas pacientes .

2.4.2 DISCUSSÃO

Em 1950, o médico ginecologista Arnold Kegel, foi o primeiro a introduzir treinamento do assoalho pélvico para o tratamento da incontinência urinaria. Em seu primeiro estudo, obteve 84% de cura em mulheres com incontinência urinaria, onde o protocolo incluía palpação vaginal e observação clinica da contração voluntaria da musculatura pélvica.

Souza em 2002, disse que a cinesioterapia para o assolho pélvico não tem efeitos colaterais e morbidade ao contrario das cirurgias, e cada vez mais vem sendo utilizado por bons resultados obtidos.

Segundo castro em 2010 relatou que os cones vaginais, a eletroestimulação e o biofeedback são complementos para os exercícios de fortalecimento da musculatura pélvica, sendo essas técnicas aplicadas em sessões alternadas.

Para Berghmans, antes de se iniciar o tratamento fisioterapêutico, é importante a abordagem educativa onde se demostra os conceitos de incontinência urinaria, assoalho pélvico, a função vesical e contração da musculatura do assoalho pélvico, para se obter resultados satisfatório é fundamental que a paciente inicialmente conheça a função da pelve e que a mesma seja capaz de contrair a musculatura.

2.4.3 RESULTADOS

Moreira (2002), utilizou em seu estudo 103 pacientes com IU, sendo 52 pessoas tiveram tratamentos com exercícios perineais, e as outras 51 com cones vaginais, durante 12 meses. Em uma avaliação subjetiva, os dois grupos tiveram resultados eficientes, entretanto, em relação a utilização dos forros protetores de umidade e força muscular, o grupo que teve o tratamento com cones vaginais tiveram melhores resultados. Já em um estudo de Ventura et al,(2008), foram feitas com 2 duas pacientes, 20 sessões de tratamento com exercícios de kegel, onde se obteve bons resultados, através da escala de Ortriz verificou-se que as duas mulheres tivessem o aumento de 1 e 2 grau de força muscular perinal, levando assim a diminuição da perda urinária.

Diante todo estudo em questão, verificou-se que os recursos fisioterapêuticos bem como cinesioterapia, cones vaginais e biofeedback são eficazes no tratamento de mulheres com incontinência urinária de esforço, porém, há uma necessidades de novos estudos comparativos para observar qual melhor recursos a se aplicar.

3.CONCLUSÃO

A fisioterapia é de grande importância no tratamento da incontinência urinaria de esforço, é um método favorável que trás bons resultados da reabilitação da musculatura do assoalho pélvico.

A cinesioterapia através dos exercícios de kegel contribui para ganho de consciência corporal juntamente com reeducação perineal, os cones vaginais além de ajudar no fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico também ajuda as pacientes a contrair de uma forma correta a musculatura, já o biofeedback por possui sinais sonoros e visuais ajuda a instruir as pacientes a quantidade de força e potencia para se chegar a uma contração efetiva.

Conclui- se que as técnicas analisadas nesse artigo apresentaram benefícios e bons resultados, destacando exercícios de Kegel pela sua eficácia baixo custo e sem contra indicações.

A fisioterapia tem um papel fundamental no tratamento conservador da incontinência urinária de esforço, através dos seus recursos fisioterapêuticos podem reduzir a perda urinaria, melhorando na qualidade vida dessas pacientes.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BERGHMANS B. EL papel do fisioterapeuta pélvico. Actas Urol Esp. 2006;30(3): 110-22.

BEREK, J; ADASHI, E. Y; HILLARD, E. A. Tratado de Ginecologia. 12 ed. Rio de Janeiro: Guanabarra Koogan, 1998.

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HERRAMANN, V et, al. Eletroestimulação transvaginal do Assoalho Pélvico no tratamento da incontinência urinaria de esforço: Avaliações clinica e ultrassonografia. Rev. Assoc. Med. Bras. São Paulo, v. 49, n 4, p.401-405. 2003.

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5. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

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SCARPA, Kátia pery et al, prevalência de sintomas urinários no terceiro semestre da gestação. Revista da Associação Médica Brasileira, 2006.

6. LISTA DE ABREVIATURAS

IU: Incontinência Urinaria

IUE: Incontinência Urinaria de Esforço

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