‘Aprendo muito’, diz fisioterapeuta que se mudou para atender feridos da Kiss

Fonte: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/

kiss

Santa Maria precisou se reorganizar após o incêndio na boate Kiss. Com centenas de feridos, 242 mortos e moradores com o coração despedaçado, profissionais multidisciplinares foram recrutados para ir até a cidade prestar apoio. Danielle Arantes, de 38 anos, é um destes casos. A fisioterapeuta morava em Vacaria, na Serra do Rio Grande do Sul, havia 20 anos e voltou para a casa dos pais para prestar assistência. Desde então, dedica seu tempo a ajudar sobreviventes da tragédia na recuperação.

Na semana em que o incêndio na boate Kiss completa seis meses, o G1 Rio Grande do Sul conta histórias de seis vidas transformadas pela maior tragédia do Brasil nos últimos 50 anos. De sábado (27) até quinta-feira (1), familiares, sobreviventes, amigos falarão sobre superação, dor, luta e esperança.

“Eles estão sofrendo, mas estão sorrindo”, contou Danielle ao G1, emocionada, sobre o trabalho que tem realizado no Centro Integrado de Acolhimento a Vítimas de Acidente, o Ciava, como é conhecido no município.

Fisioterapeuta Danielle ao lado da paciente Silvia, que recebe atendimento no CIAVA (Foto: Arquivo Pessoal)
Fisioterapeuta Danielle ao lado da paciente Silvia,
que recebe atendimento no CIAVA (Foto: Arquivo
Pessoal)

O local foi formalizado no dia 18 de fevereiro, embora no dia da tragédia o Hospital Universitário de Santa Maria já se preparasse para abrigar a quantidade de feridos. Mais de 120 pessoas, entre alunos, ex-alunos e profissionais da saúde, se disponibilizaram para ajudar no que fosse preciso no dia 27 de janeiro.

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Danielle voltou para a casa dos pais algum tempo depois, em maio, para trabalhar no tratamento dos feridos no incêndio na boate Kiss. Foi a partir daquele mês que o Ministério da Saúde formou a equipe multiprofissional para trabalhar no Ciava, para que os profissionais do próprio hospital não precisassem mais dobrar as jornadas.

O marido de Danielle e uma vida estabelecida ficaram para trás. O impulso da profissional veio da vontade de ajudar, juramento que fez na formatura da faculdade. “Eu mesma que quis vir. Achei que era uma oportunidade única de lidar com uma situação dessas. Com o meu conhecimento, podia contribuir”, comentou.

Com a rotina alterada, agora ela estuda tratamentos e prognósticos para casos nos quais ainda não se sabe o futuro. Muitos dos profissionais se viram obrigados a debruçar sobre livros e voltar a aprender. Na Serra, Danielle tinha um consultório e trabalhava também em um hospital. “Eu enviei meu currículo e fui selecionada”, contou sobre o processo seletivo.

Nestes casos, a relação entre fisioterapeuta e paciente vai além do consultório. “A gente tem uma relação de amizade com esses pacientes. A gente se comunica pelas redes sociais, se encontra na rua, eles têm se tornando parte da família da gente e eu das deles”, disse. A cada nova consulta é uma oportunidade para tirar lições também fora dos livros. “Só convivendo com eles para ver o sofrimento que têm, como a cidade ficou abalada. Acho que tudo que a gente está vendo no dia a dia faz valer a pena”, completou.

Embora viesse apenas uma vez por mês para a cidade natal, Danielle perdeu pessoas próximas na tragédia. Quase todos amigos do seu sobrinho, que costumava encontrar em churrascos na casa dos pais. “Dou mais valor à vida, vejo de outro jeito.  Acho que foi uma mudança total, vim sem nada, meu marido está vindo depois. A gente não pode perder a oportunidade de dizer que ama. Aprendi muito com os pacientes, principalmente a ter força de vontade”, finaliza.

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