ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS E PERFIL DOS PACIENTES QUE PROCURAM AUXILIO NO PROGRAMA DE REABILITAÇÃO PULMONAR DA CLÍNICA DE FISIOTERAPIA DA UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE – UNESC.

Continua...

Epidemiologic aspects and profile of outpatients assisted in the Pulmonary Rehabilitation Program in Physiotherapy Clinic from Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC

ALVES Eduardo Garcia*; COSTA Cláudio Sergio **.
___________________________________________________________________________
*Discentes da 8ª fase do curso de Fisioterapia da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC.
** Professor do curso de Fisioterapia da Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC e coordenador do programa de Reabilitação Pulmonar.

RESUMO

Este trabalho realizou-se por meio de coleta de dados nos arquivos de pacientes atendidos na clínica de Fisioterapia Respiratória da UNESC do ano de 2003 a 2007, com intuito de descrever os Aspectos Epidemiológicos e o perfil básico dos pacientes. A avaliação repercutiu por meio de número de pacientes atendidos, idade, sexo, patologia e profissão. Foram relacionados os pacientes atendidos durante esses quatro anos, totalizando 140 pacientes, sendo que a relação só consta os pacientes que participaram do programa ate o seu fim e os que ainda estão em tratamento. Os resultados chegados afirmam que o perfil básico dos pacientes é de idade entre 31 a 70 anos, sendo (75,7%) dos pacientes atendidos e pertencem ao sexo masculino (70%). A profissão que mais acarretou distúrbios respiratórios foi à extração de minério de carvão com (30,7 %); E dentre as patologias encontradas a de maior índice foi a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) com (42,9%), seguidas pelas Doenças Pulmonares Obstrutivas com (30%) e Pneumoconiose com (27,1%) de incidência.

Palavras-chave: População/ Perfil, Epidemiologia, Carvão.

ABSTRACT

Continua...

This study was done by one data collection obtained from outpatient archives assisted in Pulmonary Physiotherapy Clinic of UNESC from 2003 to 2007, with the aim describing epidemiologic aspects and basic profile of outpatients. Data assessment included: outpatient number, age, gender, disease and profession. All the outpatients assisted during these four years were included, with a total number of 140 outpatients. The data lines contain participating outpatients until their discharge from program and those that are still in treatment. The results show that of the 140 outpatients enrolled in this study, the age group is from 31 to 70 years (75,7%) and (70%) are male. Also, it was observed that the main occupation that caused respiratory disorders were those involved with coal ore extraction (30,7%). Among the diseases found, the main disease was the Chronic Obstructive Pulmonary Disease (COPD) with (42,9%), following by the Obstructive Lung Diseases with (30%) and Pneumoconiosis with (27,1%) of incidence.

Key-words: Population ∕ Profile, Epidemiology, Coa

INTRODUÇÃO

Desordens no aparelho respiratório vêm sendo responsáveis por grande procura do programa de Reabilitação Pulmonar da UNESC, onde os pacientes se inscrevem no programa de reabilitação pulmonar e passam por uma avaliação socioeconômica e clínica e são designadas a realizar prova de função pulmonar (espirometria). Logo após os testes os pacientes recebem um programa designado a sua patologia específica.
Esta grande procura pela reabilitação pulmonar por pacientes pneumoconióticos e portadores da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e outras doenças pulmonares obstrutivas, se deve a vários fatores, como o uso excessivo do cigarro que é responsável por mais de 80% dos casos de DPOC e é um grande fator de risco para ocorrência de muitas outras doenças respiratórias e crônicas degenerativas [1]; e a poluição ambiental, a qual é um dos maiores fatores que atinge a região de Criciúma/SC devido à extração de minério de carvão onde as partículas de carvão são liberadas na atmosfera e inaladas pela população; alem deste fator a um grande índice de pacientes portadores de pneumoconiose devido à inalação de poeira dentro das minas de carvão durante a extração de minério.
Segundo Tarantino (1997) [1] um fator que influencia muito na poluição é o meteorológico, como exemplo a velocidade do vento, precipitação pluviométrica e a inversão térmica que retêm o ar poluído baixo aumentando o nível de exposição humana à poluição. Outro fator poluente é o aumento da urbanização [2].
A Reabilitação Pulmonar (RP) é indicada para todos os pacientes portadores de qualquer doença respiratória, que apesar de um tratamento medicamentoso, apresenta Dispnéia, redução de tolerância ao exercício físico ou apresentam restrições em suas atividades de vida diária (AVD´s) [3].
O objetivo geral do programa de reabilitação pulmonar (PRP) desenvolvido na clínica de Fisioterapia da UNESC, por uma equipe multidisciplinar da área da saúde; é aprimorar o estado de saúde dos pneumoconióticos das minas de carvão e dos portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), e de outras doenças pulmonares obstrutivas por meio de programas de exercícios físicos e respiratórios que visam à melhora do bem estar físico funcional, mental e social.


