ATIVIDADES LÚDICAS NA FISIOTERAPIA PEDIÁTRICA

MARIA KARINA DA CUNHA FERREIRA

Trabalho de Conclusão do Curso de Fisioterapia, Faculdade Uninassau, para obtenção do título de Fisioterapeuta.
Orientador: Professor Francisco Carlos Santos Cerqueira.

DEDICATÓRIA

Dedico esta monografia primeiramente a Deus, aos meus pais, minha avó e meu marido, que sempre me apoiaram, incentivaram e ajudaram nessa caminhada vitoriosa. Dedico também a minha filha, amor da minha vida. Obrigada a todos.

AGRADECIMENTOS

À meus pais, Cleuson Ferreira e Elisângela Ferreira, verdadeiramente as pessoas que sempre me apoiaram e acreditaram em mim e, apesar das circunstâncias e das dificuldades que surgiram no caminho, nunca perderam a fé.

Ao meu marido, Denyvan Pinheiro, que sacrificou muitas coisas para me apoiar e ajudar nessa trajetória, acreditando na minha capacidade e força de vontade, sempre me incentivando a continuar nas horas mais difíceis.

Á minha avó, Maria Nilda, minha segunda mãe, que sempre esteve ali por mim, fazendo meus uniformes, toda orgulhosa, me apoiando sempre.

A Deus, que me permitiu chegar até aqui e concluir essa fase da minha vida, me dando sabedoria e forças para continuar, independente das dificuldades, me manteve firme.

Professor Francisco Carlos Santos Cerqueira.

EPÍGRAFE
“Então disse Jesus: ‘Deixem vir a mim as crianças e não a impeçam; pois o reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas’.”
Mateus 19:14

RESUMO

Ainda que as atividades lúdicas sejam bastante utilizadas como conduta de tratamento na Fisioterapia Pediátrica, “o brincar” deve ser considerado muito importante para a reabilitação de uma criança entre um a cinco anos de idade, independente de sua patologia. O artigo, metodologicamente, utilizou a abordagem de pesquisa teórica e exploratória, sendo o método qualitativo. Os dados foram obtidos em livros e artigos de autores que fizeram relação entre ludicidade e Fisioterapia Pediátrica. Por fim, a conclusão que se chegou foi de que a inclusão do lúdico no tratamento de crianças nessa faixa etária têm mostrado os melhores resultados durante a reabilitação, melhorando a relação entre Fisioterapeuta e paciente e oferecendo um prognóstico mais significativo.

Palavras-chaves: Fisioterapia Pediátrica, Jogos Lúdicos, Reabilitação.

ABSTRACT

Even though recreational activities are widely used as a treatment conduct in Pediatric Physiotherapy, “playing” must be considered very important for the rehabilitation of a child between one and five years of age, regardless of his pathology. The article, methodologically, used the theoretical and exploratory research approach, being the qualitative method. The data were obtained from books and articles by authors who made a relationship between playfulness and Pediatric Physiotherapy. Finally, the conclusion reached was that the inclusion of playfulness in the treatment of children in this age group has shown the best results during rehabilitation, improving the relationship between Physiotherapist and patient and offering a more significant prognosis.

Keywords: Pediatric Physiotherapy, Playful Games, Rehabilitation.

1. INTRODUÇÃO

As atividades lúdicas podem ser definidas como jogos e/ou brinquedos que visam proporcionar prazer e divertimento ao ser executado, e quando é inclusa na Fisioterapia Pediátrica, especialmente na reabilitação de crianças de um a cinco anos de idade, a pergunta que surge é: Qual a importância das atividades lúdicas na reabilitação fisioterapêutica de crianças?

Segundo Ramos (2014, p.52) a atenção é o processo cognitivo pelo qual o intelecto focaliza e seleciona estímulos estabelecendo relação entre eles, tendo isso, é notório que o melhor método de atrair a atenção de uma criança é através do brincar e de brinquedos, e quando se trata de utilizar esse método propositalmente para fins terapêuticos, observamos através das evoluções da criança do quão eficaz ele é para o desenvolvimento das habilidades motoras, psicossocial e cognitiva do paciente.

Desse modo, utilizando a ludicidade no tratamento de uma criança, o fisioterapeuta como profissional em questão, ganhará a confiança dos pacientes e principalmente de seus pais, pois Siaulys (2006) defende que a vida da criança é a brincadeira e ao brincar ela entra em contato com o ambiente, interage com as pessoas ao redor e permite-se a novas experiências, facilitando assim o tratamento e um prognóstico mais satisfatório.

O artigo esta dividido em quatro partes importantes, para o melhor entendimento sobre o que é o lúdico, como ele pode inter-relacionar-se com a Fisioterapia Pediátrica e quais os benefícios alcançados pelos fisioterapeutas quando o mesmo é aplicado de forma correta, além da análise, discussão e resultados obtidos com a pesquisa.

Este tema é relevante, pois, através dele essas crianças que possuem limitações e/ou deficiências, não serão vistas apenas como pacientes a serem tratados somente com aparelhos e técnicas manuais, mas que precisam da inclusão do lúdico para se tornar eficaz e prazerosa a sua reabilitação.

Diante do exposto, o presente estudo teve como objetivo realizar uma revisão bibliográfica, como forma de conscientizar os profissionais da área da saúde, principalmente os fisioterapêutas e familiares de pacientes pediátricos, da importância que as atividades lúdicas trazem para o tratamento terapêutico das crianças de um à cinco anos de idade.

2. DESENVOLVIMENTO

2.1. O Lúdico.

O lúdico se refere a jogos e brinquedos, sendo assim, atividade lúdica pode ser definida como diversão.

Souza (2011), afirma que o brincar é uma atividade primordial da infância e essencial para o desenvolvimento da criança e sua compreensão do mundo. Para Winnicott (1995), a atividade lúdica assume naturalmente uma função terapêutica para a criança, mesmo que não se trate de um atendimento clínico ou de uma terapia em sentido estrito. Winnicott (1995, p.74) destaca que “É bom recordar que o brincar é por si mesmo uma terapia”. Conseguir que as crianças possam brincar é em si mesmo uma psicoterapia que possui aplicação imediata e universal […].

Nessa perspectiva, podemos afirmar que, o lúdico é uma série de atividades e jogos que fazem parte da vida e do desenvolvimento de uma criança, se tornando uma parte vital do desenvolvimento psicossocial desse ser humano que começa a descobrir formas e maneiras de expressar-se através do brincar.

2.2. O Lúdico inter-relacionado com a Fisioterapia se tratando de crianças de um a cinco anos de idade.

A fisioterapia pediátrica consiste em avaliar, planejar e desenvolver um programa de intervenção individualizado, de acordo com as limitações e necessidades de cada paciente. Santos, Ramos e Souza (2011) ressaltam a importância da ludicidade durante o tratamento e no ambiente em que será realizada a intervenção fisioterápica, um ambiente com cores alegres, músicas infantis, brinquedos educativos, atrativos aos olhos de uma criança, e principalmente a forma afetiva que o profissional fisioterapeuta irá recebê-la, com carinho, afetividade, atenção, transmitindo segurança e confiança para essa criança que provavelmente já passou por situações que para ela se tornou traumática.

Quando se trata de pacientes pediátricos, podemos salientar que existe uma grande diferença em tratá-los e em tratar um paciente adulto, pois a criança está passando pela fase do descobrimento, onde tudo é novo e isso pode trazer certas inseguranças para elas. Nesta fase do desenvolvimento a criança tende a ser muito apegadas aos pais, possuem certa hesitação em relacionar-se com outras pessoas, além de hiperatividade e ansiedade diante de ações muito prolongadas e repetitivas. (FAQUINELLO; HIGARASHI; MARCON, 2007).

Soares (2011) defende que mesmo doente a criança sente necessidade de brincar, pois faz parte da natureza dela.

Segundo Piaget (2005), a evolução da atividade lúdica acontece durante os primeiros dezoito meses de vida da criança, através do desenvolvimento de suas habilidades sensório-motoras. Uma criança no seu primeiro ano de vida terá suas ações estimuladas pela novidade de segurar um objeto, manuseá-lo e descobrir várias formas de explorar seus sentidos com um único objeto.

Santin apud Paula; Ravelli; Zinn (2002), afirma que a vida da criança é cercada pelo mundo do brinquedo. Ao analisarmos o desenvolvimento infantil, podemos afirmar que a ludicidade faz parte da vida da criança, desde o seu primeiro ano de vida até seus cinco anos de idade, pois nessa faixa etária, a criança que não possui atraso no desenvolvimento infantil, já estará fazendo a descoberta entre a realidade e a fantasia, desenvolvendo um senso de tranquilidade maior.