Segundo Rodrigues (2003) [3] A American Thoracic Society (ATS) adotou em 1999 a definição de que, “ reabilitação pulmonar é um programa multidisciplinar de assistência ao paciente portador de doença respiratória crônica, moldada individualmente para otimizar seu rendimento físico social e sua autonomia “.
Este artigo foi feito por meio de pesquisas nos arquivos dos pacientes atendidos na clínica de Fisioterapia da UNESC no período de Agosto de 2003 a Agosto de 2007, onde foram coletados dados dos quais nos permitem chegar ao perfil básico e aos aspectos epidemiológicos dos pacientes que vieram procurar o serviço da Fisioterapia Respiratória na região de Criciúma/SC durante estes respectivos anos.

MATERIAIS E MÉTODOS

Foi utilizado como procedimento para a realização da coleta de dados, arquivos de pacientes que foram atendidos no período de Agosto de 2003 a Agosto de 2007 nas dependências da Clínica de Fisioterapia da Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC. As informações foram coletadas em Setembro de 2007, de forma que possibilitou classificar os aspectos epidemiológicos e perfil básico dos pacientes que chegam à clínica de Fisioterapia para serem atendidos no setor de reabilitação Pulmonar.
Os dados coletados para as seguintes informações foram: Número de pacientes atendidos durante os quatro anos, sexo, idade, patologia e profissão.
Só foram coletados os dados de pacientes que tiveram tratamento completo até receber alta e os que ainda se encontram em tratamento, pois muito dos pacientes que abandonaram o tratamento não consta em suas fichas os determinados dados colhidos, e não foi possível obter as informações necessárias já que foi perdido o contato com os mesmos.

RESULTADOS

Os números que estão sendo observados são perspectivos aos pacientes atendidos na clínica de Fisioterapia da UNESC no período de Agosto de 2003 a Agosto de 2007, sendo no total de 140 pacientes atendidos.


Na tabela I está representada a relação de pacientes atendidos nas perspectivas idades. De 5 a 15 anos foram atendidos 5% da população seguidamente de 16 a 30 anos 5,7%, 31 a 50 anos 24,3% , 51 a 70 anos 51,4% e 71 a 90 anos 13,6%. Os números mostram que a população que possui uma maior incidência de desordem no aparelho respiratório são os adultos e idosos.

Na tabela II está representado a relação do número de pacientes atendidos por sexo, tendo como resultado 70% dos pacientes do sexo masculino e 30% do sexo Feminino, tendo então a maior incidência no sexo masculino.

Na tabela III está representado o tipo de patologia e o percentual da sua incidência, sendo que 27,1% dos pacientes atendidos foram classificados com sendo portadores de Pneumoconiose, 42,9 % foram classificados como portadores de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e 30% foram classificados como portadores de Doença Pulmonar Obstrutiva.

Na tabela IV está representado o percentual dos tipos de DPOC que atingem esta população, sendo que 21,9% dos pacientes portadores de DPOC tiveram como diagnóstico Enfisema Pulmonar, Bronquite Crônica com 41,9% e também é representado com 36,2% os pacientes que têm em seus arquivos apenas a classificação como portadores de DPOC sem descrição de qual patologia é percussora da disfunção pulmonar.

Na tabela V está sendo representado o número dos pacientes que são classificados como portadores da Doença Pulmonar Obstrutiva. Das patologias percussoras a este tipo de disfunção, foram encontrados com 88,1% de diagnóstico de Asma e com 11,9% pacientes portadores de Bronquectasia.


Na tabela VI está representada a relação das profissões das quais ha um maior número de pacientes exercendo ou que exerceram em algum dia; 30,7% dos pacientes são ou foram mineiros, 13,6% são domésticas, 5,7% estudantes, 7,85% comerciantes, 5,7% trabalhadores da construção Civil, 4,3% motoristas, 12,15% aposentados e 20% exercem outras atividades.