Ao incluir o lúdico de forma proposital e adequada no tratamento pediátrico em crianças de um à cinco anos, o fisioterapeuta irá alcançar melhores resultados, pois a inter-relação do lúdico e da fisioterapia é essencial e precisa para um melhor prognóstico da criança. Atividades lúdicas como ler em voz alta, oferecer brinquedos às crianças, mostrar vídeo musical infantil, estão agregados ao melhor desenvolvimento cognitivo e de linguagem (TOMOPOULOS et al, 2006).

2.3. Os benefícios alcançados pelos fisioterapeutas, com a inclusão do lúdico de forma planejada.

De acordo com Salgueiro; Ramos; Falk (2007), um profissional bom e qualificado, precisa ter a habilidade de perceber as características particulares do paciente que trata, almejando traçar alternativas que facilitam e aprimoram o seu atendimento, fazendo com que a participação do paciente ao mesmo seja a maior possível, alcançando resultados mais eficazes.

Segundo Fujisawa e Manzini (2006), as atividades lúdicas podem estar presentes tanto na avaliação quanto no tratamento fisioterapêutico, mas que devem ser aplicadas de maneira intencional e planejadas. Dessa forma, o lúdico deve ser inserido para facilitar os objetivos pretendidos.

Quando falamos sobre os benefícios do lúdico, Castro e colaboradores (2010) analisaram de forma qualiquantitativa, o oscilador oral como instrumento terapêutico. No estudo, 100% dos responsáveis mencionaram melhora do humor das crianças: 93% aumentaram a disposição, 86% reduziram a ansiedade, 78% diminuíram os episódios de choro, 71% aumentaram o apetite, 71% ficaram menos irritadas e 21% mostraram melhor aderência ao tratamento. Sendo assim, podemos afirmar que as atividades lúdicas trazem respostas positivas e benéficas para a criança, não somente com relação à fisioterapia em uma área específica, mas favorece a criança no sentido geral.

“Pelo prazer de brincar, a criança é incitada a continuar sua atividade e até fazer mais esforço, o prazer relaciona-se à característica da própria situação lúdica, como a novidade que a atrai, leva-a a lidar com as incertezas, a satisfação de desafiar e transpor o desafio.” (SOUZA, 2011).

Sabendo que o movimento é entendido como uma brincadeira para o ser humano desde que nasce e pelas experiências adquiridas a partir de trocas com o ambiente em que vive, a brincadeira pode ser vista como um instrumento de desenvolvimento sensorial, motor, perceptual, cognitivo e social.

2.4. Análise, Discussão e Resultados.

2.4.1. Análise.

Para analisar as atividades lúdicas como instrumento, importante, de tratamento na fisioterapia pediátrica, foi realizado uma revisão bibliográfica e literária, selecionando artigos e livros completos correspondentes ao tema em questão, estudos experimentais do lúdico inserido em meio hospitalares. Foram excluídos estudos não disponíveis eletronicamente, artigos cujo acesso era restrito e artigos que necessitavam de alguma forma de pagamento para acessá-los.

As datas desse levantamento foram do mês Agosto/2020 à Setembro/2020, por meio das seguintes bases de dados: Scielo, Reitoria.uri, Unoeste.br.

2.4.3. Discussão.

Ao discutir os resultados obtidos durante a pesquisa, tornou-se evidente a importância da inclusão do lúdico na fisioterapia pediátrica, sendo possível afirmar que uma criança que passa por uma terapia com a inclusão do lúdico, terá mais benefícios e um melhor prognóstico, do que aquela criança que recebe apenas um tratamento comum.

Podemos salientar também, que a relação do fisioterapeuta com o paciente quando o mesmo utiliza o lúdico no tratamento, muda de forma positiva, acarretando mais interação entre o profissional com a criança e com os pais dela.

Apesar dos resultados promissores obtidos, ainda é incerto afirmar que o lúdico é mais eficaz e importância quando se trata de crianças na faixa etária de um a cinco anos, não foram obtidos muitos artigos se tratando dessas respectivas idades, o que não favoreceu totalmente a pesquisa em relação a essa delimitação, deixando a seguinte pergunta: Será que o lúdico influencia somente no tratamento das crianças até os cinco anos, ou ele também é benéfico para as crianças até os doze anos de idade?