DISCUSSÃO

Nesta pesquisa foi observado que há uma maior incidência de problemas respiratórios em pacientes adultos de 31 a 50 anos (24,3%) e idosos de 51 a 70 anos (51,4%), totalizando 75,8% dos pacientes atendidos; Os outros 22,5% ficaram divididos com pacientes de idade entre 71 a 90 anos (13,6%), 5 a 15 anos (5%) e 16 a 30 anos (5,7%); sendo que os mais atingidos por estas patologias são do sexo masculino 70% da população, diferentemente do sexo feminino que atingiu (30%).
Segundo Cordeiro (1995) [4] as Síndromes Obstrutivas tem caráter expiratório, podendo ser devido a múltiplas causas e integrar-se em vários processos patológicos como (Bronquite Crônica, Enfisema Pulmonar, Doença das PVAS, Asma, Fibrose Cística e Escoliose); Também relata que muito dos problemas respiratórios tem relação direta com o envelhecimento e disfunção pulmonar, principalmente falando dos idosos nos quais os processos fisiológicos evolutivos podem afetar a função respiratória sob vários ângulos. Um dos motivos das complicações respiratórias nos idosos se deve a diminuição das funções de defesa do aparelho respiratório quer inespecífico querem imunológicas. Assim se pode caracterizar o alto índice encontrado em nossa pesquisa onde 51,4% dos pacientes atendidos são idosos entre 51 e 70 anos, seguidamente de 13,6% com idade de 71 a 90 anos.
Das patologias que tiveram uma das maiores incidências foram às relacionadas a pneumoconiose com 27,1%; Isto acontece devido ao trabalho na extração de minério de carvão que há na região em grande quantidade. Dos 140 pacientes relacionados na pesquisa 30,7% deles trabalharam ou trabalham ainda nas minas de carvão da região, segundo os registros.
O termo´´Pneumoconiose“ foi criado por Zenker , em 1866 , para designar um grupo de doenças pulmonares decorrentes de exposição a poeiras fibrosantes e foi redefinido em 1971, na “ FOURTH INTERNATIONAL CONFERENCE OF EXPERTS“ como sendo o acúmulo de poeira nos pulmões e a reação tecidual a sua presença [5].
Considera-se pneumoconiose toda doença pulmonar que é decorrente da inalação de poeiras inorgânicas e orgânicas em suspensão nos ambientes de trabalho, levando a uma alteração do parênquima pulmonar e a conseqüentes respostas tissulares; Também e citado pelos autores que a pneumoconiose tem sua evolução ao longo dos anos, condicionados pela sua modulação por características privativas; possuem habitualmente quadro clínico discreto (tosse, eventualmente produtiva, dispnéia de esforço progressiva); em forma muito avançada pode surgir insuficiência respiratória e descompensação cardíaca [2 – 4].
West (1996) [6] Relata á importância da distinção da pneumoconiose inicial e tardia, onde a inicial há agregações de partículas de carvão em torno dos bronquíolos terminais e respiratórios, com alguma dilatação destas pequenas vias aéreas e apresentam características clinicas de dispnéia e tosse; Na forma avançada da doença, conhecida como fibrose maciça progressiva, massas condensadas de tecido fibroso negro infiltradas de poeira são observadas; e apresentam características clinicas de dispnéia cada vez maior e podem terminar em insuficiência respiratória.
No caso dos pacientes observados nesta pesquisa a pneumoconiose é causada pelo acúmulo de poeira gerada na extração de minério de carvão, atingindo com seus agentes nocivos as zonas distais do sistema respiratório e provocando reação tecidual do parênquima pulmonar.O grau de alteração do parênquima pulmonar tem relação direta com a quantidade de poeira de carvão á qual o mineiro esteve exposto [6], e com a função que é exercida no ambiente de trabalho, como exemplo os operários de “frente de trabalho“ como os perfuradores e carregadores [5]; Dentre as doenças pulmonares, as ocupacionais têm os maiores números de morbidade e mortalidade entre os trabalhadores [7].
Outra patologia que foi relacionada com grande incidência na pesquisa foi a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), onde 42,9% da população observada teve como diagnóstico. A DPOC é classificada como sendo uma doença caracterizada por desenvolvimento progressivo de limitação ao fluxo aéreo e é geralmente associada a uma resposta inflamatória anormal dos pulmões; a partículas e gases nocivos [8-9]; e também caracteriza-se por possuir pouca ou nenhuma reversibilidade imediata as substâncias broncodilatadoras [10].
A DPOC parece começar em uma etapa precoce da vida, ainda que não cause sintomas antes da quarta década, e só costuma levar a invalidez progressiva a partir da sexta a sétima década; Após o aparecimento das manifestações clínicas, o paciente com DPOC passa sofrer piora funcional progressiva [2]. Esta afirmação fica bem caracterizada pelos achados na pesquisa, onde 51,4% dos pacientes com problemas pulmonares têm idade entre 51 a 70 anos e 13,6% entre 71 a 90 anos. As patologias classificadas como DPOC são; a bronquite crônica e o enfisema pulmonar.
A Bronquite Crônica é classificada como uma condição clinica caracterizada por excesso de secreção mucosa na Árvore brônquica, havendo tosse crônica ou de repetição, junto com expectoração pelo menos em três meses do ano em dois anos seguidos [11-2- 6-12-13-14-1], e a característica patológica é a hipertrofia das glândulas mucosas nos grandes brônquios e evidencias de alterações infamatórias crônicas nas pequenas vias aéreas; O aumento das glândulas mucosas pode ser expresso sob a forma da relação glândula/parede, que normalmente é menos que 0,4 mas pode exceder 0,7 na bronquite crônica grave. Isto é reconhecido como índice de Reid [6].
Outra característica da bronquite crônica é o transtorno da função pulmonar onde o volume respiratório forçado em 1 s (VEF1), a capacidade vital (CVF), o volume respiratório forçado em porcentagem da capacidade vital (VEF/CVF%), o fluxo expiratório forçado (FEF25-75%), e o fluxo expiratório máximo a 50% e 75% da capacidade vital exata (Vmax50% e V max75% ) estão todos reduzidos; Todas essas medições refletem a obstrução das vias aéreas, quer isto seja causado por muco excessivo na luz ou espessamento da parede por alterações inflamatórias por um lado, ou parede da tração radial, pelo outro; e a CVF é reduzida porque as vias áreas fecham-se prematuramente em um volume pulmonar anormalmente alto, dando um volume residual (VR) aumentado, [6].
Segundo Cordeiro (1995) [4] e Carvalho (1987) [10] existem múltiplos fatores agressivos inaláveis como, poluição ambiental, domestica, profissional, agentes infecciosos, susceptíveis de lesarem as VACs e darem origem a quadros de Bronquite Crônica, destaca-se entre eles o tabaco que é o principal determinante de Bronquite Crônica , através dos processos lesionais brônquicos.
O Enfisema Pulmonar é definido em bases anatômicas, compreendendo as alterações estruturais do parênquima pulmonar, consistindo em aumento de volume dos espaços aéreos distais aos bronquíolos terminais, com destruição dos septos alveolares. Observa-se que esta é uma definição anatômica; em outras palavras, o diagnostico é presuntivo no paciente vivo [11-2-6-12-13].
O pulmão enfisematoso apresenta parte das paredes alveolares com conseqüente destruição de partes do leito capilar; as pequenas vias aéreas estão estreitas, tortuosas, e reduzidas em numero. Alem disso possuem paredes finas, atrofiadas. Há também alguma perda de maiores vias aéreas[6].
Existem vários tipos de Enfisema pulmonar dos quais são possíveis classifica-los através da analise das áreas afetadas pelo enfisema. No Enfisema centroacinoso ou centrolobular, a destruição é limitada à parte central do lóbulo e os ductos alveolares periféricos; alem disso tem a característica de afetar o ápice do lobo superior, mas espalhasse pelo pulmão abaixo à medida que a doença progride [1-6].
Em contraste, o Enfisema Panacinoso ou Panlobular, que mostra distensão e destruição do lóbulo inteiro e não possui nenhuma preferência regional, ou possivelmente é mais comum nos lobos inferiores. Em casos de enfisema grave, é difícil distinguir os tipos, que podem coexistir no mesmo pulmão [1-6].
Outra forma de enfisema citada por West (1996) [6] é associada com a deficiência da 1- antitripsina, onde a uma quantidade excessiva da enzima elastase lisossomial são liberadas dos neutrófilos no pulmão. Isto resulta na destruição da elastina, uma proteína estrutural importante do pulmão.
Segundo Wnin e Tecklin (1999) [14] o tabagismo é o causador mais comum desse mecanismo.
Em relação aos pacientes selecionados na pesquisa possuidores de DPOC e doenças relacionadas a elas, têm como principal caráter desencadeador à extração de minério e a grande quantidade de empresas que existe na localidade de Criciúma, as quais causam um grande transtorno ambiental na região. Outros fatores que podem desencadear a DPOC são as infecções respiratórias, viroses, fatores genéticos, familiares, tabagismo [15], poluição ambiental, doméstica, profissional [4-9], pneumonia; tromboembolismo pulmonar, pneumotórax, trauma direto, deterioração de base aspiração ou refluxo gastresofágico [12].