Como sugestão para pesquisas futuras, indico a necessidade de uma avaliação mais rigorosa nessa faixa etária de um à cinco anos, pois acredito que até essa idade em questão a criança necessita quase que totalmente dos recursos lúdicos no tratamento, enquanto que a partir dos seis anos, a criança já é mais cooperativa, comunicativa e obedece mais facilmente a comandos verbais, sem precisar de muito incentivo como brinquedos.

2.4.2. Resultados.

Mediante a busca em bases de dados e livros didáticos, foram encontrados 13 artigos e 3 livros, entretanto, 3 artigos e 2 livros foram excluídos, por não atenderem aos critérios de inclusão da pesquisa, sendo 2 artigos não disponíveis eletronicamente em sua versão completa, e os 2 livros não apresentarem inclusão do lúdico na área da saúde.

Os 10 artigos e 1 livro selecionados para a pesquisa, foram analisados de forma detalhada, para melhor entendimento e compreensão da importância do lúdico na fisioterapia pediátrica, se tratando de crianças de um à cinco anos de idade. Cinco artigos se tratavam respectivamente da inclusão do lúdico no âmbito hospitalar, sendo que dois deles enfatizavam a faixa etária infantil, os outros três artigos davam enfoque nos tipos de ludicidade e nos benefícios que elas trazem para a fisioterapia pediátrica.

O livro se trata apenas do lúdico, da importância que os jogos e brinquedos trazem na educação inclusiva.

3. CONCLUSÃO

Diante do exposto, é imprescindível salientar a importância das atividades lúdicas na fisioterapia pediátrica, como recurso terapêutico, cujo objetivo é alcançar um melhor resultado no tratamento, ocasionando um melhor prognóstico do paciente.

As quatro partes do desenvolvimento mostraram ótimos resultados. Na primeira parte, podemos entender o que é o lúdico e como ele é importante para a vida da criança. Na segunda parte, tivemos uma compreensão de como a Fisioterapia pode inter-relacionar-se com o lúdico, de forma proposital e satisfatória. Na terceira parte, enfatizamos os benefícios alcançados com a inclusão do lúdico no tratamento terapêutico, não explorando muito a habilidade cognitiva da mesma. Na última parte, foi feita a análise, resultados e discussão do trabalho, o que proporcionou uma melhor visão do conteúdo exposto, deixando claros os benefícios, satisfação e insatisfação com os objetivos não alcançados.

Embora os artigos consultados tenham sido satisfatório, nenhum me propôs cumprir fielmente a ideia de que o lúdico é benéfico para as crianças cuja faixa etária é de um a cinco anos de idade.

Em virtude dos fatos mencionados, as atividades lúdicas não são importantes somente para os profissionais fisioterapeutas, mas sim para todos os profissionais que lidam com crianças e para os familiares destas, pois se essa modalidade for inserida de forma correta em todos os âmbitos da saúde, pode-se dizer que o índice de crianças com melhores resultados em reabilitação terapêutica irá aumentar.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CASTRO, D.P. et al. Brincar como instrumento terapêutico. Rev. Pediatria, São Paulo, v. 32, n. 4, p. 246-54, 2010.

FAQUINELLO, P.; HIGARASBI, I. H.; MARCON, S. S. O atendimento humanizado em unidade pediátrica: percepção do acompanhante da criança hospitalizada. Texto Contexto Enfermagem, v. 16. n. 04. Florianópolis. Out-Dez. 2007.

FUJISAWA, D.S.; MANZINI, E.J. Formação Acadêmica do Fisioterapeuta: A utilização das atividades lúdicas nos atendimentos de crianças. Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v. 12, n. 1, p. 65-84, jan./abr. 2006.

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TOMOPOULOS, S.; DREYER, B. P.; TAMIS-LEMONDA, C.; FLYNN, V.; ROVIRA, I.; TINEO, W.; MENDELSOHN, A. L. Books, toys, parent-child interaction, and 84 Santos, Ramos e Sousa Estação Científica (UNIFAP) Macapá, v. 1, n. 2, p. 69-84, 2011 development in young Latino children. Ambul. Pediatr., v. 6. n.2. Mar-Apr. 2006.

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