Segundo a OMS, a DPOC é a quarta maior causa de morbidade crônica e mortalidade do mundo [12] e possui uma grande tendência em aumentar estes números nas próximas décadas [10].
Nos dados recolhidos foi observado que dos gêneros da DPOC, as que tiveram uma maior incidência foram Bronquite Crônica 43,3%, seguida do Enfisema Pulmonar 21,7%. O restante da população que estava classificado nos arquivos como portadores de DPOC no total de 35%, não tinham o diagnostico da doença geradora da disfunção respiratória.
Também foi relacionado na pesquisa as patologias classificadas como sendo obstrutivas. As doenças pulmonares obstrutivas com 30% da população em pesquisa; Dentre as patologias encontradas foram: Asma com 88,1% e a Bronquectasia com 11,9% dos diagnósticos.
A Asma que obteve o maior índice na população é uma doença caracterizada pela presença de hiperreatividade das vias aéreas, levando broncoespasmos episódicos e reversíveis em decorrência do aumento da respansividade da árvore traqueobrônquica a vários estímulos. Os afetados experimentam ataques incapacitantes e imprevisíveis de dispnéia grave, tosse e sibilos desencadeados por episódios súbitos de broncoespasmo [16]; A asma tem como condição multifatorial, sendo determinada como uma interação de fatores genéticos e ambientais que levam a uma inflamação crônica das vias aéreas em indivíduos suscetíveis. Com esta inflamação, os brônquios sofrem um estreitamento, dificultando a passagem de ar. Suas principais características são: Obstrução das vias aéreas reversível espontaneamente ou com tratamento medicamentoso por broncodilatadores; inflamação das vias aéreas, aumento da reatividade das vias aéreas a uma variedade de estímulos [8].
Um dos fatores mais comuns geradores da asma são o pó da casa, ácaros domésticos, esporos de fungos, antagonos de baratas e feneros de animais, fibras e compostos vegetais, compostos químicos orgânicos, fumo e poluição atmosférica [4].
Segundo Silva (2001)[5] A incidência de asma é maior durante os primeiros três e quatro anos de vida com mais de 80% dos casos começando antes dos quatro anos de idade.
Dentro das patologias que foram classificadas como sendo Doenças Pulmonares Obstrutivas, tiveram como menor índice a Bronquectasia com 11,9% da população em pesquisa, a qual é caracterizada por uma infecção necrotizante crônica dos brônquios e dos bronquíolos que está associada à dilatação anormal dessas vias aéreas em decorrência da destruição dos componentes elástico e muscular de sua parede e, geralmente, acompanha as pneumonias viral e bacteriana, e podem também vir desenvolver associadas à obstrução brônquica, doença congênita ou hereditária e pneumonia necrotizante [5-16-17-15].
A Bronquectasia manifesta-se clinicamente por tosse crônica, hemoptise (pode ser maciça), febre e expectoração em grande quantidade de escarro fétido e purulento, dispnéia aos esforços e possui uma alteração inflamatória nas paredes brônquicas podendo ser encontrada hiperplasia das glândulas mucosa; É basicamente um processo localizado e começa mais cedo na vida do paciente, podendo ocorrer no fumante e no não fumante, e também sendo desencadeado por aspirações crônicas de conteúdo gástrico, aspirações de produtos cáusticos, gases, poluição ambiental, infecções bacterianas de repetição, pneumonia de aspiração, anormalidades no mecanismo de limpeza mucociliar, infecções fúngicas, tuberculose [16].
Segundo Tarantino (1997) [1] a bronquectasia pode se manifestar de forma congênita e hereditária, onde se destacam como sinais clínicos discinesias ciliares, onde se incluem a síndrome de Kartagener, as síndromes de Young, de Willians-Campbell, de Mounier-Kuhn, Fibrose Cística e deficiência de imunoglobulinas e de antiproteases; e de forma adquirida onde o fator predisponente seria por meio de infecções com ou sem obstrução da via brônquica axial, e os demais casos associados a defeitos anatômicos ou imunológicos.
A Bronquectasia é uma doença branda que não causa perda de função; Nos casos mais avançados, há uma redução do VEF e da CVF Em virtude de alterações inflamatórias crônicas incluindo fibrose. Medições com gases radioativos mostram ventilação e fluxo sanguíneo pulmonar nas áreas afetadas, mas pode haver um suprimento grandemente aumentado palas artérias brônquicas ao tecido doente. Hipóxemia pode desenvolver-se como resultado do fluxo sanguíneo através de pulmão não ventilado [6].

CONSIDERAÇÔES FINAIS

Os resultados permitem chegar à conclusão de que o perfil básico da grande maioria dos pacientes que procuraram tratamento no centro de reabilitação pulmonar é de idade entre 31 á 70 anos totalizando (75, 7%) dos 140 pacientes atendidos, e em sua grande maioria pertencem ao sexo masculino (70%) e são trabalhadores nas minas de carvão da região (30,7%). As patologias que repercutiram em maior número são as relacionadas a (DPOC) Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (42,9%), onde a Bronquite Crônica obteve maior incidência (43,3%) em relação ao Enfisema Pulmonar que teve como diagnostico presuntivo de (43,3%); seguida pelas Doenças Pulmonares Obstrutivas não crônicas com (30%), das quais tiveram como incidência de (88,1%) de Asma e (11.9%) de diagnostico de Bronquectasia; e o restante da população em evidencia com (27,1%) obteve como diagnostico a Pneumoconiose.
Todas as doenças em evidencia tem como fator epidemiológico direto à poluição ambiental tanto desencadeada no trabalho quanto fora dele; Além de outros fatores desencadeantes diretos e indiretos.
Dos fatores epidemiológicos os que têm a maior repercussão são as relacionadas à poluição ambiental, visto que a região de Criciúma tem como grande fonte de renda a extração de minério de carvão, o qual ocasiona um grande transtorno ambiental, repercutindo em tais patologias pulmonares.

Agradecimentos

A acadêmica Franciele Formigoni Canever da Faculdade de Fisioterapia da Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC, pela tradução do resumo deste artigo.

Bibliografia

1. Tarantino AB. Doenças Pulmonares, 4o edição, RJ. Ed: Guanabara Koogan, 1997.
2. Bethlem N. Pneumologia, 4o edição. Ed: Atheneu 2002.
3. Rodrigues SL. Reabilitação Pulmonar – conceitos básicos; 1o edição. Ed: Manole 2003.
4. Cordeiro RAJA. Pneumologia Fundamental. 1o edição, Ed: Fundação Calouste Gulbekian 1995.
5. Silva LCC. Condutas em Pneumologia.1o edição, Ed: Revinter 2001.
6. West JB. Fisiopatologia Pulmonar Moderna. 4o edição, Ed: Manole 1996.
7. Bagatin Ericson. Doenças Pulmonares Ocupacionais. Publicação: Maio – 2001, www.pneumoatual.com.br.
8. Consenso Brasileiro de DPOC – SBPT -Sociedade Brasileira de Pneumologia Tisiologia 2001 – www.sbpt.com.br.
9. GOLD- GLOBAL INICIATIVE FOR CHRONIC OBSTRUCTIVE LUNG DISEASE.2005www.GOLDCOPD.com.br.
10. Carvalho M. Fisioterapia Respiratória – teoria e técnica. 4o edição, Ed. Atheneu RJ,SP 1987.
11. Costa D. Fisioterapia Respiratória básica; 1o edição. Ed: Atheneu . SP 1999.
12. Borges ESOV, Filho JT. Abordagem terapêutica na Exacerbação da Doença pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Medicina, Ribeirão Preto, 36:241-247, abr./dez. 2003.
13. Consenso Brasileiro de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), J. Pneumol 26:S1-52, 2000.
14. Wnin S, Tecklin JS. Fisioterapia Cardiopulmonar, 2oedição, Ed: Manole 1999.
15. Carvalho M. Fisioterapia Respiratória – Fundamentos e contribuição. 5o edição, RJ. Ed: Revinter, 2001.
16. Stuart AG, M.D. O Pulmão – Correlação Radiológicas e patológicas. 3o edição, Ed: Measi 1997.
17. Oliveira JCA, Carvalho EV. Seretide Diskus: Bronquiectasias, Publicação: Fevereiro2002,www.pneumoatual.com.br

Se desejar, use os botões abaixo para compartilhar.

2 comentários em “ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS E PERFIL DOS PACIENTES QUE PROCURAM AUXILIO NO PROGRAMA DE REABILITAÇÃO PULMONAR DA CLÍNICA DE FISIOTERAPIA DA UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE – UNESC.”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.